quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

COMO COMEÇOU A MODA DO BANHO DE MAR.

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Até 1810 ninguém tornava banho de mar no Brasil. Mulher nenhuma se esticava na areia de biquíni fio dental ate torrar como um camarão. Não tinha futebol ainda e muito menos futebol de areia. Não tinha surf nem rodinhas de banhistas descansando sob guarda-sóis.

Ninguém considerava costumeiro, nem civilizado lagartear na areia até 1810. Mas naquele ano, o rei dom João VI faria um mergulho na Praia do Caju, hoje um lugar degradado na zona portuária do Rio de Janeiro. O monarca estava com a perna infeccionada por causa de um carrapato e seguia orientações médicas. Sem querer, ele inaugurou o costume que hoje lota as praias de banhistas e vendedores de queijo coalho.

Na França e na Grã-Bretanha, distintas senhoras já tomavam seus banhos para curar doenças físicas e até psíquicas. As teorias sobre o benefício do banho de mar eram a última palavra na medicina da Europa. E foi lá que os desesperados médicos de dom João foram buscar a receita para curar o rei que vivia no Brasil havia dois anos. A ideia de que a água - sobretudo a água salgada do Canal da Mancha - era um santo remédio veio de uma teoria do médico e religioso inglês John Floyer nos primeiros anos do século XVIII.

Além de criticar a igreja por modernizar a cerimônia do batismo (que virara um mero espirro de gotas na testa), o doutor Floyer acreditava que o mar tinha poderes milagrosos até para paralíticos. Sua obra inaugural, a História do Banho Frio, foi publicada em dois volumes, em 1701 e 1702. Mas a corrida às praias na Europa começou mesmo meio século mais tarde, em 1749, quando outro inglês, o doutor Richard Frewin, descreveu a primeira cura por banho de mar

Sessenta anos depois, havia no Velho Continente uma enxurrada de publicações de métodos para o tratamento marinho, Os médicos de dom João decidiram tentar, E a receita deu certo: o monarca curou-se, Com o sucesso, os banhos atraíram a corte portuguesa alojada no pais, Logo surgiram as primeiras casas de banhos terapêuticos, que ofereciam aos banhistas piscinas com água do mar e locais para se trocar e guardar as roupas, Em um anúncio de 2 de dezembro de 1811, do jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, uma casa de banho oferecia seus serviços por 320 réis, o dobro do preço de um ingresso do Circo Olímpico, o principal da cidade.

Pegar praia dava cadeia até a década de 20

O traje de banho usado em 1810 por dom João VI não era nada convencional nem mesmo para a época. O rei de Portugal tinha medo dos caranguejos e só aceitou entrar na água dentro de um barril. O recipiente que lhe serviu de roupa tinha o fundo tapado. Na lateral havia um pequeno buraco, por onde a água entrava. Conforme as exigências do monarca, apenas suas pernas podiam ser molhadas.

A preocupação do governo e dos banhistas com a falta de pudor nas praias era enorme. Inicialmente, as senhoras banhavam-se de madrugada, para não serem vistas. Contra os moleques que as importunavam, as casas de banho colocavam em suas paredes avisos como este: "É expressamente proibido fazer furos nestas cabines à verruma ou pena, os encontrados nessa prática devendo ser entregues ação da polícia".

Em 1917, o prefeito carioca Amaro de Brito regulamentou os horários de praia. De 1° de abril a 30 de novembro, podia-se entrar na água das 6h às 9h e das 16h às 19h. No verão, das 5h às 8h e das 17h às 19h. Quem fosse pego em outros horários era punido com multa ou cinco dias de cadeia.

A liberdade de frequentar a praia sem a perseguição da polícia começou com os esportes aquáticos. Em 1880, aconteceram as primeiras regatas, por influência inglesa. A primeira mulher a vestir um maiô de peça inteira, colado ao corpo, foi a campeã olímpica Annette Kellerman, na Olimpíada de Estocolmo, em 1912.

Em 1946, o francês Louis Reard chocou o mundo ao mostrar dançarinas de cabaré com o umbigo à mostra, vestidas apenas com a sua invenção, o biquíni. Quinze anos depois, a polêmica chegou ao Brasil: o biquíni foi proibido nas praias nacionais pelo pacote moralista do presidente Jânio Quadros, que vetou também corridas de cavalo, rinhas de galo e o lança-perfume. Mas a moda já tinha pego por aqui fazia tempo.

Em 1964, a novidade foi o monoquíni (ou "topless"), que foi criticado pela Igreja mas apoiado por Roberto Carlos em músicas como "Eu sou fã do monoquíni" . Apesar do lobby do rei, o traje ainda é polêmica. Em 2000, tivemos episódios de policiais prendendo mulheres que se aventuravam na prática.

Fonte: Aventuras na História 02/2005

Contribuiu com o artigo Ana Carolina Delgado - Licenciada em Relações Internacionais, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Residente em La Paz, Bolívia.

Cinco razões pelas quais a monarquia é um sistema melhor


1- A monarquia representa a pluralidade da identidade e da constante renovação na continuidade

A democracia exige a mudança cíclica dos governantes. Nenhuma outra parte pode estar permanentemente no poder e na alternância é um componente fundamental do sistema. Mas nesse mesmo sistema, o monarca pode e deve representar os valores de um país onde o chefe de Estado se mantém. E para representar torna-se um elemento de convergência entre os interesses diferentes de identidade política e étnica. Um Rei de Espanha, que detém títulos como o rei de Castela, Leão, Aragão, Navarra, Valência, Galiza, Maiorca, Córdova, Múrcia, Gibraltar, das Ilhas Canárias, o conde de Barcelona e Senhor da Biscaia, para falar apenas dos territórios que hoje são o espanhol ou aspiram por unanimidade, que eles são, necessariamente visto como uma referência mesmo para aqueles que não se sentem necessariamente espanhol.

2- A monarquia é uma forma mais moderna

A República é um sistema mais natural, ou seja, é mais elementar, mais atrasada. Cada civilização é uma subtração à natureza. Tudo é menor natural. A partilha comum de bens é mais natural do que a propriedade. Qualquer civilização-Kings, propriedade, contrato de casamento, envolve um elemento de modernidade e complicação e artificialidade, sobrepostas, como freio e limitar os naturalidade. Como também são acréscimos à natureza da educação, boas maneiras ou empate. E precisamente porque o desenvolvimento e liquidação através dos séculos levando a uma monarquia, você tem que entender que é na mão de qualquer pessoa ter uma monarquia, mas ele está tendo uma república. Uma revolução é feita em 24 horas, a monarquia é a colonização dos séculos.

3- A Monarquia permite independência


O Crown Prince ou sucessor, como seu pai ou parente do rei não pode ser usado por políticos, e que deve o seu estatuto com a natureza é designado a partir do nascimento e da nação conhece como energia primordial, tais lutas em cúpula. Em uma época como a nossa racionalista pode parecer anacrônico princípio hereditário: baseia-se na parte física do homem que o racionalismo e idealismo que a nossa sociedade despreza e crescido além da medida.

Mas na realidade o corpo é tão humano quanto o espírito, e herança é o único modo de nomeação de chefe de Estado não é manipulável, que investe o Rei da independência, a condição mais importante na função. O que dá valor imbatível para Monarquia herança é o chefe de Estado para a independência que lhe dá herdou status. Ea condição tem que ser herdada dentro de uma família. É o que o político e diplomata francês Charles Benoist resumida na máxima "uma dinastia, sempre a mesma, sempre renovada em uma monarquia."

Como José Maria Pemán argumentou em suas "Cartas a um céptico sobre as formas de governo": "Tanto quanto me esforcei nunca sagacidade ser encontrado imediatamente transmitida de qualquer forma, sem intervalo ou interrupção, comparável em clareza e rapidamente para a transmissão familiar de pai para filho. Assim, todas as bases sociais que exigem continuidade e características de permanência têm historicamente e cientificamente caráter familiar, daí o "pai" é a grande palavra que aparece sillar inabalável escondida na raiz etimológica de tudo o que designa um pilar fundamental da sociedade humano. Uma coisa de pai soa do país, que é a nação e patrimônio, que é a propriedade, e do patriarca, que é a autoridade. Uma coisa pai tem que soar muito, se não no nome, na realidade querida, a melhor forma de governo, "a monarquia. E, para terminar seu Pemán idéia conclui: "A família, não o indivíduo, é secularmente a propriedade assunto, o destaque ou a honra. O que é estranho é também o tema do Governo? "E fora da propriedade, não há outra escolha do que a escolha, com restrições de sua dependência, mesmo servilismo e lucro busca de poder dentro.

4- O pior Rei é melhor

A condição humana é imprevisível. A história de todas as monarquias do mundo existe ou foi gerou soberanos bons e ruins. E muitas vezes não é o pior de que estavam no trono no momento da mudança de regime. Mas a monarquia evoluiu o conceito de soberania nacional, e hoje, no Ocidente, é parte de regimes constitucionais. Num sistema constitucional-como, por exemplo, os espanhóis- potestas dos quais tem um Rei é muito limitada.

E um mau rei teria pouca chance de prejudicar a nação, precisamente porque os seus poderes são muito circunscritas. Mas um bom rei enche de auctoritas graças à sua forma de domínio de nenhuma outra maneira pode conseguir essa autoridade. Mas um mau presidente de uma república é constantemente agindo para obter a continuar o seu trabalho, muitas vezes dominar seus poderes tentando justificar a sua presença como chefe de Estado e gera crise como a que acabamos de viver um dos países mais importantes da Europa onde aprendemos que o presidente de corrupção e renunciou após meses recusando-se a aceitar as suas responsabilidades.

5- Nenhum sistema é perfeito, é o melhor possível


Se é relativamente fácil de diferenciar entre os políticos que sempre pensam na próxima eleição e aqueles que pensam nas próximas gerações pode-se dizer, a priori, que o político natural tem ido às urnas para pensar na próxima eleição, enquanto para Prince é sempre mais fácil pensar nas próximas gerações. Porque o Rei é o deputado de todos aqueles sobre votação, aqueles que votam e os que não votam. O homem é capaz de compreender os princípios universais e, como resultado, às vezes se pensa existir no mundo criado: grande erro, pode habitar sua mente, aumentar a sua vontade, mas não se aplicam porque eles são seres de razão.

Nós nos esforçamos para a perfeição , mas um erro ao definir enteléquias padrões. Monarquia hereditária é o padrão perfeito para o governo da sociedade, é, nem mais nem menos, o governo melhor possível para seres limitados. E a distinção entre limite e está perfeitamente claro, mas muitas vezes esquecem. Lembre-se do exemplo clássico: a mula não entende um silogismo, mas não por imperfeição do silogismo, é limitando a mula, que é, no entanto, uma mula perfeita sem conhecer a teoria do conhecimento.

Mais com um sentimento. Irracionais e talvez por isso, muito verdadeiro. Disse José Maria Pemán na obra citada: "Ao lado de Carlos V de Ticiano, um presidente da República tem um retorno certo, não vou dizer que ao chefe tribal, mas para o chefe da aldeia ou magistrado . " Essa afirmação é de 1937. Muitas parece inteiramente válido.

RAMON PEREZ-MAURA

CHEFE DE ESTADO ELEITO OU HEREDITÁRIO?

S.A.I. o Príncipe Dom Luiz de Orleáns e Bragança, Chefe da Casa Imperial
em frente ao Trono Imperial brasileiro

Comando de um partido ou chefia nacional?

Pretende-se no vértice do Estado o delegado de um partido ou de um agrupamento político, mandatário de uma facção de interesses — que é o que resulta de uma votação —ou a personificação do País inteiro, de toda a comunidade nacional?

É indiscutível que um Presidente, porque é eleito, representará apenas uma parcela — o setor maior ou menor dos seus eleitores — e nunca poderá, com algum fundamento, atribuir-se-lhe a representação dos que não quiseram votá-lo e de quantos preferiram os candidatos seus opositores. A procedência eleitoral restringe e limita, automática e expressamente, a função representativa.

O Rei ascendendo ao trono pelo nascimento, não provoca divisões nem lutas de opinião.

Não é candidato. É aceite previamente, sem discussão, sem rivais, porque é único nas suas condições.

Independente das divergências políticas, situa-se acima delas, igual para todos, a todos igualmente representando. Todos estão ao abrigo do poder da Coroa, imparcial, extra-partidário e agregador nacional.

O Poder Real não tem cor política.

Ao contrário, o Poder oriundo de uma eleição fica, ipso facto, vinculado à parte que vencer. É o poder dos vencedores sobre os vencidos.

Por via eleitoral, os vencidos não têm, na realidade, qualquer parte de representação na chefia do Estado.

Mas a representação nacional, em verdade, não se traduz na expressão restrita dos votantes (como é da teoria eleitoral), nem sequer na da população ativa, na transitoriedade de um dado momento da vida da nação.

Uma representação nacional autêntica terá de abranger, para aquém e além do efêmero presente, a herança do passado e a projeção futura, isto é, ajustar-se à personalidade histórica da nação.

E onde está o órgão ou a instituição, pergunta-se, que no Estado Republicano supra neste aspecto a falta da Dinastia?

O Rei, se pela sua função vitalícia já preenche uma geração, anda intrinsecamente ligado, pela ascendência e pela descendência, na extensão do tempo, ao longo evoluir nacional.

A sua história genealógica confunde-se com a história pátria.

Que outra representação da nação se poderá pôr em confronto com esta, verdadeiramente nacional, que nos oferece a Realeza?"

Segundo capítulo de "Razões Reais" de Mário Saraiva.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Rei da Holanda faz convite especial para comemorar aniversário

Rei da Holanda faz convite especial  para comemorar  aniversário
S.S.M.M. os Reis dos Países Baixos

Você faz aniversário no dia 27 de abril? Vive na Holanda? Sua Majestade, o rei Willem Alexander, terá um grande prazer em convidá-lo para jantar.

O palácio real holandês anunciou nesta segunda-feira que, para comemorar seus 50 anos, o popular rei convidará 150 pessoas para um jantar com ele e sua esposa, a rainha Máxima, em seu palácio de Amsterdã.

Um site especial (www.WA50.nl) foi aberto para as pessoas que sonham em ganhar o convite, e os 150 sortudos serão escolhidos por sorteio em 3 de março.

O sorteio está destinado apenas a quem tenha nascido no mesmo dia do rei, que viva na Holanda, tenha mais de 20 anos e celebre um “ano jubilar” – um aniversário divisível por cinco, segundo informou o palácio.

O jantar será realizado em 28 de abril, para que os premiados possam celebrar seu aniversário no dia certo, com a família e os amigos.


Depois do jantar, o palácio será aberto a público, que terá acesso livre durante 50 horas.

LINK ORIGINAL: ISTOÉ - https://goo.gl/LhbFAZ

Um pouco sobre a mãe de Pedro II do Brasil, a Imperatriz Leopoldina.

Ficheiro:Leopoldina-schlapritz-mcm.jpg
S.M. a Imperatriz Dona Leopoldina do Brasil

- Caso não encontrasse um marido, o que aconteceu meses depois de redigir o trecho a seguir, de carta de 1816, Leopoldina queria estudar profundamente mineralogia: “Sei que até hoje nenhuma mulher jamais estudou mineralogia, pois as mulheres não podem entrar na universidade de modo algum – mas isso não será impedimento para mim! O que vai acontecer é que simplesmente serei a primeira a fazê-lo!"

- Leopoldina jamais havia visto o mar. E o mundo jamais havia visto uma princesa europeia cruzar os mares para desposar um monarca em solo americano. O casamento era um ato político e não um impulso sentimental: a união de Leopoldina e D. Pedro I estabelecia uma aliança de Portugal com a Áustria, cujo objetivo era escapar do controle da Inglaterra.

- Nas cartas do Brasil ao pai, Francisco I, Leopoldina fazia fartas encomendas de livros – entre eles , Os princípios de economia política (1820), de Thomas Malthus – além de obras de história natural , música e três volumes dos documentos históricos e das reflexões sobre o governo da Holanda de Luís Bonaparte.

- Uma defensora da monarquia parlamentarista, Leopoldina idealizou e foi a maior defensora de um processo de independência de um país na América, antes mesmo de seu marido D. Pedro I. Aos 24 anos, presidiu o Conselho de Ministros durante a viagem do príncipe a São Paulo e apoiou ferrenhamente a permanência dele no Brasil, o Fico. Ela lhe escreveu: “ A maçã está madura; colha-a agora! Pedro, este é o momento mais importante de sua vida! ”

- A Imperatriz gostava de fazer longas cavalgadas ao Jardim Botânico, Cosme Velho, Botafogo e até para fazenda de Santa Cruz. Montava mesmo nos últimos meses de gestação, sendo as roupas de montaria as suas preferidas.

- Em carta ao pai meses após a Independência, Leopoldina escreveu “brasileira de coração”. Ela foi a maior figura feminina da construção do Brasil como nação independente. Todos os símbolos estavam por criar: a coroa imperial, o cetro, o manto, o novo brasão de armas, o hino composto por Pedro I e a bandeira idealizada e costurada por ela, Leopoldina que escolheu o verde da Casa dos Bragança e o amarelo da Casa dos Habsburgo.

- A partir da chegada de Leopoldina, que tinha grande interesse nas artes e ciências, o Brasil começou a receber uma maior identidade. A Missão Artística Francesa e a Missão Científica Austríaca tiveram grande incentivo de sua parte.

- Grávida, muito deprimida e doente, Leopoldina morreu sozinha como regente do Império brasileiro. Pedro I estava no sul lutando pelo domínio da Cisplatina. A Imperatriz sendo a primeira mulher governante do Brasil deixou cinco órfãos entre eles o futuro Pedro II do Brasil, que mal tinha completado 1 ano de idade.

Fonte: Biblioteca Nacional RJ e IMS RJ.

Via: página PEDRO II DO BRASIL

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A ORDEM DA ROSA, UMA CURIOSIDADE

Resultado de imagem para Imperial Ordem da Rosa

Um dos primeiros agraciados recebeu a comenda em virtude de serviços prestados quando de um acidente com a família imperial brasileira: conta a pequena história da corte que, em 7 de dezembro de 1829, recém-casado, D. Pedro I regressava com a família do Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista.

Como de sua predileção, conduzia pessoalmente a carruagem quando, na rua do Lavradio, se quebrou o varal da atrelagem e os cavalos se assustaram, rompendo as rédeas e fazendo tombar o veículo, arrastado perigosamente. O Imperador fraturou a sétima costela do terço posterior e a sexta do terço anterior, teve contusões na fronte e luxação no quarto direito, perdendo os sentidos. Mal os havia recobrado quando o recolheram à casa mais próxima, do marquês de Cantagalo, João Maria da Gama Freitas Berquó.

Segundo o Boletim sobre o Desastre de Sua Majestade Imperial e Fidelíssima publicado no Jornal do Commercio, Dona Amélia foi a que menos cuidado exigiu: "não teve dano sensível senão o abalo e o susto que tal desastre lhe devia ocasionar". A filha primogênita, futura Maria II de Portugal, "recebeu grande contusão na face direita, compreendendo parte da cabeça do mesmo lado".

Augusto de Beauharnais, príncipe de Eichstadt, Duque de Leuchtenberg e de Santa Cruz, irmão da imperatriz, "teve uma luxação no cúbito do lado direito com fratura do mesmo". A baronesa Slorefeder, aia da Imperatriz, "deu uma queda muito perigosa sobre a cabeça". Diversos criados de libré, ao dominarem os animais, ficaram contundidos.

Convergiram para a casa de Cantagalo os médicos da Imperial Câmara e outros, os doutores Azeredo, Bontempo, o barão de Inhomirim, Vicente Navarro de Andrade, João Fernandes Tavares, Manuel Bernardes, Manuel da Silveira Rodrigues de Sá, barão da Saúde.

Ao partir, quase restabelecido, D. Pedro I condecorou Cantagalo a 1 de janeiro de 1830 com as insígnias de dignitário da Ordem e D. Amélia lhe ofereceu o seu retrato, circundado por brilhantes, e pintado por Simplício Rodrigues de Sá.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Cunhado não é parente – e o do rei da Espanha pega pena de prisão

A princesa Cristina da Espanha e o seu marido, Iñaki Urdangarin em 2010

Pela perspectiva positiva, Cristina de Bourbon e Grécia, foi considerada apenas beneficiária de proventos advindos da corrupção. A infanta, como são chamadas na Espanha e em Portugal as princesas que não são herdeiras diretas da coroa, não havia sido incluída pela promotoria como ré, mas uma ação popular pedia sua condenação como co-participante nas lambanças do marido.

Pelo lado negativo, num futuro próximo, a princesa da família real poderá ter que ir até uma penitenciária quando quiser ver o marido e pai de seus quatro filhos, Iñaki Urdugarín, condenado a seis anos e três meses por prevaricação, desvio de fundos, fraude contra a administração pública, tráfico de influência e evasão fiscal.

O início do cumprimento da pena ainda depende de decisão sobre um eventual apelo ao Supremo Tribunal.

Para o irmão dela, o rei Felipe, o melhor é deixar para trás o escândalo chamado de caso Nóos, o elegante nome grego de um instituto criado para promover os esportes e outras causas elevadas, na prática reduzido à triste modalidade de enriquecimento ilícito.

O escândalo, na verdade, foi um dos motivos pelos quais Felipe se tornou rei antes do previsto. O outro bafafá foi causado pelo próprio pai, Juan Carlos, cuja vida dupla, com amantes e expedições de caça bancadas por xeques cheios de petrodólares, explodiu quando ele sofreu uma fratura em plena atividade.

Juan Carlos acabou percebendo, ou sendo dissuadido a perceber, que só a abdicação garantiria a coroa – simbólica, já que na prática não é mais usada – para o filho e a continuidade de uma linhagem de dez reis da Espanha antes dele.

Apesar da longa história, e das inúmeras tragédias da família Bourbon, a monarquia espanhola contemporânea é produto de um arranjo recente. Ela foi reconstituída pelo pacto democrático instaurado depois da morte do caudilho Francisco Franco.

Juan Carlos teve um papel importante ao persuadir os generais franquistas a aceitar a saída democrática e desfrutou do prestígio advindo dessa atuação até ver que a perda de popularidade da monarquia seria letal para a instituição.

Quando assumiu como Felipe VI, o atual rei escapou de uma baixaria. Mesmo já rompida com ele, a irmã foi ao palácio de Zarzuela e exigiu assistir a cerimônia na condição de infanta. A turma do deixa disso teve que intervir, muito diplomaticamente, mantendo a princesa na ala reservada a sua mãe, a rainha Sofia.

Cristina já tinha brigado com o pai e com o irmão, acusando-os de deslealdade. A situação piorou quando Felipe assumiu o trono com um plano de obrigatória faxina ética traçado em conjunto com a mulher, a ex-jornalista Letizia.

Felipe literalmente cassou o título de nobreza dado por Juan Carlos a Cristina e seu marido quando se casaram, o de duques de Palma de Maiorca. Com o prestígio do título, a conexão direta com a família real e seu histórico de campeão de handebol, Urdagarín associou-se a políticos e empresários para se dedicar ao conhecido circuito de concorrências públicas fraudulentas, eventos superfaturados e uso de paraísos fiscais para esconder o faturamento ilícito.

O escândalo começou a ser investigado em 2011. Pouco antes, Cristina e o marido haviam comparecido a um dos grandes acontecimentos sociais da monarquia européia, o casamento da princesa herdeira da Suécia, Victoria. Cristina usou uma tiara com oito pérolas gigantescas engastadas entre diamantes rodopiantes, emprestada pela mãe. É tão grande que foi criticada por ofuscar os adereços usados pelas outras convidadas da família real espanhola.

A tiara pertenceu originalmente a Vitória Eugenia, casada com o rei Afonso XIII. No dia do casamento da neta da rainha Vitória, em 1906, um anarquista catalão jogou uma bomba escondida num buquê de flores, matando trinta pessoas. O vestido de noiva da princesa britânica ficou coberto de sangue.

À luz do passado, talvez visitar o marido na cadeia não seja o pior que pode acontecer a membros da realeza espanholam, mesmo para Cristina, que se considera vítima de conspirações e traições. “Nasci infanta e vou morrer infanta”, disse, segundo espalham, quando foi sugerido que renunciasse a seu lugar na linha sucessória – o sexto, depois das duas filhas de Felipe e Letizia, e do grupo da irmã mais velha, Helena.

“Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada”, disse Talleyrand, o ardiloso estadista, sobre os Bourbons franceses, o tronco do qual saiu o ramo espanhol, quando a monarquia foi fugazmente restaurada na França. Talvez seja este o lema da princesa espanhola que enfrentou juízes e câmeras com expressão altiva, como se estivesse fazendo uma concessão.

Cristina só mantém contato próximo com a mãe, hoje separada do marido infiel e aparentemente satisfeita por não precisar mais fingir que dividia o mesmo palácio com ele. A irmã Helena, só encontra, muito discretamente, em datas como o Natal, sob os auspícios de Sofia.

Desde antes do escândalo, todas tratavam a plebeia Letizia com restrições. Como rainha consorte e mais firme parceira do rei no projeto de reposicionamento da monarquia no mercado da opinião pública, Letizia não deve ficar muito triste com o banimento da cunhada esnobe.

Segundo o jornal El País, depois de morar em Washington e Genebra numa espécie de exílio proporcionado por empregadores generosos, enquanto o escândalo rolava, Cristina deverá enfrentar a próxima e dolorosa fase em Lisboa, onde seu pai foi criado.

Com Felipe, a monarquia espanhola recuperou algum prestígio, mas está longe de uma performance brilhante. Uma pesquisa do ano passado dá uma nota média de 4,4 à instituição. Felipe tem 52,8% de aprovação (Letizia, 44,3% e Juan Carlos, mantido em silêncio obsequioso, 30,9%).

Talvez conte a favor da monarquia o panorama desanimador da política, em que impasses entre partidos fragmentados mantiveram o país em clima de instabilidade. Relativa, evidentemente.

Comparada a vizinhos europeus mergulhados na era da instabilidade, a Espanha parece uma fortaleza. Mariano Rajoy, o pouco simpático e teimoso primeiro-ministro, conseguiu uma estabilização econômica consistente, embora pálida, e uma sobrevida quase milagrosa, à base da exaustão dos adversários – e do país.

Ter um chefe de estado que paira acima do mundo fragmentado da política e procura colaborar para um consenso, dentro dos estreitos atributos do monarca, pode ser positivo em momentos assim. Que este chefe de estado seja um rei tão preocupado com a faxina ética da monarquia a ponto de romper com a própria irmã acaba sendo um ponto a mais para a o sistema.

LINK ORIGINAL: VEJA - https://goo.gl/VR7Od7