quinta-feira, 29 de março de 2018

INDEPENDÊNCIA E LIBERDADE


O Imperador Dom Pedro II, por ocasião das comemorações de Independência em 1843, escreveu um soneto terminado com os seguintes versos:

“Juro, nas aras da fidelidade:
De meu pai recebeste a Independência,
Receberás de mim a Liberdade!”

O jovem Dom Pedro II tinha apenas 17 anos quando escreveu estes versos, estando de facto à frente de seu governo por apenas três.

O Imperador cumpriu sua promessa, pois diante de sua guia, o Brasil alcançou uma Era de Ouro, consolidando a nação Brasileira como independente, concedendo liberdade à todos, tanto pela abolição da escravatura quanto por ser uma das nações mais democráticas do Mundo, assim como gerou um enorme progresso econômico e cultural. O jovem Imperador consolidou a obra iniciada por seu pai em 1822.

Baseado em texto de “Revivendo o Brasil-Império”.

A REDENTORA E O REDENTOR



O Mundo deve a ideia de uma de suas Sete Novas Maravilhas à Princesa Imperial e a um Padre. Em 1859 o Padre Pedro Maria Boss sugeriu à Princesa Imperial Dona Isabel a criação de um monumento religioso no topo do Corcovado, a Princesa Isabel animou-se com a ideia dando apoio oficial, porém o plano ficou em hiato.

Em 1884 Dom Pedro II inaugurou a Estrada de Ferro do Corcovado, considerado um “milagre” da engenharia por percorrer 3.824 metros em terreno extremamente íngreme. Décadas depois quando o Cristo Redentor começou a ser construído foi esta linha férrea que possibilitou sua construção.

Após a assinatura da Lei Áurea a Princesa Isabel retomou a ideia de 1859, que era um de seus sonhos desde então. O intuito de sua construção seria uma homenagem à libertação de todos os escravos do Brasil.

Ofereceram à Princesa Isabel uma estátua sua, ela recusou e no dia 2 de Agosto de 1888 a Princesa Imperial propôs a construção de uma estátua simbolizando o Coração de Cristo, o coração que assim como os escravos tanto havia sofrido. O Golpe de 15 de Novembro fez com que o sonho da Princesa Dona Isabel caísse por terra.

Anos depois, em 1921, agora tendo como foco o centenário da Independência, o projeto da Princesa foi retomado pelo General Pedro Carolino Pinto de Almeida, com a aprovação de Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, o primeiro Cardeal do Brasil e da América Latina.

Mais de 20 mil assinaturas enviadas ao Presidente Epitácio Pessoa, o mesmo que revogou o banimento Imperial, pediam que o monumento a Jesus Cristo abençoando o Rio de Janeiro do alto fosse construído.

Na cerimônia de bênção da pedra fundamental em 4 de Abril de 1922 quem lançou a pedra fundamental foi a Princesa Maria Pia das Duas-Sicílias, viúva do Príncipe Imperial Dom Luís Maria, avô do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz Gastão.

A construção começou em 1924 e o monumento idealizado pela Princesa Isabel e pelo Padre Boss somente foi concluído em 12 de Outubro de 1931.

domingo, 25 de março de 2018


O dr. Manuel Veloso Paranhos Pederneiras, falecido em 1906, era da idade de Pedro II e, parte por coincidência, parte por esforço, nas maneiras e no trajar, parecidíssimo com o Imperador.

Trabalhando na imprensa, coube-lhe certa vez acompanhar o soberano em uma das suas excursões pelo interior.

Ao passar o trem, em marcha lenta, por uma estação de segunda ordem, a multidão, ao ver a figura imponente do jornalista na plataforma do carro destinado à imprensa, rompeu em ovação:

— Viva o nosso Imperador!

Pederneiras, o lenço na mão, agradecia risonho:

— Obrigado, meu povo! Obrigado!… Obrigado!…

Pedro II, que vinha no carro anexo, ia chegar à portinhola. Ao dar, porém, com Pederneiras, encolheu-se todo na poltrona para que o povo continuasse na sua ilusão…

Múcio Teixeira — “Os Gaúchos”, pág. 312; confirmada pelo prof. Raul Pederneiras, filho de Paranhos Pederneiras.

sábado, 24 de março de 2018

O FANTASMA DO CORONEL

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Pelos idos da década de 1960, um conhecido meu viajou à Macapá levando uma carga de sal. Naquele tempo o Maranhão tinha salinas na região de Alcântara, e barcos subiam mais para o norte transportando o produto.

A capital do Amapá oferecia poucos serviços, e as hospedarias não eram luxuosas. A testemunha encontrou abrigo numa grande e velha casa ribeirinha, toda em madeira, tipo ainda bastante comum na Amazônia.

Sua proprietária era uma mulher gorda e mal apresentada. Reclamava que a freguesia diminuíra muito, e que pelejava para pagar as contas. Dizia que seus clientes entravam, mas não dormiam. Cedo da noite pediam a saída.

Não importava. Estava cansado e era ali mesmo que ficaria. Mas ainda era dia, e depois do almoço foi ao banheiro: uma casinha de pau à pouca distância do rio.

Já de cócoras, ao modelo antigo (mas sem começar a obra) viu, à meia distância, um homem de farda militar azul, com várias medalhas ao peito. Nada tinha de estranho a não ser o lugar inusitado e o fato de ter sumido da mesma forma que apareceu. Dispensou maiores preocupações e foi cuidar do que era urgente.

Bem depois, já de noite, por volta das dez horas, se recolheu. Entrou na rede e dormiu. Mas não por muito tempo.

Em instantes foi acordado com o ranger da porta do quarto se abrindo devagar. Não virou para ver, pois estava escuro e imaginou que estivesse solta.

Engano! Passos fortes se aproximaram, e uma voz rouca e baixa lhe falou dentro de sua cabeça: “Você foi o primeiro que não teve medo. Por isso vou lhe pedir um favor: marcarei com teu cigarro, no canto do quarto, o lugar onde a dona deve cavar”. Quem me narrou isso afirmou que não teve força para se levantar, pois se sentia totalmente paralisado, e logo o sono lhe tomou por completo.

Os galos cantaram anunciando a alvorada, despertando quem ali estava. Foi quando passou a mão por debaixo da rede procurando sua carteira de cigarros e não a achou. Levantou-se logo após, quando os primeiros raios já passavam pelas frestas da madeira. De pé, viu a carteira bem no canto do quarto, ao meio de uma das lajotas de barro cozido que faziam o piso.

Como deveria tomar o barco para Belém, e um avião de volta a São Luís, foi atrás da gorda dona da casa e lhe contou toda a história. A mulher entrou no seu quarto e voltou de lá com uma caixa de sapatos cheia de fotografias já amareladas do tempo. Folheando aqueles registros, apontou feliz o narrador a um fardado: “Este!”. Emocionada, com o olhos marejados, respondeu que aquele era seu avô.

Foram ao local e com um giz ela marcou o lugar onde estavam os cigarros. Meu amigo teve de seguir seu caminho, e não soube do resultado. Mas ficou tudo bem guardado consigo, especialmente a lembrança do brilho das comendas reverberando o sol pelos vapores quentes da floresta.

(imagem meramente ilustrativa de um veterano brasileiro da Guerra do Paraguai)

Por Diogo G. Neves

O MEDO DO III REINADO


"Em 1876, na segunda regência, começou uma campanha de detração promovida pelos círculos republicanos, positivistas e anticlericais contra a Princesa Isabel, por causa de seu catolicismo.

Tais círculos viam que ela — por sua firmeza de princípios, por sua formação profundamente católica, mas também pelo pulso que demonstrou nas regências — seria uma imperatriz que faria da Terra de Santa Cruz realmente uma bela exceção no mundo.

Ela exerceria uma profunda influência por sua autenticidade, sua cultura, sua religiosidade, e por tudo aquilo que pode elevar o espírito de um povo. Isso os referidos círculos não desejavam de nenhum modo.

Começaram então a campanha de detração: ela era feia; era carola; era boba; não era patriota; não gostava do Brasil; preferia ter médicos franceses a brasileiros, e outras calúnias. O Conde d’Eu, que sofria de surdez, era chamado de surdão, arrogante, e mantinha cortiços de aluguel.

Até a surdez — da qual ele evidentemente não tinha culpa — era assacada em meio às calúnias. De tal maneira que, pouco a pouco, esse casal foi sendo demonizado, para se evitar que mais tarde ele subisse ao trono.

Dizia-se, em certos círculos, que era preciso proclamar a república logo, porque se a Princesa Isabel assumisse o poder, acabaria com todo esse movimento ateu, positivista e republicano.

Ela teria pulso e prestígio para fazer isso. Tornou-se corrente a frase: “Precisamos fazer a república enquanto o velho está vivo, senão a filha dará cabo de nós”."

Dom Luiz de Orleáns e Bragança - Chefe da Casa Imperial do BR

sexta-feira, 23 de março de 2018

A BANDEIRA DA ESTRELA VERMELHA


NAS ÚLTIMAS SEMANAS DE 1889, a tripulação de um navio brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do outro lado do mundo.

O cruzador Almirante Barroso partira do Rio de Janeiro em 27 de outubro do ano anterior para uma grande aventura. O objetivo era completar em menos de dois anos a circum-navegação do globo terrestre, jornada de 36.691 milhas náuticas ou cerca de 68 mil quilômetros. Para realizar tão importante e arriscada missão, a Marinha do Brasil designara alguns de seus melhores oficiais e marinheiros e uma de suas embarcações de guerra mais modernas. Movido a propulsão mista — a vela e a vapor —, o Almirante Barroso pesava 2.050 toneladas, tinha 71 metros de comprimento, levava 340 tripulantes e viajava equipado com seis canhões e dez metralhadoras.

Desde a partida, havia sido alvo de homenagens e recepções calorosas em diversos portos estrangeiros. Depois de cruzar o temido cabo Horn, no extremo sul do continente americano, o navio brasileiro passara algumas semanas em Valparaíso, no Chile, onde a tripulação fora saudada com um baile de gala oferecido pelas autoridades locais. Em seguida, tinha enfrentado o imenso e ainda relativamente desconhecido oceano Pacífico, com escalas em Sydney, na Austrália; Yokohama e Nagasaki, no Japão; Xangai e Hong Kong, na China; e Achém, na Indonésia.

Foram meses de isolamento do resto do mundo, comunicando-se raramente com o Brasil. Uma semana antes do Natal de 1889, ao atracar em Colombo, o almirante Custódio José de Mello, comandante do navio, encontrou à sua espera um telegrama com uma notícia extraordinária. Brasil República... — anunciava a mensagem.

— Bandeira mesma sem coroa...

Despachado do Rio de Janeiro no dia 17 de dezembro, o telegrama, na verdade, só confirmava os rumores que a tripulação tinha ouvido na escala anterior, na Indonésia. Conforme notícias de segunda mão transmitidas pela tripulação de um navio holandês ali ancorado, o governo do Brasil havia sido derrubado. Mais do que isso, o país passara por uma drástica mudança de regime. O Império brasileiro, até então visto como a mais sólida, estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de 15 de novembro. A Monarquia cedera lugar à República.

O austero e admirado imperador Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por quase meio século, fora obrigado a sair do país com toda a família imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera. Enquanto isso, o comando da nova República estava entregue às mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca. À primeira vista, eram informações tão improváveis que, na escala indonésia, Custódio de Mello preferiu ignorá-las e seguir viagem na crença de que o Império brasileiro continuava forte e sólido, como sempre fora.

Estava tão seguro disso que, no dia 2 de dezembro, aniversário do imperador Pedro II, ordenou que a bandeira imperial fosse hasteada a bordo e saudada por toda a tripulação, como mandava o regulamento da Marinha e como se nenhuma mudança tivesse ocorrido no Brasil. O telegrama recebido no Ceilão, no entanto, não deixava margem para dúvidas. O país tornara-se, de fato, uma República. Segundo as instruções oficiais enviadas do Rio de Janeiro, a bandeira nacional
continuava praticamente a mesma, com seu largo retângulo verde sobreposto por um losango amarelo.

Desaparecia apenas a coroa imperial, que até então ocupava o centro do pavilhão. Até aquele momento, porém, ninguém sabia
exatamente o que colocar no lugar da coroa. O comunicado avisava que o navio só receberia a nova e definitiva bandeira republicana quando chegasse a Nápoles, na Itália, meses mais tarde. Um segundo telegrama dizia que, até lá, o comandante teria de improvisar:

Ice agora mesma (bandeira) nacional, substituindo coroa estrela
vermelha.

Em resumo, enquanto não se soubesse exatamente que símbolo haveria no centro da bandeira republicana, Custódio de Mello deveria apenas trocar a coroa imperial por uma estrela vermelha.

FONTE: "1889" - Laurentino Gomes

quinta-feira, 22 de março de 2018

23/03/1673 - FUNDAÇÃO DE FLORIANÓPOLIS


Já no início do século XVI, embarcações que demandavam a Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecer-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1673 é que o bandeirante Francisco Dias Velho deu início ao povoamento da ilha com a fundação de "Nossa Senhora do Desterro" — segundo núcleo de povoamento mais antigo do estado — desempenhando importante papel político na colonização da região.

A partir da vinda de Dias Velho intensificou-se o fluxo de paulistas e vicentistas, que ocuparam vários outros pontos do litoral. Em 15/03/1726 a povoação da Ilha de Santa Catarina foi separada da vila da Laguna, sendo em 26 de março do mesmo ano elevada à categoria de vila.

No século XIX, em 24/02/1823, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos imperiais. Projetaram-se a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos, entre outras obras urbanas.

A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador Dom Pedro II (1845). Em outubro desse mesmo ano, ancorada a embarcação imperial nos arredores da ilha, o Imperador permaneceu em solo catarinense por quase 1 mês. Neste período, S.M. dirigiu-se várias vezes à Igreja (hoje Catedral Arquidiocesana), passeou pelas ruas da Vila do Desterro e, na "Casa de Governo".

Em 1891, quando Deodoro da Fonseca renunciou à presidência, seu vice, Floriano Peixoto, assumiu o poder, mas não convocou eleições após isso, contrariando o prescrito na constituição de então, fato que gerou duas revoltas: a Segunda Revolta da Armada (originária da Marinha, no Rio de janeiro) e a Revolução Federalista (patrocinada por fazendeiros gaúchos).

As duas insurreições chegaram ao Desterro, entretanto Floriano conteve-as ao aprisionar seus líderes e, com isso, restaram no domínio da cidade somente simpatizantes do presidente que, em sua homenagem, deram à capital a denominação de Florianópolis, ou seja, "cidade de Floriano".

Os revoltosos, por sua vez, vieram a ser fuzilados na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim - por isso, o episódio foi chamado de Chacina de Anhatomirim.