sexta-feira, 24 de março de 2017

OS TRONOS DO IMPÉRIO


Em madeira com douramento e tecido, esse trono ficava originalmente localizado no Senado do Império (atual faculdade de Direito da UFRJ), no Rio de Janeiro. O trono no Império era símbolo da autoridade do monarca. Diante das câmaras reunidas na Assembléia Geral, o imperador D. Pedro II proferia a Fala do Trono - abrindo e encerrando a sessão legislativa.


Trono que pertenceu a D. Pedro II usado na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro por Sua Santidade, o Papa João Paulo II, em 1980.


Feito em talha dourada com estofo de veludo verde no assento, nos braços e no encosto em medalhão oval guarnecido de estrita moldura. No centro, com uma estrela acima, a sigla P II I. (Pedro II Imperador) está entre duas palmas atadas por um laço; tudo é bordado a fios de prata.

O medalhão é ligado ao bastidor do assento por um suporte de folhas do espaldar e, acima, partindo das mesmas hastes, folhagens de acanto em voluta sustentam sobre o friso, o dragão de Bragança sentado. Os braços do assento são formados pelas asas de duas esfinges que repousam sobre dois pedestais unidos por um travessão, que representam os pés dianteiros do trono.

Com 1,75 m de altura, 1,04 m de comprimento e 0,66 m de largura, o trono pertenceu ao Paço de São Cristóvão e foi incorporado ao acervo do Museu Imperial na década de 1940. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Dom pedro II no Líbano


No fim do século XVIII, um grande número de escritores, intelectuais, reis e artistas conheceram países da Europa Oriental e Oriente Médio, como a Grécia, Turquia, Líbano, Síria, Palestina, Egito e Arábia Saudita. O Imperador do Brasil na época, D. Pedro II (1825-1891), visitou o Egito em 1871, e em 1876 visitou o Líbano, a Síria e a Palestina.

D. Pedro II era um grande admirador da literatura e da cultura árabe, chegando mesmo a conhecer a língua árabe quando estudou no Brasil com um arabista alemão.

O Imperador esteve no Líbano acompanhado de sua esposa Dona Tereza Christina Maria e de uma comitiva de aproximadamente 200 pessoas (Barões, Viscondes, Damas...), vindo da Grécia no navio “Aquiíla Imperial”, de bandeira verde e amarela. 

Hospedou-se no “Hotel Belle Vue” em Beirute e, munido de uma égua branca e uma mochila, percorreu o país dos cedros. Esta visita, de uma alta autoridade brasileira em tal época, pode ser considerada de grande valor histórico, apesar de a mesma ter sido em caráter turístico e científico.

Em sua estada no Líbano, de 11 a 15 de novembro de 1876, o Imperador escreveu ao seu amigo, o diplomata francês Joseph Gobineau, que ficara em Atenas, Grécia: “Tudo vai bem... A partir de hoje começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da Terra Santa...” (Arquivo Histórico de Estrasburgo – França).

Em Beirute, D. Pedro II visitou o Colégio Protestante Sírio (fundado em 1866, e que, mais tarde, tornou-se a Universidade Americana de Beirute), o Colégio Francês dos Jesuítas (fundado em 1875 e que veio a ser a Universidade Saint Joseph) e outras instituições. 

Encontrou-se com grandes mestres das ciências e da literatura, dentre os quais o famoso gramático de língua árabe Ibrahim Al-Yazigi, que lhe ofereceu vários livros em árabe ornados com palavras dedicatórias (tais livros encontram-se hoje no Museu Imperial de Petrópolis-RJ); visitou o grande Professor Cornelius Van Dyck, do qual assistiu uma aula sentado em meio aos alunos, dentre os quais estava Nemi Jafet, intelectual pioneiro da emigração para o Brasil. 

Em Bkerké, visitou o Patriarca da Igreja Maronita, Boulos Mass’ad (1854-1890). Em Baabda, visitou o Governador-Geral Rouston Pacha Mariani (1854-1883). Em seguida, o Imperador continuou sua viagem em direção ao Vale do Bekaa, a grande planície fértil do país, chegando à cidade de Chtaura. Naquela época a viagem era feita em carruagens da “Sociedade Otomana da Estrada de Beirute a Damasco”, fundada em 1861. O trajeto foi efetuado com muitas paradas, principalmente em Sofar e Chtaura.

Ao chegar no alto da Cordilheira do Monte Líbano (Daher Al-Baida), escreveu em seu diário: “Felizmente a chuva tinha cessado, clareando o tempo de modo a gozar da vista magnífica da planície de Bekaa”. 

A caravana era guiada pelos irmãos Antonio e Melhem Ward, libaneses maronitas de Beirute. Neste percurso de sua comitiva, escoltado por soldados, um deles seguindo à frente portando uma longa lança com a bandeira verde e amarela, o Imperador encontrou-se com vários camponeses e a eles falou da nova terra chamada Brasil, um vasto país fértil onde já se encontrava um pequeno número de libaneses vindos da Europa e do Egito.

Atravessando o Vale de Chtaura rumo a Baalbeck, passou por várias cidades, dentre elas Zahle, chegando ao seu destino a noite, quando escreveu em seu diário: “...a entrada nas ruínas de Baalbeck, à luz de fogaréus e lanternas, atravessando por longa abóbada de grandes pedras, foi triunfal e as colunas tomavam dimensões colossais”. 

O Imperador visitou os templos de Júpiter, de Vênus e observou tudo, mediu, tomou notas e por fim escreveu: “Saindo de Baalbeck, onde deixei meu nome com a data na parede do fundo do pequeno templo (Templo de Baco), está cheio de semelhantes inscrições, lendo-se logo depois da entrada estas palavras: “Comme le monde est bête!!!”. 

Deixando Baalbeck, dirigiu-se para Damasco, Síria, observando: “Reparei melhor para a planície, que apesar de coberta de seixos, é aproveitada para trigo e vinhas sobretudo. Perto de Baalbeck nasce o antigo Orontes, que vai banhar a Antioquia... A noite passada, encheram-se os cabeços dos montes de neve e que belo efeito produziram, vistos do fundo do grande templo, ou por entre as 6 colunas.”


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O Imperador ficou encantado com o dinamismo do povo libanês e disse:

“Gostaria de ver o maior número de vocês no Brasil, prometo recebê-los bem e tenham certeza de que retornarão prósperos”, o que realmente aconteceu. Hoje são mais de seis milhões de libaneses e descendentes no Brasil e cerca de 60 mil líbano-brasileiros residentes no Líbano. 

Dois países amigos e com fortes laços humanos.

É interessante saber também que em Alexandria, Egito, encontra-se uma Igreja Greco-Melquita Católica (Rito Bizantino) dedicada a São Pedro, construída por um emigrante libanês no Egito, Conde Miguel Debbane (1806-1872) e Cônsul Honorário do Brasil em Alexandria. A igreja foi construída em 1868 em honra de Dom Pedro II, e em 1871 o Imperador visitou Alexandria e a igreja. Ainda nos dias de hoje as missas são celebradas em memória do Imperador do Brasil Dom Pedro II e do Conde Miguel Debbane. 


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terça-feira, 21 de março de 2017

1968: o ano em que a rainha Elizabeth II visitou o Brasil!

A Rainha Elizabeth e Brasília é recebida pelo presidente Costa e Silva.
A Rainha Elizabeth e Brasília é recebida pelo presidente Costa e Silva

Veja o vídeo da visita de S.M. ao Brasil: https://goo.gl/5DNogr

Em 1968, durante o período que ficou conhecido no Brasil como os Anos de Chumbo, marcado por perseguições políticas, tortura e censura da mídia, a rainha Elizabeth II, então com 42 anos de idade e 16 de reinado, juntamente com seu consorte Philip, Duque de Edimburgo, empreenderam uma viagem rumo ao continente sul americano como parte de um programa britânico de integração econômica com os países da América Latina. 

Tendo aportado em Recife, em novembro daquele ano, Sua Majestade e Sua Alteza visitariam por durante 11 dias ainda outras capitais do país, tais como Salvador, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O sentimento de comoção por parte dos brasileiros fora de grande euforia. Por onde a rainha da Inglaterra passava, arrancava gritos de júbilo por parte da população eufórica, extasiados por verem uma monarca européia pisar em território nacional. Uma grande distração, para o período de terror propalado pela ditadura militar, vigente desde o ano de 1964.

Uma vez no Brasil, a rainha participou de inúmeros festejos e inaugurações. Em Salvador, visitara o Mercado Modelo, O Museu Paulista da USP em São Paulo, além de Inaugurar Ponte Rio-Niterói, um dos maiores projetos faraônicos patrocinados pela Ditadura Militar.  Dado ao fato de nos dias em que a soberana esteve no país ainda se havia alguma liberdade de imprensa (antes que o Ato Institucional n° 5 fosse definitivamente implantado), ainda possuímos um vasto acervo documental sobre esse marco, tanto em revistas, como em jornais da época. Abaixo, uma página da edição de 08 de Novembro de O Estado de São Paulo:

Jornal O Estado de São Paulo de 08/11/1968.

Uma vez na capital Paulista, Elizabeth II participou da Inauguração do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), que incluía uma obra pintada pelo ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill, intitulada Sala azul de Trent Park. A monarca, por sua vez, elogiaria a beleza e a simplicidade das linhas do edifício, fundado em 1947.

A Rainha Elizabeth II e comitiva visitando o acervo do MASP.

Elizabeth ainda visitaria o Monumento ao Centenário da Independência, localizado no Bairro do Ipiranga, onde na época já se encontrava sepultada nossa saudosa Imperatriz Leopoldina, na cripta Imperial.

Elizabeth II em São Paulo.

Alguns fatos bastante constrangedores marcaram a visita da soberana: conta-se que o presidente Costa e Silva, na festa de recepção dada em homenagem a Elizabeth II, teria se embolado ao pronunciar a saudação “God Save The Queen” (Deus Salve a Rainha), pronunciando algo como “God… God… The Queen”. Outro fator bastante interessante, foi um incidente com um cavalo puro sangue em Campinas que ficou tão excitado na presença de Sua Majestade a ponto de precisar ser acalmado com Éter.

A Rainha Elizabeth II, em Brasília, discursando no Congresso Nacional.
A Rainha Elizabeth II, em Brasília, discursando no Congresso Nacional

A Rainha Elizabeth II em Visita ao Monumento ao Centenário da Independência.
A Rainha Elizabeth II em Visita ao Monumento ao Centenário da Independência

Já no Rio de Janeiro, a chegada da Rainha foi marcada pela inauguração da Ponte Rio-Niterói. Numa cerimônia que durou cerca de meia hora na tarde de 09 de Novembro, Sua Majestade Elizabeth II e Sua Alteza o Príncipe Philip descerraram uma placa comemorativa de bronze, localizada na Ponta do Cujo, dando assim início à obras para a construção da ponte. A polícia, por sua vez, marcou forte presença no evento. Abaixo, duas páginas do Jornal O Estado de São Paulo dando conta do acontecimento:

Jornal o Estado de São Paulo de 09/ 11/ 1968.

Jornal O Estado de São Paulo do dia 09/ 11/ 1968.

A presença da Rainha da Inglaterra em um evento como esse, por sua vez, foi usada pelos militares como uma forma de trazer maior prestígio para o evento, desmascarando assim a simbologia de imposição de poder que tal construção representava. O casal de monarcas ainda fariam uma visita ao Estádio do Maracanã, onde viram Pelé e Gerson jogarem, conforme a imagem que segue:

A Rainha Elizabeth e o Príncipe Philip em foto com Pelé.

A vista da Rainha pelo Brasil terminara oficialmente no dia 11 de Novembro de 1968. Logo depois, ela partiria rumo ao Chile, deixando, contudo, para nós brasileiros uma memória riquíssima acerca da realeza britânica em território nacional. Sem dúvida algo que escaparia da imagética do povo brasileiro, uma vez que 32 dias depois o governo Costa e Silva decretava oficialmente o AI-5, dando assim início aos chamados anos de chumbo da Ditadura Militar, que se estenderiam até o final da década de 1970.

LINK ORIGINAL: RAINHAS TRÁGICAS - https://goo.gl/TzGf53

Georg Anton von Schäffer ou Jorge Antônio von Schäffer, Münnerstadt, mais conhecido como o major Schäffer, foi um médico, negociante e militar nascido no Eleitorado do Palatinato, estado vassalo do Sacro Império Romano-Germânico.

Recrutou militares e colonos alemães para o Império do Brasil, além de ter tentado conquistar o Havaí para o Império Russo.

Aportou no Rio de Janeiro em abril de 1818. No Brasil, aproximou-se da princesa Leopoldina, ofereceu material naturalista ao Museu Real, o que abriu-lhe as portas da corte de Dom João VI.

Após breve viagem à Europa, retorna ao Brasil com quatro famílias (vinte pessoas) e recebe de Dom João VI uma concessão de terras para fazer uma pequena colônia na província da Bahia, a que deu o nome de Frankental, às margens do rio Peruípe, na região onde hoje é Nova Viçosa.

Após a fundação do Império do Brasil, foi nomeado Agente de negócios públicos por Dom Pedro I e enviado à Europa em 21 de agosto de 1822 com instruções de José Bonifácio de Andrada e Silva para angariar militares e colonos.

Passou por Viena, Munique, Frankfurt e Hanôver, antes de estabelecer-se em Hamburgo. Recrutar mercenários na Europa era proibido pelos países da Santa Aliança e o fato do Brasil ser denunciado por Portugal como um simples território rebelde tornou a missão do major Schäffer ainda mais difícil.

No início, seu recrutamento buscava, principalmente, militares e poucos colonos, mas, à medida que a situação do Brasil foi estabilizando-se, o número de militares enviados foi diminuindo e o de colonos aumentando.

A primeira leva com 39 imigrantes alemães chegou em 25 de julho de 1824, à então desativada Real Feitoria do Linho Cânhamo, localizada à margem esquerda do rio dos Sinos, dando início à Colônia de São Leopoldo.

Além de recrutar colonos, Schäffer também buscava contratar pessoas de profissões que dessem uma base à comunidade, como médicos (Johann Daniel Hillebrand) e pastores (Friedrich Osvald Sauerbronn, Georg Ehlers, Carl Leopold Voges e Friedrich Christian Klingelhoefer).

Em quatro anos, de 1824 a 1828, o major Schäffer conseguiu trazer para o Brasil mais de seis mil pessoas, sendo que pelo menos metade eram rapazes solteiros e militares. Em 1828, a imigração não era mais de interesse de Dom Pedro I e Schäffer retornou ao Brasil, em 2 de julho de 1828.

Foi agraciado oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 31 de março de 1825. Em última informação sobre Schäffer é de 12 de novembro de 1829, quando escreveu uma carta a D. Pedro I, na qual roga um cargo diplomático no Reino da Baviera ou no Reino de Hanôver, o que lhe foi negado.

Após o final de 1829, há várias versões sobre o paradeiro de Schäffer: teria terminado sua vida em Frankental, a colônia que fundou perto da Colônia de Leopoldina, na província da Bahia, ou no Reino da Prússia, ou ainda como auxiliar de catequese de índios botocudos teria morrido à míngua, às margens do rio Doce.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Nos tempos do Império do Brasil


Sob Dom Pedro II, o Brasil tinha uma moeda estável e forte, possuía a segunda Marinha de Guerra do Mundo, teve os primeiros Correios e Telégrafos da América, foi uma das primeiras Nações a instalar linhas telefônicas e o segundo país do globo a ter selo postal.

O Parlamento do Império ombreava com o da Inglaterra, a diplomacia brasileira era uma das primeiras do mundo, tendo o Imperador sido árbitro em questões da França, Alemanha e Itália e segunda autoridade moral, depois do Papa.

Em 67 anos de Império tivemos uma inflação média anual de apenas 1,58%, contra 10% nos primeiros 45 dias da República, 41% em 1890 e 50% em 1891.

A unidade monetária do Império, o mil réis, correspondia a 0.9 (nove décimos) de grama de ouro, equivalente ao dólar e à libra esterlina.

Embora o Orçamento Geral do Império tivesse crescido dez vezes entre 1841 e 1889, a dotação da Casa Imperial se manteve a mesma, isto é, 800 contos de réis anuais. E Dom Pedro II destinou ¼ de seu orçamento pessoal em benefício das despesas da guerra do Paraguai.

800 contos de réis significavam 67 contos de réis mensais e os republicanos, ao tomarem o poder, estabeleceram para o presidente provisório um ordenado de 120 contos de réis por mês.
Uma das alegações dos republicanos para a derrubada da Monarquia era o que eles chamavam de custo excessivo da Família Imperial. A verdade é que esta recebia a metade do ordenado do 1º presidente republicano.

Dom Pedro II se recusou a aceitar a quantia de 5 mil contos de réis, oferecida pelos golpistas republicanos, quando do exílio, mostrando que o dinheiro não lhes pertencia, mas sim ao povo brasileiro (5 mil contos de réis era o equivalente a 4 toneladas e meia de ouro). Quantia que o Imperador recusou deixando ao País um último benefício: o grande exemplo de seu desprendimento. Infelizmente esse exemplo não frutificou na República, como seria necessário).

No Império o salário de um trabalhador sem nenhuma qualificação era de 25 mil réis. O que hoje equivale a 5 salários mínimos.

O Brasil era um exemplo de democracia. Votava no Brasil cerca de 13% da população. Na Inglaterra este percentual era de 7%; na Itália, 2%; em Portugal não ultrapassava os 9%. O percentual mais alto, 18%, foi alcançado pelos Estados Unidos. Na primeira eleição após o golpe militar que implantou a república em nossa terra, apenas 2,2% da população votou. Esta situação pouco mudou até 1930, quando o percentual não ultrapassava a insignificante casa dos 5,6%.

No plebiscito de 1993 a monarquia recebeu, aproximadamente, sete milhões de votos (13% dos votos válidos) e, na época uma pesquisa do DATA FOLHA mostrava que 21% da população era monarquista ou simpatizante.

quinta-feira, 9 de março de 2017

QUERO MEU IMPÉRIO DE VOLTA

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Quero meu Brasil como primeira economia do mundo, como caminhava rapidamente para ser no Império. Quero a média do crescimento econômico em 8,81% ao ano, como no Império. Quero poucos e baixos impostos, como no Império. Quero a média da inflação em 1,08% ao ano (ou 0,09% ao mês), como no Império. Quero a moeda brasileira com o mesmo valor do dólar e da libra esterlina, como no Império.

Quero o Brasil como o maior construtor de navios e estradas de ferro do mundo, como no Império. Quero que a média nacional do salário de policiais e professores do Ensino Fundamental equivalha a R$ 8.958,00, como no Império. Quero que a imprensa seja totalmente livre, como no Império.

Quero um Monarca que tire do próprio bolso o dinheiro para custear suas viagens, como no Império. Quero um Monarca que doe 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos à educação, como no Império. Quero um Monarca que tenha 90% de aprovação, como no Império.

Quero um Monarca com o prestígio internacional do Imperador Dom Pedro II, que, só na Filadélfia (EUA), recebeu 4 mil votos espontâneos nas eleições presidenciais de 1876. Quero um Monarca que, numa época em que não se falava em ecologia ou desmatamento, endividou-se para comprar e reflorestar áreas degradadas, como o atual Parque Nacional da Tijuca.

ENFIM, QUERO MEU BRASIL GRANDE NOVAMENTE!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Guerra do Paraguai: O plano secreto de Solano López

Quando o ditador paraguaio declarou guerra a um país dez vezes maior, não foi loucura; 
ele tinha boas razões para acreditar na vitória

Em 13 de dezembro de 1864, o Paraguai declarou guerra ao Brasil, iniciando o que seria o conflito mais sangrento da América Latina, em que mais de 300 mil vidas se perderiam dos dois lados, entre batalhas, fome e doenças. O Paraguai seria aniquilado na guerra: perdeu 75% de sua população adulta e reduziu seu papel geopolítico a pouco mais que um estado-tampão entre Argentina e Brasil, oscilando entre ser dominado politicamente por um ou outro.

O ditador do Paraguai, Francisco Solano López, entrou na guerra conhecendo alguns fatos. A população do Brasil era dez vezes maior que a do Paraguai, cerca de 8 milhões de habitantes, contra 800 mil. A Argentina, forte aliada do Brasil, tinha cerca de 2,5 milhões.

Ambos os países tinham acesso desimpedido ao oceano Atlântico para comprar armas, navios e o que mais precisassem da Europa e dos Estados Unidos, enquanto o único acesso ao mar do Paraguai era por meio dos rios Paraná e Prata, cruzando o território argentino.

À primeira vista, e sabendo como a guerra terminou, López parece ter sido um louco suicida. Ele era impulsivo e autoritário. Mas suicida ele não era. E tinha um plano - ou pelo menos uma aposta. E, no seu jogo, conquistar acesso ao mar era fundamental.

Tríplice Aliança ao contrário

A primeira coisa sobre o plano de López é que ele não esperava ter de enfrentar Brasil, Uruguai e Argentina, situação que se consolidou com a criação da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865. Ao contrário, esperava ter Uruguai e Argentina a seu lado e quem sabe unificar os 3 países ao fim da guerra e criar uma grande nação nas fronteiras do antigo vice-reino do Rio da Prata, do Peru à Patagônia. "López imaginava uma Tríplice Aliança ao contrário", diz Francisco Doratioto, professor da Universidade de Brasília e autor de Maldita Guerra e Osório.

Os uruguaios eram aliados de López, e a guerra só começou, tecnicamente, porque o Brasil invadiu o Uruguai, em guerra civil desde 19 de março de 1863, em apoio ao ex-presidente Venancio Flores e 1,5 mil voluntários do Partido Colorado, que desafiou o governo de Montevidéu, controlado pelo Partido Nacional (ou Blanco). Os brasileiros, que formavam um terço da população do Uruguai, apoiavam Flores e passaram a sofrer ataques dos partidários blancos. Em 30 de agosto de 1864, o Paraguai havia mandado um ultimato ao Brasil: invadir o Uruguai seria um ato de guerra.

O Brasil ignorou o ultimato e declarou guerra ao governo blanco em 10 de novembro de 1864, com o apoio tácito da Argentina. "Nem Argentina nem Brasil acreditavam que o Paraguai reagiria a um ataque ao Uruguai", diz o jornalista Moacir Assunção, autor de Nem Heróis, Nem Vilões: Curepas, Caboclos, Cambás, Macaquitos e Outras Revelações da Sangrenta Guerra do Paraguai. Mas López cumpriu a ameaça e atacou o Brasil. Não na fronteira com o Uruguai, mas em Mato Grosso, em dezembro de 1864.

López não contava só com o apoio dos blancos. Havia recebido promessas de Justo José Urquiza. Governador da província de Entre Rios, Urquiza era o maior proprietário rural da Argentina, presidente entre 1854 e 1860, e inimigo do presidente argentino, Bartolomé Mitre. O plano de López era invadir o país ao norte, juntar-se às forças de Urquiza ao sul e seguir para Buenos Aires. Se tudo funcionasse, os 3 aliados - Paraguai, Uruguai e Argentina - atacariam o Brasil.

Blitzkrieg paraguaia

A aposta paraguaia não era apenas diplomática. O Exército paraguaio era muito maior que o brasileiro no começo da guerra. Os paraguaios tinham uma força de 64 mil homens, e os preparativos para a guerra começaram meses antes da declaração, enquanto as tensões entre Brasil e Uruguai se acumulavam.

O Exército brasileiro tinha 18 mil efetivos, mal-armados e malvestidos, informações que os blancos uruguaios fizeram questão de levar ao ditador paraguaio. Segundo Doratioto, López queria fazer uma blitzkrieg do século 19. "Ele tinha um plano inteligente e bem estruturado. Era um ataque-relâmpago, uma coisa à frente do seu tempo."

A blitzkrieg paraguaia também contava com outra manobra inteligente: fazer os brasileiros acreditarem que os paraguaios atacariam por outra região, causando um imenso problema logístico. A ofensiva em Mato Grosso envolveu duas colunas e 9 mil homens, que conquistaram cidades como Albuquerque, Coxim e Corumbá até abril de 1865.

Os brasileiros esperavam um ataque à capital da província, Cuiabá, que nunca aconteceu. Sem estradas que chegassem à região, a contraofensiva brasileira levou de abril a dezembro de 1865 para se mover de Minas Gerais ao Mato Grosso. Quando finalmente alcançaram a província, os paraguaios simplesmente se retiraram - exceto de Corumbá, onde resistiram até junho de 1867.

Enquanto os brasileiros se perdiam no próprio Brasil, López preparava seu verdadeiro ataque. O Paraguai declarou guerra à Argentina em 18 de março de 1865. Em 13 de abril, um contingente enorme de tropas paraguaias - 37 mil homens - invadiu a província de Corrientes pelo rio Paraná. Com Corrientes capturada quase sem resistência, em maio, as tropas se dividiram. Cerca de 12 mil ficaram na cidade e 25 mil rumaram para o Rio Grande do Sul, onde tomaram São Borja, em 12 de junho, e Uruguaiana, em 5 de agosto. Era o plano de López em ação.

Traição na Argentina

A primeira má notícia para López aconteceu no início da invasão à Argentina. Comandando as tropas para a retomada de Corrientes, apareceu ninguém menos que Justo José Urquiza. O caudilho havia feito promessas a López, mas havia recebido outra visita. O general e senador brasileiro Manuel Luís Osório, com quem teve uma conversa estratégica. "Os brasileiros compraram Urquiza", diz Assunção. Ele foi convencido por Osório de que lucraria muito mais apoiando Brasil e o governo argentino. Para a surpresa de López, o ex-presidente argentino conduziu suas tropas com rara ferocidade.

A decisão de Urquiza também surpreendeu muitos argentinos, e vários desertaram a favor do Paraguai nos primeiros meses da campanha. De forma que, em 25 de maio de 1865, quando uma tropa argentina conseguiu reconquistar a cidade de Corrientes, a glória durou menos de 24 horas: os argentinos recuaram, deixando a cidade pronta para ser reconquistada pelos paraguaios. Ainda assim, López destituiu do comando o general Resquín, líder da invasão, que seria executado em janeiro de 1866.

Baixas de uma ditadura

O plano de López começou a naufragar, literalmente, no arroio Riachuelo, em 11 de junho de 1865. A ideia era tomar a esquadra brasileira, de 9 vapores, atacando-os por meio de abordagem - os soldados saltam para dentro do navio inimigo de forma a capturá-lo intacto. A chave do ataque era o fato de os navios brasileiros serem a vapor. À noite, apagavam-se as caldeiras, acesas novamente de manhã. Levava uns 20 minutos até a água ferver e o navio estar em condições de se mover. Assim, os navios paraguaios - também a vapor, e em mesmo número que os brasileiros - poderiam se aproximar da frota nacional.

Uma avaria, no entanto, atrasou o ataque. E aqui o autoritarismo político do Paraguai se mostrou uma desvantagem. "Ninguém ousava contrariar López, que havia ordenado um ataque para aquele dia", diz Doratioto. Com medo do ditador, os paraguaios atacaram com dois navios a menos e só às 9h30, quando os barcos brasileiros estavam totalmente operantes. As abordagens foram repelidas a canhonaços. Ao fim do dia, a esquadra paraguaia jazia no fundo do rio Paraná. A Batalha de Riachuelo foi um desastre que isolou o país do resto do mundo.

Quando os paraguaios invadiram o Rio Grande do Sul, já era tarde para os blancos uruguaios. Em 20 de fevereiro de 1865, brasileiros e colorados haviam conquistado Montevidéu e Venancio Flores assumiu um governo pró-Brasil. Em 18 de agosto, duas semanas após tomar a cidade, os paraguaios se renderam em Uruguaiana, diante de Dom Pedro II, Bartolomeu Mitre e Venancio Flores. Foi o fim da ofensiva do sul. Em 31 de outubro, as tropas paraguaias em Corrientes se retiraram.

A partir daí, a guerra seria uma longa e agonizante defensiva para Solano López, culminando com a captura de Assunção, em 1º de janeiro de 1869. A fuga do ditador pelo interior do país acabou em 1º de março de 1870. Numa emboscada à última tropa paraguaia em Cerro Corá, o cabo brasileiro Chico Diabo atingiu o ditador com uma lança. Sem se render, López foi morto a balas ali mesmo.

LINK ORIGINAL: REVISTA AVENTURAS NA HISTÓRIA - https://goo.gl/wffWf4