sábado, 4 de março de 2017

S.M.I. D Pedro II: Popularidade

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No fim de 1859, Pedro II partiu em viagem as províncias ao norte da capital, visitando Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Após quatro meses, ele retornou em fevereiro de 1860. A viagem foi um grande sucesso, com o imperador sendo alegre e calorosamente recepcionado em todos os lugares.

A primeira metade dos anos 1860 viu paz e prosperidade no Brasil. Liberdades civis foram mantidas. Liberdade de expressão existia desde a independência do Brasil e continuou a ser defendida com veemência por Pedro II. O imperador encontrou em jornais da capital e das províncias uma forma ideal de manter conhecimento da opinião pública e da situação em geral da nação. Outra maneira de monitorar o Império foi através de contato direto com seus súditos. Uma oportunidade para isto era durante as audiências públicas regulares nas terças e sábados, onde qualquer pessoa de qualquer classe social (inclusive escravos) poderiam ser admitidos e apresentar suas petições e estórias. Visitas a escolas, colégios, prisões, exibições, fábricas, quartéis, e outras aparições públicas apresentavam mais oportunidades a ele de reunir informação em primeira mão.

A tranquilidade desapareceu quando o cônsul britânico no Rio de Janeiro, William Dougal Christie, quase iniciou uma guerra entre sua nação e o Brasil. Christie, que acreditava na diplomacia das canhoneiras, enviou um ultimato contendo exigências abusivas provenientes de dois incidentes menores ocorridos no fim de 1861 e começo de 1862. O primeiro foi o naufrágio de uma barca comercial na costa do Rio Grande do Sul que resultou no saque de sua carga pela população local. O segundo foi a prisão de dois oficiais britânicos embriagados que causavam distúrbios nas ruas do Rio.

O governo brasileiro se recusou a ceder, e Christie enviou ordens para que navios de guerra britânicos capturassem embarcações mercantes brasileiras como indenização. A Marinha do Brasil foi preparada para o conflito iminente, foi ordenada a compra de artilharia costeira, assim como de encouraçados e as defesas nas costas tiveram permissão para atirar contra qualquer navio de guerra britânico que tentasse capturar embarcações mercantes brasileiras. Pedro II foi a maior razão da resistência do Brasil, ele rejeitou qualquer sugestão para que o país cedesse. A resposta veio como surpresa para Christie, que mudou seu tom e propôs um acordo pacífico através de arbitragem internacional. O governo brasileiro apresentou suas demandas e, ao ver a recusa do governo britânico, cortou relações diplomáticas com o Reino Unido em junho de 1863.

Imagem: Sua Majestade cercado pelo povo em comemoração a vitória na Questão Christie.

FONTES:

Barman, Roderick J. (1999). Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891 (Stanford: Stanford University Press);

Besouchet, Lídia (1993). Pedro II e o Século XIX 2ª ed. (Rio de Janeiro: Nova Fronteira);

Bueno, Eduardo (2003). Brasil: Uma História (São Paulo: Ática);
Carvalho, José Murilo de (2007). D. Pedro II: ser ou não ser (São Paulo: Companhia das Letras);

Lira, Heitor (1977). História de Dom Pedro II (1825–1891): Ascensão (1825–1870) 1 (Belo Horizonte: Itatiaia);

Olivieri, Antonio Carlos (1999). Dom Pedro II, Imperador do Brasi (São Paulo: Callis);

Schwarcz, Lilia Moritz (1998). As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos 2ª ed. (São Paulo: Companhia das Letras).

Exemplo de Soberano

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Durante a segunda viagem do Imperador Dom Pedro II ao exterior, em julho de 1877, inaugurava-se em Londres a “Caxton Exhibition”, exposição organizada em honra de William Caxton, pelo quarto centenário da sua introdução da imprensa na Inglaterra, tendo ele publicado “Dictes and Sayings of the Philosophers” em novembro de 1477, o primeiro livro impresso no País. Dom Pedro II nutriu grande interesse pela exposição, sendo um dos primeiros dos mais de vinte mil visitantes, que a prestigiaram nos dois meses de duração.

Anos antes, em 1872, no balneário de Cannes, na França, Dom Pedro II havia conhecido o então Primeiro Ministro do Reino Unido, William Ewart Gladstone, tendo-o recebido em audiência em seus aposentos, se estendendo a conversa em um passeio, tomando todo o dia do Imperador. Por ocasião de sua visita a Londres, em 1877, os dois se reencontraram, no dia da inauguração da Exposição, em 1º de julho, desta vez com Gladstone como líder do governo de oposição. Os dois novamente ficaram em conversa por praticamente todo o dia.

Mais tarde naquele mesmo dia, o estadista Gladstone fez um discurso no banquete ao qual estavam presentes a Rainha Vitória, o Príncipe de Gales e toda a Família Real Britânica, porém não o Imperador do Brasil. Nesse discurso, ergueu o brinde protocolar – o chamado brinde da lealdade – à sua Soberana e ao futuro Rei da Inglaterra. Normalmente, nenhum outro brinde se poderia fazer. Contudo, Gladstone pediu licença, dizendo estar certo da aprovação não só da Rainha e de seu filho, mas de todos os presentes, pois desejava saudar o Imperador do Brasil.

O jornal The Times, no dia seguinte, assim resumia as palavras do brinde de Gladstone:

“Esse homem – e posso falar com mais liberdade por estar ele ausente – é um modelo para todos os soberanos do mundo, pela sua dedicação e esforços em bem cumprir seus altos deveres. É um homem de notável distinção, possuidor de raras qualidades, entre as quais uma perseverança e uma capacidade de trabalho hercúleas. Muitas vezes começa seu dia às quatro horas da manhã, para terminá-lo tarde da noite. Atualmente, essas dezoito ou vinte horas de atividade diária, ele as emprega através do mundo, e em esforços constantes para adquirir conhecimentos de todo o gênero, que saberá aproveitar no regresso à pátria. E continuará, assim, a promover o bem-estar de seu povo.”

Neste momento, irromperam-se os aplausos gerais da Família Real Britânica e dos demais convidados do banquete. O célebre estadista William Gladstone continuou o discurso proferindo as palavras finais, seguidas dos mais calorosos aplausos:

“É o que chamo, senhoras e senhores, um grande, um bom Soberano, que, pelo seu procedimento no alto cargo que ocupa, é um exemplo e uma bênção para a sua raça! Bebo à saúde de Sua Majestade, o Imperador do Brasil!”.

Fontes:

The Times, Londres, 2 de julho de 1877, p. 7, 3ª col.

Mossé, Benjamin (2015). Dom Pedro II, Imperador do Brasil (O Imperador visto pelo barão do Rio Branco). (Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão)

CONSELHOS DO PRECEPTOR

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Um dos personagens mais importantes para a formação do Imperador Dom Pedro II foi o carmelita Frei Pedro de Santa Mariana e Sousa, Conde de Santa Mariana pela Santa Sé, Bispo de Crisópolis e Bispo-Auxiliar do Rio de Janeiro, aio e preceptor do Imperador desde outubro de 1834, mantendo-se por toda sua infância e adolescência, tendo ele atuado como conselheiro moral do Soberano por toda a sua vida.

Desde pequeno, o Imperador e suas irmãs se apegaram ao Frei Pedro, sendo creditada a ele a paixão que o jovem Monarca iria desenvolver pelo conhecimento científico, tendo ele iniciado sua educação na ciência pura e pesquisa empírica.

Quando já velho, o Frei soube que o Imperador tinha ido ao teatro sem a Imperatriz Dona Teresa Cristina, que ficara em Petrópolis, logo nos primeiros anos de casamento. De madrugada, tomado pela liberdade que tinha com o jovem Soberano, subiu as escadas e foi dizer ao Imperador:

— Venho pedir-vos um favor.

— Qual é?

— Vossa Majestade não vá mais ao teatro sem a Imperatriz. Fica muito feio.

O Imperador atendeu o pedido do seu estimado mestre, jamais deixando a Imperatriz desacompanhada ou participando de eventos sociais sem a esposa.

O Frei Pedro de Santa Mariana residiu por todo o resto de sua vida no Palácio de São Cristóvão, por concessão do seu pupilo e amigo, o Imperador. Em 1864, quando o velho Frei faleceu, o Monarca esteve presente em seu funeral, honra concedida a poucas pessoas, assim como na Missa de Réquiem oferecida um ano após seu falecimento, ficando visivelmente abatido com a perda de seu conselheiro.

O Imperador, nem em seus últimos meses, já no exílio em Paris, deixou de pensar no “seu Bispo”, como o chamava, lamentando-se em seu diário, na data de 22 de abril de 1891, que as pesquisas do Frei Pedro em uma fórmula geral para resolução de equações nunca haviam sido publicadas.

- Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier.

Retrato: o jovem Imperador Dom Pedro II do Brasil e suas irmãs, as Princesas Dona Januária e Dona Francisca, em momento de estudo.

SÓ SEI QUE SOU BRASILEIRO


Em 1886, ao visitar as obras do Museu do Ipiranga, em São Paulo, o Imperador mandou a carruagem seguir pelo caminho histórico. Chegando ao local, comentou:

— "Esta é a verdadeira arquitetura adequada a um monumento desta ordem."

E perguntou ao Conselheiro Ramalho:

— "Ainda vive alguém do tempo da Independência?"

— "Há em Campinas um velho, chamado João Cintra, que fez parte da comitiva do augusto pai de Vossa Majestade."

Dias depois, quando chegou a Campinas, foi logo indagando onde morava o velho Cintra, cuja casa era fora da cidade. E seguiu para lá, acompanhado apenas de um jornalista e do seu velho amigo Rafael. Encontrou João Cintra falando a meia voz, num grupo de velhos. Depois dos cumprimentos, perguntou:

— "Que história estava aí contando? Continue, eu também quero ouvir. Quem é velho sempre sabe muitas histórias."

Não sabendo o que lhe haveria de dizer, o rude velhinho perguntou a Sua Majestade:

— "Por que é que o Senhor não se muda para cá? Será por ser carioca?"

— "Eu não sei o que é ser carioca, paulista, gaúcho, mineiro ou pernambucano. Só sei que sou brasileiro."

- Do livro "Revivendo o Brasil Império", de Leopoldo B. Xavier. São Paulo: Artpress, 1991. p. 126.

O REI DO HAVAÍ E O IMPERADOR DO BRASIL

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Antes de ser anexado aos Estados Unidos da América, em 1898, o Arquipélago do Havaí foi uma Monarquia Constitucional até 1893, quando foi deposta como resultado da intervenção dos interesses comerciais estrangeiros e dos militares norte-americanos. O Reino tomou forma com a unificação das ilhas do Havaí, em 1782, pelo Rei Kamehameha I, “o Grande”, tendo seus descendentes e primos reinado até o golpe, sendo a última governante a Rainha Liliuokalani, descendente de um primo distante seu.

A caminho de Londres para estreitar relações diplomáticas com o Reino Unido, como um gesto de agradecimento e cordialidade, após ter sido presenteado, em 1822, com uma escuna de seis canhões pelo Rei Jorge IV, o jovem Rei Kamehameha II do Havaí, filho do Rei Kamehameha I e segundo governante de sua Nação, fez uma breve visita oficial ao Império do Brasil. Seu navio, “L'Aigle”, atracou no porto do Rio de Janeiro em fevereiro de 1824, onde foi recebido com todas as pompas de Chefe de Estado em visita oficial ao lado de uma de suas esposas, a Rainha Kamāmalu, sua meia-irmã e favorita.

O Rei Kamehameha II foi recepcionado pessoalmente pelo Imperador Dom Pedro I, que, em um gesto de fraternidade, o presenteou com uma espada cerimonial. Em igual gesto e com grande agradecimento, o Rei presenteou o Imperador com uma “ʻAhuʻula” da própria Rainha Kamāmalu, um manto feito com penas de raras aves tropicais nativas do Havaí, a peça de maior honraria na cultura havaiana, sendo reservada somente à classe governante na sociedade havaiana, geralmente homens. Esta capa está até hoje preservada no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Após a breve visita oficial ao Brasil, o Casal Real do Havaí alcançou o Reino Unido em maio de 1824. Lá, cumpriram extensa agenda de compromissos, entre banquetes, concertos e visitas oficiais, sempre cercados de muita curiosidade dos britânicos, aguardando a audiência oficial com o Rei Jorge IV, marcada para 21 de junho. Infelizmente, Suas Majestades Havaianas nunca chegaram a comparecer à audiência, que teve de ser cancelada. Sendo nativos e com pouco contato com as doenças ocidentais, a Rainha Kamāmalu faleceu de sarampo, em 8 de julho, seguida do Rei Kamehameha II seis dias depois, que foi sucedido por seu irmão caçula, que assumiu o Trono como Rei Kamehameha III e reinou até 1854.

O Rei Kamehameha II nunca se converteu oficialmente ao Cristianismo, apesar de professar a religião, por não abandonar a poligamia e o álcool, que era uma imposição dos missionários protestantes e de sua madrasta, a Rainha Regente Elizabeth Kaʻahumanu, que abraçou a fé cristã ainda em 1819, sendo ele o último Soberano não-cristão do Reino do Havaí.

E SIM, O REI HAVIANO TEM LIGAÇÃO COM DRAGON BALL

Akira Toriyama, o criador da franquia de mangá e anime Dragon Ball, nomeou o golpe principal dos personagens do anime de Kame-hame-ha em sua homenagem. Ele não sabia que nome dar ao principal golpe dos Guerreiros Z, e quando estava de viagem no Havaí ele queria algo forte, que terminasse com HA para tornar o grito mais impactante. Sua esposa, então, sugeriu usar o nome do rei Havaiano Kame-hame-ha.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A MELHOR LEMBRANÇA

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Com frequência, o Imperador Dom Pedro II visitava as oficinas de máquinas e estaleiros do Arsenal de Marinha, para analisar e revistar de perto os trabalhos e avanços que lá estavam sendo realizados.

Numa dessas visitas, o Soberano procurou pelo Tenente-Coronel José Carlos de Carvalho, herói na Guerra do Paraguai, ao ter chefiado a Comissão de Engenheiros. O Imperador logo foi informado de que o Tenente-Coronel se encontrava trabalhando nas caldeiras.

Lá chegando, estendeu a mão ao Tenente, que o cumprimentou, mas logo se desconcertou por ter sujado a mão de Sua Majestade, e pediu uma bacia com água e uma toalha. O Imperador disse:

— Não precisa. É a melhor lembrança que posso levar da visita de hoje, onde encontro o Tenente Carvalho com a blusa de operário das oficinas deste arsenal.

- Baseado em trecho do livro "Revivendo o Brasil-Império", de Leopoldo Bibiano Xavier.

1º Batalhão de Infantaria de Guardas

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Em 10 de novembro de 1822, em solenidade propositadamente escolhida para o dia da apresentação de Nossa Senhora, realiza-se na Capela Imperial a cerimônia de entrega da primeira Bandeira Nacional ao Batalhão. O Bispo Capelão Dom JOSÉ CAETANO DA SILVA COUTINHO, numa nuvem de incenso, dá início a cerimônia. O Imperador, ajoelhado diante do altar, recebe a primeira Bandeira Imperial das mãos do Bispo, que lança sobre ela a sua bênção. Em seguida, D. PEDRO I passa-a ao Ministro da Guerra, o qual pôr sua vez a entrega ao jovem Tenente LUIZ ALVES DE LIMA E SILVA, futuro DUQUE DE CAXIAS, que assim torna-se o Primeiro Porta-Bandeira da Unidade.

Assim com a denominação de honra de "Batalhão do Imperador", pelo Decreto de 18 de Janeiro de 1823, é criada, na Cidade do Rio de Janeiro, essa Tropa de Elite, organizada com estrutura semelhante à de um Batalhão de Caçadores. Forma-se então a Guarda Pessoal do Imperador.
A criação da Unidade obedece a um processo curioso, pois o próprio Imperador D. PEDRO I, em outubro de 1822, manda reunir no Campo de Santana todas as tropas da guarnição e escolhe, homem a homem, oitocentos militares, que logo passam a integrar o Batalhão do Imperador.

Seu primeiro Comandante é o Barão de Magé, Coronel JOSÉ JOAQUIM DE LIMA E SILVA, irmão do Marechal de Campo FRANCISCO DE LIMA E SILVA, pai do futuro DUQUE DE CAXIAS.

Agora com o seu comandante recém-nomeado e conduzindo a Bandeira Nacional do Império, parte o Batalhão para incorporar-se às forças do general LABATUT, que na Bahia lutam pela Independência do Império. A 02 de julho de 1823, o Exército Pacificador, tendo à frente o Batalhão do Imperador, sitia a capital da Bahia e ocupa as fortalezas e demais estabelecimentos públicos que haviam sido abandonados pelas tropas do General MADEIRA DE MELO. Ali permanece em operações até 16 de novembro de 1823, quando retorna ao Rio de Janeiro.

Chegando notícias à Corte que o Exército sofre reveses no sul do Brasil, Sua Majestade Imperial faz embarcar sua Tropa de Elite para MONTEVIDÉU, a fim de reforçar a guarnição daquela praça e colônia. O Batalhão, agora comandado pelo Tenente-Coronel MANOEL DA FONSECA LIMA E SILVA, participa da Guerra da Cisplatina e destaca- se dentre as unidades em combate.
Após o encerramento da campanha, o Batalhão do Imperador retorna à Corte, mais uma vez coberto de glórias.

No início de 1831, cresce a insatisfação popular contra o regime político de Sua Majestade Imperial, que se mantém no poder apenas com a proteção de suas tropas. A 07 de abril, a manifestação popular no Campo de Santana é grande e insustentável, sendo que as tropas começam a se confraternizar com o povo, exigindo mudanças no Ministério. O Batalhão, numa manifestação de pura lealdade ao seu criador, retira-se do Campo de Santana e se separa do resto das Tropas Brasileiras contaminadas pelo espírito anárquico e posta-se em São Cristóvão, à disposição do Imperador.

Para evitar o sacrifício de sua guarda pessoal, D. PEDRO I manda que o Batalhão do Imperador se reúna a seus companheiros no Campo de Santana e, logo em seguida, abdica ao trono em favor de seu filho PEDRO, que contava com apenas 5 anos de idade, e regressa à Europa.

Com a abdicação de D. PEDRO I, começa a reorganização das tropas de primeira linha do Império, através do Decreto de 04 de maio de 1831, e por não constar dele, o Batalhão do Imperador é extinto.

Em 1933, com o mesmo espírito que norteou D. PEDRO I, é criado o BATALHÃO DE GUARDAS (BG), pelo Presidente da República, com os mesmos propósitos do passado, oficializando-o assim como legítimo herdeiro das tradições do Batalhão do Imperador. Da mesma forma que seu antecessor, o BG constituiu-se como uma Unidade de Elite, integrada por pessoal selecionado e de inteira confiança do Presidente da República. Nos seus anos de existência, o BG teve atuação destacada na defesa das instituições e dos ideais democráticos. Como principal galardão, ostenta a participação decisiva na destruição do foco comunista da PRAIA VERMELHA, em 27 de novembro de 1935.

Com a mudança da capital para Brasília, em 1960, o Batalhão de Guardas encaminha para aquela cidade um núcleo para a formação do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) e continua, já com a denominação de 1º Batalhão de Guardas, a manter suas missões junto ao então I Exército.
Hoje, o 1º Batalhão de Guardas, ainda sediado na região do antigo Paço do Imperador e diretamente subordinado ao Comando Militar do Leste, é a unidade encarregada de prestar honras às autoridades civis e militares, além de guardar e zelar pela manutenção do patrimônio em área da administração federal, destacando-se o Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste e o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.

Concomitantemente, constitui-se na Tropa de Pronto Emprego de seu comando imediato, atuando na área de defesa interna, estando dentre suas missões realizar Operações de Garantia da Lei e da Ordem e a Defesa de Pontos Sensíveis. Dos exemplos legados por seus antepassados, nos principais momentos que marcaram nossa história, ecoa a responsabilidade de seus atuais integrantes para com aqueles que deram suas vidas em defesa da Pátria, fiel ao seu lema: A Guarda Morre, mas não se Rende!