quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O Imperador Astrônomo do Brasil – “O Olhar Real em Direção ao Universo”

Dom Pedro II observando o planeta Vênus na luneta de 24 cm.

Como explicar tamanha devoção de D. Pedro II a ciência do céu? Acredita-se que as primeiras noções de astronomia foram incutidas no jovem Imperador pelo litógrafo e artista francês, Louis Alexis Boulanger (1798-1874), um dos intelectuais escolhidos por seu preceptor José Bonifácio de Andrade e Silva, o “Patriarca da Independência”. 

Outro mestre que orientou o Imperador para a astronomia deve ter sido Frei Pedro de Santa Mariana. Desde cedo nutrindo especial interesse pelas ciências além de poliglota, adquiriu conhecimentos enciclopédicos que mais tarde, em 1877, o conduziram a sócio estrangeiro honorário da ‘Academia de Ciências da França, uma honraria alcançada por poucos. Era um intelectual por excelência e ele mesmo dizia que se não fosse Imperador gostaria de ter sido professor. 

Isto se traduz quando em seu observatório particular no telhado do Paço de São Cristóvão na Quinta da Boa Vista, recebia estudantes para observação do céu, ministrando noções básicas de astronomia e orientando no uso dos instrumentos. Em 15 de outubro de 1827 criou por decreto o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro no Morro do Castelo que na realidade só começou a funcionar a partir de 1846, com o nome de Imperial Observatório. 

Para alguns, seria o primeiro do Hemisfério Sul, mas acontece que na torre principal do Palácio de Friburgo do conde Mauricio de Nassau, na ilha de Antônio Vaz, próxima ilha do Recife, Pe, Georg Markgraf construiu e inaugurou em 28 de setembro de 1639 aquele que deve ser considerado o primeiro observatório astronômico do Hemisfério Sul.

Imperial Observatório

O Brasil tem pois uma tradição em Astronomia. Em 1846 foi nomeado para cuidar da organização do Imperial Observatório o professor da Academia Militar, Eugênio Fernando Saulier de Sauve. Através de decreto, D. Pedro II deu forma ao Observatório adquirindo novos instrumentos solicitados por Saulier, após emprestar seus próprios que utilizava no Paço de São Cristóvão. Saulier de Sauve morreu em agosto de 1850. 

Para sucedê-lo foi escolhido o paulista Antônio Manoel de Mello (1802-1866), professor da Escola Militar e Tenente Coronel, que já encontrou o Observatório dotado de completo e moderno instrumental para a época. A sua primeira realização foi o inicio das publicações técnicas. Em 1852 já se encontravam impressas as ‘’Efemérides Astronômicas do Imperial Observatório” bem como os “Annaes Meteorológicos”. 

Para o cálculo das efemérides a observação dos astros era imprescindível e para isto D. Pedro II emprestou um de seus instrumentos. O Imperador estava sempre em estreito contato com os astrônomos do Observatório e tinha ali um apartamento para descansar quando resolvia passar a noite em observações. Além da atenção diária que dedicou ao Imperial Observatório até o fim do seu reinado, proveu os fundos necessários à importação da Europa de um mural, análogo ao do Observatório Real de Bruxelas, uma luneta meridiana e aparelhos magnéticos e meteorológicos.

Discorria com rara competência questões de astronomia e todos eram unânimes em reconhecer isto. Nessa época pela sua importância podemos destacar a observação de dois eclipses : os de 1858 e 1865. O primeiro em 7 de setembro, foi um eclipse total do Sol quando num feito brasileiro, a fotografia foi empregada pela primeira vez no mundo para fins astronômicos e astrométricos além do que o Imperador era um apaixonado pela fotografia.

Os resultados da expedição brasileira na Baia de Paranaguá, PR, foram publicados nos ‘Comptes Rendus’ da Academia de Ciências de Paris. O segundo de 1865 foi observado de Santa Catarina cuja faixa de totalidade passava por Camboriú. Três anos depois ocorreu um eclipse anular do Sol que foi observado por uma equipe enviada pelo Imperial Observatório. Em 1870 o francês Emmanuel Liais (1826-1900) que trabalhou no Observatório de Paris ao lado dos renomados astrônomos, Urbain J. J. Le Verrier (1811-1877), imortal descobridor de Netuno e Hervé Faye (1814-1902), foi convidado por D. Pedro II a assumir a direção do Imperial Observatório.

Sob os auspícios do império publicou um importante trabalho: “Tratado de Astronomia Aplicada a Geodesia Prática” bem como um magnífico livro “O Espaço Celeste” onde faz elogios a dedicação de D. Pedro II à Astronomia. Importante assinalar que na administração de Liais veio à tona o problema do ensino da astronomia que àquela época sofria grande influência dos fascinantes livros do francês Camille Flammarion (1842-1925). Liais dizia que além do deslumbramento do céu, cabe ao
astrônomo medi-lo dentro de um contexto científico.

Fosse isso endereçado ou não a Flammarion, acontece que o “Mestre de Juvisy” publicou ao lado de obras filosóficas e romances, vários livros e publicações científicas. Entre eles o seu “Catálogo de Estrelas Duplas Visuais”, publicado em 1878, foi durante muitos anos considerado o melhor do mundo! Indicado por Liais com aprovação do Imperador, o belga mais tarde naturalizado brasileiro, Louis Ferdinand Cruls (1848-1908) assumiu a seguir a direção do Imperial Observatório.

Em 6 de maio de 1878 aproveitou a passagem de Mercúrio sobre o disco solar para determinar com grande precisão os diâmetros desses dois astros que enviado a Academia de Ciências da França, foram publicados a seguir no ‘Comptes Rendus’. Cruls empregou o método desenvolvido por Liais e nas observações feitas no Rio de Janeiro que teve participação de D. Pedro II. Com a apoio financeiro dado pelo Imperador, foi possível organizar três expedições científicas: uma a Punta Arenas, Patagônia chilena, outra para a Ilha de Santo Tomás nas Antilhas e outra para Olinda, Pe. para a rara observação da passagem de Vênus sobre o disco solar em 6 de dezembro de 1882.

Para observar o fenômeno D. Pedro II, ficou na corveta ‘Paraíba’ das 10 às 16 horas em reunião com vários astrônomos. Em 10 de setembro de 1882, Cruls descobriu no Imperial Observatório um cometa, o 1882 II. Conhecido como ‘Cometa Cruls’, ele foi exaustivamente estudado por D. Pedro II e nessa ocasião, ambos efetuaram a primeira análise espectroscópica de um cometa!

São desse período as revistas “Annaes do Imperial Observatório”, “Revista do Observatório” e o “Anuário do Observatório” que até hoje é editado sem interrupção. Em razão dos seus trabalhos em cometas, Cruls recebeu em 1882 o prêmio Valz de Astronomia, outorgado pela Academia de Ciências de Paris. Outro cometa, o 1887 I descoberto em 18 de janeiro pelo astrônomo norte-americano John M. Thome (1843-1908), em Córdoba, R. Argentina, foi estudado por D. Pedro II que estimou sua cauda em 50 graus. Esta estimativa ficou registrada na revista L’ Astronomie da Sociedade Astronômica da França, SAF, ano 1887 página 114. A astronomia segundo Ronaldo R. de Freitas Mourão (1935- ) foi a ponte que reuniu três grandes homens: Victor Hugo, Flammarion e D. Pedro II.

O Imperador foi um dos primeiros membros da SAF (nº 85), e era amigo pessoal de Camille Flammarion que o convidou para juntos no seu Observatório de Juvisy, inaugurarem em 29 de julho de 1887 com uma observação do planeta Vênus, a grande luneta de 24 cm construída por Bardou. A revista L’ Astronomie de setembro de 1887 retrata nosso Imperador realizando essa observação. Acompanhado pelo visconde de Nioac e Cruls, plantou nos jardins do Observatório uma árvore que existe até hoje!

Nessa ocasião o Imperador concedeu a Flammarion a “Ordem da Rosa”. Em 17 de setembro de 2011, convidado para a reinauguração do Observatório Camille Flammarion, constatei a existência da árvore plantada pelo Imperador e de uma placa comemorativa. Infelizmente o interesse de D. Pedro II pela astronomia não era partilhado pelos seus auxiliares e alguns políticos que utilizavam a imprensa com charges satirizando o interesse do Imperador pelas coisas do céu o que levou o Brasil a não participar do projeto internacional da ‘Carta do Céu’.

A região do céu destinada ao Brasil foi fotografada pelo Observatório de la Plata, R. Argentina. A luneta fotográfica encomendado aos irmãos Henry na França, doada por D. Pedro II, jamais foi instalada e o que é pior: em 1910 em relatório assinado por Cruls e Henrique Morize, informavam a perda total da luneta e acessórios! Nem a fulgurante aparição do cometa Halley sensibilizou as autoridades. D. Pedro II havia cedido 40 hectares na Fazenda Imperial Santa Cruz e 60 mil francos (uma fortuna para a época!) para construção do observatório que incluía uma luneta inglesa “Cooke” de 32 cm e um circulo meridiano.

As instalações iniciadas em 1889 nunca foram concluídas por motivos óbvios : a Proclamação da República. Pouco depois, os republicanos não deixaram desembarcar no porto do Rio de Janeiro instrumentos encomendados pelo Imperador à Inglaterra. A denominação do Imperial Observatório é a seguir mudada para Observatório Astronômico do Rio de Janeiro e mais tarde, em decreto, para Observatório Nacional do Rio de Janeiro cuja nova sede foi inaugurada em 1922 no bairro de São Cristóvão.

No exílio, na correspondência que mantinha com a condessa de Barral, preceptora de seus filhos, são encontradas muitas referências à astronomia.

Ele contava das dificuldades pera realizar seus sonhos, principalmente na instalação de um grande observatório superior até ao de Nice, na França. D. Pedro II tinha conhecimento deste Observatório na descoberta de asteroides e principalmente pela descoberta por Auguste H. P. Charlois (1864-1910) do planetoide 293 ao qual foi dado o nome de Brasília em sua homenagem, na ocasião já no exílio.

Talvez o reconhecimento e a maior homenagem prestada a D. Pedro II veio durante o 2º Encontro Nacional de Astronomia, ENAST, celebrado em Recife, Pe, de 30/6 a 1º/7 de 1978, quando astrônomos amadores e profissionais, por unanimidade, elegeram-no “Patrono da Astronomia Brasileira”, segundo moção apresentada pelo Dr. José Marijeso de A. Benevides.

Foi o primeiro passo para que, no dia do aniversário do Imperador, 2 de dezembro, passássemos a celebrar o “Dia do Astrônomo”.

Referências:

  1. História do Observatório Nacional, Antônio Augusto Passos Videira;
  2. L’ Astronomie, SAF, vários números;
  3. D. Pedro II, Patrono da Astronomia Brasileira, José Marijeso de A.Benevides, Rubens de Azevedo e José Macedo de Alcântara;
  4. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo R. F. Mourão;
  5. Observatório Nacional e a Pesquisa Astronômica no Brasil, Luiz Muniz Barreto.
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SABIA QUE A BOLÍVIA QUASE PERTENCEU AO BRASIL?

Mapa do Brasil se tivesse aceito anexar o Alto Peru

Você sabia que o território espanhol do Alto Peru, território atualmente ocupado pela Bolívia, além de partes do Paraguai e Chile, quase pertenceu ao Brasil?

O Brasil, ao contrário do que infelizmente pensam muitos brasileiros, sempre foi uma nação de destaque e relevância internacional, sobretudo na América do Sul, desde seu período colonial. Em grande parte, como resultado indireto das ações de Napoleão Bonaparte.

Nascido em Córsega (ilha de propriedade da França), descendente da nobreza italiana, Napoleão Bonaparte foi militar de carreira, chegando ao posto de General. Líder político e militar dos últimos estágios da Revolução Francesa e posteriormente Proclamado Napoleão I, Imperador da França, Napoleão espalhou a guerra pela Europa, inclusive na Península Ibérica.

As ações de Napoleão mudaram os rumos da histórica mundial.

Diante da inevitável invasão de Portugal pela França, em 29 de Novembro de 1807, a família real portuguesa, liderada pelo então Príncipe Regente Dom João (que posteriormente viria a ser coroado Dom João VI) fugiu para o Brasil, levando consigo cerca de 15.000 pessoas, membros da corte e funcionários públicos de alto escalão, sob escolta da Marinha da Inglaterra (também conhecida como Esquadra Britânica), chegando ao Brasil em 18 de Janeiro de 1808, na costa da Bahia e desembarcando em 24 de Janeiro de 1808 em Salvador, de onde se deslocou posteriormente para o Rio de Janeiro, local no qual chegou em 08 de Março de 1808.

Napoleão bem que tentou aprisionar os membros da família real portuguesa, mas estes, para a sorte de Portugal e do próprio Brasil, conseguiram fugir com sucesso, sob a proteção da Inglaterra.

Pela primeira e única vez na história, uma cidade das Américas se tornou a capital de um país europeu. Isto causou inúmeras mudanças, as quais resultaram no progresso do Brasil.

Podemos citar como algumas das mais importantes:

Abertura dos Portos para as nações amigas em 1808 (até então, Portugal detinha o monopólio do comércio com o Brasil, assim como fazia com suas demais colônias)
Revogação da proibição da criação de indústrias no Brasil
Fundação do Banco do Brasil (primeiro banco do Brasil) em 1808
Criação da Imprensa em 1808
Criação da Academia Real Militar em 1810
Criação da Biblioteca Real em 1810
Criação do Jardim Botânico em 1810
Criação do Museu Real (posteriormente denominado Museu Nacional) em 1818
Criação de algumas escolas, entre elas, duas de Medicina (na Bahia e no Rio de Janeiro)
A instalação de indústrias de ferro e pólvora em São Paulo e Minas Gerais

Temos ainda a mais importante destas mudanças, a elevação do Brasil ao mesmo patamar de Portugal, deixando de ser uma colônia para se tornar parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 16 de Dezembro de 1815. Reino este, com sua capital na cidade do Rio de Janeiro (Brasil).

Todas estas mudanças, radicais para a época, mudaram a estrutura política e econômica no Brasil, revolucionando o país e criando as instituições básicas de governo, que permitiram ao Brasil manter sua unidade territorial, mesmo após o retorno da família real em 1821 para Portugal e a Independência do Brasil em 1822 (07 de Setembro de 1822).

Aliás, a própria Independência foi diferente do ocorrido nas demais nações latino-americanas. O então Príncipe Regente Dom Pedro, se autoproclamou Dom Pedro I, Imperador do Brasil.

Houve sim resistência por parte de cidadãos e tropas portuguesas no Brasil, mas, esta resistência foi vencida por Dom Pedro I com o apoio do Exército Brasileiro, assegurando não apenas a Independência, como também a Unidade do Brasil, ou seja, sua Integridade Territorial.

O povo reconhecia de forma natural a autoridade de Dom Pedro I como seu chefe de Estado, e o fato de ter um nobre europeu como Imperador, facilitou o reconhecimento da Independência do Brasil por parte das nações europeias. Nascia então, o Brasil, um Império já relativamente estruturado e com instituições de governo já estabelecidas e funcionais.

Já a América Espanhola, assim como a própria Espanha, não teve a mesma sorte. A Espanha, a qual traíra Portugal (até então, seu aliado) para se aliar à França, acabou se vendo traída por Napoleão, o qual aprisionou a família real espanhola e nomeou seu irmão, José Bonaparte, como Rei da Espanha, título este, não reconhecido pela população, a qual resistiu à ocupação francesa.

Desta forma, com o vácuo político criado pela ausência de seu Rei, ou seja, pela ausência de um poder central, o Império Espanhol passou a se desmantelar. Movimentos de independência começaram a surgir em toda a América Espanhola, espalhando a guerra e o caos.

Diante desta sensação de insegurança e temendo o caos, em Junho de 1822, os três governadores dos departamentos espanhóis do Alto Peru (os quais já se viam ameaçados pelas tropas dos generais Antonio José de Sucre e Simón Bolívar), se reuniram em Cuiabá (Capital da Capitania do Mato Grosso / Brasil) e solicitaram ao Governador que o mesmo intercedesse junto ao Príncipe Regente Dom Pedro (que muito em breve se tornaria Dom Pedro I, Imperador do Brasil), para que o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves anexassem estes territórios, visando poupar sua população da carnificina e do caos.

De imediato, o Governador do Mato Grosso enviou tropas que estavam estacionadas em sua capitania para o Alto Peru, bloqueando o avanço de Bolívar e Sucre, e enviou uma carta a Dom Pedro, comunicando ao mesmo sobre o envio das tropas e a solicitação das autoridades do Alto Peru (o qual mais tarde viria a se tornar a Bolívia).

Carta esta a qual só foi recebida por Dom Pedro I em Novembro de 1822, quando o Brasil já era uma Nação Independente.

Além disto, Bolívar e Sucre foram mais rápidos e enviaram representantes ao Rio de Janeiro, os quais chegaram antes da carta do Governador. Desta forma, quando recebeu a mesma, Dom Pedro I já havia se decidido por não anexar o Alto Peru, rejeitando o pedido dos governadores da região e ordenando que as tropas fossem de lá retiradas.

Com isto, Dom Pedro I deixou a região do Alto Peru (atual Bolívia) entregue à própria sorte, o que culminou com a invasão das tropas de Bolívar e Sucre e a independência boliviana da Espanha.

É claro que naquele momento, Dom Pedro I estava mais preocupado em vencer a resistência das tropas portuguesas em solo brasileiro, garantindo a Unidade do Brasil. Contudo, não fosse esta decisão, o território da atual Bolívia faria parte do Brasil, o que seria positivo tanto para brasileiros quanto para bolivianos.

O Brasil ganharia mais de 1.100.000 km² (em grande parte, terras férteis) e aproximadamente 10.500.000 habitantes (os quais falariam português ao invés de espanhol), totalizando um território com quase 10.000.000 de km² e mais de 210.000.000 de habitantes, acrescentando ao Brasil inúmeras riquezas, entre elas, vastas reservas de petróleo e gás natural, a maior reserva de lítio de todo o mundo, ouro, prata, estanho, cobre e enxofre.

Adicionalmente, o Brasil teria acesso direto ao Oceano Pacífico, visto que em 1822, o Alto Peru possuía uma pequena costa banhada pelo Oceano Pacífico, território este o qual a Bolívia perdeu para o Chile, o que nos dias atuais facilitaria o comércio com a China e demais países asiáticos, já que as cargas poderiam ser transportadas por vias terrestres até o Pacífico, e dali, seguirem de navio para a Ásia.

Fazer parte do Brasil, também teria evitado a perda de parte do então território do Alto Peru, o qual veio a posteriormente constituir grande parte do que hoje é o Paraguai.

Abaixo, para ilustrar melhor, atual território de Brasil e Bolívia, e como seria atualmente o território do Brasil caso tivesse anexado o Alto Peru em 1822.



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"O sentimento monárquico nunca esteve tão vivo"

Segundo na linha sucessória, primeiro na família imperial entre os que defendem com mais força a restauração da monarquia no país. eis Dom Bertrand de Orleans e bragança

Dom Bertrand tem oito nomes e dois sobrenomes. A citação de todos é extensa demais para um texto jornalístico e incomum o suficiente no Brasil para ser deixada de lado em introduções oficiais e informais. Facilita-se apresentações e se arranja o primeiro nome com os sobrenomes: Dom Bertrand de Orleans e Bragança. O príncipe, pois, não tem trono a herdar, nem filhos a quem passá-lo.


Celibatário, o que o bisneto da princesa Isabel possui é o sangue da Casa Imperial e vida devotada unicamente à causa monárquica. Não ter “obrigações de família” nem ser o herdeiro direto do trono – é o segundo na linha de sucessão, precedido pelo irmão, Dom Luís Gastão –, acredita, lhe dão “muito mais liberdade” para se dedicar à “restauração católica e monárquica” do Brasil.

Confira a conversa do O POVO com Dom Bertrand, durante a última visita dele a Fortaleza:.

O POVO - Como o senhor avalia o momento do País??

DOM BERTRAND - Nós estamos num momento muito interessante. Porque, a impressão que tinha é que o Brasil ficaria atolado nesse governo que introduziu um verdadeiro caos na nação. Que é o PT.

E o problema do PT não era só a corrupção. O problema do PT é que tinha uma agenda de reforma do Estado que, a realizar-se, iria transformar o Brasil em um país perfeitamente comunista. Quando o Lula tomou o poder, o José Dirceu, chefe da Casa Civil, no seu discurso de posse disse claramente: nós temos um projeto de governo pra 30 anos. nosso objetivo é construir um País socialista.

O Lula confirmou isso em uma entrevista que deu ao jornal ‘El País’ de Madrid. Ele disse a mesma coisa: o objetivo é fazer do Brasil um país socialista. Essa corrupção toda que houve havia muito desejo pessoal de enriquecer, tirar proveito, mas sobretudo fazer caixa para poder segurar o Congresso e fazer o projeto socialista deles avançar. Eles entraram já com o PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos), que graças a Deus fracassou.

A Dilma, depois, tentou um outro projeto semelhante que também graças a Deus fracassou. O que eles não contavam é que no Brasil houvesse uma reação. O brasileiro é infenso a isso. Não gosta disso. O brasileiro é a favor da propriedade, da religião, da família e etc. E ainda levaram a coisa longe demais. Depois, com a questão do mensalão, petrolão, esses... Lava Jato, o brasileiro deu conta de que “nós estamos sendo saqueados”. E aí, o Brasil autêntico saiu às ruas.


OP - O senhor acha que o Brasil que querem de volta é o Brasil de 130 anos atrás?

DOM BERTRAND - De 130 anos e muito mais. É o Brasil da Terra de Santa Cruz. O Brasil das harmonias no período antes da independência. Um Brasil próspero do período de Dom Pedro II.



OP - Mas no imaginário das pessoas o período Imperial não foi um tempo obscuro e a República um tempo de redenção para o Brasil?

DOM BERTRAND - No fundo, tentaram criar essa imagem com uma história falseada. Mas na realidade não há um brasileiro que não considere Dom Pedro II o melhor chefe de Estado que nós tivemos. Essa é a realidade. Todos sabem disso, todos que têm o mínimo de conhecimento de história sabem que o Brasil deu certo na Monarquia, e não na República.

A República foi um caos. Você não encontra um brasileiro que diga de boca cheia que a República deu certo. E aí se começa a perguntar: valeu a pena a República? Será que a solução não é voltar ao único regime que deu certo nesse País? Por exemplo: nessas manifestações que houve de norte a sul do Brasil contra o governo do PT, no Brasil inteiro apareceram bandeiras do império, e foram vistas com simpatia. Nós, os príncipes, fomos convidados a falar do alto de carros de som.


OP - O senhor acha que o momento que descreveu do País, com o PT, se deve também ao sistema e à forma de governo? a?

DOM BERTRAND - Não funciona. Você imagina uma empresa que, a cada 4 anos, muda tudo. Toda a estrutura, de cima abaixo. Funciona? Me lembro que uma vez, nos EUA, dei uma palestra que não era sobre Monarquia. Mas ao fim, fizeram algumas perguntas, uma das quais foi sobre Monarquia. E eu expliquei porque era monarquista.

Acho a Monarquia em tese superior à República por tais tais tais. E aí um empresário presente, grande empresário, muito rico, levantou a mão e disse que não concordava. Ele disse que achava a República superior por duas razões: na República, o povo escolhe livremente o Chefe de Estado. Em segundo, na República qualquer um pode ser presidente. Na verdade, porém, o povo numa República não escolhe absolutamente nada. Nem nos EUA nem aqui no Brasil.

O máximo que nós fazemos é votar, entre duas ou três candidatos, que os grupos do poder, que dominam os partidos políticos, nos representam. Nós não escolhemos nada.


OP - Mas, numa monarquia, o chefe de Estado seria escolhido por direito divino ou por direto consentido/adquirido? As pessoas escolheriam ele, a família. Porque, na República, até certo ponto, existe uma noção de que o Chefe de Estado é escolhido por mérito: pela capacidade, pelas qualidades...

DOM BERTRAND - Isso não se deu. E, numa tradição se viu que os regimes que mais dão certo são os hereditários. É uma ordem natural. Assim é nas famílias, nas fazendas, numa empresa. É experiência histórica. E a gente vê que tá nos planos de Deus que assim seja.


OP - Então, seria por direito divino?

DOM BERTRAND - Digamos que está nos desígnios de Deus que seja tal família, que foi escolhida para aquele papel, em certas circunstâncias. Em Portugal, por exemplo, dom Afonso Henrique era o conde de Gorgonha, que foi quem liderou as guerras de independência de Portugal. No fim, ele acabou sendo aclamado rei, e assim fundou-se o reino de Portugal. Depois, João I…

Mas foi uma coisa que foi se dando organicamente, naturalmente. Quer dizer, não há uma indicação direta de Deus. Não é assim. Mas são as tradições, os resultados de uma série de circunstâncias históricas. Fica claro que está nos desígnios de Deus que assim seja. Precisamos entender um ponto: todo o poder vem de Deus. É uma delegação do poder de Deus, a começar pela família. O estado natural é que a autoridade seja o pai e a mãe. Está na Sagrada Escritura, na ordem natural.


OP - Por que numa monarquia a realidade do Brasil seria diferente?

DOM BERTRAND - A resposta foi dada por um filósofo grego, muito antes de Cristo. Os gregos perguntaram a Sócrates, o filósofo maior: “o que faremos para voltar a ser felizes?”. Sócrates responde: “façam aquilo que faziam quando eram felizes”. A mesma resposta poderíamos dar no Brasil. O Brasil deu certo na Monarquia. Não deu certo na República.

E daí exatamente está se dando, já que o movimento monárquico está mais forte do que nunca, se perguntar: o Brasil realmente deu certo na República? Será que a solução não é voltar pra aquele regime, o único que deu certo no nosso País? Como seria esse regime? Conforme nossa experiência, nas atuais circunstâncias, uma Monarquia deveria ser uma continuação de como foi o Brasil no tempo do Império, com algumas indispensáveis adaptações nas circunstâncias do mundo atual.

Por exemplo, o Brasil no Império era um regime unitário. Agora, tornou-se uma federação. Deveria até ser federação, porque corresponde melhor ao princípio fundamental da sanidade sócio-econômica da nação, que é o princípio de subsidiariedade, que é a autonomia das regiões. O que a República promete e não dá. Mas porque que o Brasil era um regime unitário no Império? Quando foi proclamada a independência, o Brasil naquele tempo tinha 4 milhões de habitantes.

Havia uma tendência aos separatismos, como foi na América espanhola. Para manter a unidade, era preciso um regime unitário. Mas o Brasil evoluía pra um regime federativo. Dom Pedro II já fazia estudos sobre isso naquele tempo. Nas atuais circunstâncias seria uma monarquia parlamentarista, como foi no tempo de Dom Pedro II, em que o chefe de Estado era o Imperador e o poder Executivo era exercido por um primeiro-ministro – que naquele tempo era chamado de presidente do Conselho de Ministros.

O poder Legislativo era bicameral, com a Câmara eleita pelo povo com voto distrital, e o poder Judiciário tinha a tríplice garantia, que até hoje, teoricamente, tem: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de seus vencimentos.


OP - O senhor diz que o tempo que o brasileiro sente saudade é, na verdade, o período de Monarquia – que deu certo no Brasil. O que dava certo?

DOM BERTRAND - O Brasil até 1889 deu certo. Tínhamos, sobretudo, um regime que garantia a unidade, a estabilidade e a continuidade da nação e do governo.


OP - E por que veio a proclamação da República?

DOM BERTRAND - Um golpe de Estado de uma minoria. Um golpe que, em seu primeiro momento, não tinha em vista a República, mas apenas a derrubada do gabinete do Visconde de Ouro Preto. Foi no entardecer do dia 15 de novembro de 1889 que foram dizer ao Marechal Deodoro (da Fonseca) que para substituir o Visconde de Ouro Preto o Imperador havia convidado um político gaúcho (senador Silveira Martins) para assumir a presidência do Conselho de Ministros.

Deodoro disse: “esse não”. Aí lhe deram um decreto redigido por Rui Barbosa proclamando a República. Ele teve a fraqueza de assinar. Por que assinou? Porque como fora comandante na praça de Porto Alegre, ele disputava com Silveira Martins os amores da filha do Barão de Triunfo. Perdeu na disputa. Por causa disso, tem um ódio de morte contra Silveira Martins.

Na realidade, então, a República é um regime espúrio que nasceu da disputa de dois homens pelo amor de uma mulher. Foi uma minoria ínfima. Mas tinham a guarnição do Rio e prenderam o Imperador e o colocam no presídio.


OP - E é possível restaurar o Império? No plebiscito de 1993, apenas 13% votaram a favor da monarquia.

DOM BERTRAND - Foram 13% dos votos validos. O que faltou naquele momento foi informação. Se uma corrente política teve seus direitos cassados por 99 anos fomos nós monarquistas. A República nasceu – o decreto número 1 da República prometia no art. 7º uma consulta popular. Previa-se que o povo deveria ser ouvido se de fato queria República ou continuar com Monarquia.

Em vez de fazer o plebiscito, alguns dias depois, o decreto número 85 da República pôs a Monarquia fora da lei. Ficamos com os direitos políticos cassados até o dia 3 de outubro de 1988, quando entrou em vigor a atuação constituição, que revogou a limitação dos nossos direitos políticos. Foram 99 anos de deformação da história pela República. Toda a máquina governamental contra, grande mídia contra e, apesar disso, 13%, com esse aspecto muito interessante: em todos os debates, o plebiscito simulado vencia a monarquia.


OP - Os símbolos da monarquia ainda fazem parte do imaginário das pessoas?

DOM BERTRAND - A índole do povo é monárquica, porque a ordem natural das coisas é monárquica. As crianças nascem monarquistas e depois vão sendo corrompidas pela mãe, pelo falso ideologismo e ficam republicanas.

Mas o interessante é que hoje no Brasil de 2016 o governo monárquico está muito mais vivo do que estava em 1993, quando houve plebiscito. Em toda parte do Brasil, de norte a sul, o sentimento monárquico está renascendo na juventude. Até alguns anos atrás, havia um encontro monárquico no Rio de Janeiro, em junho, que coincidia com o aniversário de Dom Luiz, meu irmão, chefe da Casa Imperial.

Esse ano já fizemos encontros monárquicos no Rio, em Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, aqui em Fortaleza. Nunca o sentimento monárquico esteve tão vivo. E o público do qual esse sentimento está renascendo é a juventude.


OP - Como é sua vida pessoal? O senhor não é casado, não tem filhos. Por que essa opção?

DOM BERTRAND - Sou celibatário. Eu sempre me dediquei aos ideais de uma restauração católica e monárquica no Brasil e considero que posso fazer muito mais me mantendo celibatário, sem ligações de família.


OP - Apesar de não ser o primeiro na sucessão, o senhor é o que luta mais pela causa.

DOM BERTRAND - Pelo fato de eu não ser o herdeiro, tenho muito mais liberdade pra dizer certas coisas, dar entrevistas e viajar do que se fosse herdeiro. Tenho feito muitas palestras e sou sócio do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO). Nele, dirijo um setor chamado de “Paz no campo”, que tem em vista a defesa de direito de propriedade no campo, que acaba sendo, num certo sentido, como manter no campo o regime monárquico.

Porque, numa fazenda, o proprietário é, na verdade, um pequeno rei, dentro de seus limites. Assim como o pai é o rei de uma família, o proprietário é um pequeno rei de sua fazenda. E a reforma agrária que ainda se quer impor no Brasil acaba sendo uma proclamação da República no campo. Seria, inclusive, o caos republicano no campo.

Nessa “paz no campo”, temos campanha de manter a estabilidade no campo porque, se abolirem o direito de propriedade, teremos socialismo. O direito à propriedade é natural. É garantia da liberdade.


OP - O senhor. pensa em uma monarquia liberal, então?

DOM BERTRAND - Uma monarquia orgânica, na qual se respeita o que está de acordo com a lei natural. Quais são, do ponto de vista sócio-econômico, esses princípios fundamentais: primeiro lugar, a livre iniciativa. Sem ela, se inibe a capacidade criativa de um povo.Em segundo lugar, a propriedade privada, que é garantia de liberdade, como falei.

Em terceiro lugar, o princípio de subsidiariedade, segundo o qual um órgão superior só deve fazer o que um feudo não for capaz de fazer por si. Isso vale pra uma empresa, para qualquer sociedade, e para o Brasil. No Brasil, simplificando a realidade, temos a base universal da sociedade, que é a base da família. O sistema básico da sociedade é a família.

A família está no município e o estado na União. Segundo esse princípio, o governo municipal só deve fazer aquilo que o conjunto das famílias no município não for capaz de realizar por si. Por sua vez, o governo do estado só deveria fazer o que a família e os municípios não forem capazes de realizar por si. Finalmente, a união só deve fazer o que a família, os municípios e os estados não foram capazes de realizar por si.

De uma forma que, no topo dessa pirâmide, o governo da união seja pequeno, leve, capaz de dar os grandes rumos da nação, e não no sistema atual, que temos uma pirâmide de cabeça pra baixo. Temos um governo da união hipertrofiado que esmaga o estado, sangra os municípios e escorcha as famílias com impostos sempre maiores.


OP - Há um crescimento, também, do discurso contra a “Proclamação da República”, em 1889, especialmente nas redes sociais. Para o senhor, foi realmente um golpe? Por que?

DOM BERTRAND - Realmente tem crescido nas redes sociais, como reflexo de um percepção que vai crescendo pelo País todo, um discurso contra a proclamação da República. Vivemos uma das maiores crises do nosso sistema republicano. Neste momento, em que é difícil encontrar um brasileiro que diga de boca cheia que a República deu certo, parece que a única preocupação de muitos políticos é salvar a própria pele e dar-se uma auto-anistia.

E a outra preocupação é a próxima eleição presidencial. Como já tive oportunidade de frisar, a República pensa nas próximas eleições, enquanto a Monarquia pensa nas próximas gerações. Por isso muitos se questionam se não é chegado o momento de repensar nossas instituições republicanas e retomar nosso caminho monárquico.

Mas não é apenas nas redes sociais que aumenta esse questionamento. Nas escolas, nas ruas, no trabalho, o debate arejado a respeito da Monarquia e República ganha espaço. E isso é proveitoso, a meu ver. Muitos, especialmente jovens, começam a interessar-se pela nossa história e a deitar sobre ela um olhar diferente de certos clichês surrados e maledicentes com que os republicanos ideológicos contaminaram nossos meios de ensino.

A proclamação da República, que eu chamaria da imposição da República foi, sim, um golpe.


OP - Mas nem sempre um golpe é caracterizado como algo ruim ou mal elaborado – como, para muitos, não é o caso do golpe de 1964, onde se acredita ter removido a ameaça comunista do poder. A data de 1889 deve ser comemorada como fazemos hoje?

DOM BERTRAND - Em 1964 não houve propriamente um golpe, mas uma reação do povo que saiu às ruas e das instituições à tentativa de um golpe por parte da esquerda. A intervenção militar teve anuência do Congresso.Já com a Proclamação da República as coisas se deram de modo diverso.

Houve uma suspensão da ordem institucional e os republicanos implantaram um governo de exceção. Tudo era feito à base de decretos, um dos quais, o chamado decreto-rolha, proibiu que os monarquistas se manifestassem livremente. A Família Imperial foi banida e enviada para o exílio, sem que lhe fossem imputados crimes e sem qualquer julgamento.

No fundo, diante da grande popularidade de que gozava o imperador Dom Pedro II, bem como toda a Família, os republicanos receavam uma reação popular, precisamente ao golpe.É por isso que não me parece que tenhamos o que comemorar nessa data de 15 de novembro.

LINK ORIGINAL: O POVO - https://goo.gl/0Fauv2

A FORÇA DA LEGITIMIDADE

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A Marinha britânica, historicamente heroica nos sete mares, é aqui representada por esta belonave e por seus oficiais enquanto prestam homenagem à sua Rainha, Elizabeth II. Por que a força militar se perfila diante da delicadeza de uma mulher? Que força tem ela para que as armas se inclinem em sua presença e se ponham a seu serviço?

A Rainha tem a força superior da legitimidade monárquica. O poder militar reconhece nela a continuação histórica da Pátria que ele serve. Estão ligadas à estirpe da Rainha glórias passadas e tradições que constituem a própria 'alma' do povo. Nela convergem essas tradições e essa glória. Ela personifica assim a Pátria à qual os oficiais, enquanto militares, dedicam sua vida. Ela é o princípio visível de sua abnegação ávida de heroísmo.

Suas armas, como as armas de todos os povos, estão a serviço da sua própria soberania. E a Rainha é a Soberana.

Daria mostras de vistas curtas quem dissesse que Deus está ausente da cena que se passa nesse convés. Na vida dos povos se vê ininterruptamente a ação divina interferindo em sua história. Sobretudo as guerras são manifestações dessa interferência. E as guerras marcam os povos por séculos.

Por outro lado, assim como numa família os filhos têm nos pais uma imagem de Deus criador e regente, num povo regido por uma família, o Monarca é a representação visível dessa ação divina. Está nos hábitos de Deus agir sobre um povo através de seus legítimos Monarcas. Esta homenagem prestada pela Força à sua Soberana leva a pensar nas seculares vicissitudes desse grande povo nas quais a Providência agia, ora visivelmente, ora em profundidades insondáveis.

O PARTIDO REPUBLICANO

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“No Império, havia dois principais partidos, o Partido Conservador e o Partido Liberal, que se alternavam no poder, conforme o resultado das eleições. Em certo momento, fundou-se o Partido Republicano, que tinha toda liberdade.

O máximo que eles conseguiram eleger foram quatro deputados; nas últimas eleições do Império, em agosto de 1889, elegeram apenas dois. Era um partido absolutamente nanico. A República resultou de um golpe de Estado, um golpe militar de uma minoria do Exército. Segundo historiadores militares, apenas um terço dos militares queriam a República.”

- S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, em participação no programa “Mariana Godoy Entrevista”.

A VERDADEIRA EXCALIBUR?


Você com certeza assistiu o filme da Disney quando criança. Provavelmente também leu o livro. Mas você sabia que esta história é baseada em uma história real?

A história do Rei Arthur, Merlin e todo o resto pode não ser verdade, mas realmente, há centenas de anos, existiu uma espada na rocha.

Na cidadezinha italiana de Chiusdino, há uma pequena capela perto da abadia de São Galgano conhecida como Capela Montesiepi. E dentro dela você encontrará uma grande rocha com o cabo de uma espada saindo.

Como ela foi parar lá? Bem, a história é que no século XII havia um cavaleiro chamado Galgano Guidotti que no fim da sua vida, decidiu retirar-se e viver como eremita. Ele teve duas visões místicas: na primeira, o Arcanjo Miguel disse que o protegeria pessoalmente; e na segunda, apareceram-lhe os doze apóstolos e o próprio Jesus.

Depois de terminar a segunda visão, decidiu colocar uma cruz naquele lugar. Como não tinha outro material, ele fincou sua espada no chão, formando ali uma cruz. Imediatamente o chão endureceu ao redor da espada e está lá presa desde então.

Apenas quatro anos depois de sua morte, o Papa Lúcio III iniciou formalmente o processo de canonização que terminou com Guidotti sendo declarado um santo – a primeira pessoa a ser declarada santa por um processo formal da Igreja Católica Romana.

Aparentemente, “incontáveis” pessoas tentaram roubar a espada. É possível ver na capela o que dizem ser mãos mumificadas de um ladrão que tentou roubar a espada, mas foi abatido por lobos selvagens.

Embora a espada esteja na Itália, muitas pessoas acham que ela influenciou a inglesa Lenda do Rei Arthur.

São Galgano fincando a espada

SIMPLESMENTE, PEDRO

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Era corriqueiro vê-lo caminhar normalmente com seu amigo e médico Conde Mota Maia pelas ruas da Cidade como qualquer senhor de classe média da época.

“Estava eu e mui Mota Maia andando pela a rua ouvidor quando lembro em comprar um regalo para meu neto mais moço, escolhi o agrado e fui pagar à senhorita do balcão do estabelecimento comercial, quando lhe entreguei uma nota de réis ela ruborizou-se olhando para nota onde minha velha face estava ao centro da impressão, a jovem olhou para mim e desmaiou em seguida.

Mota a examinou e brevemente acordou timidamente, começou a fazer reverências que eu nunca tinha assistido ou recebido. Depois do susto saímos à calçada, avistei flores, peguei um ramo vistoso, voltei à loja e entreguei a simpática senhorita. Hoje foi um dia bom, porém sempre fico reflexivo sobre tais momentos onde fica claro que meu povo ainda me enxerga como um Rei Medieval dos contos que lia quando infante, mas vi admiração e um belo sorriso no rosto belle enfant, foi compensador.”

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Diário de Pedro II, disponível na Biblioteca Nacional e cópias no Museu Imperial de Petrópolis.