terça-feira, 14 de agosto de 2018

SOTAQUES

O "R" caipira do interior de SP, MT, MG, PR e SC deve-se aos indígenas que aqui moravam não conseguiam falar o "R" dos portugueses, não havia o som dessa letra em muitos dos mais de 1200 idiomas da região.

Então na tentativa de se pronunciar o R, acabou-se criando essa jabuticaba brasileira, que não existe em Portugal. A isso também se deve o fato de muitas pessoas até hoje em dia trocarem L por R, como em farta (falta) e frecha (flecha).

Com a chegada de italianos à SP o sotaque do paulistano incorporou o R vibrante atrás dos dentes, porta como "porita", e em alguns casos até incorporando mais Rs: carro como "caRRRo", se quem fala for de Mooca, Brás e Bexiga, bairros com bastante influência italiana.

O R falado no RJ deve-se ao fato de que quando a Corte portuguesa pisou aqui, a moda era falar o R como dos franceses, saindo do fundo da garganta, como: "PaRRRRi".

A elite carioca tratou de copiar a nobreza, e assim, na contramão do R caipira e 100% brasileiro, o importou seu som de R dos franceses. Do mesmo modo a Realeza trouxe o "S" chiado dos cariocas.

As regiões Norte e Sul receberam a partir do século XVII imigrantes dos Açores e ilha da Madeira, lugares onde o S também vira SH. Viviam mais de 15 mil portugueses no Pará, 4ª maior população portuguesa no Brasil à época, o que fez os paraenses também incorporarem o chiado.

Já Porto Alegre misturava indígenas, portugueses, espanhois e depois alemães e italianos, toda essa mistura resultou num sotaque sem chiamento.

Curitiba recebeu muitos ucranianos e poloneses, a falta de vogais nos idiomas desses povos acabou estimulando uma pronúncia mais pausada de vogais como o E, para que se fizessem entender, dando origem ao folclórico "leitE quentE".

Em Cuiabá e outras cidades do interior do Mato Grosso preservou-se o sotaque de Cabral, não sendo incomum os moradores falando de um "djeito diferentE". Os portugueses que se instalaram ali vieram do norte de Portugal e inseriam T antes de CH e D antes de J. E até "hodje os cuiabanos tchamam feijão de fedjão".

Junto com os 800 mil escravos também foram trazidos seus falares, e sua influência que perdura até hoje em se comer o R no final das palavras: Salvadô, amô, calô e a destruição de vogal em ditongos: lavôra, chêro, bêjo, pôco, que aparece em muitos dialetos africanos.

A falta de plurais, o uso do gerúndio sem falar o D (andano, fazeno), a ligação de fonemas em som de z (ozóio, foi simbora) e a simplificação da terceira pessoa do plural (disséro, cantaro) também são heranças africanas.

do livro "Mapa Linguístico do Brasil" de Renato Mendonça e da Superinteressante desse mês.

Por - Daniela Andrade

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sino Real, o maior do mundo

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O gigantesco Sino Real é mantido no Kremlin, no mesmo local que o seu companheiro da realeza, o Canhão do Tsar. Embora jamais tenha sido tocado, o som que produziria foi simulado recentemente com a ajuda de computadores.

Havia na Rússia uma piada popular sobre o Canhão do Tsar, que nunca disparou um tiro sequer, o Sino Real (também conhecido como Sino do Tsar), que jamais fora tocado. Tudo indica, porém, que o canhão foi, sim, disparado em determinado, mas o som da campainha nunca foi ouvido mesmo. Ainda assim, a história do sino gigantesco continua única e impressionante.

O Sino Real foi produzido no século 18, e ainda é o sino do mundo. Com peso superior a 200 toneladas e mais de 6 metros de altura, sua estrutura pode ser dividida em peças “menores” que, mesmo assim, ainda pesam mais de 11 toneladas cada.

O maior de todos

A decisão de criar esse gigantesco sino para o Kremlin foi feita pela imperatriz Anna Ioannovna em 1730. Na época, havia tradição de produzir enormes sinos para serem exibidos no coração de Moscou, e o sino solicitado por Anna Ioannovna era o terceiro do tipo. O primeiro Sino Real foi criado no início do século 17, porém, foi danificado por fogo; o segundo foi feito no meio do mesmo século, sob o tsar Aleixo 1º, mas teve um destino semelhante ao cair e quebrar durante outro incêndio, em 1701. Os restos desse segundo sino foram, no entanto, usados ​​na criação do atual Sino Real.

É por isso também que o sino sobrevivente é muito maior que seus antecessores. O primeiro pesava entre 17 e 35 toneladas – embora não pareça tão grande, quando comparado ao sino atual, cabe lembrar que era preciso 24 pessoas apenas para mover o martelo. O sino que substituiu o primeiro pesava, por sua vez, 130 toneladas.

Para Anna Ioannovna, porém, nem mesmo o segundo era suficientemente grande, e ela ordenou que o próximo fosse mais de uma vez e meia maior que o antecessor.

100 anos no poço

Foi decidido convidar um especialista estrangeiro para fundir o sino. Um famoso artesão francês foi escolhido para o trabalho, mas assumiu que se tratava de piada quando lhe disseram o peso e o tamanho do sino. Diante da recusa, recorreu-se a especialistas da própria Rússia – Ivan Motorin e seu filho Mikhail.

Um enorme poço, com 10 metros de profundidade, foi cavado perto do Kremlin, criando espaço para produzir o sino. Após um ano e meio de preparação, os trabalhos enfim começaram em 1735. Durante o processo, Ivan Motorin morreu, e o projeto continuou sob a supervisão de seu filho.

Como os dois sinos anteriores, o Sino Real pegou fogo; ao contrário dos demais, porém, isso aconteceu antes mesmo que o sino fosse concluído ou instalado. O incidente aconteceu em 1737, quando, em resultado de um incêndio, o sino caiu dos suportes em que estava apoiado, e um pedaço dele se desprendeu.

Depois disso, o sino permaneceu no poço por 100 anos, porque os engenheiros não conseguiam pensar em uma forma de removê-lo. No início do século 19, o tsar Alexandre 1º ordenou que uma escada fosse construída até o sino para que os curiosos pudessem observá-lo. O sino havido sido habilmente decorado, com figuras da imperatriz Anna e tsar Aleixo gravadas. Foi somente na década de 1830 que o famoso arquiteto francês Auguste de Montferrand, responsável pela construção da Catedral de Santo Isaac, em São Petersburgo, desenvolveu um plano para tirar o Sinal Real do poço. Após ser enfim removido, o sino foi colocado em um pedestal no Kremlin.

Sino sem som

Sugeriu-se que o pedaço do sino que havia quebrado pudesse ser soldado, sendo possível usá-lo para sua finalidade original. Essas ideias, no entanto, foram rejeitadas quando soube-se que o sino não seria capaz de tocar normalmente devido ao dano.

Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia usou um programa para criar o som que o Sino Real produziria. Para fazer a simulação, foram usados dados como espessura, forma, movimento e materiais do sino.

O CANHÃO CZAR


O Canhão do Tsar (também conhecido como Tsar Pushka) merece seu nome pomposo, já que é o maior canhão do mundo. Esta peça de artilharia real foi construída para defender o Kremlin e permanece no local há mais de 400 anos. Há rumores de que o canhão nunca foi usado, mas não é verdade.

O Canhão do Tsar do Kremlin de Moscou foi incluído no Livro dos Recordes Guinness como a maior bombarda (arma medieval usada para atirar pedras grandes) por calibre do mundo. Ele foi construído para atirar balas de canhão de 800 kg e pesa quase 40 toneladas, sendo necessários 200 cavalos para transportá-lo.

O calibre do canhão é de 890 milímetros. Há armas de artilharia maiores, como o Morteiro Mallet, do Reino Unido, e o Pequeno David, dos Estados Unidos, ambos com 914 milímetros. Mas essas armas são morteiros, não canhões, e isso significa que o Canhão do Tsar do Kremlin é uma peça de artilharia inigualável.

É preciso lembrar ainda que os morteiros foram produzidos nos séculos 19 e 20, com o uso de uma tecnologia (relativamente) moderna, enquanto o Canhão do Tsar foi feito em bronze e data de 1586. O canhão foi feito pelo especialista Andrei Tchokhov em Moscou.

Tchokhov construiu o canhão durante o reinado do tsar Teodoro 1º, filho de Ivan, o Terrível. Há uma imagem do tsar no barril de pólvora, onde ele é retratado com uma coroa na cabeça e um cetro em uma das mãos, montado em um cavalo. Há uma inscrição acima da figura do tsar que diz “A graça de Deus, Tsar e Grande Duque Fiodor Ivanovitch, Autocrata da Grande Rússia”. Há outros dois rótulos, um que fala sobre quem fez o canhão e outro que especifica que foi feito a pedido do tsar.

Há uma teoria de que o canhão recebeu este nome por causa da imagem do tsar. No entanto, acredita-se que o nome na verdade está ligado ao tamanho descomunal da arma, algo que era extraordinário para a época.

O canhão já disparou um tiro?

Algumas pessoas dizem que Tchokhov criou o canhão para impressionar estrangeiros com o suposto poder de Moscou, e não para ser usado como uma arma de verdade. Segundo esta teoria, o canhão não foi criado para ser usado e nunca disparou um tiro.

No entanto, em 1980, enquanto o canhão era restaurado, foi inspecionado por especialistas da Academia de Artilharia. Eles encontraram resíduos de pólvora e chegaram à conclusão de que o canhão havia disparado ao menos uma vez.

A informação sobre o modo como o canhão foi usado também contradiz a teoria de que foi produzido apenas para fazer propaganda. O canhão foi montado em uma estrutura especial e colocado na Praça Vermelha. Ele deveria ser usado para defender o acesso ao Kremlin a partir do leste, mas nunca foi usado em um combate verdadeiro. No século 18, o canhão foi levado para o arsenal do Kremlin.

Durante a Invasão Napoleônica em 1812, houve um incêndio em Moscou e a carruagem de madeira do canhão foi destruída. Mais tarde, a estrutura atual, de ferro, foi colocada no lugar. Foi nessa época que as balas do canhão que hoje ficam em frente à arma foram feitas. Essas balas são meramente decorativas e são muito grandes para ser usadas, mesmo no Canhão do Tsar.

LINK ORIGINAL: RUSSIA BEYOND

A CASA IMPERIAL DO BRASIL

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A Casa Imperial do Brasil tem origem no dia 12 de outubro de 1822, quando da aclamação do Príncipe Dom Pedro de Alcântara de Bragança, até então Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e Regente do Brasil, como Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, após ter proclamado a nossa Independência, a 7 de Setembro daquele ano, às margens do Ipiranga, em São Paulo.

Os Imperadores do Brasil, bem como seus antecessores, os Reis de Portugal, eram membros da Sereníssima Casa de Bragança, reinante em nossa Pátria-Mãe Lusa desde 1640. Portanto, durante os reinados do Imperador Dom Pedro I e de seu filho, o Imperador Dom Pedro II, a Dinastia imperante no Brasil foi a Casa de Bragança. Nossa última Soberana bragantina teria sido a Princesa Dona Isabel, filha e herdeira do Imperador Dom Pedro II, impedida de se tornar Imperatriz pelo golpe de 15 de novembro de 1889, que instaurou a República no Brasil, contra a vontade popular.

A Princesa Dona Isabel foi desposada, a 15 de outubro de 1864, na Capela Imperial do Rio de Janeiro, pelo Príncipe Gastão de Orleans, Príncipe do Sangue da França e Conde d’Eu, neto do Rei Luís Filipe I dos Franceses. Sendo assim, os filhos do casal, nascidos a partir de 1874, constituíram a Casa de Orleans e Bragança, um ramo, plenamente independente e soberano, da Casa de Bragança e da Casa de Orleans, e integrando o todo da milenar Dinastia Capetíngia, fundada quando Hugo Capeto foi eleito Rei dos Francos, no ano de 987.

Sucedeu diretamente à Princesa Dona Isabel, como Chefe da Casa Imperial, no dia 14 de novembro de 1921, seu neto, o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, que, por sua vez, foi sucedido por seu primogênito, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, que é, desde 5 de julho de 1981, o Chefe da Casa Imperial do Brasil. Seus imediatos herdeiros dinásticos são seus irmãos, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, e o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, casado com a Princesa Dona Christine de Ligne, com quem tem dois filhos dinastas, o Príncipe Dom Rafael e a Princesa Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança.

Também são dinastas uma das irmãs do Chefe da Casa Imperial, a Princesa de Ligne, Dona Eleonora de Orleans e Bragança – casada com Michel, 14º Príncipe de Ligne, Chefe da mais importante Família nobre do Reino da Bélgica, irmão da Princesa Dona Christine –, e seu filho, o Príncipe Hereditário Henri de Ligne.

Ao membros dinastas da Casa Imperial somam-se os seus parentes, irmãos, sobrinhos e primos, que optaram, voluntariamente, por renunciar aos seus direitos sucessórios, a fim de fazerem casamentos não-dinásticos, ou seja, contrair matrimônio com cônjuges não-titulados ou sem paridade nas titulações. As respectivas esposas desses Príncipes, bem como seus descendentes, também são membros da Casa Imperial.

Portanto, consideramos que todo o conjunto da descendência varonil, principesca e legítima da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu integra a Casa Imperial do Brasil, e todos esses Príncipes e Princesas, dinastas ou não, devem respeito e deferência ao Chefe da Casa Imperial, Imperador “de jure” do Brasil, representante máximo da tradição monárquica brasileira e suprema autoridade no que tange à nossa Monarquia, nos termos dos Artigos 11 e 98 da Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824.

Foto –

Membros da Família Imperial do Brasil reunidos no Castelo de Beloeil, no Reino da Bélgica, por ocasião do casamento, celebrado a 18 de junho de 2016, de S.A. a Princesa Alix de Ligne com o Conde Guillaume de Dampierre.

Impossibilitado de comparecer, S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, foi condignamente representado por seus irmãos e imediatos herdeiros dinásticos, S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, e S.A.R. o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, acompanhado de sua esposa, S.A.R. a Princesa Dona Christine de Ligne de Orleans e Bragança, e filhos, SS.AA.RR. o Príncipe Dom Rafael e as Princesas Dona Maria Gabriela e Dona Amélia de Orleans e Bragança, esta última acompanhada do marido, o Sr. James Spearman.

Também presentes, outros irmãos e cunhados do Chefe da Casa Imperial: S.A.R. a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança (1944-2017); S.A.R. a Princesa de Ligne, Dona Eleonora de Orleans e Bragança, mãe da noiva, junto ao seu marido, S.A. Michel, 14º Príncipe de Ligne, e filho, S.A. o Príncipe Hereditário Henri de Ligne; SS.AA.RR. o Príncipe Dom Fernando e a Princesa Dona Maria da Graça de Orleans e Bragança e suas filhas, S.A.R. a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Conde Alexander de Stolberg, e SS.AA.RR. as Princesas Dona Maria da Glória e Dona Luiza de Orleans e Bragança; SS.AA.RR. o Príncipe Dom Alberto e a Princesa Dona Maritza de Orleans e Bragança e seus filhos, SS.AA.RR. os Príncipes Dom Pedro Alberto e Dom Antonio Alberto e as Princesas Dona Maria Beatriz e Dona Ana Thereza de Orleans e Bragança; S.A.R. a Princesa Dona Maria Thereza de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Fidalgo Johannes Hessel de Jong, e dos filhos, o Fidalgo Johannes Pedro e a Fidalga Maria Pia de Orleans e Bragança de Jong; e S.A.R. a Princesa Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Dr. João Marcos Pilli.

Ainda, outras sobrinhas do Chefe da Casa Imperial: S.A.R. a Princesa Dona Ana Luiza de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Sr. Paulo Ibrahim Mansour, e do filho mais velho, o Sr. Guilherme de Orleans e Bragança Mansour; S.A.R. a Princesa Dona Maria Carolina de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Sr. Nuno de Carvalho Moreira, e dos filhos, o Sr. Joaquim Pedro e a Srta. Maria Sofia de Orleans e Bragança Moreira; S.A.R. a Princesa Dona Maria Elisabeth de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Dr. Pablo Trindade de Souza; S.A.R. a Princesa Dona Maria Eleonora de Orleans e Bragança; S.A.R. a Princesa Dona Maria Thereza de Orleans e Bragança, acompanhada de seu então noivo, hoje marido, o Sr. Guilherme dos Santos Zanker; Dona Maria Antonia de Orleans e Bragança, acompanhada do marido, o Sr. Eduardo de Carvalho Moreira, e dos filhos, os Srs. Eduardo de Orleans e Bragança Carvalho Moreira Filho e Manuel de Orleans e Bragança Carvalho Moreira; e Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, acompanhada de seu então noivo, hoje marido, o Sr. Michael Anthony Whyte.

25 ANOS DO PLEBISCITO: A VITÓRIA MORAL DA MONARQUIA

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Contou-se na imprensa internacional que, assustado com o crescimento da Monarquia nas pesquisas do Plebiscito sobre a Forma e Sistema de Governo, que completa hoje 25 anos, o então Presidente da República, Itamar Franco, que sucedeu o Presidente Fernando Collor de Melo após o seu impeachment, retirou de seu escritório no Palácio do Planalto o quadro do primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro I, e “trocou com toda pressa” por um busto de mármore de outro herói da Independência, provavelmente José Bonifácio de Andrada e Silva, para “exorcizar” o crescimento monárquico.

A República no Brasil nasceu com uma promessa que demorou 104 anos para se cumprir. Recém-proclamado, o Governo Provisório instalado pelo Golpe Militar de 15 de novembro de 1889, em seu primeiro decreto, estabeleceu que a escolha final sobre a forma de governo então proclamada aguardaria o pronunciamento definitivo do voto da Nação, livremente expressado pelo sufrágio popular.

O regime monárquico no Brasil caiu devido a um golpe de Estado, o qual não teve apoio da população civil e enfrentou grande resistência, tardia ao ter pego o País desprevenido. Tal resistência, hoje se assume, custou milhares de vidas. A reação do Governo Provisório foi, no entanto, rápida – pouco mais de um mês após o golpe, outra medida, o Decreto 85-A, de 23 de dezembro de 1889, vedou projetos tendentes a abolir a forma republicano-federativa, tendo sido incluído na Constituição de 1891, em forma de cláusula pétrea. O efeito prático dessa cláusula era o impedimento da restauração monárquica no Brasil, feita de maneira legal, por meio do sufrágio universal. Cláusulas pétreas similares a essa foram incluídas nas Constituições brasileiras posteriores, calando os monarquistas e o movimento monárquico.

Com o fim do regime militar, em 1985, seguiu-se a abertura democrática e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para 1987. Sob a ameaça de nova inclusão de cláusula pétrea calando os monarquistas na nova proposta constitucional, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, em nome dos monarquistas brasileiros, apelou para Assembleia Nacional Constituinte que não negasse a liberdade à ação monarquista: “Não lhes seja negada agora, Srs. Constituintes, a liberdade que V. Exas. se gloriam de ver reconhecida a toda a Nação.”

Com as elucidações fornecidas aos Constituintes pelo Chefe da Casa Imperial e a atuação de ousados monarquistas junto à Assembleia, a cláusula pétrea não vingou na Constituição de 1988 e por suas disposições transitórias foi convocado o Plebiscito para 7 de setembro de 1993.

Mesmo diante de todos os empecilhos impostos pelo Estado, a começar pela cédula mal formulada, passando pela antecipação do pleito, como a mudança da data de 7 de Setembro, Dia da Pátria, data magna para os monarquistas, para 21 de abril, feriado de Tiradentes, data favorável aos republicanos, e tantos outros que geraram desigualdade de posições, a Monarquia Parlamentarista recebeu 13,4% dos votos válidos. Uma vitória moral, após mais de 104 anos de silêncio imposto aos defensores do regime monárquico.

Pesquisas informais, realizadas por portais da Internet, como o Terra em 2013, em lembrança aos 20 anos do Plebiscito, pelo "Financial Times", o gigante e prestigiadíssimo jornal britânico de negócios, e pela apresentadora Mariana Godoy, da RedeTV!, ambas realizadas no ano de 2016, mostram a Monarquia Parlamentarista com uma aceitação entre 65% a 80% dos Brasileiros.

O crescimento monárquico que vemos hoje, além do resultado de admirável atuação espontânea popular e de lideranças que se organizam livremente, mas sob as diretrizes essenciais da Casa Imperial, é fruto também da atuação imprescindível do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 à 1981, que manteve viva a esperança monárquica nos corações dos brasileiros e de seu filho primogênito e sucessor, o Príncipe Dom Luiz, nosso atual Chefe da Casa Imperial, que permitiu que tal esperança tivesse os meios de florescer sozinha, com a degradação a olhos vistos da forma republicana de governo no Brasil.

Talvez, com tamanho crescimento espontâneo, os atuais governantes do Brasil devessem estar mais preocupados do que o antecessor, Itamar Franco. Resta saber: será que o quadro do Imperador Dom Pedro I continua no escritório da Presidência no Planalto?

Foto: S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, em material da época do Plebiscito de 1993.

“TEMOS UM CONDE D’EU!”

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O Príncipe Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orleans, Neto da França*, que viria a se casar com a Princesa Dona Isabel, a Redentora, herdeira do Trono do Brasil, nasceu no dia 28 de abril de 1842, no Castelo de Neuilly, localizado nos arredores de Paris, e foi o primogênito dos quatro filhos e filhas do Príncipe Luís de Orleans, Duque de Nemours, e de sua esposa, a Princesa Vitória de Saxe-Coburgo e Koháry.

Membro da Família Real Francesa, Sua Alteza pertencia à Casa de Orleans, ramo-cadete da Casa de Bourbon, que, por sua vez, integrava o todo da Dinastia Capetíngia, originada na figura de Hugo Capeto, eleito Rei dos Francos em 987. Além da Família Real Francesa, também são Capetíngios a Família Imperial do Brasil, as Famílias Reais da Espanha e das Duas Sicílias, a Família Grã-Ducal de Luxemburgo e a Família Ducal de Parma.

Ao ver o neto que havia acabado de nascer, o Rei Luís Filipe I dos Franceses, jubiloso, exclamou: “Temos um Conde d’Eu!”, conferindo, assim, o título que o Príncipe Gastão usaria, com toda galhardia e nobreza, pelo resto da vida, nos grandes salões do Brasil e da Europa e nos campos de batalha no Marrocos e no Paraguai, ainda que, ao longo dos anos, tenha recebido os títulos de Príncipe Imperial e, depois, Príncipe Consorte do Brasil, decorrentes de seu casamento.

Retrato: S.A.R. o Príncipe Gastão de Orleans, Conde d’Eu e Neto da França, aos cinco anos de idade, em 1847.

– Baseado em trecho do livro “Maldita Guerra”, do Prof. Dr. Francisco Doratioto.

[*] Neto da França (Petit-fils de France, em francês) e Neta da França (Petite-fille de France) são os títulos usados pelos filhos daqueles intitulados como Filho da França (Fils de France), ou seja, os filhos dos Reis da França (ou do Chefe da Casa Real Francesa), ao passo que as filhas têm o título de Filha da França (Fille de France). O primogênito e herdeiro do Soberano é intitulado Delfim da França (Dauphin de France, em francês), e seus filhos têm o título de Filho (a) da França, não Neto (a). Já a filha mais velha do Rei tem o título de Senhora Real, ou Madame Royale, em francês. Todos tinham o tratamento de Alteza Real.

NOBREZA DE ALMA E SIMPLICIDADE

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Em 24 de novembro de 1868, a Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, e o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu, seu marido, visitaram a cidade mineira de Baependi, hospedando-se no palacete do Comendador José Pedro Américo de Matos, que era pessoa muito rica e muito benquista na cidade. No entanto, por ser mulato, procurava não frequentar as festas sociais, para evitar constrangimento a certas damas da sociedade, especialmente nos bailes. Notara mesmo certa resistência, quando se tratava de dançar com algumas delas.

Como anfitrião do Casal Imperial, era-lhe impossível deixar de comparecer ao grande baile de homenagem que a cidade ofereceu a Suas Altezas. Mas enquanto todos se divertiam com a primeira dança, uma quadrilha, o Comendador permaneceu alheio, olimpicamente indiferente e distraindo-se em contemplar, ora os dançarinos, ora a multidão que se comprimia na rua.

À Princesa Imperial não passaram despercebidas a situação e a atitude do Comendador. Quando a orquestra iniciou a primeira valsa, o Conde d’Eu tomou a Princesa Imperial pela mão, levou-a ostensivamente e ofereceu-lha como par. A Princesa Imperial sorria, fitando-o. E o sorriso era de tal modo um convite irrecusável, que ele logo se refez da surpresa, iniciando com ela aquela primeira valsa. Tal foi a estupefação, que durante alguns instantes o par dançou sozinho.

Depois dessa bela atitude do Casal Imperial, todas as atenções se voltaram para o Comendador. Mas, a uma dama das mais elegantes, que insinuara sentir imenso prazer em tê-lo como par, ele respondeu:

– Não, minha senhora, muito obrigado. Queira desculpar-me, mas quem dançou com a Princesa não pode mais dançar com outra mulher.

Esse gesto de nobreza repetiu-se no Palácio de São Cristóvão, com o famoso engenheiro negro André Rebouças. O historiador Luís da Câmara Cascudo comenta:

“A gratidão do Dr. Rebouças ficou brilhantemente provada a 16 de novembro de 1889, quando voluntariamente se exilou, embarcando junto com a Família Imperial.”

– Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier.