quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE FELIZ ANO NOVO


Mais um ano chega ao fim. Para alguns marcados por extrema alegria, para outros embargados de dor. Nesse momento é hora de refletir. Como foi nosso ano? Conseguimos conquistar nossos ideais? Será que realmente lutamos por eles?

Demos o abraço que nosso irmão tanto queria, ou viramos as costas não se importando com ele? Pedimos perdão pelas nossas falhas, ou o orgulho não deixou? Fomos amigos e companheiros com nosso colega de trabalho, ou simplesmente fazíamos nosso trabalho sem se importar com o outro tão perto de nós? Estivemos presente na vida de nossos filhos, de nossos maridos, esposas? Enfim, depois de tantas perguntas nos vêm mais uma: será que teremos uma outra chance? Para um pedido de desculpas, uma reconciliação, uma dúvida não respondida, um amor encontrado, uma dor desaparecida, um grito de alívio, um beijo, um abraço que não foi dado?

Meu Deus… nos dê forças, nos dê saúde, nos dê a chance de fazer o que deveria ser feito, consertar nossos erros, de sermos amigos, companheiros, compreensivos, mãe, pai, filha, filho, esposa, esposo.

Mais uma chance chega, os fogos anunciam a chegada de um ano novo! É hora de refazer seus sonhos ainda não realizados e acreditar que irá concretizá-los. Soltar um olhar solidário e acalantador para os seus amigos. Aprender com os erros do ano já ido e brindar o ano bem vindo com um sorriso.

O grande ideal é fazer o bem, vamos lutar por nossos irmãos brasileiros. Vivemos em um país maravilhoso, perfeito, mas que é mal gerido e, consequentemente, faz seu bom povo sofrer... VAMOS MUDAR ISSO!

EU ACREDITO NO BRASIL, NÃO VOU DESISTIR DELE!

A equipe da TV Imperial - Movimento de Restauração da Monarquia no Brasil deseja a você um ano repleto de luz, amor, saúde e prosperidade.

Feliz Ano Novo e que Deus os abençoe!

BRASIL


As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta (uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios. Na época colonial, cronistas da importância de João de Barros, Frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gândavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" é derivado dessa forma, bem antes de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos e também na construção do cérebre Cruzeiro da denominada por Pedro Álvares Cabral de "Terra do Santo - Cruzeiro de Brasil" armados nos altares nas duas Missas celebradas na época da conquista portuguesa aos piratas, com apoio de nativos - amigos e de soldados e artilharias de terra e mar presentes na batalha, e em frota de treze naves - fortalezas e a consequente descoberta para o mundo civilizado conforme a verdadeira História do Descobrimento em livro de Armador (Capitão-mor ou Marechal de Armada) Pedro Álvares Cabral publicado em Editora da Biblioteca Real de Lisboa da Imprensa Régia, em 1501.

Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" (em vez de Terra - continental) no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o conhecido desde antiguidade o pau-brasil.

"Brasil nasceu Imperial", Segundo Pedro Álvares Cabral em seu célebre livro de 1501.

Em 1967, com a primeira constituição do regime militar, o Brasil passou a chamar-se República Federativa do Brasil, nome que a constituição federal brasileira de 1988 conserva até hoje. Antes, na época da monarquia constitucional, de acordo com a primeira constituição, a constituição imperial brasileira de 1824, baseada essa constituição nas chamadas "Ordenações de Maria - Primeira, Imperadora", era Império do Brasil, e depois, com a proclamação da República brasileira em 1889, o nome foi alterado para Estados Unidos do Brasil.


  • TEORIAS

Pau-brasil

O nome proveniente da árvore Pau-brasil; A origem derivada da madeira já era defendida na época colonial, onde cronistas da importância de João de Barros, Frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gandavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" deriva de "pau-brasil", a designação de um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Essa teoria é oficial e ensinada nas escolas brasileiras e portuguesas

Ilha Brazil

O nome proveniente de uma ilha mítica chamada Brazil (com z). Essa lenda teria surgido entre os Celtas que diziam ser uma ilha no meio do oceano que pegava fogo constantemente. Por volta de 1339, muitos documentos da época mostram que já existia essa ilha no meio do Oceano Atlântico a oeste da ilha dos Açores, porém a localização exata variava entre galegos e germânicos. O nome Brazil deu origem ao sobrenome de uma família na Idade Média e ainda hoje presente na Irlanda.

Brasile

O nome proveniente da derivação de "Balj ibn Bishr", primeiro chefe muçulmano a conquistar Andaluzia (na Espanha). Este famoso guerreiro teve seu nome pronunciado de diversas formas e, com o passar dos anos, seu nome ficou para a história como "Brasile".

Outras denominações

Antes de ficar com a designação atual "Brasil" as novas terras descobertas foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália, etc...

Mesmo após a adoção do nome "Brasil", a denominação oficial do Estado brasileiro ainda mudou algumas vezes. Durante o período do Brasil Colônia, ainda foram usados os nomes "Principado do Brasil", "Vice-reino do Brasil" e "Reino do Brasil".

Como Estado soberano, em 7 de setembro de 1822, o "Reino Independente do Brasil" declara-se independente do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Contudo, já em 12 de outubro do mesmo ano, o nome foi trocado para "Império do Brasil". Assim o Brasil ficou até o Golpe de Estad ditatorial da república, quando a designação oficial passou a ser "República dos Estados Unidos do Brasil". E finalmente em 24 de janeiro de 1967, data na qual a Constituição brasileira de 1967 foi votada, o atual nome "República Federativa do Brasil" foi escolhido e perdura na atualidade.

FONTES:
    1. Brasil – Origem do nome A Enciclopédia;
    2. Constituição brasileira de 1891 Presidência da República;
    3. Houaiss, Antônio (2009), "Brasileiro", Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva;
    4. COUTO, Jorge (1997), A construção do Brasil;
    5. Constituição política do Império do Brazil (de 25 de março de 1824);
    6. A Origem dos Nomes dos Países. Editora Panda Books.

    quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

    "O GRITO DO IMPIRANGA", DE MACHADO PARA O IMPERADOR

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    "Só peço aos deuses, também creio nos deuses, que afaste do Brasil o sistema republicano"
    Machado de Assis

    Liberdade!... Farol divinizado! -
    Sob o teu brilho a humanidade e os séculos
    Caminham ao porvir. Roma as algemas
    Quebrou dos filhos que a opressão lançara
    Dentre a sombra de púrpura dos Césares,
    Que envolvia Tarquínio em fogo e sangue,
    Cheia de tua luz e estimulada
    Por teu nome divino - essa palavra
    Imensa como as vozes do Oceano.
    Sublime como a ideia do infinito!
    Tal como Roma a terra americana,
    Um dia alevantando ao sol dos trópicos
    A fronte que domina os estandartes,
    Saudou teu nome majestoso e belo -
    E o brado imenso - Independência ou morte! -
    Soltado lá das margens do Ipiranga.
    Foi nos campos soar da eternidade.

    Desenrola nas turbas populares
    Dos livres a bandeira o herói tão nobre,
    Digno dos louros festivais que outrora
    Roma dava aos heróis entre os aplausos
    Do povo que os levava ao Capitólio!
    Ele foi como o César de Marengo;
    Sua voz como a lava do Vesúvio
    Levada pela voz da imensidade
    Foi do Tejo soar nas margens, onde
    Estremeceu de susto o lusitano!

    Ipiranga!... Ipiranga!... A voz das brisas
    Este nome repete nas florestas!
    Caminhante! Eis ali onde primeiro
    Soou o brado - Independência ou morte! -
    O homem secular levando as águias
    Por entre os turbilhões de pó, de fumo,
    Ostentando nos livres estandartes
    O lúcido farol de um século ovante,
    Mais sublime não foi nem mais valente
    Que Pedro o herói, da América travando
    Do farol da sagrada liberdade,
    E acordando o Brasil, escravizado,
    Sob férreos grilhões adormecido.

    Somos livres! - Nas paginas da história
    Nosso nome fulgura - ali traçado
    Foi por Deus, que do herói guiando o braço,
    Nas folhas o escreveu do eterno livro.
    Somos livres! - No peito brasileiro
    A ideia da opressão não se acalenta!
    Somos já livres como a voz do oceano,
    Somos grandes também como o infinito,
    Como o nome de Pedro e dos Andradas!

    Seja bendito o dia em que Colombo
    César dos mares, afrontando as ondas,
    À Europa revelou um Novo Mundo;
    Ele nos trouxe o cetro das conquistas
    Nas mãos de Pedro - o fundador do Império!

    O herói calcando os pedestais da história,
    Ergue soberbo aos séculos vindouros
    A fronte majestosa! Imenso vulto!
    É ele o sol da terra brasileira!
    Neste dia de esplêndidas lembranças
    No peito brasileiro se reflete
    O nome dele - como um sol ardente
    Brilha dourado no cristal dos prismas!

    Tomando o sabre, dominou dois mundos
    O herói libertador, valente e ousado!
    Ele, o tronco da nossa liberdade,
    Foi como o cedro secular do Líbano,
    Que resiste ao tufão e às tempestades!

    Ipiranga! Inda o vento das florestas
    Que as noites tropicais respiram frescas
    Parecem murmurar nos seus soluços
    O brado imenso - Independência ou morte!
    Qual o trovão nos ecos do infinito!

    Disse ao guerreiro o Deus da Liberdade:
    Liberta o teu Brasil num brado augusto,
    E o herói valente libertou num grito!

    Joaquim Maria Machado de Assis
    7 de setembro de 1856.

    Poema recentemente descoberto de Machado de Assis, publicado no dia 9 de setembro do ano de 1856, no jornal Correio Mercantil, quando o escritor tinha ainda 17 anos de idade.

    "MONARQUIA RACISTA"... FOI O QUE "ELES" DISSERAM.

    Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, primeiro e único visconde de Jequitinhonha

    O Visconde de Jequitinhonha nasceu em Salvador, 23 de março de 1794, foi um advogado, jurista e político brasileiro.

    Seu nome de batismo era Francisco Gomes Brandão. Filho do comerciante português Manuel Gomes Brandão e da mestiça Narcisa Teresa de Jesus Barreto. Família mestiça, após a união de um português com uma brasileira, mas dotada de boa renda. Era desejo do pai fazê-lo padre, de forma que ingressou no seminário franciscano, em 1808. A despeito desta vontade paterna, ruma em 1816 para Portugal, ingressando na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se forma em 1821.

    Retornando para a Bahia, torna-se ardoroso defensor da sua independência. Ao lado do editor baiano Francisco Corte Real, depois Corte Imperial, funda o jornal "O Constitucional", que passa a ser o porta-voz dos interesses dos baianos face ao partido dito "português". Quando a situação na capital torna-se insustentável para os brasileiros, toma parte activa nas lutas pela Independência da Bahia - grande orador que era - junto ao Governo Provisório que então se formara na vila de Cachoeira.

    Proclamada a Independência, abandona o nome de batismo, passando a chamar-se Francisco Gê Acayaba de Montezuma – incorporando assim ao nome todos os elementos que formam a nação brasileira, e uma homenagem ao imperador asteca Montezuma (Gê, atualmente grafado com "J", designa os índios brasileiros do tronco linguístico não-tupi-guarani; Acayaba, atualmente grafado com "I", palavra de origem tupi.

    Como prêmio por sua participação nas lutas, o Imperador Dom Pedro I concede-lhe o título de barão de Cachoeira, recusando este, porém aceitando ser agraciado comendador da Imperial Ordem do Cruzeiro.

    Montezuma logo ingressa na política, e em 1823 elege-se deputado, indo para a corte. Ali, exerce com seu verbo inflamado e talento reconhecido na oratória, ferrenha oposição ao Ministro da Guerra. Preso, é exilado na França - onde permanece por oito anos. De volta ao Brasil, é eleito para a Assembléia Geral Constituinte de 1831, onde ocupa lugar de destaque. Ali, torna-se o primeiro deputado da história brasileira a lutar contra o tráfico negreiro, sendo portanto um dos pioneiros do movimento abolicionista - idéia que defendia com ardor, mesmo que isto então fosse considerado ilegal. Em 1837 é feito Ministro da Justiça e dos Estrangeiros (5º Gabinete - Regência Feijó), elegendo-se também deputado pela Bahia. Ocupou, ainda, o cargo de "ministro plenipotenciário" (diplomata) junto ao Império Britânico. Em 1850, foi nomeado Conselheiro de Estado.

    Em 1851 Montezuma elege-se Senador por sua província natal.

    Foi presidente do Banco do Brasil por um curto período de abril a agosto de 1866.

    Foi o fundador e primeiro Presidente do Instituto dos Advogados do Brasil, tendo ainda, em 1850, pugnado pela criação da Ordem dos Advogados do Brasil, sem sucesso, justamente na Câmara dos Deputados, onde tinha assento.

    Se havia recusado o baronato, aceitou, entretanto, o título de Visconde com Grandeza (Grande do Império). Assim, fez-se nobre com o decreto imperial de 2 de dezembro de 1854.

    Além da comenda já citada, Montezuma foi ainda comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e condecorado com a medalha da Guerra da Independência.

    Montezuma foi um dos membros-fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Deixou uma relativamente farta obra publicada, versando sobre economia, história, política e, claro, direito.

    Brasão do Visconde

    FONTE:

    • BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario bibliographico brazileiro. Typographia Nacional, Rio de Janeiro, 1893.

    "MONARQUIA RACISTA"... FOI O QUE "ELES" DISSERAM.

    Francisco Paulo de Almeida, primeiro e único Barão de Guaraciaba

    O Barão de Guaraciaba nasceu em Lagoa Dourada, 10 de janeiro de 1826, foi proprietário rural e banqueiro brasileiro. Distinguiu-se por ter sido financeiramente o mais bem sucedido negro do Império (sim, na monarquia brasileira havia a a ascensão social de negros, já na "democrática e avançada" república dos EUA ocorreram lutas até o meio do século XX para tal). Possuiu diversas fazendas e cerca de duzentos escravos (como sempre digo, infelizmente, a sociedade era escravagista, por isso a demora para, dentro da lei, abolir a escravidão), com uma fortuna estimada à época em setecentos mil contos de réis. Foi proprietário do emblemático Palácio Amarelo na cidade de Petrópolis.

    Iniciou sua vida como ourives, especializado na confecção de botões de colarinho. Era exímio violinista e suplementava sua renda tocando em enterros. Depois tornou-se tropeiro e em 1860 comprou sua primeira fazenda no Arraial de São Sebastião do Rio Bonito.Concentrou seus negócios cafeeiros nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba). Foi proprietário de várias fazendas de café, dentre elas, Fazenda Veneza (Conservatória, Rio de Janeiro), posteriormente de propriedade de Lily Marinho, e Fazenda do Pocinho da Família Almeida e Souza (Barra do Piraí/Vassouras, Rio de Janeiro). Foi sócio-fundador do Banco Territorial de Minas Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Agraciado com o o título nobiliárquico de barão em 16 de setembro de 1887.

    Embora fosse negro, o aristocrata estava longe de ser um abolicionista. Quando a Princesa Dona Isabel assinou a Lei Áurea, tinha cerca de 200 escravos na fazenda Veneza, em Conservatória, onde possuía mais de 400 mil pés de café. Mesmo com a abolição, a maioria continuou trabalhando para o barão, e alguns foram incluídos no testamento — caso de Isabelinha, que trabalhava na sede da fazenda e ganhou, na divisão da herança, o mesmo valor em dinheiro que os filhos homens: quase 2.000 contos de réis.

    Foi o primeiro barão negro do império, se notabilizando pela beneficência em favor das Santas Casas.

    Palácio Amarelo, Petrópolis: antiga propriedade do Barão do Guaraciaba.

    Após a Proclamação da República, via golpe de Estado ditatorial, adquire o Palácio Amarelo, atual sede do Legislativo da cidade de Petrópolis, foi perseguido pelo legislativo, até vender seu imóvel.

    Faleceu com 98 anos de idade em 1901, em uma mansão no Catete — para onde se mudou após vender o Palácio Amarelo, em Petrópolis, à Câmara dos Vereadores —, sua família se espalhou por cidades do Rio e de Minas.

    FONTE:

    • Caio Barretto Briso - Jornal O Globo. Um barão negro, seu palácio e seus 200 escravos 16 de novembro de 2014. Visitado em 16 de novembro de 2014;
    • FERREIRA, Carlos Alberto Dias. Francisco Paulo de Almeida – Barão de Guaraciaba: inserção de um negro nas atividades econômicas, sociais e políticas do Brasil no século XIX. In: Simpósio Nacional de História, 25., 2009, Fortaleza. Anais do XXV Simpósio Nacional de História – História e Ética. Fortaleza: ANPUH, 2009;
    • José Smith de Vasconcelos e Rodolfo Smith de Vasconcelos (1917). Archivo nobiliarchico brasileiro - verbete Guaraciaba (Barão de) Imprimerie La Concorde.

    segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

    POVO NEURÓTICO

    Vivemos num Estado que ainda não é nosso, 
    desligados da raiz histórica que nos explica e argumenta.


    Para mim é no mínimo interessante que a Constituição de 1891 – a primeira promulgada após o golpe dos militares e a expulsão da família real brasileira – tenha sido escrita num cassino. Isto mesmo: num cassino. O Governo Provisório de Marechal Deodoro ainda adaptava as construções do Rio de Janeiro à estrutura republicana. Não havia lugar apropriado, segundo consta, para discutir e votar a famosa Carta de Rui Barbosa (leiam História da República, de José Maria Bello).

    Entre doses de uísque, jogos de dados e cartas de baralho, os líderes dos Estados Unidos do Brazil pactuaram o novo Estado de forma absolutamente artificial. Aliás, o próprio republicanismo era incipiente. Apesar de algumas organizações em São Paulo, por exemplo, é de se lembrar de que nas eleições legislativas que antecederam o golpe de 15 de novembro apenas três deputados eram antimonárquicos. O povo, em sua esmagadora maioria, havia escolhido - mais uma vez - políticos que expressavam o conjunto (tradicional) de crenças do século XIX: Monarquia, Poder Moderador, Parlamentarismo, Catolicismo, etc.

    No excelente "A formação das almas", José Murilo de Carvalho demonstra a falta de intimidade do projeto republicano com a vida e os sonhos dos brasileiros que assistiram “bestializados” à deposição de Pedro II. Não existia qualquer correspondência entre os projetos dos militares e positivistas com as aspirações do povo comum. Por isso foi preciso forjar símbolos nacionais, inventar heróis (como Tiradentes), emular a história e princípios de outras nações (como a norte-americana e a francesa). O Hino Nacional também teve seu capítulo tragicômico: numa das reuniões dos republicanos governistas fez-se uma sessão espírita a fim de tentar ouvir os músicos franceses que haviam composto a Marselhesa.

    De lá para cá, a República tem se esmerado em se infiltrar no imaginário nacional (esta é a conclusão de Carvalho). Ao mesmo tempo, a história do século XX mostra as imensas falhas neste processo e a falta de continuidade num projeto de nação democrática. República da Espada, República Velha (aquela, dos coronéis), Período Vargas, Ditadura, Redemocratização (com queda de presidente, inclusive): o alto e baixo da vida política brasileira, marcada pela transitoriedade e ausência de verdadeiros símbolos que, emanados das mais sinceras aspirações do povo, traduzam-se na cena pública pela ação de seus agentes mais destacados.

    A tese de Luís Martins em "O patriarca e o bacharel" pode nos ajudar a compreender a tragédia nacional: em 1889 expulsamos nosso “pai” do Trono e nos sentimos culpados por isso. Sabemos que aquilo foi covarde e injustificado. Por isso, desde então, procuramos alguém que nos socorra e expie nossa culpa sendo não apenas um líder, mas também um amoroso chefe. Getúlio, Juscelino ou Lula só foram possíveis porque os filhos do Brasil querem um novo pai que lhes diga o que fazer, a que horas comer e no que acreditar. 

    Somos, assim, um povo neurótico: pressionado a acreditar nos símbolos republicanos inventados (o que torna o fundo de nossa imaginação falsa) e culpados pela morte que causamos (no caso, a do Imperador). Para usar um conceito de Julián Marias, desinstalados: vivemos num Estado que ainda não é nosso, desligados da raiz histórica que nos explica e argumenta. Ruptura é oposta à continuidade, e não há como nos entendermos numa narrativa interrompida, de tempos em tempos, por novos assaltos ao ethos social.

    Por isso precisamos de tantas leis e intervenções: porque a ordem tem de vir de fora. Um povo que expressa uma crença inabalável nas instituições não acredita em si mesmo. É preciso que os ministros do STF nos digam o que é certo; que as Casas legislativas promulguem leis sobre as coisas mais corriqueiras e imbecis; que os governos determinem limites que sozinho este mesmo povo não pode fazê-lo.


    Somos neuróticos. E toda ação política deveria ser precedida por uma profunda ação psiquiátrica e salvadora.

    ESCRITO POR TIAGO AMORIM - 19 DEZEMBRO 2015

    FONTE: goo.gl/vCEpSI

    quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

    OS 200 ANOS DA ELEVAÇÃO DO BRASIL A REINO UNIDO

    S.A.I.R. o Príncipe Dom Luíz de Orleáns e Bragança,
    Chefe da Casa Imperial e, de jure, Imperador do Brasil.

    "O Brasil se emancipou de Portugal num longo processo, iniciado ainda no século XVI, quando começou a ser povoado, civilizado e evangelizado pelos lusos.

    Foi um processo longo, muito parecido com o da educação normal de uma criança, desde quando nasce até o momento em que, atingida a idade adulta e já preparada para as lutas e incertezas da vida, sai do lar paterno e vai caminhar com as próprias pernas nas veredas de sua existência individual.
    Os três primeiros séculos de nossa história constituem o período geralmente chamado 'colonial'. Como muitos historiadores, tenho objeções a essa designação, pois o Brasil nunca foi uma colônia de Portugal, no sentido exato do termo. O Brasil foi, desde 1500, parte integrante do reino luso. Parte que foi crescendo em importância, foi-se agigantando e que acabou por se tornar a sede da Monarquia Bragantina.

    Inicialmente o Brasil era patrimônio da Ordem de Cristo, da qual os Reis de Portugal eram perpétuos administradores. Depois, passou a ser administrado pela própria Coroa, que respeitava franquias e direitos locais, a nível municipal, garantindo muito ampla margem de autonomia às vilas e cidades brasileiras.

    Os gastos portugueses, com o povoamento do Brasil, sempre foram muito elevados, tanto economicamente falando, quanto em termos do que hoje em dia se chama 'recursos humanos'. Portugal era um país pequeno e com população relativamente pouco numerosa, mas durante séculos inteiros mandou, sistematicamente, para o Brasil povoadores que para cá vieram. Foi uma espécie de sangramento prolongado, o de Portugal, em benefício do Brasil. Os recursos obtidos pelos portugueses no Brasil, nos ciclos do pau-brasil e da cana-de-açúcar, nunca foram suficientes para pagar o muito que aqui era investido: o balanço sempre foi negativo para administração lusa, ela sempre investiu muito mais do que recebeu. Somente depois da descoberta do ouro em Minas Gerais, em 1695, Portugal passou a receber os frutos do que aplicara no Brasil, desde 1500. Dizer que o Brasil foi 'colônia de exploração e não colônia de povoamento', como dizem historiadores marxistas, é um absurdo.

    Durante o século XVII, quando das lutas heroicas para expulsar do território brasileiro o invasor calvinista holandês, ainda o Brasil se sentia autenticamente português. Os que aqui nasciam eram portugueses do Brasil, assim como havia portugueses de Lisboa, de Angola, da Índia ou do Macau. O Brasil era um menino em fase de crescimento, mas ainda perfeitamente integrado na casa paterna.
    A adolescência foi sendo atingida na passagem do século XVIII para o XIX, quando, em decorrência de um desenvolvimento orgânico e natural, o Brasil foi se dando conta de que estava caminhando mais rapidamente para atingir a plenitude da idade adulta.

    A vinda da Família Real, em 1808, acelerou e, ao mesmo tempo, cristalizou o processo. O Príncipe D. João – depois Rei D. João VI – foi um grande estadista, um homem com uma visão extraordinária. Compreendeu que o Brasil estava prestes a atingir a emancipação, e procedeu em tudo com extrema sabedoria, de modo a assegura uma emancipação não traumática, mas na linha da continuidade.
    Dentro desse processo, a elevação do Brasil a Reino Unido foi muito importante. Do ponto de vista institucional, o Brasil deixou de ser parte de Portugal, mas passou a ser um Reino autônomo. Em outras palavras, o Brasil se transformou em uma nação soberana, cujo Rei, ‘per accidens’, era o mesmo Rei de Portugal e dos Algarves.

    Se D. João não tivesse retornado a Portugal em 1821 – a contragosto, note-se, e forçado pelas cortes revolucionárias portuguesas – e se estas não tivessem querido forçar o retrocesso da abolição do estatuto de Reino Unido, provavelmente o Brasil teria continuado unido a Portugal por mais tempo. Provavelmente, aos poucos, o centro de poder e influência do Reino Unido se teria mantido e consolidado no Brasil, que era maior e dispunha de maiores potencialidades do que Portugal. E teríamos um imenso império luso-brasileiro, ao mesmo tempo europeu, americano, africano e oriental.

    Mas a volta de D. João para Portugal encaminhou os acontecimentos para outro sentido. O Sete de Setembro tornou-se inevitável. Na ótica do sábio D. João, foi seu filho que tomou a coroa 'antes que algum aventureiro o fizesse'. E garantiu uma independência dentro da continuidade monárquica, dinástica, cultural, linguística e, sobretudo, religiosa."



    - S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, em matéria publicada na edição número 40 do boletim "Herdeiros do Porvir"