quinta-feira, 18 de agosto de 2016

SÁBADO IMPERIAL DE CURITIBA 2016

S.A.I. o Príncipe Dom Luiz (esq), Chefe da Casa Imperial
e seu irmão, o S.A. Príncipe Imperial Dom Bertrand

Prezados monarquistas,

É com grande satisfação que a Pró Monarquia – Casa Imperial do Brasil anuncia a realização do Sábado Imperial 2016, promovido em Curitiba (PR), no próximo dia 3 de setembro, pela Frente D. Pedro II, em parceria com o tradicional Clube Curitibano, com a presença de S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

PROGRAMAÇÃO:

Sábado Imperial 2016
Frente D. Pedro II
Curitiba, 3 de setembro de 2016
Clube Curitibano – Av. Getúlio Vargas, 2857
Espaço Carolla

• 09h30 – Recepção aos participantes;

• 09h45 – Abertura;

• 10h00 – “Barão de Serro Azul, um homem à frente de seu tempo”, pelo Desembargador Noeval de Quadros;

• 11h00 – “Princesa D. Isabel, a Redentora, da abolição à beatificação”, pela jornalista Zélia Sell;

• 12h00 – Intervalo para o almoço, com a presença de S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança;

• 14h00 – “D. Pedro II, o Imperador cidadão”, pelo historiado e escritor Prof. Renato Mocellin;

• 15h00 – “Ruptura do destino democrático, Monarquia x República”, pelo advogado e médico Dr. Laércio Lopes de Araújo;

• 16h00 – Intervalo;

• 17h00 – “Sócrates: Voltai a fazer o que fazíeis quando éreis felizes”, por S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

INFORMAÇÕES:

• NÃO será cobrada taxa de inscrição aos participantes. É, entretanto, indispensável a inscrição prévia, para possibilitar acesso às dependências do Clube Curitibano;

• O almoço – OPCIONAL – será servido no Restaurante Duetto, no próprio Clube Curitibano, ao preço de R$ 55,00 (cinquenta e cinco reais) por pessoa, bebidas à parte;

• O Bourbon Convention Hotel oferece tarifas de hospedagem diferenciadas para os participantes do evento, devendo ser mencionada na reserva a condição de participante do Sábado Imperial 2016. Reservas e pagamentos devem ser feitos diretamente ao Hotel. Para mais informações, pedimos que entrem em contato com a Frente D. Pedro II.

INSCRIÇÕES:

Pedimos que interessados em participar do Sábado Imperial 2016 entrem em contato com a Frente D. Pedro II.

FRENTE D. PEDRO II
Rua Lourenço Pinto, 196, cj. 901
80010-160 – Curitiba (PR)
(41) 3224-2995
Frented.pedrosegundo@hotmail.com

LINK ORIGINAL: Pró Monarquia - https://goo.gl/DWUjJh

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Elogio a Monarquia: o capítulo do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" - IV


A acusação
O Brasil foi o penúltimo país da américa a abolir a escravidão

A defesa
Até mesmo o povo brasileiro custou a apoiar a abolição

Uma acusação frequente que se faz à monarquia é ter demorado tanto para dar um fim à escravidão. O fato não é mesmo motivo de orgulho: o Brasil, pouco depois de Cuba,foi o último país da América a libertar os escravos. É injusto,no entanto, responsabilizar somente os líderes do país por essa lentidão. Para aprovar leis, eles precisavam do apoio dos deputados e senadores, que refletiam, pelo menos em parte,a opinião pública. E não só os proprietários rurais, mas o povo em geral e até mesmo a maior parte dos escravos demoraram a aderir com entusiasmo à luta abolicionista.Nos livros didáticos de história do Brasil, as revoltas do Período Regencial (os nove anos em que o país esperou a maioridade de Dom Pedro II) aparecem sempre como expressão da vontade popular a ser “sufocada” e “abafada” pelas forças imperiais. Pois nenhuma das grandes revoltas regenciais propunha o fim total da escravidão. A maioria delas deu mostras de que, se fossem vitoriosas,seguiriam o caminho dos governos de caudilhos latino-americanos. Eram indiferentes com relação à abolição até mesmo os movimentos que contavam com milhares de negros e escravos entre seus aliados, como a Cabanagem, do Pará, conhecida pela participação do povo nos protestos.

Os rebeldes “cabanos” tinham como objetivo principal a independência do estado: não havia consenso sobre o fim da escravidão. Eduardo Angelim, um dos líderes da Cabanagem, chegou a sufocar revoltas de escravos e executar os próprios aliados que pregavam a abolição. O gaúcho Bento Gonçalves, o grande líder da Revolução Farroupilha, morreu em 1847 deixando no seu testamento 53 escravos para seus filhos e netos.

Costume aceito por milênios de tradição, a escravidão foi uma atividade que as pessoas só lentamente começaram a encarar como injusta. Em junho de 1850, navios ingleses passaram a invadir portos do Paraná ao Rio de Janeiro para apreender, afundar ou queimar navios negreiros. Os ataques provocaram exaltados protestos populares no Rio de Janeiro – não para defender os abolicionistas ingleses,e sim para reclamar da intromissão inglesa na soberania nacional e defender os traficantes de escravos que tinham seus navios destruídos.
Sob a pressão inglesa, quem era contra a abolição passou a usar o patriotismo e a soberania como argumento, como fez o escritor José de Alencar. “O movimento popular só adquiriu força na década de 1880, tão enraizado estava o escravismo em nossa sociedade”, afirma o historiador José Murilo de Carvalho. Mesmo as revoltas escravas não largavam o sistema escravista. É o caso da Revolta dos Malês, organizada por negros muçulmanos na Bahia, em 1835. Os escravos queriam conquistar a liberdade – e escravizar os brancos e os negros que não fossem muçulmanos.Em se tratando de liberdade dos escravos, alguns líderes do Império foram mais revolucionários que os revoltosos do século 19. José Bonifácio, cujas cartas Dom Pedro leu momentos antes de dar o grito no Ipiranga, defendia a emancipação dos negros antes mesmo da Independência,mas ninguém lhe dava ouvidos.

Em 1819, para mostrar a seus vizinhos que a escravidão não era um mal necessário,Bonifácio montou um sítio em Santos onde trabalhavam apenas homens livres. Os vizinhos não seguiram o seu modelo.Décadas depois, foi a vez de Dom Pedro II polemizar ao insistir na liberdade gradual dos escravos. Para aprovar as leis que progessivamente extinguiram a escravidão, o imperador teve que se bater com os políticos conservadores e liberais que formavam sua grande base de apoio. Deputados e jornalistas o acusaram até de impor o fim dos cativeiros de forma autoritária, pois Dom Pedro II usava o poder do trono para mudar ministros e favorecer aqueles que topassem apresentar leis abolicionistas à Câmara dos Deputados.Integrantes do Partido Liberal e do Partido Conservador acusavam de “suicídio político” os colegas que apoiavamos projetos de emancipação. A abolição, como se sabe, foi um dos fatores a provocar o fim da Monarquia no Brasil. O descontentamento com Dom Pedro II ficou evidente ao deputado Leão Veloso ao analisar a situação política da Bahia: “Aqui não havia republicanos, e agora não somente os há,como não há liberal que não se mostre disposto a sê-lo: na grande propriedade então parece firrmado o divórcio com a Monarquia”, escreveu ele.
Em 16 de novembro de 1889, horas depois de ser destituído do trono pelos republicanos,Dom Pedro II foi embora do Brasil levando consigo um travesseiro cheio de terra brasileira. A liberdade política que o Império possibilitou foi embora com ele. Em 23 de dezembro, pouco mais de um mês depois do início do novo regime, o marechal Deodoro da Fonseca instituiu a censura prévia. Uma junta de militares passou a avaliar os jornalistas que ameaçavam o novo regime. Os presos políticos e exilados, figuras que não existiam no Segundo Reinado, de repente se multiplicaram. Boa parte dos políticos, editores de jornais e cidadãos comunslogo tiveram saudade dos tempos reais. O jornalista João do Rio, ao descrever o Rio de Janeiro de 1908 no livro “A Alma Encantadora das Ruas”, se mostrou surpreso com a quantidade de trabalhadores, negros e brancos, que levavam nas costas tatuagens de símbolos imperiais. Afirmou ele: “Pelo número de coroas da monarquia que eu vi, quase todo esse pessoal é monarquista”.

Elogio a Monarquia: o capítulo do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" - III


Diferente de outros reinos, o brasileiro não tinha uma corte movimentada, repleta de nobres se distraindo em jardins e solenidades. As cerimônias e os bailes eram raros e simplórios, como notou, escandalizada, a educadora alemã Ina von Binzer. “Você não faz ideia do que eu sentia! Era tudo horrivelmente simples!”, escreveu ela sobre a corte brasileira.Se Dom Pedro II tolerava opiniões divergentes e ligava pouco para o poder, não se pode falar o mesmo de seu pai. As grosserias e intempestividades de Dom Pedro I são famosas – o homem foi o líder mais tosco da história do Brasil. Fanfarrão, temperamental, mal-educado, devasso, corrupto, todos esses adjetivos cabem sem exageros ao jovem imperador. Quando se sentia ofendido por algum jornal,Dom Pedro I publicava panfletos anônimos cheios de xingamentos. Isso quando não partia direto para a violência. Em 1823, mandou um bando invadir a casa de Luís AugustoMay, autor de um panfleto de oposição, o Malagueta, e dar uma surra no homem.

Os ministros de Dom Pedro I também precisavam ter paciência com o chefe. Ele costumava demiti-los por qualquer motivo, geralmente quando se irritava com eles. O gabinete ministerial mudou dez vezes em seus nove anos de governo. “Tinha o hábito de intrometer-se em tudo, de distribuir os menores cargos, de dispor dos dinheiros do tesouro, degradando com isso as funções de ministro e humilhando os que as exerciam”, conta a historiadora Isabel Lustosa.Dom Pedro tomava ainda decisões arbitrárias e irresponsáveis. Em 1823, seis meses depois de convocar uma Assembleia Constituinte, se irritou com os deputados,fechou a câmara e mandou todos para casa. Os desmandos de Dom Pedro I, a suspeita de que ele provocou a morte da Imperatriz Leopoldina e sua vontade de virar rei de Portugal levaram o povo e os políticos imperiais a se revoltarem contra ele, que acabou dando o fora do Brasil em abril de 1831.Aquele herói, definitivamente, não tinha nenhum caráter. No entanto, está ficando claro aos historiadores que tantas canalhices e traquinagens ofuscaram um lado menos perverso de Dom Pedro I. Ao fechar a Assembleia Constituinte, ele prometeu uma constituição “duas vezes mais liberal” que a planejada pelos deputados. Cumpriu a promessa no ano seguinte, apresentando uma das cartas mais modernas da época. A Constituição de 1824, apesar de centralizar poder demais nos braços do rei, permitia o voto até mesmo de analfabetos.

Havia uma exigência de renda mínima para poder votar, mas o valor era baixo – 100 mil-réis, menos que o salário de um contínuo. A carta era ainda mais liberal na religião. Por todo o século 19 haveria gente defendendo o ultramontanismo, corrente que pregava a superioridade da Igreja ao Estado – os chefes de governo dos reinos católicos deveriam ser indicados pelo Vaticano.

Em 1824, Dom Pedro I não só deixou claro que quem mandava era o Estado como oficializou a tolerância religiosa. A constituição previa que os bispos seriam nomeados pelo próprio imperador e que judeus e outros grupos não cristãos (como a Maçonaria, com a qual o imperador simpatizava) poderiam abrir templos no Brasil. Como resume o historiador Neill Macaulay: Dom Pedro, de fato, deu ao Brasil uma carta que assegurou por 65 anos os direitos básicos dos cidadãos – não perfeitamente, mas melhor que qualquer outra nação do Hemisfério Ocidental naquela época, com a possível exceção dos Estados Unidos – enquanto os vizinhos da América Latina, sob inúmeras constituições que diferiam só em detalhes daquela desenhada na Assembleia, caíram vítimas de longos períodos de ditaduras e regras arbitrárias.


A acusação:
A independência foi um jogo de cartas marcadas

A defesa:
Ninguém queria se separar de Portugal


A Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822,lembra geralmente um jogo de cartas marcadas. Como aconteceu sem a participação do povo ou de um herói libertador,ficou a impressão de que o Brasil manteve laços da dominação colonial mesmo depois de se separar. Como escreveu o historiador Evaldo Cabral de Mello: “O brasileiro nunca se sentiu à vontade com a maneira pela qual se emancipou, intuindo que a Independência fora pouco mais excitante que a tramitação de um processo burocrático”. Na verdade, até meados de 1822, meses antes de Dom Pedro tornar o país independente, ninguém ligava para a separação do Brasil do reino português. Ela não passava pela cabeça dos políticos, juízes, jornalistas, funcionários públicos, nem dos cidadãos comuns. Nos panfletos e jornais, não há defesas à cisão do reino português.

O principal jornalista da época, Hipólito da Costa, criador do Correio Braziliense,desprezava a independência até meados de 1822. A historiadora Lúcia Bastos Pereira das Neves analisou mais de 300 folhetos políticos e jornais publicados nos três anos anteriores à Independência, além de cartas, documentos oficiais e mais de 30 jornais da época. Descobriu que a ideia do Brasil livre de Portugal virou um plano de verdade só em abril,cinco meses antes dos cupinzeiros das margens do Ipiranga entrarem para a história. “Em fins de 1821 e princípios de 1822, ao contrário do que poderia sugerir uma interpretação tradicional da Independência, as ideias favoráveis à emancipação do Brasil encontravam-se completamente ausentes do debate político”, concluiu a historiadora no livro “Corcundas e Constitucionais”, publicado em 2003.

As polêmicas da época eram outras. A principal delas tratava da forma de governo que o grande reino português deveria adotar. No começo do século 19, as monarquias detodo o mundo estavam divididas. A lembrança da Revolução Francesa atrapalhava o sono dos nobres – Luis XVI e Maria Antonieta haviam sido guilhotinados no meio demultidão em festa; anos depois Napoleão varreu quase todos os tronos ainda em pé na Europa continental. Neste novo cenário, os nobres se dividiam em absolutistas e constitucionais. Os primeiros, apelidados de corcundas, defendiam a volta aos tempos antigos, quando o rei tinha poder total sobre o governo do país, a criação de leis e o sistema judiciário. Já os constitucionais achavam necessário se adaptar ao espírito do século e aceitar um poder limitado,em que o monarca tinha que baixar a cabeça à Constituição.O segundo grupo ganhou o páreo, a custo de muita luta política e pressão popular. Dos panfletos e jornais que circulavam no Brasil, quase todos defendiam a Constituição – alguns deixavam isso claro já no título: Diário Constitucional, Revérbero Constitucional,Compilador Constitucional, Hinos Constitucionais e até mesmo O Alfaiate Constitucional.Outro motivo de discussão era o lugar em que o reino português deveria instalar sua sede. Isso porque a ideia mais corrente da época era criar o Império Luso-Brasileiro,um reino unido em que Brasil e Portugal teriam governos independentes e o mesmo poder político. Era o que planejava José Bonifácio de Andrada e Silva, o “patriarca da Independência”.

No livro “Lembranças e Apontamentos do Governo Provisório da Província de S. Paulo para os seus Deputados”, publicado em junho de 1821 para orientar os deputados que representariam o Brasil em Lisboa, ele firma a posição na ideia do governo brasileiro autônomo. E considera essencial “determinar onde deve ser a sede da Monarquia; se no Reino do Brasil, ou alternativamente pelas séries dos Reinados em Portugal e no Brasil; finalmente no mesmo Reinado por certo tempo, para que assim possa o Rei mais depressa satisfazer reciprocamente as saudades deseus povos”. Essa posição se manteve até o ano seguinte.A cisão do reino só aconteceu por causa da insistência dos parlamentares portugueses em manter o Brasil num nível político mais baixo. Em 9 de dezembro de 1821, emissários chegaram de Portugal com ordens duras impostas pelo governo português. Os decretos insistiamna volta de Dom Pedro à Corte e determinavam o fechamento de tribunais e departamentos administrativos, o que resultaria na demissão de 2 mil pessoas que viviam da administração do Reino no Brasil.

Jornais logo se pronunciaram; cartas e abaixo-assinados chegavam de São Paulo e Minas Gerais. Em 9 de janeiro de 1822, depois de receber um manifesto com 8 mil assinaturas para que desobedecesse as ordens de Portugal e permanecesse no Brasil, Dom Pedro comunicou a todos a célebre frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”. O Dia do Fico é considerado o instante inicial da rachadura que resultaria na independência; no entanto, mesmo depois desse episódio,os brasileiros ainda tinham esperança em continuar como parte do reino e manter uma ligação com a Europa. Comomostra um panfleeto dirigido aos portugueses e publicado depois do 9 de janeiro: Atrevidos, o Brasil não é escravo; o Brasil quer, e há de querer sempre ser unido a Portugal; mas ele não sofrerá insultos de seu irmão, sendo que mais velho seja, nem teme fantasmas.

Com o passar das semanas, porém, ideia de manter aunião com Portugal foi subindo no telhado. As cortes portuguesas teimavam em reduzir o Brasil a colônia. No dia 28 de agosto, chegaram de Lisboa mais ordens a Dom Pedro I.Desta vez, pediam que ele anulasse medidas tomadas por José Bonifácio, demitisse todos os ministros e colocasse no lugar homens escolhidos pelos portugueses. O príncip enão teve alternativa senão fazer o que não queria: anunciar a Independência do Brasil. A partida que ele jogou não foi a de cartas marcadas – e sim um blefe que assustou até súditos brasileiros.

Elogio a Monarquia: o capítulo do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" - II


No Segundo Reinado, ex-alunos de Coimbra se tornaram os cabeças do Partido Conservador, o principal partido do Império. Os políticos do grupo saquarema se inspiravam nos grandes teóricos do conservadorismo para fundamentar a missão de evitar revoluções e o caos no Brasil. O Visconde de Uruguai, que foi deputado, senador, ministro e conselheiro de dom Pedro II, acreditava que era preciso “empregar todos os meios para salvar o país do espírito revolucionário, porque este produz a anarquia, e a anarquia destrói, mata a liberdade, a qual somente pode prosperar com a ordem”. Bernardo Pereira de Vasconcelos, o mais sarcástico e influente orador do Parlamento brasileiro e autor do Código Criminal de 1830, não tinha vergonha de dizer que vinha da classe dos “capitalistas, dos negociantes, dos homens industriosos, dos que se dão com afinco às artes e ciências: daqueles que nas mudanças repentinas têm tudo a perder, nada a ganhar”.

Criou-se assim um ambiente em que era deselegante e infantil pregar revoluções e reformas radicais. Havia um consenso, mesmo entre os políticos brasileiros de grupos inimigos, que mudanças, se necessárias, deveriam passar por um processo lento e gradual, sem sobressaltos e traumas,garantindo liberdades individuais. A maioria dos políticos tanto era contra o Antigo Regime (em que o rei tinha poder absoluto nas decisões), mas ninguém defendia revoluções que cortassem a cabeça dos padres e dos reis e resultassem em caos da economia e terror entre os cidadãos, como aconteceu na França a partir de 1789. “Buscavam mudanças inovadoras, mas ao mesmo tempo queriam conservar o espírito das antigas estruturas econômico-sociais”, explica a historiadora Lúcia Bastos Pereira das Neves no livro “Corcundas e Constitucionais”, outro clássico sobre a mentalidade política daquela época.

No meio do caminho entre as reformas e a necessidade de manter a tradição, esses políticos são chamados hoje de liberais-conservadores.
Aqueles homens participaram de uma escolha consciente, um projeto bem pensado e posto em prática para manter a unidade do Brasil e modernizá-lo sem correr o risco de entregá-lo a aventureiros a cavalo. Não que tenham solucionado os problemas do país ou ficado livres de picaretagens e privilégios, como a nomeação de amigos e parentes a deliciosos cargos públicos. Mas o Império teve virtudes que são frequentemente esquecidas, ao mesmo tempo em que é alvo de acusações injustas e da visão simplista de que teria atendido somente a “interesses da elite”. Por mais fora de moda que isso pareça, é preciso defender a política da época. A seguir, três defesas a ataques comuns que se fazemà monarquia no Brasil.


A acusação:
O Brasil foi um dos últimos países da américa a virar república

A defesa:
A Monarquia brasileira era mais republicana que as repúblicas vizinhas

No fim de 1889, quando um grupo de militares liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e mandou a família real embora do Brasil, os observadores mais atentos dos países vizinhos entenderam muito bem o que a mudança significava. Rojas Paúl,presidente da Venezuela, resumiu a queda da Monarquia brasileira em uma única frase: “Foi-se a única república da América”.A famosa liberdade política do Império atingiu oponto alto durante o reinado de D.Pedo II. Dava o que falar não só entre as repúblicas vizinhas como entre os países europeus, criadores da noção de direitos individuais e de liberdade de imprensa. Nos jornais, até mesmo injúrias e difamações podiam ser publicadas sem resultarem processo para seus autores. “Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros”, conta o historiador José Murilo de Carvalho.“Schreiner, ministro da Áustria, afirmou que o imperador era atacado pessoalmente na imprensa de modo que ‘causaria ao autor de tais artigos, em toda a Europa, até mesmo na Inglaterra, onde se tolera uma dose bastante forte de liberdade, um processo de alta traição’.”

Os jornais publicavam dia a dia ilustrações satíricas – como a de Dom Pedro II, sonolento, sendo atirado para fora do trono. Mesmo diante desses ataques o imperador se colocava contra a censura. “Imprensa se combate com imprensa”, dizia.Nos 120 anos da República brasileira, são frequentes os presidentes que trataram os cidadãos, pressionaram a imprensa e gastaram o dinheiro público como se fossem reis absolutistas. Mesmo aqueles que tiveram contribuições relevantes ao país caíram no costume de agir como se estivessem acima da lei. Pode-se dizer o contrário de Dom Pedro II. Nosso último monarca, chefe do Poder Executivo e do Poder Moderador, descendente dos Bragança e dos Habsburgo, duas das mais tradicionais famílias reais europeias, atuou quase sempre com a humildade que os presidentes deveriam ter. Como imperador, ocupava,além da cadeira de chefe do Poder Executivo, a de chefe do Poder Moderador, criado para ser um árbitro em situações de impasse, crise e intenso conflito político.Essa força dava a ele permissão para dissolver a Câmara dos Deputados e convocar novas eleições.

Acumulando os dois poderes, Dom Pedro II era quase um rei absoluto, mas raramente tomava decisões autoritárias. Trocava ministros com cautela e procurava acatar a decisão dos deputados. Achava desconfortável a posição de monarca – diversas vezes disse que preferia ser um presidente eleito ou simplesmente um professor. “Difícil é a posiçãode um monarca nesta época de transição”, escreveu para a sua amante, a condessa de Barral. “Eu decerto poderia ser melhor e mais feliz presidente da República do que imperador constitucional.”A humildade de Dom Pedro II se revelava também no cuidado que ele tinha com os gastos pessoais – outra atitude tão comum entre nossos presidentes quanto passar as férias em Osasco. Não que o imperador custasse pouco ao Brasil – a família real ganhava uma mesada anual de 800 contos de réis, uma pequena fortuna.

Em todo o seu reinado, porém, Dom Pedro II nunca permitiu que a dotação fosse reajustada, mesmo diante da insistência de ministros e parlamentares. A quantia nem sempre era suficiente, pois financiava bolsas de estudos de jovens brasileiros no exterior, colégios, instituições de caridade e custos extraordinários do país – em 1867, o imperador doou um quarto da dotação ao caixa da Guerra do Paraguai. Para viajar pelo Brasil e pelo mundo (Dom Pedro II fez três longas viagens à Europa e ao Egito e Jerusalém e outra aos Estados Unidos), emprestava dinheiro de casas de negócio brasileiras e fechava a mão nos gastos. Os estrangeiros que visitaram os palácios reais se espantavam com a “simplicidade e franqueza quase republicanas”, como descreveu a americana Elizabeth Agassiz em 1865. O Palácio deS ão Cristóvão, residência da família imperial, era mal iluminado, sujo e tinha móveis velhos – isso quando tinha: na sala em que os ministros esperavam para se reunir com o imperador mal havia cadeiras. O palácio no centro Rio de Janeiro também assustava. “Comentava-se que o Paço da Cidade se transformara, com o tempo e a falta de uso, em um velho palácio decadente e abandonado, com seus móveis velhos e sem valor”, conta a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz.

Elogio a Monarquia: o capítulo do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" - I


O jornalista Leandro Narloch levantou estudos recentes sobre a História do Brasil para reavaliar conceitos arraigados - o ideal do bom selvagem e o massacre da Guerra do Paraguai, por exemplo - e desconstruir mitos - alguns dos autores mais incensados da Língua Portuguesa, como Machado de Assis. O resultado de pesquisas de historiadores que não se renderam à educação tradicional à qual todos somos passados a ferro na escola surge no livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” num texto bem humorado e fluido que nos leva a refletir sobre os papéis de mocinho e bandido. Baseado em farta bibliografia, Narloch revê o Brasil e traz a luz histórias que poderiam ficar restritas às estantes especializadas das livrarias. O livro está dividido em nove capítulos: Índios, Negros, Escritores, Samba, Guerra do Paraguai, Aleijadinho, Acre, Santos Dumont e Comunistas. Sem negar as qualidades ou os erros que a História do país e alguns brasileiros acumularam ao longo de cinco séculos, Narloch propõe um olhar mais curioso e menos acomodado. A nova edição do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil está maior e ainda mais polêmica! Narloch decidiu explorar temas espinhosos, como as vantagens de uma Monarquia tão duradoura, e mostrar que as acusações que os Bandeirantes sofreram foram exageradas. Desde seu lançamento, há um ano e meio, foram vendidos mais de 120 mil exemplares. Leia abaixo o capítulo “Elogio a Monarquia”, que consta da nova edição da obra.

Se você teve um professor ranzinza nas aulas de história da escola, deve ter aprendido a se envergonhar do Brasil do século 19. Enquanto revolucionários e libertadores de boa parte do mundo travavam batalhas heroicas e conseguiam se livrar das garras das elites e dos países colonialistas, por aqui não aconteceu nada, nada: ficamos sempre no quase. As revoltas populares quase deram certo, mas foram sufocadas; os heróis quase venceram, mas foram perseguidos e mortos. As mudanças que aconteceram foram todas de cima para baixo, com pouca participação do povo. Fomos o último país a abo-lir a escravidão, o último a proclamar a República. Até a Independência decepciona, já que foi proclamada pelo próprio príncipe do reino português no Brasil.

Quando o professor revelava esse passado monótono, baixávamos a cabeça desanimados com a história nacional. Mal imaginávamos que aquele aparente fracasso era motivo, se não de orgulho, pelo menos de alívio.Basta ver o século 19 pelo lado dos nossos vizinhos.As revoluções populares da América espanhola foram vitoriosas – e deram, quase todas, em tragédia. Guerras civis, ditaduras e assassinatos em massa brotaram do México à Argentina, com o Chile como única exceção. A região se despedaçou, dando origem a diversas e pequenas repúblicas inimigas entre si. A Venezuela, depois de se ver livre da Espanha e se separar do vice-reinado da Grande Colômbia, caiu em guerras civis e raciais com resultados genocidas. A estimativa de mortos nos conflitos venezuelanos varia muito, mas é sempre assustadora: vai de 3%a 30% da população.

Na Argentina, as decisões ficaram nas mãos de caudilhos, líderes militarizados cheios de virilidade, bravura e proezas equestres, como Juan Manuel de Rosas e Facundo Quiroga. Quando esses homens chegavam ao poder, fechavam jornais, interrompiam eleições e praticavam atrocidades contra os inimigos e o povo em geral.

A autonomia teve contornos bizarros no Paraguai. O primeiro presidente, José Gaspar Rodríguez de Franci a,expulsou todos os empresários e comerciantes do país e decidiu se meter até mesmo na vida sexual dos cidadãos.Só casamentos inter-raciais eram permitidos para os descendentes de europeus: os homens eram obrigados a casar com as índias. Em toda a América Espanhola, a economia foi à ruína, e demorou décadas para voltar aos níveis anteriores às revoluções.O Brasil tomou um rumo diferente não só por ignorara voz do povo, por “pressão dos grandes proprietários de terras”, como geralmente se diz, ou por uma suposta mania do brasileiro de deixar as coisas como estão. Os mais influentes deputados, senadores, ministros e conselheiros do Estado eram tão idealistas quanto os libertadores da América, mas de uma ideologia que desprezava revoluções, mudanças bruscas e atos heroicos contrários à realidade.

Num livro já clássico, A “Construção da Ordem”, o historiador José Murilo de Carvalho revelou o perfil comum dos políticos e magistrados daquela época. A maioria deles tinha uma formação profissional e ideológica muito parecida: eram bacharéis formados na Universidade de Coimbra, um dos polos do pensamento conservador da Europa.No fim do século 18 e começo do século 19, quem quisesse ser político, advogado, juiz ou funcionário público de um bom escalão tinha que estudar fora do Brasil. Como ainda não havia faculdades de Direito por aqui(as primeiras, de São Paulo e Olinda, são de 1828), quase todos os jovens mais ricos se mudavam para Portugal.Entre 1822 e 1831, todos os ministros brasileiros que tinham educação superior haviam estudado em Portugal – 72% deles em Coimbra. Enquanto as teorias flamejantes que motivaram a Revolução Francesa tomavam o mundo,a Universidade de Coimbra tentava manter seus alunos à distância das ideias libertárias da moda. “Coimbra foi particularmente eficaz em evitar contato mais intenso de seus alunos com o Iluminismo francês, politicamente perigoso”, afirma José Murilo de Carvalho em “A Construção da Ordem”

Era preciso contrabandear livros de Voltaire e Rousseau, pois a universidade os proibia. O iluminismo propagado em Coimbra era mais comedido e cauteloso. Os estudantes liam Adam Smith, o pai do liberalismo econômico, e Edmund Burke, o pai do conservadorismo britânico – dois autores que foram traduzidos para o português por José da Silva Lisboa, o Visconde Cairú.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

UM DEBATE OPORTUNO: MONARQUIA X REPÚBLICA


Durante as últimas manifestações de domingo, membros da Pró Monarquia - Casa Imperial do Brasil, e muitos outros monarquistas que acompanhavam S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, e seu sobrinho, o Príncipe Dom Rafael do Brasil, quarto na linha de sucessão ao Trono Brasileiro, apresentaram e distribuíram o novo panfleto para disseminação da causa monárquica.

Com o texto “Um debate oportuno: Monarquia X República” o panfleto da Pró Monarquia – Casa Imperial do Brasil coloca em questão a atual forma e sistema de governo, assim como demonstra a crescente onda monárquica que tem ganhado cada vez mais adeptos, especialmente entre a juventude, do mesmo modo que convida os não-monarquistas para uma reflexão sobre como seria benéfica a restauração monárquica no Brasil: “Já parou para pensar nisso?”
Segue o texto que acompanha o panfleto:

“A nossa bandeira é verde e amarela, jamais será vermelha”! “Eu quero meu País de volta!”

Estes dois brados resumem o sentimento de milhões de brasileiros que saem às ruas, em manifestações firmes, totalmente ordeiras e pacíficas!

Essas multidões, vestindo o verde e amarelo de nossa bandeira e entoando animadamente as estrofes do Hino Nacional, proclamam que desejam um Brasil fiel a si mesmo, a suas raízes cristãs, a suas tradições familiares, a seus valores de concórdia e de paz social.

O mundo oficial (políticos, meios de comunicação, artistas, etc.) até agora procura as raízes profundas dessa insatisfação que tomou ruas e praças de todo o Brasil, sem nunca sair da cordialidade.

Muitos não querem ver de frente a realidade e tentam, mais uma vez, as manobras de bastidores que perpetuem ou poupem um esquema de poder corrupto e ideológico.

O Brasil autêntico, o Brasil profundo disse não a um projeto de poder de índole estatal e socialista, comandado pelo PT com a cumplicidade de muitos setores do mundo político, com a benevolência de certo jornalismo e com o apoio de alguma intelectualidade... sem esquecer amplos setores do clero progressista.

Agora muitos proclamam a falência do sistema político, procurando artimanhas para uma solução improvisada e precipitada. Fala-se, de repente, em parlamentarismo como a solução mágica para a falência do regime republicano presidencialista.

Mas... mas... muitos jovens nas ruas, nos locais mais diversos, em grandes e pequenas cidades passaram a portar a bandeira do Império como símbolo da esperança para o futuro. Eles crêem que não é mais um arranjo nem mais uma solução improvisada dentro do sistema republicano que irá solucionar a grave crise moral e política que arrastou o País a um tal desastre e vendaval de corrupção.

Meios de comunicação de nosso País e do exterior se interessaram por esse fenômeno e a Monarquia aparece como uma eventualidade séria a ser considerada, proclamada nas ruas por jovens.

Já parou para pensar nisso? Já pensou em debater essa questão? Vamos conversar, vamos debater sem preconceitos uma solução que já foi nossa! O Brasil foi grande e estável no tempo do Império.

Hoje em dia diversos Países do mundo civilizado têm a forma de governo monárquica. Já viu em algum deles uma crise política das dimensões da nossa? A substituição de um governo imoral e corrupto custar tanto ao País como está custando este interminável processo de Impeachment?

Já pensou que um Príncipe não é candidato a nada?
Que ele sobe ao Trono sem depender de ninguém, está fora e acima dos partidos políticos?
Que o monarca é o fator de estabilidade nas crises políticas?

A Inglaterra acaba de passar por um forte abalo político com a decisão do Brexit, ou seja a escolha por parte da população que para preservar a sua identidade e suas tradições, decidiu sair da União Europeia. A decisão trouxe comoção dentro e fora do País; o Primeiro-Ministro conservador se demitiu com seu governo, o líder da oposição trabalhista renunciou à liderança. Mas a paz social não foi abalada, o sistema político continua estável e sereno como sempre, sob a égide da Monarquia.

O Brasil precisa de um debate sério não só a nível político, mas nos meios universitários, nas classes dirigentes, no empresariado, nas associações de classe, etc.

Vamos promover esse arejado debate e não nos deixemos pautar por uma agenda precipitada de um mundo político em falência.”

Distribuído e desenvolvido para as manifestações de Agosto de 2016, a Pró Monarquia – Casa Imperial do Brasil disponibiliza sua leitura e download a todos através do link http://tinyurl.com/panfletomonarquia2016

OBS: Para fazer o download do panfleto é necessário ter conta no "Issuu". Clique em "share" e na opção "download".

LINK ORIGINAL: PRÓ MONARQUIA - https://goo.gl/XbyNlK

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

5 factos sobre o imperador do Japão que talvez desconheça

Imperador Akihito quer renunciar ao trono, mas a lei não o deixa. 
Outras cinco curiosidades sobre a casa imperial japonesa, a dinastia mais antiga do mundo

Passados 200 anos da última renúncia de um imperador ao trono japonês, a hipótese volta a estar em cima da mesa com Akihito, atual soberano da monarquia japonesa, que vai para o 28.º à frente do Império do Sol Nascente.

O imperador japonês emite comunicados à população de uma forma muito esporádica e foi com surpresa que os japoneses o viram falar à nação, na manhã desta segunda-feira, sem ser no âmbito de uma ocasião simbólica. Sem quer nada o fizesse prever, Akihito, de 82 anos, apareceu em público para sustentar o seu desejo de renunciar ao trono, com base na idade e na sua saúde, que se encontra em declínio. Apesar de o ter feito num discurso vago em palavras, foi percetível para a população japonesa aquilo que o monarca estava a pedir: uma discussão no parlamento para que a lei do trono seja alterada e ele possa renunciar.

Desde o século XIX, altura em que foi atribuído um estatuto de entidade divina ao imperador, que lhe foi retirado o direito de abdicar do trono, estando por isso obrigado manter-se no poder até ao dia da sua morte. O reinado de um imperador no Japão também define calendários. Cada reinado é referente a uma era no calendário japonês, sendo que, quando o imperador morre, volta-se ao Ano Um de uma nova era. A era de Akihito é conhecida pela era Heisei, que significa "paz em todo o lado".

Em reação às palavras do imperador, Shinzo Abe, o primeiro ministro do Japão, fez uma curta declaração na qual admitiu a disponibilidade do governo japonês para aceder ao pedido do imperador e rever a alteração da lei, que foi das poucas que se manteve depois da alteração constitucional realizada no final da II Guerra Mundial, em 1945.

Além da impossibilidade do imperador renunciar ao trono, existem outras características que deve conhecer sobre a família imperial japonesa, descritas pelo The New York Times.

UMA DINASTIA DURADOURA
A casa imperial do Japão é a dinastia mais antiga do mundo. Akihito é o 125.º imperador de uma dinastia que, acredita-se, vem do ano 600 A.C, ano da fundação do país, e é descendente do imperador Jimmu, que por sua vez, segundo a população, descendeu da deusa do Sol. No entanto, a história dos imperadores do Japão está envolta em mistério e as provas históricas só permitem atestar uma linha dinástica que não foi quebrada desde o ano de 500 D.C. Seja como for, já lá vão uns anos.

DE SEMIDEUSES A HOMENS
O imperador é o chefe de estado e a autoridade máxima do Xintoísmo, a religião do Japão. No século XIX começou a existir um maior culto de personalidade e uma deificação do imperador, tendo-se mantido essa tendência até ao século XX, quando Hirohito renunciou a esse estatuto atribuído pela constituição ao chefe de estado.

UMA FAMÍLIA DE CIENTISTAS
A família real japonesa colocou o país no trilho do desenvolvimento industrial e demonstra interesse pela ciência desde os tempos do imperador Meiji (1867-1912). Os dois últimos imperadores, Hirohito e Akihito, revelaram um interesse particular pela biologia marinha. Hirohito escreveu vários ensaios sobre a classe Hydrozoa, que alberga a família das alforrecas e das caravelas portuguesas, enquanto Akihito estudou muito atentamente os peixes Gobi, existindo até uma espécie nomeada em honra do imperador japonês.

MULHERES NO PODER
Embora com legitimidade para reclamar o trono durante um longo período da história, só oito mulheres ostentaram a coroa japonesa de imperatriz até hoje. A partir do século XIX, passou a ser proibido e agora só uma retificação da Lei da Casa Imperial pode fazer com que uma mulher volte a assumir o trono do Japão. O poder passa sempre para o filho varão mais velho da família real, que neste momento é o príncipe Naruhito. Como este só tem uma filha, o seu sucessor será, por sua vez, um sobrinho seu, o príncipe Hisahito (filho do irmão de Naruhito e neto do imperador Akihito). O executivo japonês chegou a ponder mudarar a lei a favor da princesa Toshi, filha única de Naruhito, mas com o nascimento do Hisahito, em 2006, o problema da sucessão masculina na família real japonesa ficou resolvido.

O TRONO DE CRISÂNTEMO
Akihito e a sua família vivem no palácio imperial de Tóquio, considerado uma das propriedades de imobiliário mais caras do mundo. No palácio imperial de Tóquio está também a Agência da Casa Imperial – órgão que trata de todos os assuntos da família real –, além de vários museus. A monarquia é referida de uma forma metafórica como o trono de crisântemo, no entanto, existe mesmo um trono de crisântemo instalado num palácio em Kyoto, no qual o imperador se senta quando da sua coroação.

LINK ORIGINAL: VISÃO - http://goo.gl/jk97dz