quinta-feira, 23 de julho de 2020

RESERVATÓRIO PEDRO II

Image may contain: 4 people, people standing, outdoor and water

Engenheiros no reservatório Dom Pedro II, Rio de Janeiro. Fotografia de Marc Ferrez, 1880. O objetivo do reservatório era garantir o fornecimento de água ao bairro de São Cristóvão e às áreas adjacentes. O reservatório está situado na Rua Marechal Jardim, 455. 

Fica próximo ao Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como Pedregulho. 

O reservatório foi tombado pelo INEPAC – Instituto do Patrimônio Histórico da cidade do Rio de Janeiro em dezembro de 1998. Ainda hoje, o reservatório é um dos principais distribuidores de água para as áreas centrais do Rio de Janeiro.

O Último Chefe de Polícia da Corte do Império

Image may contain: 1 person, standing

O Paraibano Conselheiro José Basson de Miranda Osório, chefe de Polícia da Corte do RIo de Janeiro de 1884 a 1889, foi o maior combatente do Movimento Republicano na Capital do Império. 

Além de chefe de polícia Basson comandava uma vasta de rede de espiões e informantes que se infiltraram nos clubes republicanos militares e estudantis, com o objetivo de avisar as autoridades do governo da possibilidade de uma conspiração de teor golpista no Movimento Republicano.

Em 1889 Basson estava cada vez mais convencido por seus informantes de que um golpe militar republicano estava próximo, especialmente por ser o ano do Centenário da Revolução Francesa. Às vésperas do Dia 14 de Julho de 1889, centenário da Queda da Bastilha, sabendo das prometidas passeatas a favor do fim da Monarquia, Basson tentou convencer o Imperador Dom Pedro II a aprovar uso do artigo 90 do código penal para impedir qualquer manifestação Anti Monarquia. (O Artigo prevê a prisão de cinco anos a quem tentar destruir diretamente a independencia ou a integridade do Império). Dom Pedro II reprovou a ideia e respondeu. "Nao faça isso Senhor Basson, deixa os Rapazes, eles são incapazes de violências"

Mesmo com a reprovação do Imperador, Basson reuniu um grupo de policiais e capoeiras da Guarda Negra para intimidar a manifestação republicana. Ao verem o delegado e seus homens a maioria fugiu desordenadamente, mas alguns estudantes reagiram a intimidação disparando contra a polícia e os capoeiras, resultando em cerca de 11 feridos de ambos os lados.

Apesar de sua imagem pública ferida pela imprensa, Basson continuou atuando como Chefe da Polícia e informando ao Gabinete de Ouro Preto de uma conspiração militar iminente, os esforços do Delegado e de seus informantes foram frustrados pelo fato que o Presidente dos Ministro, o Visconde de Ouro Preto preferia ouvir os conselhos de Floriano Peixoto e do chefe da guarda do exército da capital, José de Almeida Barreto, que tranquilizou o governo garantindo que qualquer tentativa de golpe contra a monarquia seria combatido duramente. (Barreto na verdade era um cripto republicano, e um dos conspiradores do 15 de Novembro).

Após a proclamação da República, frustrado pelo fato de que o último gabinete do Império ignorou seus relatórios de inteligência e conselhos, José Basson de Miranda Osório não ofereceu resistência a Deodoro da Fonseca e entregou o cargo de chefe da polícia a Francisco Vítor da Fonseca e Silva. após o fim da Monarquia José Basson de Miranda passou a exercer a profissão de advogado na Paraíba até sua morte em 1903 aos 67 anos de idade. 

Fonte: As trapaças da sorte: ensaios de história política e de história cultural/Segredos e Revelações da História do Brasil/ Os subversivos da República.

A MÃO DE PEDRO II

                   No photo description available.

Mão Moldada em bronze do Imperador Dom Pedro II de 1841. Uma tradição medieval da monarquia francesa retomada no século XIX por Napoleão Bonaparte, a Mão da Justiça foi também incorporada ao rito do Império do Brasil, tornando-se uma das insígnias da monarquia brasileira durante a coroação do soberano. 

A escultura original em gesso, que traz o sinete com as Armas do Império no dedo anular, foi moldada pelo escultor francês Marc Ferrez, no dia 7 de março de 1841, a partir da mão direita do próprio imperador menino. Segundo o ritual da coroação, depois de ungido é coberto pelo manto imperial Dom Pedro II voltaria ao Trono de onde ouviria missa, para em seguida receber do bispo celebrante a Espada, o Cetro, a Coroa, o Globo e a Mão da Justiça. 

Por ocasião da maioridade, foram feitas algumas esculturas em bronze-dourado, como está da coleção do IHGB, fundidas pela Casa da Moeda, atualmente muito raras.

O IMPERADOR DO BRASIL NA RÚSSIA

Image may contain: one or more people and people sitting

Durante sua viagem as terras do Czar, Dom Pedro II visitou São Petersburgo, Capital do Império Rússio e foi recepcionado na Academia de Ciências da Universidade de São Petersburgo em 31 de agosto de 1876 pelo emérito orientalista Ilya Nikolayevich Berezin e pelo inventor da Tabela Periódica Dimitri Mendeleiev, o químico russo havia preparado algumas salas para recorrer durante a visita de Sua Majestade.

Ao examinar cada seção, Dom Pedro II falava como conhecedor, e pedia, ao mesmo tempo, novas informações sobre outros mestres russos que visitara antes na Europa. Afeiçoado à leitura, durante as explicações fornecidas, o Imperador descobria quase sempre, discordâncias, enganos e lacunas.

Assim, compreende-se a forte admiração despertada, entre os professores russos, ao emitir opiniões próprias, pedindo novos esclarecimentos sobre casos controversos. Segundo o escritor Argeu Guimarães, "sua maneira delicada, afável e comunicativa, impressionou os docentes da Universidade de São Petersburgo, os quais, após a partida do monarca, se reuniram para proclamá-lo membro de honra dessa instituição, um título de doutor honoris causa, e oferecer-lhe várias obras, tais como a História da Universidade de São Petersburgo de Grivoriev, a Enciclopédia Russa do professor Berezine, uma História Natural e outras publicações acadêmicas".

Um dos momentos marcantes da viagem de Dom Pedro II foi avistar as vastas planicies do império dos czares. As velhas cidades de cúpolas douradas, os campos cobertos de trigo, a variedade de raças e de costumes, o interior faustôso das igrejas ortodoxas com a sua liturgia imponente, tudo fopretexto para exclamações, para frases de admiração, para fortes e imorredoras emoções.

Image may contain: one or more people
Dom Pedro II na Universidade de São Petesburgo

São Peterburgo, Moscou, Kourah, Kiev ... Depois a marcha para o sul: Odessa, Sebastopol, Livadia. Em Odessa, que era, por assim dizer, um grande armazem de trigo, os viajantes foram vêr as montanhas de grãos acumulados. "Sua Majestade, conta Gobineau, quiz subir até o cimo em passos contados, e enterrava a perna até o joelho sem conseguir avançar. Tive então a honra de inventar subir correndo; caí por duas vezes, mas consegui afinal chegar ao alto!"

Image may contain: one or more people

Em Livadia, naquelas margens floridas do mar Negro, Dom Pedro II encontrou-se com o Imperador da Rússia, Alexandre II, Monarca de espírito justo e de larga inteligência, que desde 1855 tivera a coragem de abolir a escravatura em seus Estados, destruindo, assim, um dos mais enraizados privilégios das classes nobres do Imperio. 

O Brasil apesar de menor em território, teve seu processo de Abolição mais lento, 33 anos depois dos Russos. Os dois Monarcas que mudaram os destinos de suas nações não escapariam, apezar disso, do destino cruel, Alexandre II foi assassinado em um atentado em 1881, e Dom Pedro II morreu na penúria após ser exilado do próprio pais em 1891. 

Image may contain: 2 peopleJornal Russo anunciando a visita dos Monarcas do Brasil

Fonte: Dom Pedro II o Fastígio de Heitor Lyra./Dom Pedro II e a cultura, Arquivo Nacional

sábado, 11 de julho de 2020

UM PRÍNCIPE NO CAMPO DOS AFONSOS


SO Jefferson E. S. Machado*

Muitos são os que chamam a aviação de atividade nobre. No início era coisa de loucos, mas com o tempo e o glamour, dado por jornais e revistas do início do século XX, o imaginário cunhou a nobreza como características daqueles que são responsáveis em conduzir os aviões pelos céus do mundo. Digamos que isso foi algo literal durante a década de 40 na Escola de Aeronáutica da nascente Força Aérea Brasileira.

D. João de Orleans e Bragança tentou, assim como muitos de seus antepassados, manter a tradição da participação de membros da família imperial brasileira na Armada da Marinha do Brasil. Segundo o site do Colégio Brasileiro de Genealogia, pretendia ingressar na marinha de guerra do Brasil, mas o presidente Getúlio Vargas declarara que não desejava ver um príncipe herdeiro na Marinha. Reprovado nos testes de admissão sem razão alguma, conseguiu ingressar na aviação naval, graças ao auxílio do almirante Castro e Silva.

Com a criação do então Ministério da Aeronáutica, através do Decreto-Lei 2961 de 20 de janeiro de 1941, ficou determinado - no artigo oitavo - que todo o pessoal militar da Arma de Aeronáutica do Exército e do Corpo de Aviação Naval, inclusive as respectivas reservas, passariam a formar uma corporação única. A reboque foi criada a Escola de Aeronáutica pelo Decreto-Lei 3.142 de 25 de março do mesmo ano.

A partir dessas decisões, o jovem segundo tenente João de Orleans e Bragança foi transferido da Aviação Naval para a Força Aérea Brasileira, mais precisamente para a Escola de Aeronáutica - como auxiliar de instrutor de pilotagem - como consta no Boletim do Ministério da Aeronáutica de 1 de junho do mesmo ano.


Começa aí a vida do Príncipe no Campo dos Afonsos. São muitas as notícias nos jornais da época sobre sua vida. Participava de muitas festas, recepções e eventos beneficentes. Alguns periódicos que, talvez, não fossem muito favoráveis à monarquia acentuavam essa parte e procuravam não tocar muito em seu viés militar. Porém, como podemos constatar em algumas de suas cadernetas de voo – de posse do arquivo do MUSAL - ele foi um oficial aviador que participou intensamente das iniciativas da FAB na época.

O “Jornal do Brasil” e o periódico “O Jornal” vão noticiar e cobrir, de forma até entusiasmada, a missão que D. João fará aos Estados Unidos da América. Contudo, foi o “Diário Carioca” que informou, em primeira mão, que o Ministério da Aeronáutica concedeu autorização para a viagem. Segundo o matutino, o objetivo era o aperfeiçoamento em aviação sanitária. **

Segundo o JB de 25 de novembro de 1941 ele havia chegado em Miami e suas principais visitas aconteceriam em Annapolis, Pensacola e em West Point. Além disso, a publicação acentua a origem nobre do militar e narra a entrega de flâmulas em nome da Escola de Aeronáutica, nos dia 20 de janeiro e 03 de março de 1942.


Já as publicações de “O Jornal” de 04 de dezembro de 1941, 20 de janeiro e 14 de março de 1942 afirmavam que ele visitaria o Departamento de Marinha americano, estava em missão especial e que inspecionaria os centros de treinamento do Exército e da Marinha do país citado.

O próprio aviador narra sua viagem na “Revista Esquadrilha”.*** Ele escreve um texto relatando a entrega das flâmulas que os cadetes brasileiros enviaram aos companheiros das instituições que seriam visitadas.

Causaria estranheza a grande repercussão da missão na mídia da época e a ida de um militar que não fosse pelo menos um oficial intermediário, para uma missão de tal responsabilidade, se o envolvido não fosse um dos representantes da Casa Imperial brasileira. Nas fotos da Revista, podemos constatar que foi, inclusive, recebido pelo General diretor de uma das instituições.

Outra missão importante, publicada no “Correio da Manhã” através de um louvor do Ministro da Aeronáutica a todos os aviadores e mecânicos participantes, foi um grande translado de aeronaves do EUA para o Brasil ocorrido em 1942. Seu nome está na lista dos que realizaram o empreendimento. E a notícia foi dada sem muito alarde quanto à sua participação nos meios de comunicação.

Como instrutor, o Príncipe brasileiro foi primeiro lugar nas prova de tiro aos pratos nos Jogos de Caxambu de 1943, que eram realizados em homenagem ao Presidente Getúlio Vargas. Além das diversas missões acima, D. João voou também pelo Correio Aéreo Nacional.

         


Em 1944, o mesmo foi classificado no 4º Regimento de Aviação do Galeão. Talvez por sua experiência na Aviação Naval, ele passou novamente a pilotar Hidroaviões na missão de Patrulha no litoral brasileiro. Em sua caderneta, vemos que pilotou as aeronaves Catalina PBY-5 e Grummam G-44A Widgeon, ambas aeronaves em exposição no MUSAL.

Ficou afastado do Campo até Julho de 1945, quando foi matriculado em um curso de carreira na Escola de Aeronáutica. Quanto À sua saída do 4º Regimento, o boletim nº 108 traz um texto, reproduzido pelo “Correio da Manhã”, em que enaltece em tom de agradecimento e elogio a conduta do príncipe no patrulhamento da Costa Brasileira.



Não sabemos muito sobre seu dia-a-dia entre os militares nos Afonsos, mas ficou claro por essas linhas que assim como os milhares de homens e mulheres que ingressaram na Força Aérea Brasileira, também cumpriu o seu papel de combatente e brasileiro.

Aeronaves pilotadas por D. João de Orleans e Bragança que estão em exposição no Museu Aeroespacial.

BOEING STEARMAN A75L3 - Kaydet | Stearman Aircraft Company

Catalina - Consolidated Vultee 28 (PBY-5A/C-10A) | Boeing Aircraft of Canada

DH-89A - Dragon Rapide | De Havilland Aircraft Co.

FOCKE-WULF Fw 44J Stieglitz | Fabrica Militar de Aviones

FOCKE-WULF FW 58 B-2 Weihe | Fábrica do Galeão

GRUMMAN G-44A (J4F-2) “Widgeon” | Grumman Aircraft

*O autor é Suboficial da Força Aérea Brasileira e Doutor em História Comparada pelo Programa de Pós Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

** De acordo com o § 6º do Decreto nº 361, de 3 de Outubro de 1935, “A aviação sanitaria comprehende o estudo historico desse novo meio de transporte de doentes e feridos, em tempo de paz e de guerra, o da estatistica comprovante de sua efficiencia crescente, o das indicações e contra-indicações clinicas para o transporte, e o das questões condizentes com o problema da neutralidade dos aviões sanitarios e seus pilotos, e as ligadas á escolha do typo de avião próprio.

*** Tal publicação era realizada pela Sociedade de Cadetes da Escola de Aeronáutica e nossa biblioteca possui a coleção desse periódico. no exemplar de junho de 1942.

FONTE: MUSEU AEROESPACIAL

terça-feira, 30 de junho de 2020

A Decadência do Partido Republicano em 1889

Image may contain: 1 person, text

“A força dos republicanos civis, realmente, era de pouca valia, exceção feita dos seus pujantes arraiais de Sao Paulo (onde, desde 1882 jornais lhes propagavam as ideias, e á frente destas estavam Rangel Pestana, Campos Sales, Prudente de Morais, Bernardino de Campos, Glicerio, Amer co Brasiliense, Cerqueira Cesar. . .) e do Rio Grande do Sul (onde Julio de Castilhos comandava a sua jovem brigada de positivistas).

O nucleo republicano, isto é, o partido fundado em 3 de Dezembro de 1870 e refundido em 73, não prosperára sensivelmente naqueles dezoito anos. Varios signatarios do manifesto de 70 ou se tinham definitivamente silenciado como Cristiano Otoni, ou passado a servir á monarquia, como o conselheiro Lafaiete. Quintino Bocaiuva continuava a redigir "O Paiz"; afirmára sinceramente, ás vesperas da explosão revolucionaria, que, sem o exército, viriam o Terceiro, o Quarto e o Quinto Reinados. Era esperar que as academias fornecessem o seu grande contingente de estudantes republicanos; que aquela mocidade, que de S. Paulo e Recife irradiava para todas as províncias, comungando o ideal francês ou americano da Republica leiga, levasse a toda parte a sua fé; e da renovação social, que se operava, saísse o ambiente", propicio a mudança das instituições.

Esperava-se e que a morte do imperador Dom Pedro II fosse a solução natural. O povo não esperava a vinda da República. Só se pensava no Futuro Reinado da Imperatriz Isabel I. Nem mesmo o Partido Republicano esperava a proclamação da república. Que só soube das “boas novas” no próprio 15 de Novembro de 1889. Os militares de Deodoro da Fonseca foram os verdadeiros salvadores do Republicanismo Brasileiro em meio ao fervor isabelista.”

Fonte: História da Civilização Brasileira de Pedro Calmon

Via BRAZIL IMPERIAL

O Primeiro Comandante da Guarda Policial do Rio de Janeiro.

Image may contain: 1 person

O Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto foi militar de carreira no Exército Imperial Brasileiro até o posto de capitão, quando servindo com Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, foi indicado para comandar a recém criada Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Foi companheiro de longa data de Caxias, tendo seu "batismo de fogo" ocorrido na Bahia em 1823, junto com aquele que seria o patrono do Exército. Em 3 de junho de 1835, o capitão Castrioto, que já se havia distinguido na Guerra da Independência e da Cisplatina, é nomeado Comandante Geral da Guarda Polícial, exercendo este cargo por mais de vinte e cinco anos, de 1835 até 1861.

Atuou, como comandante da polícia, no combate ao tráfico de escravos no litoral da província fluminense, predendo mais de 150 traficantes. Atuou também como comandante policial na pacificação das províncias de São Paulo e Minas Gerais quando das Revoltas Liberais contra o governo imperial em 1842.

Após reformar-se no posto de brigadeiro, em 1861, recolheu-se à Fazenda de Sant'Anna, cuja sede ficava no bairro de mesmo nome em Niterói, para cuja capela cogitou-se transferir a igreja da freguesia de São Lourenço. Faleceu em 1874 aos 69 anos de idade.

Via: BRAZIL IMPERIAL