quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

REPÚBLICA ABOLICIONISTA?

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Desde a metade do século XIX, a monarquia mostrou-se disposta a aprovar projetos abolicionistas.

Após a queda da monarquia, a República tentou ligar-se à memória da abolição. Seu principal argumento era a recusa do Exército em capturar os escravos fugidos. Reivindicava-se, assim, o reconhecimento dos republicanos militares como atores da abolição e redentores da pátria livre.
Nos manuais escolares, o ensino da história da abolição exaltava erroneamente como heróis republicanos Silva Jardim e Deodoro da Fonseca.

Outro fato curioso é que nas comemorações oficiais da abolição, o 13 de maio e o 15 de novembro eram apresentados como datas complementares de um mesmo processo de modernização do país, ligado inveridicamente mais uma vez à republica. De modo complementar, ligavam o sistema monárquico à escravidão e ao atraso do país, além de silenciar o nome da princesa Isabel no processo de aprovação do projeto convertido em lei.

Houve derramamento de sangue e tentativas de resistência após a proclamação da República. O novo regime foi assombrado por fuzilamentos em massa, espancamentos de negros fiéis à sua “Redentora”, prisão e deportação de líderes da Guarda Negra (espécie de instituição organizada para defender a monarquia e a princesa Isabel) e conflitos com ex-escravos que se recusavam a trabalhar para fazendeiros republicanos. Muitos negros, convencidos de que deviam sua liberdade ao trono, tornavam-se mártires pela monarquia. Consequentemente, foram esquecidos pela República.

MEMÓRIAS DE UM PRÍNCIPE

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"Lembro-me como se fosse hoje. Foi durante a Segunda Guerra Mundial, e me recordo das pessoas no navio comemorando quando o Japão pediu paz. Quando cheguei ao Rio, havia névoa, e só se podiam ver nesgas do Pão de Açúcar. E eu, que até então me sentia totalmente em casa na França, pensei: 'Aqui nós temos uma missão'".

Palavras de Sua Alteza Imperial e Real Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, sobre sua vinda ao Brasil, em 1945. Aos sete anos de idade, aquela foi a primeira vez em que o Príncipe pôs os pés em sua Pátria.

Na foto: Dom Eudes, Dona Isabel, Dona Maria Elizabeth, Dom Pedro de Alcântara (no colo da mãe), Dom Bertrand, Dom Pedro Henrique e Dom Luiz. A fotografia foi tirada no Brasil, pouco tempo depois da chegada da Família Imperial ao país.

APAGANDO A HISTÓRIA

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Na tentativa republicana de "apagar" da memória dos brasileiros o glorioso império, até nomes de ruas sofreram consequências...

Lista das principais ruas com nomes alterados:
Rua do Imperador -> Rua Marechal Deodoro
Rua da Imperatriz -> Rua XV de Novembro
Rua da Princesa -> Rua Benjamin Constant
Rua Conde D’Eu -> Rua do Glicério
Rua do Príncipe -> Rua Quintino Bocaiúva
Rua de São José -> Rua Líbero Badaró
Praça 7 de Abril -> Praça da República

No mapa de 1881, ruas ainda com os nomes imperiais.

DOM LUIS FILIPE, O CONDE D'EU

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Nas três vezes em que a Princesa Isabel assumiu a Regência do Império, a atitude que manteve o Conde d’Eu foi a mais correta. Nunca nenhum político que foi ministro nesses períodos disse o contrário.

Um constituinte republicano afirmou:

O que era possível fazer para conquistar o título de brasileiro, ele o fez: regulamentos, projetos de lei para melhor organização do Exército e aperfeiçoamento do seu material de guerra; escolas, bibliotecas, colônias orfanológicas para a infância desamparada; tudo enfim quanto podia falar à gratidão das massas mais desprotegidas da sorte ou às diversas classes da sociedade, ele planejou ou executou na maior parte”.

Durante a campanha do Paraguai, se as circunstâncias militares e políticas não lhe permitiram – mau grado dele, aliás – combater o inimigo do Brasil desde o início das hostilidades, sua ação de comandante-chefe, na última fase da guerra, quando os nossos melhores generais escasseavam já, por doentes ou cansados, foi cheia de heroísmo e de dignidade, e nunca se soube que tivesse se exercido em desabono das tradições do exército brasileiro.

Em suas “Memórias”, Taunay enumera as qualidades do Conde d’Eu:

Gosto pelo trabalho, amor sincero ao estudo, consciência no saber, espírito inimigo da futilidade e cheio de modéstia. Muita ordem na vida econômica, aborrecimento à intriga e aos mexericos. Desconfiança de si mesmo, desejo de servir bem e cumprir o dever. Absoluta simplicidade nos modos. Amigo da justiça nos conceitos, pouco propenso a ouvir e aceitar bajulações. 

Esposo exemplar, de fidelidade intangível, escrupulosíssima. Excelente pai de família, impossível melhor, exagerado até no amor aos filhos e nos cuidados de que os rodeia incessantemente. Crença viva na Religião. Discrição no falar, nenhum arrebatamento, paciente e nobremente resignado”.

Seria necessário encher grossos volumes, para relatar tudo quanto se propalava no sentido de indispor o príncipe consorte com a opinião pública.

Junior Mattos

SOBRE AS IMPERATRIZES

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(da esq) Dona Carlota Joaquina, Dona Leopoldina, Dona Amélia e Dona Tereza Cristina. 
(no centro) Dona Isabel.

Durante o Império do Brasil, ascenderam ao trono três imperatrizes. D. Leopoldina de Habsburgo, a primeira imperatriz, foi a única a participar ativamente da política do novo país, seja tornando-se regente devido às ausências de seu marido, D. Pedro I, seja pela sua atuação como correspondente dos Habsburgo, mantendo seu pai, Francisco I da Áustria, informado dos ocorridos no Brasil e procurando garantir alguns interesses da Santa Aliança.

S.M. foi quem idealizou a bandeira nacional, com o verde dos Bragança e o amarelo dos Habsburgo.

Devido a sua morte prematura, e à partida de D. Pedro I junto a D. Amélia de Leuchtenberg, não houve quem por direito de fato pudesse reger o Império até a maioridade de seu filho caçula, D. Pedro II. Assim sendo, institucionalizou-se o chamado Período Regencial, no qual há uma ocupação do cargo de regente do Império por sucessivas personalidades políticas da época, eleitas pela Câmara.

A sucessora de D. Leopoldina, D. Amélia de Leuchtenberg, permaneceu pouco tempo no cargo. Acompanhou D. Pedro I em seu retorno a Portugal, após a abdicação de ambos ao trono brasileiro, para lutar pelo direito regencial da filha desse, D. Maria II de Portugal.

Já a terceira imperatriz, D. Teresa de Bourbon-Duas Sicílias, apresentou uma atuação muito mais discreta nos rumos da política nacional, estando sempre ao lado de seu marido, D. Pedro II, e falecendo pouco após o exílio. Sua filha, D. Isabel, nunca chegou a ascender ao trono brasileiro, haja vista o golpe da República brasileira em 1889, apesar de ter atuado como regente do Império por três vezes, a mais notável quando da abolição da escravatura.

Pelo tratado do Rio de Janeiro, firmado entre Portugal e Brasil em 1825, que colocou termos à guerra da independência do Brasil, reconhecia-se a autonomia do antigo reino, mas reservava-se o título de imperador titular do Brasil a D. João VI. Por conseguinte, sua cônjuge, D. Carlota Joaquina de Bourbon, tornou-se a imperatriz titular do Brasil. Com a morte do marido, sete meses depois, D. Carlota perde o título tanto do trono português quanto do brasileiro, tornando-se rainha-mãe e imperatriz-mãe.

Se tivesse assumido o trono, a filha primogênita de D. Pedro II, D. Isabel, então princesa imperial do Brasil à época do golpe, ter-se-ia tornado imperatriz do Brasil, pois este título se refere à consorte do imperador e à chefe de Estado do Império.

CHICO REI: O REI DE OURO PRETO

Congado em litografia de Rugendas

Chico Rei é um personagem lendário da tradição oral de Minas Gerais. Segundo a tradição, Chico era o rei de uma tribo no reino do Congo, trazido como escravo para o Brasil. Conseguiu comprar sua alforria e de outros conterrâneos com seu trabalho e tornou-se "rei" em Ouro Preto.

Nascido no Reino do Congo, chamava-se originalmente Galanga. Chegou ao Brasil em 1740, no navio negreiro "Madalena", mas, entre os membros da família, somente ele e seu filho sobreviveram à viagem.

Todo o lote de escravos foi comprado pelo major Augusto, proprietário da mina da Encardideira, e foi levado para Vila Rica como escravo, juntamente com seu filho. Trabalhando como escravo, conseguiu comprar sua liberdade e a de seu filho. Aos poucos, foi comprando a alforria de seus compatriotas. Os escravos libertos consideravam-no "rei".

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Carlos Julião. Cortejo da Rainha Negra. na Festa de Reis. Aquarela colorida do livro Riscos illuminados de figurinos de brancos e negros dos uzos do Rio de Janeiro e Serro Frio.

Este grupo associou-se em uma irmandade em honra de Santa Ifigênia, que teria sido a primeira irmandade de negros livres de Vila Rica. Ergueram a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Chico Rei virou "monarca" em Ouro Preto, antiga Vila Rica, em Minas Gerais, no século XVIII, com a anuência do governador-geral Gomes Freire de Andrada, o conde de Bobadela.

No dia de Nossa Senhora do Rosário, ocorriam as solenidades da irmandade, denominadas Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Durante estas solenidades, Chico, coroado como rei, aparece com a rainha e a corte, em ricas indumentárias, seguido por músicos e dançarinos, ao som de caxambus, pandeiros, marimbas e ganzás. Este cortejo antecedia a missa.

O bebê real brasileiro

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O Bebê Real Brasileiro...

Muitos anos atrás, mais precisamente em 1825, no dia 02 de dezembro, nascia o primeiro bebê real brasileiro! D. Pedro II nasceu já como símbolo nacional e, arrisco dizer, de uma forma muito mais forte do que o herdeiro do trono britânico. Pelo andar da carruagem, o filho de William e Kate tem muito chão pela frente antes de se tornar rei. O nosso bebê real, órfão de mãe pouco tempo depois de seu nascimento, e órfão de pai já antes dos dez anos, foi "adotado" pela Nação. Uma história comovente e o bebê, por necessidade, teve sua maioridade antecipada. Aos 14 anos se tornou Imperador do Brasil.

Aclamado Imperador desde os cinco, D. Pedro II foi o símbolo máximo da união de nosso país. Muitas das revoltas separatistas que ocorreram na conturbada fase regencial, aconteceram, segundo alguns, pela falta de um Imperador no Brasil, visto que Pedrinho não tinha idade suficiente para assumir suas responsabilidades. Quando já tinha 14 anos, a situação no Brasil estava feia, e decidiu-se antecipar a maioridade do jovem Príncipe. Foi-lhe perguntado se queria assumir logo, ou se preferia esperar os 15 anos, e D. Pedro respondeu que "queria já!".

Tendo sido muito bem educado, tornou-se o Imperador filósofo, falava mais de dez idiomas (inclusive tupi, idioma tido como parte das raízes do Brasil) e foi exemplo de Chefe de Estado e Governo* em todo o mundo. Segundo o Conde de Soderini, D. Pedro II, com exceção do Papa, seria a maior autoridade moral entre os homens da Terra. Histórias de um tempo em que o Brasil sabia preparar, desde o berço, a pessoa que um dia iria representar a Nação.

LINK ORIGINAL: rcfelipe.blogspot.com.br/2013/07/o-bebe-real.html