sábado, 8 de abril de 2017

XXVII Encontro Monárquico - 10 e 11 de junho

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79º aniversário do Chefe da Casa Imperial do Brasil
XXVII Encontro Monárquico

Rio de Janeiro

São Paulo, abril de 2017.

Prezado(a) monarquista,

Temos a satisfação de anunciar a edição de 2017 do evento que anualmente congrega, na cidade do Rio de Janeiro, os monarquistas brasileiros.

No dia 10 de junho, sábado, realizar-se-á o XXVII Encontro Monárquico, e no subsequente dia 11, domingo, a comemoração do 79º aniversário do Chefe da Casa Imperial do Brasil, S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança.

Com é habitual, o Encontro ocorrerá no Windsor Flórida Hotel, no Flamengo. A Missa em Ação de Graças será celebrada na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, às 12 horas pontualmente, seguida do almoço comemorativo.

Oportunamente estaremos enviando os convites para um e outro ato, a programação detalhada das conferências do Encontro e o formulário de inscrição.

Juntamos, nos anexos, informação sobre hospedagem no Windsor Flórida Hotel para aqueles que queiram desde logo efetuar sua reserva.

Podemos adiantar duas boas notícias.

O Hotel fez pequena diminuição dos preços em relação ao ano passado, e estendeu aos participantes do Encontro a promoção 3 X 2, pela qual o hóspede, no fim de semana, tem direito a um terceiro pernoite, sem acréscimo; ou seja, entrando na sexta-feira pode, se assim o desejar, sair na segunda, ou deixar o Hotel no domingo sem limitação de horário.

Por outro lado, atendendo a justas ponderações, o almoço do domingo será realizado, não no restaurante do Hotel, mas, com mais solenidade, no mesmo salão Guanabara no qual ocorrem as sessões do Encontro, e o serviço será empratado, e não buffet, como convém à relevância do ato.

As taxas de inscrição serão as seguintes: Encontro (com almoço) R$ 230,00 / Encontro (sem almoço) R$ 140,00 / Almoço no domingo R$ 190,00.

Na grata expectativa desse tradicional e vivificante reencontro, cordialmente nos subscrevemos.

Saudações monárquicas,

Pró Monarquia

quinta-feira, 6 de abril de 2017

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A Guerra do Paraguai foi o conflito mais importante da América Latina. Nenhum outro chegou perto dos seus efeitos, sobretudo no Brasil imperial. Sendo o maior deles a consolidação do Exército brasileiro como instituição profissional e moderna.

É um tema repleto de mitos construídos ao longo dos anos. Esses mitos vêm de trabalhos acadêmicos produzidos nas décadas de 60 e 70, quando a academia esteve fortemente influenciada pela linha tradicional marxista de pensamento.

Essa interpretação diz que o Paraguai era uma potência econômica em amplo desenvolvimento industrial, independente em suas relações internacionais. Além de tudo, criou-se uma imagem de Solano López como um líder autoritário, mas sempre preocupado com os paraguaios.

Nada mais distante da real conjuntura paraguaia. A economia era agrícola e atrasada. Havia ainda regime de escravidão, apesar de ser em menor número. E Solano López era guiado pelo desejo de todo ditador: perpetuar-se no poder.

O mito mais conhecido desses trabalhos, com certeza, é a hipotética rixa entre Paraguai e Inglaterra. Por isso, durante muito tempo propagou-se a ideia no ensino de história de que a Inglaterra usou o Brasil, na época um império, e a Argentina como agentes para destruir o suposto modelo econômico paraguaio.

No entanto, trabalhos recentes, da década de 90 para cá, como os trabalhos do historiador Francisco Doratioto, revisam essa interpretação, com novas fontes nos dizendo que essa visão não tem lógica, pois os documentos dizem que, na verdade, era o Brasil que tinha atritos com a Inglaterra, ao ponto de cortar relações diplomáticas em maio de 1863 e só voltando a restabelecê-las em setembro de 1865.

É preciso, antes de tudo, abandonar o pensamento maniqueísta e buscar concentrar as análises nos processos de construção dos Estados nacionais da região do Prata a partir de antigos territórios e, principalmente, como se deram as suas relações diplomáticas no século XIX.

Só assim vamos conseguir afastar os mitos que envolvem esse complexo conflito.

Rafael José Nogueira, acadêmico do curso de história

LINK ORIGINAL: https://goo.gl/k3Ip9b

quarta-feira, 5 de abril de 2017

D. PEDRO II PROMOVE O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

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Foi nas mãos de D. Pedro II que o Brasil saiu apto a enfrentar as dificuldades políticas do continente e do século: pacificado e unificado pelo Imperador, o Brasil se impôs ao respeito internacional, disseminou a instrução, consolidou a linha de suas fronteiras, estabilizou a moeda, bateu-se vitoriosamente nas guerras que lhe foram impostas, tratou de igual para igual as maiores potências, não reconheceu hegemonias no hemisfério, construiu a terceira esquadra do mundo.

Apoiado em dois grandes partidos nacionais, praticou o parlamentarismo. Criou uma elite intelectual, moral, social e política, foi um fecundíssimo viveiro de valores humanos, insuflou as nossas maiores riquezas econômicas, aparelhou a indústria, construiu uma enorme rede de comunicações rodoviárias e ferroviárias, ligou-nos à Europa pelo cabo telegráfico, o telefone, a tração a vapor, impulsionou as ciências e as letras, conheceu aquilo que Cícero preconizava como a suprema ventura dos povos: o gozo tranqüilo da liberdade.

Em 1874, o irlandês Hamilton Lindsay-Bucknall veio ao Brasil com a equipe encarregada de instalar o primeiro cabo submarino no País. Posteriormente escreveu um livro narrando a sua viagem, no qual encontramos as seguintes referências:

“Logo depois da amarração da extremidade do cabo submarino à terra, foram recebidas mensagens congratulatórias transmitidas ao Imperador pelos governadores do Pará, Pernambuco e Bahia. Os telegramas para o Imperador me foram confiados para entrega. Ao chegar ao palácio, fui conduzido sem cerimônia à presença de Sua Majestade Imperial. [...] O conteúdo dos telegramas pareceu satisfazê-lo muito e, a seu pedido, sentei-me ao seu lado. Fez-me então muitas perguntas sobre o cabo, a respeito do qual parecia estar profundamente interessado. [...] Prontamente verifiquei o acerto dos que o diziam um dos mais inteligentes e altamente dotados dos soberanos reinantes. Permaneci em sua companhia por algum tempo, durante o qual nossa conversa convergiu para diversos tópicos. Senti-me tomado de profundo respeito por aquele sábio homem que rege os destinos de um dos mais admiráveis impérios do mundo”.

- Artigo escrito pelo Sr. Leopoldo Bibiano Xavier e publicado na edição de número 38 do boletim “Herdeiros do Porvir”, referente aos meses de julho, agosto e setembro de 2014.

A REVISTA ILLUSTRADA

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"José Bonifácio perdendo as estribeiras... "
A Illustrada não poupava as figuras proeminentes do Império.

A Revista Illustrada foi uma publicação satírica, política, abolicionista e republicana brasileira, fundada no Rio de Janeiro pelo ítalo-brasileiro Angelo Agostini, circulando durante os anos de 1876 a 1898.

Com oito páginas, a Revista possuía uma tiragem semanal de quatro mil exemplares retratando de modo satírico os fatos ocorridos. Não tinha patrocinadores nem veiculava propagandas ou reclames, tendo sua única subsistência advinda da venda dos exemplares. Isso se passou, entretanto, apenas durante a primeira fase da publicação.

A Revista teve duas fases distintas


  1. A primeira, sob a direção de Agostini, que durou até quando da Proclamação da República (1889), quando o artista - assim como o Imperador - deixam o país; Dom Pedro exilado, por conta do golpe militar, Agostini por ter fugido com uma amante;
  2. A segunda, sob a direção do também caricaturista Pereira Neto, funcionou de forma irregular. O retorno de Agostini, em 1895, o fez tornar-se apenas um funcionário. A Revista viria a desaparecer, definitivamente, pouco tempo depois.

O pesquisador Marcus Tadeu Daniel Ribeiro, especialista na história da Illustrada, assinala que a primeira fase da revista (de 1876 a 1888, segundo ele) teve seu sucesso devido ao fato de reportar as grandes aspirações do público numa linguagem acessível (para o que contribuíam as ilustrações), e por sua completa independência e liberdade editorial.

A Revista Illustrada publica, em 1884 aquela que é considerada a primeira história em quadrinhos do Brasil. As Aventuras de Zé Caipora, voltada ao público infantil, trouxe a lume a personagem que viria a ser recorrente na revista. Zé Caipora ilustrou capas da Revista, como a de número 369 e, quando da edição comemorativa de doze anos da publicação, foi feito um desenho em folha dupla, nas página centrais, espécie de pôster, com a personagem.

Angelo Agostini

Dono de traço inconfundível, Agostini - que já havia participado como ilustrador de outras publicações - iniciou sua própria edição semanal da Revista, tornando-se rapidamente num dos grandes veículos opositores ao regime monárquico e à escravidão.

Em suas páginas o caricaturista atacava de modo contumaz e ácido a figura do Imperador Pedro II, sendo considerado um dos responsáveis pela deterioração da imagem pública do soberano: para se ter ideia da ferocidade dos ataques, numa edição de 1882 a Revista traz uma história em quadrinhos onde o soberano é acusado de acobertar os ladrões das jóias da coroa, como se fosse cúmplice destes (coisa que não era verdade). Tais ataques exerciam grande influência na opinião pública coetânea.

Seu posicionamento anti-escravocrata era tão lapidar que o principal líder do abolicionismo, Joaquim Nabuco, apelidara-a de Bíblia da Abolição. Quando da Lei Áurea a Revista dedicou um número cuja capa celebrizou-se com a figuração da festa pelo fim da prática hedionda.

Concorria a Illustrada com a revista "O Besouro", sob a direção do artista luso Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905). Segundo o pesquisador português José Augusto França as provocações de Agostini na Illustrada teriam levado Bordalo a reagir de modo violento e explosivo.

O episódio de provocações passou-se entre novembro e dezembro de 1878, quando Agostini - que atacava a tudo e a todos - provocara o rival, levado pela queda de compradores junto à grande comunidade lusitana do Rio de Janeiro. Quando reage, Bordalo retrata Agostini como um engraxate, mandando-o "à margem". Este reage, dizendo que "Agradecemos a fineza. Sabemos reconhecer que à margem d'O Besouro é o lugar mais limpo dessa folha". Colaboradores de Bordalo deixam o periódico, que fecha, voltando o cartunista para Portugal, em março do ano seguinte.

Com a República e o fim da escravidão, a realidade no país não sofre grandes mudanças; O conteúdo crítico original perde sentido - e Agostini já não é mais o porta-voz dos anseios populares, agora às voltas com os descaminhos do novo Regime.

A Illustrada, que era republicana desde seu início, nada falou durante o ditatorial governo de Floriano Peixoto, e vivendo a sua segunda fase em dependência e envolvimento com o novo Regime, perdeu sua cumplicidade com o público, e desaparecendo definitivamente.

Ficheiro:Agostini Zé Caipora.jpg
Zé Caipora

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Capa da Illustrada nº 429, de 1886:
A capa registra Quintino Bocaiúva pintando um quadro, alusivo à febre amarela, enquanto os poderes públicos assistem impassíveis à cena, representados como vacas.

Deodoro da Fonseca apresenta a República em seu primeiro aniversário,
dia em que foi instalada a Consttiuinte. Revista Ilustrada, nº 607, novembro de 1890.

"Das urnas sairá triunfante, depois de amanhã,
a própria imagem da Pátria Republicana.Revista Ilustrada 06/09/1890.





Em contraste com as imagens da República, as caricaturas de Ângelo Agostini, publicadas durante o Império, no popular jornal Revista Ilustrada, satirizavam constantemente o Imperador Dom Pedro II.

"derrubado do trono" Revista Ilustrada nº 283, 1882

Revista Ilustrada nº 283, 1882.


FONTES:

  • Pesquisas feitas por de Marcus Tadeu Daniel Ribeiro - 1988 - e a de Nelson Werneck Sodré - 1999, citadas por CAVALCANTI, Carlos Manoel de Hollanda. Angelo Agostini e seu “Zé Caipora” entre a Corte e a República, in: História, imagem e narrativas, Nº 3, ano 2, setembro/2006 – ISSN 1808-9895 (pesquisada em 1 de fevereiro de 2008).
  • Almanaque, histórico da Revista Illustrada (consultada em 1 de fevereiro de 2008)
  • RIBEIRO, Marcus Tadeu Daniel. "A Arte de Alfinetar", in: revista Nossa História, ano 3, nº 30, abril 2006, pp. 70 a 73
  • ARAGÃO, Octavio. O Império da Sátira, in: Revista Nossa História, ano 3, nº 26, ed. Vera Cruz, dezembro/2005, pp. 32-34.
  • Enciclopédia Itaú Cultural, verbete Angelo Agostini (página acessada em 1 de fevereiro de 2008)
  • CAVALCANTI, Carlos Manoel de Hollanda. Angelo Agostini e seu “Zé Caipora” entre a Corte e a República, in: História, imagem e narrativas, Nº 3, ano 2, setembro/2006 – ISSN 1808-9895 (pesquisada em 1 de fevereiro de 2008)

terça-feira, 4 de abril de 2017

O PRIMEIRO GOVERNANTE BRASILEIRO NOS EUA


Em 1876, o imperador Dom Pedro II realizou a primeira visita de um governante brasileiro aos EUA, em uma viagem que durou quase três meses.

O então monarca narrou com detalhes, em um diário de viagem (é possível conferir a íntegra no site do Museu Imperial), todos os lugares por onde passou. Dom Pedro II registrou seus encontros com amigos, bem como suas visitas a escolas, bibliotecas, museus e instituições públicas. Este conjunto de documentos foi inscrito no Registro Internacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO,  que é equivalente ao título de Patrimônio da Humanidade.

De 15 de abril a 12 de julho de 1876, o imperador percorreu mais de 14 mil quilômetros e passou por 28 estados, além da capital Washington. No mapa disponível neste texto, é possível visualizar o trajeto percorrido por Dom Pedro II, durante a viagem. Trechos esses percorridos por trem e barcos.

Uma questão de especial satisfação para D. Pedro II durante a viagem foi o encontro com intelectuais, com os quais ele correspondia ou cuja obra conhecia. "Pelos registros feitos pelo imperador durante a viagem, podemos localizar um interesse particular dele pela ciência, pela tecnologia, as invenções e as novidades que o país estava produzindo, a começar pelo trem", relata  Maurício Vicente Ferreira Jr, historiador e presidente do Museu Imperial.

De fato, como mostra o mapa abaixo, Dom Pedro II percorreu as extensões continentais dos Estados Unidos de trem, de Nova York a São Francisco na ida e na volta.  "Ele foi de oeste a leste, e depois voltou do leste para oeste, buscando informações, e as inovações que estavam ali sendo apresentadas", completa.

De acordo com o historiador, a viagem foi motivada pelo convite do presidente americano Ullysses Grant ao imperador, para que ele participasse da cerimônia de inauguração da Exposição Universal de Filadélfia, que aconteceu entre 20 e 25 de junho de 1876, e comemorou os cem anos da Independência dos Estados Unidos. Dom Pedro II foi o único chefe de Estado presente no evento.

Durante a exposição, ele conheceu a nova invenção de Alexander Graham Bell. "Em 25 de junho de 1876, ele se encontrou com Graham Bell, onde conheceu o telefone, e até cita que na hora não funcionou direito", afirma o historiador.

O interesse do imperador pelo aparelho foi tanto que ele se tornou a primeira pessoa a comprar ações da "Bell Telephone Company", companhia de Bell e também um dos primeiros donos do equipamento no mundo. Um exemplar foi instalado no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ).


Diário de bordo
 Mesmo há 139 anos, D. Pedro II demonstrou a mais que atual necessidade de compartilhar seu dia a dia em uma viagem. "Os diários do imperador mostram o interesse dele em conhecer o que os Estados Unidos estavam produzindo naquele momento.

Existem muitas referências de visitas a escolas, procedimentos em sala de aula de professores com alunos, até o uso de uma máquina que ele considera algo muito sofisticado, útil. É uma busca por inovações, novidades que seriam aplicáveis no dia a dia do Brasil", afirma Maurício Ferreira Jr.

Segundo o pesquisador, ele montou um plano de viagem anotando exatamente o que ele queria ver, os dias, quando ia começar; o que explica a forma sistemática pela qual ele narra todos os pontos da viagem. Dom Pedro II visitou desde escolas até fábricas de torpedos, passando pelo Grand Canyon.

"Ele nos mostra as inovações tecnológicas, as aplicações, os testes, a natureza, as pessoas. Essa viagem mostra a visão de um intelectual, de um cientista amador que quer conhecer essas novidades e pensando na aplicação dessas inovação para seu próprio País", relata.

Passagens da viagem, escritas pelo Imperador Dom Pedro II

25 de junho de 1876 - "O telefone de (     ) 014 não deu perfeito resultado, mas assim mesmo duas pessoas leram – uma quase nada – dois telegramas que mandei ao mesmo tempo – Verity one single. All the sciences conduct to varity – aplicando o ouvido a um dos tubos acústicos (...). Depois examinei com Sir W. Tompson o aparelho 015 elétrico automático e quadrupler, creio eu e finalmente a aplicação que Bell, o mesmo do Instituto dos Surdos-mudos de Boston, fez do princípio de Konig à transmissão dos sons pelo fio elétrico."

18 de junho de 1876 - " Museu de mineralogia e de geologia [da universidade de Yale] onde muito folguei de conhecer o professor de geologia Marsh que tanto estudou as Rocky-Mountais. Mostrou os ossos de Pterodactilo dentado e do elefante diferente de primígenos que aí achou. Trago os trabalhos que ele publicou a tal respeito. Na coleção mineralógica há uma amostra rara pela qualidade do mineral e perfeição e grandeza dos cristais de Franklinite. É dos Estados Unidos de onde vi também antimônio puro e mercúrio também puro."

15 de junho de 1876 -  "O New York Herald de hoje já publica o que fiz em Boston ontem e só foi sabido depois das 8h."

14 de junho de 1876 - "Depois do almoço fui ao Instituto das Surdos-Mudos da City (Municipalidade). O mais  interessante é o grande número dos que falam (processo Bell cujo filho é mestre no Instituto). Traços que imitam as formas dos lábios etc. e forma o sinal cujo som devem articular. Gostei muito deste Instituto."

27 de maio de 1876- "As plantações agradaram-me, os engenhos há melhores no Brasil. Plantam a cana entre 2 regas de arado, que é puxado por cavalos. Dá em 8 a 9 meses; plantam as ressocas e ainda um ano os filhos destas e o ano seguinte esse terreno é plantado de favas corn-peas e milho que renova as qualidades do terreno que no seguinte ano leva cana. Também plantam o milho logo com a cana. As gavinhas das favas faz muito bom feno."

Fonte:
Portal Planalto, com informações do Museu Imperial, e da The Library of Congress

DOM PEDRO II E OS ESTADOS UNIDOS


Raros estrangeiros, e certamente nenhum outro chefe de Estado, desfrutou nos Estados Unidos, como D. Pedro II, uma tão grande popularidade e foi acolhido ali com tão expressivas provas de respeito, e mesmo de amizade. Não somente nos meios oficiais, políticos, intelectuais e outros, como igualmente na massa do povo, nas camadas mais modestas.

O entusiasmo pelo Imperador era enorme. Talvez ele tenha sido o visitante estrangeiro mais popular nos Estados Unidos. Qualquer coisa que ele fizesse tinha interesse. As pessoas ficavam fascinadas pelas suas qualidades.

A American Geographical Society organizou uma reunião especial, com a presença de D. Pedro II.

Na saudação, Bayard Taylor afirmou:
Nunca esteve entre nós um estrangeiro que, após três meses de permanência, pareça ao povo americano tão pouco estrangeiro e tão amigo quanto D. Pedro II.

O jornal North American afirmou:
Nenhum governante, de nenhum país, tanto como homem quanto como governante, jamais teve tantos méritos diante dos Estados Unidos quanto D. Pedro II.

O Imperador percorreu cerca de 15.000 quilômetros dentro dos Estados Unidos. Os políticos não perderam a oportunidade do exemplo para se fustigarem mutuamente, e um editor afirmou:
Quando ele voltar ao Brasil, estará conhecendo mais os Estados Unidos do que dois terços dos membros do Congresso.

Em Baltimore, assistiu à Dama das Camélias, no Teatro Opera Ford. Desde então, o camarote que ocupou passou a se chamar camarote imperial.

No dia 4 de julho ,de 1876, festa do centenário da independência americana, D. Pedro II se encontrava nos Estados Unidos, porém em caráter particular, como fazia durante as suas viagens.
Estava programado um espetáculo de gala, do qual participariam o presidente Ulysses Grant e toda a representação do mundo oficial. Ao hotel em que estava hospedado como D. Pedro de Alcântara, foi-lhe enviado um convite para assistir à solenidade no camarote do presidente americano.

D. Pedro agradeceu e devolveu, dizendo que não estando ali como Imperador, não podia aceitar, mas que iria em caráter particular. E foi. Mas o mestre de cerimônias o conduziu a um camarote particular, vizinho ao do presidente. Quando D. Pedro apareceu no seu lugar, em companhia da Imperatriz, correu­-se a cortina que separava os dois camarotes, e ele se viu ao lado do presidente, no mesmo camarote.

Desfraldaram-se nesse momento, unidas, a bandeira americana e a brasileira. Logo depois a banda entoou o hino brasileiro, e uma multidão entusiástica, de pé, saudou com prolongadas palmas e vivas o nosso Imperador.

Tão grande era a admiração dos americanos pelo nosso Imperador, que nas eleições presidenciais de 1877 ele recebeu, só em Filadélfia, mais de 4.000 votos espontâneos.

Em visita à exposição de Filadélfia, em 1876, o Imperador passou pelo stand de Graham Bell, que a duras penas conseguira inventar e expor ali o protótipo do telefone. Pouca atenção atraíra o seu stand. Bertita Harding narra o encontro:

Ajustando inúmeras bobinas, eletrodos e discos de metal, Bell preparava-se para demonstrar a invenção. Por fim anunciou:
- Dei a isto o nome de telefone. Estendeu ao Imperador um objeto em forma de taça, pedindo-lhe que o conservasse pegado ao ouvido. Afastou-se depois a razoável distância, e falou para o outro objeto de forma similar, que levava nas mãos, enquanto os espectadores, de pé, observavam-no com mal dissimulada incredulidade. De repente, D. Pedro deu um pulo:

- My God! It speaks!

- Sim - respondeu pelo fio a voz de Bel! -, isto fala. Não tardará muito para que o telefone seja uma necessidade em todas as casas.

Os olhos de D. Pedro brilhavam de admiração e surpresa:
- Meus parabéns, Sr. Bell! Quando a sua invenção for posta no mercado, o Brasil será o seu primeiro freguês.

E cumpriu a palavra. Bell recebeu encomendas do Rio muito antes que o telefone fosse comercialmente explorado. Foi Dom Pedro, graças à sua incansável curiosidade científica, que pôs em relevo e valorizou a descoberta do jovem professor de Boston. O telefone ficou sendo uma das sensações da exposição, e quando ele se tornou um produto comercial, o Imperador foi dos primeiros a utilizá-Io na prática.

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Fonte: Revivendo o Brasil Império - Leopoldo Bibiano Xavier.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Gabinete de d. Pedro II


Em suas longas estadas em Petrópolis, o imperador d. Pedro II dedicava-se a estudos e leituras, ou à correspondência com amigos, intelectuais e cientistas de sua época. Este gabinete de trabalho era o seu refúgio predileto, onde passava a maior parte do dia e mesmo da noite. Junto à janela está o "óculo de alcance", objeto que utilizava para observar o céu. 

Sobre a mesa de trabalho, o primeiro telefone que d. Pedro trouxe para o Brasil, após seu contato com Graham Bell na Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos (1876). O aparelho ligava o Paço de São Cristóvão à Fazenda Imperial de Santa Cruz. 

No centro da sala está a "chaise longue" do imperador e, na parede, ao fundo, o retrato da imperatriz d. Teresa Cristina, que foi a ele enviado por ocasião do contrato de casamento, realizado por procuração em 1843. 

A imperatriz, filha do rei de Nápoles e das Duas Sicílias, é retratada tendo ao fundo o Vesúvio, na tela de autoria de José Correia de Lima.