sábado, 6 de maio de 2017

A APOSENTADORIA DO DUQUE DE EDIMBURGO


Repercutiu no mundo todo a notícia, na última quinta-feira, de que, às vésperas de completar 96 anos de idade, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, consorte da Rainha Elizabeth II do Reino Unido, irá se aposentar, não mais desempenhando compromissos públicos a partir de agosto, no outono europeu.

No mesmo dia, a imprensa britânica divulgou os números impressionantes gerados pelo trabalho de Sua Alteza desde 1952, quando sua esposa ascendeu ao Trono: foram mais de 22 mil compromissos oficiais. Se convertermos os compromissos em dias, descontando os finais de semana, o Duque de Edimburgo trabalhou o equivalente a todos os dias úteis dos últimos 65 anos. E os mais desinformados ainda perguntaram: “Está se aposentando do que?”...

A Rainha, de 91 anos, continuará cumprindo com seus deveres constitucionais e oficiais; afinal, não existe aposentadoria para Sua Majestade, pois o seu é um trabalho para a vida toda – não se pode quebrar o juramento solene de servir aos seus povos, feito perante Deus, antes de ser ungida pelos óleos sagrados, em sua cerimônia de coroação, na Abadia de Westminster, relíquia das glórias do medievo cristão.

Entretanto, é natural que a Soberana, conforme avançar em idade, delegue cada vez mais funções aos seus herdeiros diretos, seu filho e neto, o Príncipe de Gales e o Duque de Cambridge. Está aí um dos aspectos mais importantes da Monarquia: continuidade, com uma família servindo perpetuamente à nação e sendo exemplo e espelho das melhores virtudes de seu povo.

Ao Duque de Edimburgo, desejamos um bom e merecido descanso.

Foto: S.M. a Rainha Elizabeth II do Reino Unido e S.A.R. o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

DO PRÍNCIPE PARA O PRESIDENTE, A CARTA

(esq) O Presidente Médici e o Chefe da Casa Imperial, o (dir) Príncipe Dom Pedro Henrique

A carta enviada por S.A.I o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981, ao então Presidente, General Emílio Garrastazu Médici, no dia 20 de maio de 1971. O Príncipe agradeceu as honras prestadas aos seus avós, SS.AA.II. a Princesa Dona Isabel e o Conde d’Eu, por ocasião da transferência de seus restos mortais para a Catedral de Petrópolis.

Curiosidade, o Chefe da Casa Imperial se utiliza do “pluralis majestatis” (plural majestático), referindo-se a si mesmo na primeira pessoa do plural (nós); tal privilégio é reservado a Soberanos, Papas e Bispos, aos dois últimos, simbolizando o fato dessas altas figuras representarem Deus na Terra e, no caso dos Soberanos, representantes máximos de seu povo.

O referido documento consta no livro “Dom Pedro Henrique, o Condestável das Saudades e da Esperança”, de autoria do Prof. Armando Alexandre dos Santos.

Segue a carta:

"Senhor Presidente,

Ainda sob a forte emoção vivida por ocasião das tocantes homenagens tributadas à memória da Princesa Isabel e do Conde d’Eu, nossos avós, vimos, na qualidade de Chefe da Casa Imperial do Brasil, apresentar a Vossa Excelência nossos profundos agradecimentos, pedindo torná-los extensivos à Excelentíssima Senhora Dona Scyla Médici.

Sensibilizaram-nos as honras de Chefe de Estado e de Comandante-em-Chefe prestadas aos ilustres mortos, na oportunidade de trasladação de seus despojos para o jazigo definitivo, na Capela Imperial da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

A pompa, a ordem e o brilho das cerimônias bem demonstraram o alto conceito em que são tidos pelo atual Governo do País os grandes vultos de nossa História.

Foram atos de reparação histórica e de justiça àqueles que consagraram suas vidas ao serviço do Brasil. Comoveram a todos, participantes e assistentes, e em especial a nós, descendentes da “benigna Senhora e do valoroso Soldado”, cujas venerandas imagens conservamos vivas na memória, bem como suas palavras de amor e de saudade para com a Pátria longínqua.

Pedindo permissão para divulgar esta carta, expressamos o testemunho de nossa consideração à pessoa de Vossa Excelência.

Pedro Henrique de Orleans e Bragança
Rio de Janeiro, 20 de maio de 1971.
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente Emílio Garrastazu Médici
Palácio do Planalto
Brasília – DF


Foto: os Ramos dinástico e não-dinástico da Família Imperial do Brasil reunidos na Casa da Princesa, em Petrópolis, quando do traslado dos restos mortais de SS.AA.II. a Princesa Dona Isabel e o Conde d’Eu para a Catedral de São Pedro de Alcântara; em destaque, no centro, S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, acompanhado de sua esposa, S.A.I.R. a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e filhos, incluindo o primogênito, S.A.I.R. o então Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança (atual Chefe da Casa Imperial do Brasil), e de sua irmã, S.A.R. a Princesa Dona Pia Maria de Orleans e Bragança, Condessa René de Nicolaÿ pelo casamento; à esquerda do Chefe da Casa Imperial, seu primo, S.A.R. o Príncipe Dom Pedro Gastão de Orleans e Bragança, acompanhado de sua esposa, S.A.R. a Princesa Dona Esperanza de Bourbon-Sicílias de Orleans e Bragança, filhos e irmãos, SS.AA.RR. o Príncipe Dom João de Orleans e Bragança, a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, Condessa de Paris e Rainha “de jure” da França pelo casamento, e a Princesa Dona Thereza de Orleans e Bragança, Senhora Ernesto Martorell y Calderó; no canto direito, encostado à mureta, S.A.R. o Senhor Dom Duarte de Bragança, então Príncipe da Beira e atual Duque de Bragança e Chefe da Casa Real de Portugal, sobrinho do Príncipe Dom Pedro Gastão.

Quando o governo é patrão e cliente


A publicidade movimentou R$ 129,9 bilhões em 2016, segundo o Ibope. 3,4% desse robusto investimento, combustível das mídias impressas e eletrônicas, saíram dos cofres públicos. Quase o dobro do dinheiro consumido pelas fabricantes de cerveja, que travam uma disputa intensa de mercado.

Serviço público de comunicação é, em qualquer país civilizado, sinônimo de prestação de contas. Só no Brasil é sinônimo de multiplicação de contas. Prefeitos, governadores e presidentes – de todas as épocas e correntes – gastam dinheiro demais divulgando programas sociais ordinários, taxas de juros de bancos públicos e produtos de quinta categoria de estatais que inexplicavelmente não foram extintas quando os militares deixaram o poder.

A relação entre os veículos de comunicação e seus anunciantes é naturalmente conflituosa. Semanas atrás, quando SBT, Record e RedeTV! deixaram de ceder seus sinais para NET, SKY e Claro, o “Jornal da Band” exibiu uma longa matéria a favor das operadoras de TV por assinatura. Quem está no rol de anunciantes do “Jornal da Band”? Uma das operadoras envolvidas na pendenga com SBT, Record e RedeTV!.

A influência dos anunciantes está diretamente relacionada à qualidade do nosso capitalismo. O Brasil ocupa a 140ª no ranking das economias mais abertas do mundo. Até a China, governada pelo partido comunista, e o possante Tadjiquistão estão na nossa frente. Temos poucas empresas no mercado. E pouquíssimas empresas capazes de comprar espaços na TV. As fabricantes de brinquedos, por exemplo, têm capacidade de investimento, mas não podem vender nada porque os institutos alana da vida decidiram por nós. Quem ocupa esse espaço?

De 2000 para cá, o gasto publicitário do governo federal, maior de todos os paquidermes, cresceu substancialmente. FHC, Lula e Dilma aproveitaram a máquina para atormentar humoristas, jornalistas e pressionar empresários. O tucano relata, com orgulho, as conversas com Octávio Frias de Oliveira, publisher da Folha, na série “Diários da Presidência”. Boris Casoy, âncora há 30 anos, compara o PT à ditadura. Não é ideologia. É oportunismo.

Michel Temer não é melhor político que FHC, Lula e Dilma. Nem tem chances de vencer a eleição de 2018. É, porém, o mais familiarizado com a máquina. Com a reforma da previdência em xeque, arrumou duas entrevistas na TV aberta para pontificar sobre as belezas da nova regra da aposentadoria. Com certeza vai arrumar mais duas. Ou três. Basta querer.

Ou amadurecemos e entendemos, de uma vez por todas, que a ingerência estatal fica ainda mais perigosa quando as fontes de financiamento são escassas ou teremos gente bem pior pontificando sobre regras bem mais dramáticas daqui dois anos.

LINK ORIGINAL: TELEGUIADO - https://goo.gl/A1PrVt

ATENTADO CONTRA D. PEDRO II

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"Representava-se ontem no Sant'Anna a "Escola dos Maridos", tradução de Arthur Azevedo, e nos intervalos apresentava-se ao público a prodigiosa violinista Giulietta Dionesi. S.M. o Imperador, que desejava conhecer a tradução, tanto que supondo-o impressa mandara procurá-la pelas livrarias, aproveitou o ensejo de ir ao teatro.

O Sant'Anna achava-se repleto: platéia e camarotes ocupados por pessoas da melhor sociedade; as galerias cheias da gente que de ordinário a freqüenta. No camarote imperial achavam-se, além de SS. MM. o Imperador e a Imperatriz, SS. AA. a Sra. Princesa Imperial e o Sr. D. Pedro Augusto e camaristas de semana. O espetáculo correu na melhor ordem. A atitude do povo era de todo o ponto pacífica e cortês. Nem se quer se poderia suspeitar que houvesse ali o elemento de desordem que mais tarde se revelou.

Terminado o espetáculo, o povo que enchia o teatro procurou as saídas. A família imperial dirigiu-se para a porta, indo na frente a Sra. Princesa Imperial, seguida de Sua Magestade o Imperador, que dava o braço a Sua Magestade a Imperatriz e do Sr. Príncipe D. Pedro.

O povo encostado para os lados, abria caminho a SS. MM., em silêncio. Ao chegarem ao vestíbulo do teatro, de um pequeno grupo de pessoas de baixa classe partiu um grito estentórico: "Viva o partido republicano". O Imperador parou imediatamente. Começou então uma confusão extraordinária. Grande número de pessoas prorompeu em vivas ao Imperador, acercando-se dele. As senhoras, tomadas de pânico, precitavam-se para o interior do teatro, de onde refluiam, empurradas pela onda dos que saiam. O tumulto generalizara-se: tanto na rua do Espírito Santo, como no largo do Rocio, nas circanias do teatro, vivas desencontrados se ouviram. Finalmente, pôde S.M. tomar o carro, seguindo acompanhado do piquete, que o guardava de espadas desembainhadas.

Ao passar, porém, pela frente da Maison Moderne, foram disparados três tiros de revólver na direção do carro que o conduzia. Asseguram-nos que um desses tiros quase alcançou o Sr. D. Pedro Augusto.

Felizmente S.M. o Imperador passou incólume. O sentimento da mais profunda indignação pintou-se em todos os semblantes dos que foram testemunhas desse baixo atentado. (...)" - Novidades, 16 de julho de 1889.

"Ontem à noite quando terminava o espetáculo no teatro Sant'Anna quando SS. Magestades Imperiais, SA. Princesa e SA. o Príncipe D. Pedro Augusto se dirigiam para o carro, um pequeno grupo de desordeiros levantou vivas à República. Travou-se então um conflito que pouco durou pois foi abafado pela intervenção do público sensato que também se retirava do teatro.

Quando o coche imperial seguia para a praça da Constituição, um indivíduo teve a leviandade de disparar um revólver evadindo-se em seguida para um estabelecimento próximo.

Pouco depois, porém, foi preso pelo povo um homem que se supõe ser o autor do atentado. À hora em que escrevemos esta ele sendo interrogado na 1a estação policial." - Diário do Commércio, 16 de julho de 1889.

SS. MM. e S.A. Imperial e S.A. o Príncipe D. Pedro, com seu séqüito, se retiravam do teatro Sant'Anna, à meia-noite de ante-ontem, quando no meio de um grupo que se achava à porta do mesmo teatro partiu um viva à República. Abafado esse viva sob palavras e vivas à monarquia, a D. Pedro II e à família Imperial, gerais e estrepitosos, houve um ligeiro conflito, que mais susto causou do que teve resultados funestos.

No meio desse tumulto, e aclamados pela multidão, puderam os Augustos espectadores tomar o seu coche e retirar-se com sua comitiva e guarda. Apesar, porém, da retirada de SS. MM. e AA.., a agitação continuou por algum tempo e propagou-se pela vizinhança do teatro.

Quando mais forte era o tumulto ouviu-se a detonação de um tiro de revólver, que foi dado próximo ao carro de SS. MM. quando este partia em direção do Paço da Cidade.

Grande foi a confusão que causou esse atentado, que ninguém podia prever nem esperar, o que deu lugar a ser impossível, na ocasião, prender-se o criminoso, que evadiu-se, aproveitando-se do barulho e ocultando-se no meio da grande multidão que estava no local.

Entretanto, o agente da polícia Paulino Alberto de Magalhães capturou o espanhol Ramon Gonçalves Fernandes sobre que caiam as suspeitas da autoria do crime. Em seu poder não foi encontrada arma alguma, nem foram suficientes as provas contra ele, pelo que foi posto em liberdade ontem de manhã.

Quando procediam as autoridades às primeiras diligências chegou ao seu conhecimento que era conhecido o autor do atentado, que havia sido visto pelo Sr. Antônio José Nogueira, empregado do Maison Moderne.

Por essas indicações, das 2 para as 3 horas da madrugada, o 1o delegado de polícia, Dr. Bernardino Ferreira da Silva conseguiu prender, em um bonde da Companhia de Botafogo, na rua de Gonçalves Dias, Adriano Augusto do Valle, que fôra acusado de ter disparado os tiros de revólver." - Diário do Commércio, 17 de julho de 1889.

"Ao terminar o espetáculo de ontem no teatro Sant'Anna, quando saíam suas magestades, houve um grande movimento de povo dando vivas à República uns e outros à monarquia, sendo em frente a Maison Moderne disparados alguns tiros.

Nós os republicanos nada temos com essas arruaças, que devem ser levadas somente à conta da polícia disfarçada e da guarda criada para garantia do trono." - República Brazileira, 16 de julho de 1889.

" (...) O desacato que sofreu o chefe do estado, alquebrado pelos anos e pela moléstia, junto à santa senhora que o acompanhava só pode ser levado à conta da loucura daqueles que a todo transe procuram indispor e vilipendiar o nosso partido. Apelamos para o próprio imperador, e ele, que com cosciência nos diga, se julga que haja nesta terra um "verdadeiro republicano" que seja capaz de atentar contra a sua vida! Revolucionários, sim, assassinos, nunca!" - República Brazileira, 17 de julho de 1889.

"Causou a mais viva impressão a notícia da deplorável ocorrência de ontem à noite, às portas do teatro Sant'Anna e suas circumvizinhanças.

Um grupo, quando o Imperador saía do teatro em companhia de sua augusta família, levantou vivas à república, o que produziu a maior confusão no povo, que em desafronta de Sua Magestade levantou vivas ao imperador.

Sua Magestade embarcou em seguida no seu coche, que partiu a trote largo, e afirmam várias pessoas que, no momento de passar aquele por defronte da Maison Moderne, ou Stat-Coblentz, ouviu-se a detonação de um tiro.

Este fato deu à ocorrência o vulto de um atentado, que comoveu profundamente a opinião.(...)

Não podemos acreditar que houvesse a intenção de atentar contra a pessoa do Imperador. Repugna a índole do nosso povo; não se conforma com os nossos sentimentos a premeditação de tal crime, contra o soberano que aboliu de fato a pena de morte. (...)" - Cidade do Rio, 16 de julho de 1889.

"Ontem, quando se retirava do teatro Sant'Anna, terminado o espetáculo, foi sua magestade obrigada a parar à porta de saída.

Grande multidão de indivíduos achava ali postada e dentre ela partiu um grito sedicioso. Sua Magestade parou e no mesmo instante viu-se cercado por todos tantos o acompanhavam.

Ao passar o carro em frente à Maison Moderne, ouviu-se a detonação de alguns tiros. Fácil é de imaginar-se o tumulto produzido por este fato.

O piquete de cavalaria, que gurdava a carruagem imperial, marchou em disparada, acompanhando-a pela rua da Carioca, por ter o cocheiro fastigado os animais, afastando-os do lugar tumultuoso.

A polícia compareceu imediatamente e foram dadas várias ordens para conhecer-se qual o autor do atentado, até então desconhecido.

Intimadas várias pessoas para virem à Polícia, conseguiu por fim o dr. Bernardino Ferreira, 1o delegado, conhecer a verdade, por denúncia de um cavalheiro. (...)

A população brasileira foi hoje dolorosamente impressionada, tomando-se da mais justa indignação pelo estúpido atentado cometido ontem, à noite, contra Sua Magestade o Imperador, quando este retirava-se com Sua Magestade a Imperatriz do teatro Sant'Anna.

Era o sr. D. Pedro II o único soberano deste século contra quem não tinha havido atentado de espécie alguma e isso abonava principalmente a brandura do coração brasileiro e dos nossos costumes.

Infelizmente, houve ontem um atentado que não podemos atribuir senão à inconsciência de quem o praticou: ou loucura ou embriaguez, pois, por honra do partido republicano, não acreditamos que tal ato dele partisse. Esse triste acontecimento é ainda uma das consequências da profunda anarquia que lavra nos espíritos do Brasil, onde todas as noções de direito, dever e liberdade acham-se completamente obliteradas." Gazeta da Tarde, 16 de julho de 1889.

PAÇO IMPERIAL

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Vista do Largo do Paço (Jean Baptiste Debret, c. 1830). O Paço Imperial é o edifício do lado esquerdo do largo. Ao fundo, o Convento do Carmo, a Catedral e a Igreja da Ordem Terceira do Carmo. No centro, em primeiro plano, está o Chafariz de Mestre Valentim.

O Paço Imperial é um edifício colonial localizado na atual Praça XV de Novembro, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

Construído no século XVIII para residência dos governadores da Capitania do Rio de Janeiro, passou a ser a casa de despachos, sucessivamente, do Vice-Rei do Brasil, do Rei de Portugal Dom João VI e dos imperadores do Brasil. Atualmente é um centro cultural. Pela sua importância histórica e estética, o Paço Imperial é considerado o mais importante dos edifícios civis coloniais do Brasil.

Casa dos Governadores e Vice-Reis
A história do edifício começa no ano de 1733, quando o governador Gomes Freire de Andrade, conde de Bobadela, pede ao rei D. João V licença para edificar uma casa de governo no Rio de Janeiro. Cerca de 1738 começa a construção do edifício, seguindo o projeto do engenheiro militar português José Fernandes Pinto Alpoim, no Largo do Carmo (ou da Polé), atual Praça XV de Novembro, no centro.

A nova Casa dos Governadores foi inaugurada em 1743. Aproximadamente na mesma época o Largo sofreu outras intervenções urbanísticas importantes, com a construção das casas de Telles de Menezes do lado oposto ao do Paço (também projetadas por Alpoim) e a inauguração de um chafariz, trazido de Lisboa, no centro do largo.

Alpoim aproveitou os edifícios pré-existentes no local, o Armazém Real e a Casa da Moeda, na nova edificação, acrescentando dois pisos novos com janelas com pequenas sacadas e molduras de vergas curvas, na época uma novidade no Brasil. No interior há uma bela portada em pedra de lioz e vários pátios para a circulação, e o acesso aos pisos superiores se dá por uma bela escadaria. Até 1808 a Casa da Moeda e o Real Armazém continuaram a funcionar no térreo.

Em 1763, com a transferência da sede do Vice-Reino do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, a Casa dos Governadores passou a ser a casa de despachos do Vice-Rei, o Paço dos Vice-Reis.

Paço Real
Em 1808, com a chegada ao Rio de Janeiro da família real, o edifício é promovido a Paço Real e usado como casa de despachos do Príncipe-Regente (e depois Rei) D. João. Nessa época o Paço sofreu obras de adaptação, tendo sido acrescentado um novo andar central à fachada voltada para a Baía da Guanabara. Os interiores foram redecorados e o Paço ganhou uma Sala do Trono, onde ocorria a tradicional cerimônia do Beija-mão. Também se construiu um passadiço ao vizinho Convento do Carmo, onde se instalou a Rainha D. Maria I.

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Aclamação de Dom João VI

Para a aclamação do rei Dom João VI foi construída a "Varanda", um anexo monumental entre o Paço e o Convento do Carmo, onde se realizou a cerimônia. A mesma Varanda foi utilizada nas coroações de D. Pedro I e D. Pedro II, sendo demolida ainda durante o Segundo Reinado.

Paço Imperial
Após a Independência do Brasil, o edifício passou a Paço Imperial, sendo chamado também de Paço do Rio de Janeiro, funcionando como despacho e residência eventual para D. Pedro I e depois para D. Pedro II. No interior há uma sala, o Pátio dos Arqueiros, que ainda mantém a decoração em estuque original da década de 1840. Neste período a fachada recebeu o acréscimo de uma platibanda em torno do terceiro andar e que ocultava o telhado.

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Dia do Fico

Foi no Paço que, a 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I decidiu ficar no Brasil e não voltar a Portugal (Dia do Fico). Também foi numa das salas do Paço que a Princesa Isabel assinou, dia 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, libertando os escravos.

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Aclamação de Dom Pedro II

Decadência e recuperação
Após a Proclamação da República, em 1889, as propriedades da Família Imperial e seus bens foram arrestados e leiloados. O Paço foi transformado em Agência Central dos Correios e Telégrafos. A decoração interna - estuques, pinturas e decoração - foi destruída e dispersa. A platibanda foi retirada para a expansão do terceiro andar, que passou a ocupar toda extensão do prédio. O pátio central foi ocupado e a fachada alterada com a introdução de frontões em estilo neo-colonial. Em 1938 houve o tombamento do prédio e só em 1982 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional restaurou o Paço à forma que tinha em 1818.

O Paço hoje
Atualmente o Paço Imperial é um Centro Cultural onde ocorrem mostras dos mais variados tipos (pintura, fotografia, escultura, cinema, música, etc). O Paço dispõe de uma biblioteca de arte e arquitetura (Biblioteca Paulo Santos) e várias lojas (livraria, disqueria, restaurante).

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Vista do Paço no casamento da Princesa Imperial Dona Isabel

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O povo diante do Paço após a sanção da Lei Áurea (1888).

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O Paço hoje

Palácio do Conde dos Arcos

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O Palácio do Conde dos Arcos é um edifício situado na cidade do Rio de Janeiro nas imediações do Campo de Santana, construído em 1819 para ser a residência de Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, último vice-rei do Brasil. Prédio onde fora instalado o Senado brasileiro e atualmente abriga a Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

Solar Conde dos Arcos

O palácio foi erguido no terreno onde originalmente era situada a casa de propriedade de Anacleto Elias da Fonseca, homem próspero do fim do período colonial, e cedido ao Conde dos Arcos quando este foi obrigado a desocupar o então Palácio do Governo em função da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808.

Situava-se esta casa defronte a então despovoada praça da Aclamação - nome dado ao Campo de Santana na ocasião – nas esquinas da Rua do Areal, também conhecida como Rua das Boas Pernas e atual rua Moncorvo Filho - com área de terreno que se estendia até a Rua das Flores, atualmente General Caldwell, antiga Chácara do Cônego José da Costa Fonseca.

Dom Marcos de Noronha e Brito morou aí até 1810, quando foi ocupar o cargo de governador da Bahia. Em 1817 deixa o governo da Bahia para assumir na corte o cargo de ministro da Marinha e Ultramar. Em agradecimento, a classe dominante baiana decide agraciar o ministro oferecendo uma casa nobre na corte. Decidem comprar de Anacleto Elias da Fonseca a mesma propriedade em que o Conde dos Arcos havia morado, para ali ser erguido em 1819 o Solar do Conde dos Arcos.

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Juramento da Princesa Imperial Dona Isabel, interior do Palácio

Sob a regência do príncipe Dom Pedro, motivos políticos fizeram com que Dom Marcos de Noronha voltasse para Portugal, quando então a ideia de se aproveitar a imponente construção para instalação condigna dos parlamentares começa a ser estudada. A sede do Senado da Câmara Municipal da Cidade do Rio de Janeiro é transferida da Casa da Câmara e Cadeia e passa funcionar no Solar Conde dos Arcos.

Por iniciativa de Estêvão Ribeiro de Resende e José Joaquim Nabuco de Araújo, foi então providenciada a compra do palácio e feitas as adaptações necessárias para que nele se instalasse a Casa dos Senadores, logo depois designada Senado Imperial, casa legislativa criada com a Constituição de 1824. Com a Proclamação da República e com a Constituição de 1891 passa a abrigar o Senado Federal.

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Proclamada a República, a construção manteve o posto de sede oficial do Senado do Brasil até 1925, quando então a câmara alta da República transferiu-se para o Palácio Monroe, inaugurado em 1906 na Avenida Central, atual Avenida Rio Branco. Após a transferência, o Palácio do Conde dos Arcos foi ocupado por diversas repartições públicas, até se tornar sede da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, função que exerce até os dias de hoje.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O PRIMEIRO ATO PÚBLICO NO BRASIL, UMA MISSA


A primeira missa no Brasil foi celebrada por Henrique de Coimbra, frade e bispo português, no dia 26 de abril de 1500 (6 de maio, no calendário atual), um domingo, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no litoral sul da Bahia.

Foi um marco para o inicio da história do Brasil e descrita por Pero Vaz de Caminha na carta que enviou ao rei de Portugal, D. Manuel I (1469-1521), dando conta da chegada ao Brasil, então Ilha de Vera Cruz, pela armada de Pedro Álvares Cabral que se dirigia à Índia.

Participaram da missa os portugueses que faziam parte da expedição, cuja maioria era composta por marinheiros. Cabral e Caminha também estavam presentes. Pero Vaz de Caminha fez este relato interessante:

"Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.

Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina, e começaram a saltar e dançar um pedaço."

Aparentemente alguns indígenas acompanharam pacificamente a missa católica, parecendo copiar os movimentos feitos pelos portugueses, como o de se sentar. Este fato, fez com que Caminha concluísse que a futura conversão dos nativos ao catolicismo seria uma missão fácil e tranquila.

Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.

“Quem sabe desses infantis visitantes guardarão tão profunda impressão do que ali observaram, que ainda um dia virão por ele atraídos fazer parte de nossa comunhão nacional?”

O momento encontra-se retratado, de modo fantasioso, num quadro, A Primeira Missa no Brasil, uma das principais obras de Victor Meireles, pintado em 1860. O dia é ainda marcado como feriado, em Portugal, no município de Belmonte, terra natal de Cabral.

O quadro foi classificado e exposto no Salon da Academia Francesa de Belas-Artes em 1861.