terça-feira, 4 de abril de 2017

O PRIMEIRO GOVERNANTE BRASILEIRO NOS EUA


Em 1876, o imperador Dom Pedro II realizou a primeira visita de um governante brasileiro aos EUA, em uma viagem que durou quase três meses.

O então monarca narrou com detalhes, em um diário de viagem (é possível conferir a íntegra no site do Museu Imperial), todos os lugares por onde passou. Dom Pedro II registrou seus encontros com amigos, bem como suas visitas a escolas, bibliotecas, museus e instituições públicas. Este conjunto de documentos foi inscrito no Registro Internacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO,  que é equivalente ao título de Patrimônio da Humanidade.

De 15 de abril a 12 de julho de 1876, o imperador percorreu mais de 14 mil quilômetros e passou por 28 estados, além da capital Washington. No mapa disponível neste texto, é possível visualizar o trajeto percorrido por Dom Pedro II, durante a viagem. Trechos esses percorridos por trem e barcos.

Uma questão de especial satisfação para D. Pedro II durante a viagem foi o encontro com intelectuais, com os quais ele correspondia ou cuja obra conhecia. "Pelos registros feitos pelo imperador durante a viagem, podemos localizar um interesse particular dele pela ciência, pela tecnologia, as invenções e as novidades que o país estava produzindo, a começar pelo trem", relata  Maurício Vicente Ferreira Jr, historiador e presidente do Museu Imperial.

De fato, como mostra o mapa abaixo, Dom Pedro II percorreu as extensões continentais dos Estados Unidos de trem, de Nova York a São Francisco na ida e na volta.  "Ele foi de oeste a leste, e depois voltou do leste para oeste, buscando informações, e as inovações que estavam ali sendo apresentadas", completa.

De acordo com o historiador, a viagem foi motivada pelo convite do presidente americano Ullysses Grant ao imperador, para que ele participasse da cerimônia de inauguração da Exposição Universal de Filadélfia, que aconteceu entre 20 e 25 de junho de 1876, e comemorou os cem anos da Independência dos Estados Unidos. Dom Pedro II foi o único chefe de Estado presente no evento.

Durante a exposição, ele conheceu a nova invenção de Alexander Graham Bell. "Em 25 de junho de 1876, ele se encontrou com Graham Bell, onde conheceu o telefone, e até cita que na hora não funcionou direito", afirma o historiador.

O interesse do imperador pelo aparelho foi tanto que ele se tornou a primeira pessoa a comprar ações da "Bell Telephone Company", companhia de Bell e também um dos primeiros donos do equipamento no mundo. Um exemplar foi instalado no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ).


Diário de bordo
 Mesmo há 139 anos, D. Pedro II demonstrou a mais que atual necessidade de compartilhar seu dia a dia em uma viagem. "Os diários do imperador mostram o interesse dele em conhecer o que os Estados Unidos estavam produzindo naquele momento.

Existem muitas referências de visitas a escolas, procedimentos em sala de aula de professores com alunos, até o uso de uma máquina que ele considera algo muito sofisticado, útil. É uma busca por inovações, novidades que seriam aplicáveis no dia a dia do Brasil", afirma Maurício Ferreira Jr.

Segundo o pesquisador, ele montou um plano de viagem anotando exatamente o que ele queria ver, os dias, quando ia começar; o que explica a forma sistemática pela qual ele narra todos os pontos da viagem. Dom Pedro II visitou desde escolas até fábricas de torpedos, passando pelo Grand Canyon.

"Ele nos mostra as inovações tecnológicas, as aplicações, os testes, a natureza, as pessoas. Essa viagem mostra a visão de um intelectual, de um cientista amador que quer conhecer essas novidades e pensando na aplicação dessas inovação para seu próprio País", relata.

Passagens da viagem, escritas pelo Imperador Dom Pedro II

25 de junho de 1876 - "O telefone de (     ) 014 não deu perfeito resultado, mas assim mesmo duas pessoas leram – uma quase nada – dois telegramas que mandei ao mesmo tempo – Verity one single. All the sciences conduct to varity – aplicando o ouvido a um dos tubos acústicos (...). Depois examinei com Sir W. Tompson o aparelho 015 elétrico automático e quadrupler, creio eu e finalmente a aplicação que Bell, o mesmo do Instituto dos Surdos-mudos de Boston, fez do princípio de Konig à transmissão dos sons pelo fio elétrico."

18 de junho de 1876 - " Museu de mineralogia e de geologia [da universidade de Yale] onde muito folguei de conhecer o professor de geologia Marsh que tanto estudou as Rocky-Mountais. Mostrou os ossos de Pterodactilo dentado e do elefante diferente de primígenos que aí achou. Trago os trabalhos que ele publicou a tal respeito. Na coleção mineralógica há uma amostra rara pela qualidade do mineral e perfeição e grandeza dos cristais de Franklinite. É dos Estados Unidos de onde vi também antimônio puro e mercúrio também puro."

15 de junho de 1876 -  "O New York Herald de hoje já publica o que fiz em Boston ontem e só foi sabido depois das 8h."

14 de junho de 1876 - "Depois do almoço fui ao Instituto das Surdos-Mudos da City (Municipalidade). O mais  interessante é o grande número dos que falam (processo Bell cujo filho é mestre no Instituto). Traços que imitam as formas dos lábios etc. e forma o sinal cujo som devem articular. Gostei muito deste Instituto."

27 de maio de 1876- "As plantações agradaram-me, os engenhos há melhores no Brasil. Plantam a cana entre 2 regas de arado, que é puxado por cavalos. Dá em 8 a 9 meses; plantam as ressocas e ainda um ano os filhos destas e o ano seguinte esse terreno é plantado de favas corn-peas e milho que renova as qualidades do terreno que no seguinte ano leva cana. Também plantam o milho logo com a cana. As gavinhas das favas faz muito bom feno."

Fonte:
Portal Planalto, com informações do Museu Imperial, e da The Library of Congress

DOM PEDRO II E OS ESTADOS UNIDOS


Raros estrangeiros, e certamente nenhum outro chefe de Estado, desfrutou nos Estados Unidos, como D. Pedro II, uma tão grande popularidade e foi acolhido ali com tão expressivas provas de respeito, e mesmo de amizade. Não somente nos meios oficiais, políticos, intelectuais e outros, como igualmente na massa do povo, nas camadas mais modestas.

O entusiasmo pelo Imperador era enorme. Talvez ele tenha sido o visitante estrangeiro mais popular nos Estados Unidos. Qualquer coisa que ele fizesse tinha interesse. As pessoas ficavam fascinadas pelas suas qualidades.

A American Geographical Society organizou uma reunião especial, com a presença de D. Pedro II.

Na saudação, Bayard Taylor afirmou:
Nunca esteve entre nós um estrangeiro que, após três meses de permanência, pareça ao povo americano tão pouco estrangeiro e tão amigo quanto D. Pedro II.

O jornal North American afirmou:
Nenhum governante, de nenhum país, tanto como homem quanto como governante, jamais teve tantos méritos diante dos Estados Unidos quanto D. Pedro II.

O Imperador percorreu cerca de 15.000 quilômetros dentro dos Estados Unidos. Os políticos não perderam a oportunidade do exemplo para se fustigarem mutuamente, e um editor afirmou:
Quando ele voltar ao Brasil, estará conhecendo mais os Estados Unidos do que dois terços dos membros do Congresso.

Em Baltimore, assistiu à Dama das Camélias, no Teatro Opera Ford. Desde então, o camarote que ocupou passou a se chamar camarote imperial.

No dia 4 de julho ,de 1876, festa do centenário da independência americana, D. Pedro II se encontrava nos Estados Unidos, porém em caráter particular, como fazia durante as suas viagens.
Estava programado um espetáculo de gala, do qual participariam o presidente Ulysses Grant e toda a representação do mundo oficial. Ao hotel em que estava hospedado como D. Pedro de Alcântara, foi-lhe enviado um convite para assistir à solenidade no camarote do presidente americano.

D. Pedro agradeceu e devolveu, dizendo que não estando ali como Imperador, não podia aceitar, mas que iria em caráter particular. E foi. Mas o mestre de cerimônias o conduziu a um camarote particular, vizinho ao do presidente. Quando D. Pedro apareceu no seu lugar, em companhia da Imperatriz, correu­-se a cortina que separava os dois camarotes, e ele se viu ao lado do presidente, no mesmo camarote.

Desfraldaram-se nesse momento, unidas, a bandeira americana e a brasileira. Logo depois a banda entoou o hino brasileiro, e uma multidão entusiástica, de pé, saudou com prolongadas palmas e vivas o nosso Imperador.

Tão grande era a admiração dos americanos pelo nosso Imperador, que nas eleições presidenciais de 1877 ele recebeu, só em Filadélfia, mais de 4.000 votos espontâneos.

Em visita à exposição de Filadélfia, em 1876, o Imperador passou pelo stand de Graham Bell, que a duras penas conseguira inventar e expor ali o protótipo do telefone. Pouca atenção atraíra o seu stand. Bertita Harding narra o encontro:

Ajustando inúmeras bobinas, eletrodos e discos de metal, Bell preparava-se para demonstrar a invenção. Por fim anunciou:
- Dei a isto o nome de telefone. Estendeu ao Imperador um objeto em forma de taça, pedindo-lhe que o conservasse pegado ao ouvido. Afastou-se depois a razoável distância, e falou para o outro objeto de forma similar, que levava nas mãos, enquanto os espectadores, de pé, observavam-no com mal dissimulada incredulidade. De repente, D. Pedro deu um pulo:

- My God! It speaks!

- Sim - respondeu pelo fio a voz de Bel! -, isto fala. Não tardará muito para que o telefone seja uma necessidade em todas as casas.

Os olhos de D. Pedro brilhavam de admiração e surpresa:
- Meus parabéns, Sr. Bell! Quando a sua invenção for posta no mercado, o Brasil será o seu primeiro freguês.

E cumpriu a palavra. Bell recebeu encomendas do Rio muito antes que o telefone fosse comercialmente explorado. Foi Dom Pedro, graças à sua incansável curiosidade científica, que pôs em relevo e valorizou a descoberta do jovem professor de Boston. O telefone ficou sendo uma das sensações da exposição, e quando ele se tornou um produto comercial, o Imperador foi dos primeiros a utilizá-Io na prática.

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Fonte: Revivendo o Brasil Império - Leopoldo Bibiano Xavier.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Gabinete de d. Pedro II


Em suas longas estadas em Petrópolis, o imperador d. Pedro II dedicava-se a estudos e leituras, ou à correspondência com amigos, intelectuais e cientistas de sua época. Este gabinete de trabalho era o seu refúgio predileto, onde passava a maior parte do dia e mesmo da noite. Junto à janela está o "óculo de alcance", objeto que utilizava para observar o céu. 

Sobre a mesa de trabalho, o primeiro telefone que d. Pedro trouxe para o Brasil, após seu contato com Graham Bell na Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos (1876). O aparelho ligava o Paço de São Cristóvão à Fazenda Imperial de Santa Cruz. 

No centro da sala está a "chaise longue" do imperador e, na parede, ao fundo, o retrato da imperatriz d. Teresa Cristina, que foi a ele enviado por ocasião do contrato de casamento, realizado por procuração em 1843. 

A imperatriz, filha do rei de Nápoles e das Duas Sicílias, é retratada tendo ao fundo o Vesúvio, na tela de autoria de José Correia de Lima.

domingo, 2 de abril de 2017

PEDRO II: CRONOLOGIA

Alegoria ao nascimento de Dom Pedro II

1825 – Em 2 de dezembro, nascimento de Pedro II, às 2h30 da manhã, no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filho mais novo do imperador dom Pedro I do Brasil (1798 – 1834) e da imperatriz dona Maria Leopoldina de Áustria (1797 – 1826) (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de dezembro de 1825).

Foi batizado, em 9 de dezembro, e seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga (Império do Brasil: Diário Fluminense, de 10 de dezembro de 1825).

1826 – Em agosto, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de príncipe imperial .

Sua mãe, a imperatriz Leopoldina, faleceu em 11 de dezembro de 1826, poucos dias após dar a luz a um menino natimorto (Diário do Rio de Janeiro, de 15 de dezembro de 1826). Foi com a monarca que Carl Friedrich Phillip von Martius (Erlanger, Alemanha, 1794 – Munique, Alemanha, 1868), renomado naturalista do século XIX, veio ao Brasil, onde ficou de 1817 a 1820, como um dos integrantes da Missão Austríaca, que a acompanhou na ocasião de seu casamento com D.Pedro I.

1829 – O imperador Pedro I casou-se com a duquesa Amélia de Leuchtenberg (1812 – 1873), com quem, apesar de ter convivido pouco, o príncipe Pedro estabeleceu um relacionamento afetuoso (Imperio do Brasil: Diário Fluminense, de 8 de outubro de 1829, sob o título “Baviera”).

1831 – Em 7 de abril, o imperador Pedro I abdicou (Aurora Fluminense, de 11 de abril de 1831). O príncipe imperial Pedro tornou-se “Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil“, sendo aclamado por uma multidão reunida no Campo de Santana. Dom Pedro I deixou seu filho aos cuidados do tutor José Bonifácio de Andrada (1763 – 1838), de dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (? – 1855), tornada condessa de Belmonte, em 5 de maio de 1844, aia de Pedro II desde seu nascimento, a quem ele chamava de Dadama; e de Rafael, que era um empregado do paço em quem Pedro I possuía grande confiança.

No mesmo dia da abdicação, foi eleita, no Senado, a Regência Provisória, formada pelos senadores Nicolau do Campos Vergueiro (1788 – 1859), por José Joaquim de Campos (1768 – 1836), o Marquês de Caravelas, e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), pai de Luís Alves de Lima e Silva (1803 – 1880), o Duque de Caxias.

Dom Pedro I partiu para a Europa com Dona Amélia, em 13 de abril (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de abril de 1831). Links para as cartas de despedida de dona Amélia, disponível no Correio IMS, e de Pedro I, ambas para dom Pedro II.

Em 17 de  junho, a Regência Trina Permanente foi eleita pela Assembleia Geral. Era composta pelo deputado da Bahia, José da Costa Carvalho (1796 – 1860), o Marquês de Monte Alegre; do Maranhão, João Bráulio Moniz (1796 – 1835), e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), do Rio de Janeiro (Aurora Fluminense, de 20 de junho de 1831, na primeira coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).


1833 - Em 15 de dezembro, José Bonifácio foi substituído pelo marquês de Itanhaém, Manuel Inácio de Andrada Souto Pinto Coelho (1782 – 1867), que passou a ser, por decreto, tutor de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 17 de dezembro de 1833, na segunda coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).

1834 - Em 12 de agosto foi aprovado o Ato Adicional, que estipulou o fim da Regência Trina e alterou a Constituição de 1824, autorizando cada uma das províncias a criar uma Assembleia Legislativa. A situação política do país se acalmou.

Em 24 de setembro, morreu, em Portugal, dom Pedro I (Diário do Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1834).

1835 - Em 7 de janeiro, teve início a Cabanagem no Pará.

Em abril, realizaram-se as eleições para a primeira Regência Una. Venceu o padre Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843), um dos líderes progressistas e antigo ministro da Regência Trina Permanente.

Em 20 de setembro, iniciou-se a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul.

Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843) assumiu a Regência Una em outubro (Aurora Fluminense, de 12 de outubro de 1835).

1837 - Para tentar acabar com o avanço da Cabanagem e da Farroupilha, movimentos revoltosos contra o governo, Feijó pediu a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do aumento dos efetivos militares do governo. Seu pedido foi negado e ele renunciou. O presidente da Câmara dos Deputados e líder da facção regressista, o marquês de Olinda, Pedro Araújo Lima (1793 – 1870), assumiu provisioriamente a regência (Jornal do Commercio, de 25 de setembro de 1837, na primeira coluna).

Em novembro, teve início a Sabinada, na Bahia.

Em 2 de dezembro, por decreto, foi fundado o Colégio Pedro II.

1838 – O senador Pedro Araújo Lima (1793 – 1870) foi eleito o novo regente, cujo mandato se prolongaria até 1842.

Foi criado, em 21 de outubro, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Jornal do Commercio, de 18 de outubro de 1838, na primeira coluna).

Em 13 de dezembro, teve início a Balaiada no Maranhão.

1839 – O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro recebeu o patronato do imperador dom Pedro II , que além de seu protetor, tornou-se um ativo membro, tendo presidido centenas de sessões.

1840 – O abade francês Louis Compte, capelão da corveta L´Orientale, fez na hospedaria Pharoux, a primeira apresentação do daguerreótipo no Brasil e na América Latina, realizando um ensaio fotográfico (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna). Dias depois, apresentou o invento a dom Pedro II (Jornal do Commercio, de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna). Em março do mesmo ano, com menos de 15 anos, dom Pedro II adquiriu o equipamento, através do negociante Felício Luzaghy.

O Brasil encontrava-se em uma situação delicada com as revoltas e dom Pedro II só poderia ser declarado maior com 18 anos de idade. Além disso, a Regência sempre motivaria conflitos políticos. Em abril, o senador do Partido Liberal, José Martiniano de Alencar (1794 – 1860), pai do romancista José de Alencar, propôs a criação da Sociedade Promotora da Maioridade, que passou a se chamar Clube da Maioridade. Seu presidente, Antônio Carlos de Andrada (1773 – 1845), levou a campanha para as ruas, conseguindo a adesão do povo.

Em 23 de julho, dom Pedro II foi emancipado pela Assembleia Geral Legislativa do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 27 de julho de 1840, sob o título “Rio de Janeiro”).


1841 – Em 18 de julho, realização da sagração e da coroação de dom Pedro II, imperador do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 19 de julho de 1941, Jornal do Commercio, de 18 e 19 de julho de 1941, na segunda coluna e de 20 de julho, com ilustração de dom Pedro II coroado e da varanda da coroação). A cidade do Rio de Janeiro foi embelezada para a cerimônia e as festas se estenderam até o dia 24 de julho, quando foi realizado um grande baile de gala no Paço da cidade.

Terminou a revolta da Balaiada.

1843 – Em 30 de maio, dom Pedro II e dona Teresa Cristina (1822 – 1889), princesa das Duas Sicílias, casaram-se por procuração, em Nápoles. Como eles eram primos, tiveram que obter licença de Roma. Em 3 de setembro, ela chegou ao Rio de Janeiro. Eles se encontraram pela primeira vez, a bordo da fragata Constituição (Jornal do Commercio, de 4 de setembro, na última coluna; e de 5 de setembro de 1843, na primeira coluna, ambas sob o título “Jornal do Commercio”). Dom Pedro II ficou muito decepcionado com a aparência de sua esposa .

1845 – Em 23 de fevereiro, nasceu o primeiro filho do casal, dom Afonso (Diário de Rio de Janeiro, de 24 de fevereiro de 1845, sob o título “O Diário”).

Em 1º de março, fim da Farroupilha.

Em 6 de agosto, dom Pedro II viajou para o sul do Brasil e visitou as províncias de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

1846 – Nasceu a primeira filha do casal real, a princesa Isabel, em 29 de julho (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”).

1847 – Morreu dom Afonso, em 11 de junho (Diário do Rio de Janeiro, de 12 de junho de 1847) e nasceu a princesa Leopoldina, segunda filha do casal, em 13 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de julho de 1847, sob o título “O Diário”). Dom Pedro II percorreu a província do Rio de Janeiro.

1848 – Nasceu dom Pedro Afonso, segundo filho do casal, em 19 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 20 de julho de 1848).

Teve início a Revolução Praieira, em Pernambuco. De caráter liberal e federalista, ganhou o nome de Praieira, pois a sede do jornal Diário Novo, comandado pelos revoltosos, ficava na rua da Praia.

1850 – Morreu dom Pedro Afonso, em 10 de janeiro (Diário do Rio de Janeiro, de 11 de janeiro de 1850).

Foram promulgados o Código Comercial, baseado nos Códigos de Comércio de Portugal, França e Espanha; e a Lei de Terras,  que foi regulamentada em 1854. Esta lei estabelecia a compra como a única forma de acesso à terra e abolia, em definitivo, o regime de sesmarias.

Fim da Revolução Praieira (O Brasil, de 16 de abril de 1850, sob o título “Notícias Provinciaes”, na primeira coluna).

Em 4 de setembro, a Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico negreiro (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de setembro de 1850).

O governo brasileiro rompeu relações com a Confederação Argentina, governada por Juan Manuel de Rosas (1793 – 1877).

1851 – Brasil, Uruguai e as províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes firmaram, em Montevidéu, uma aliança ofensiva e defensiva contra Rosas, que declarou guerra ao Império brasileiro.

1852 – Em fevereiro, Rosas foi derrotado pelo general Justo José de Urquiza (1801-1870) com o apoio do Brasil, na Batalha de Monte Caseros (Correio da Tarde, de 24 de fevereiro de 1952).

Início da telegrafia elétrica no Brasil. Telegramas foram trocados entre o imperador, que se encontrava na Quinta de São Cristóvão, e o ministro da Justiça, Eusébio de Queiroz (1812 – 1868), e o professor Guilherme Schüch de Capanema (1824 – 1908), que estavam no Quartel General, no Campo da Aclamação, atual Campo de Santana.

1854 – No Rio de Janeiro, instalação da iluminação à gás (Jornal do Commercio, de 25 de março de 1854, na penúltima coluna).

Inauguração da estrada de ferro que ligava a Corte à Petrópolis (Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1854, na última coluna).

1855 - Em 17 de outubro, morte de Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (1779 – 1855), a Dadama, aia e governanta de dom Pedro II, vitimada pela cólera-morbo (Diário do Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1855, na segunda coluna).

1856 – Dom Pedro II conheceu a tutora de suas filhas, a condessa de Barral, Luisa Margarida Portugal de Barros (1816 – 1891), por quem se apaixonou e se correspondeu intensamente ao longo de 26 anos de relacionamento. Cartas trocadas entre os dois estão disponíveis no Correio IMS: em 12 de junho de 1876, em 15 de março de 1877, em 29 de março de 1877 e em 7 de junho de 1880.

1857 – Foi criada a Imperial Academia de Música e a Ópera Nacional (Jornal do Commercio, de 7 de junho de 1857, sob o título “Publicações a pedido”).


1861 - Em dezembro, início da Questão Christie com o naufrágio e posterior pilhagem do navio inglês Prince of Wales nas costas do Rio Grande do Sul. O incidente diplomático envolvendo o Brasil Império e a Inglaterra foi batizado com esse nome porque o embaixador britânico no Brasil era William Dougal Christie (1816-1874).

1862 - Em 5 de dezembro, foram presos por terem causado distúrbios três oficiais da fragata inglesa Fort. Eles estavam bêbados e à paisana. O embaixador Christie exigiu a punição do chefe da polícia. Também cobrou o pagamento da indenização de 6 mil libras esterlinas pela pilhagem do navio inglês Prince of Wales. Esse fato teria gerado, segundo o historiador Bóris Fausto, um clima de “exaltação patriótica”. Houve manifestações populares contra a Grã-Bretanha, no Rio de Janeiro

1863 – Em janeiro, o governo brasileiro não atendeu às exigências de Christie e a Marinha inglesa fundeada no Rio de Janeiro bloqueou a baía de Guanabara e apreendeu 5 navios brasileiros. Sob protesto, em 26 de fevereiro, o Brasil pagou a indenização pelo Prince of Wales e Christie foi obrigado a deixar o país. O governo imperial brasileiro rompeu relações diplomáticas com a Inglaterra, em 25 de maio, pela ausência de desculpas do governo britânico.

1864 – Em 15 de outubro, casamento da princesa Isabel com o conde d´Eu (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864) e, em 15 de dezembro, casamento da princesa Leopoldina com o duque de Saxe (Diário do Rio de Janeiro, de 16 de dezembro de 1864). O conde d´Eu e o duque se Saxe eram primos.

O Paraguai declarou guerra ao Brasil, em dezembro.

1865 – Em 1º de maio, foi assinado o Tratado da Tríplice Aliança – Argentina, Brasil e Uruguai – contra o Paraguai.

Em 10 de julho, dom Pedro II foi para o teatro de operações da Guerra do Paraguai.

Em 23 de setembro, as relações diplomáticas entre o Brasil e a Inglaterra foram reatadas (Jornal do Commercio, de 5 de outubro de 1865, na sétima coluna, sob o título “27 de setembro”).

1870 - Solano López morreu e a Guerra do Paraguai terminou (O Paiz, suplemento de 14 de abril de 1870).

1871  – Em 7 de fevereiro de 1871, a filha de Dom Pedro II, a princesa Leopoldina de Saxe-Coburgo faleceu, em Viena (Diário de Notícias, de 7 de março de 1871).

Em 28 de de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de setembro de 1871).

1871 / 1872 – Em 25 de maio de 1871, dom Pedro II viajou pela primeira vez para a Europa e para o Oriente Médio. A princesa Isabel tornou-se, pela primeira vez, regente provisória. Em Lisboa, seu primeiro destino, Dom Pedro visitou dona Amélia, viúva de dom Pedro I, no palácio das Janelas Verdes. Conheceu diversos intelectuais portugueses, entre eles, Alexandre Herculano (1810 – 1877). Depois foi à França, onde encontrou a condessa de Barral e o filósofo Arthur de Gobineau ( 1816 -1882); à Bélgica, à Alemanha, onde conheceu o compositor Richard Wagner (1813 – 1883); à Itália e à Ásia Menor. Voltou à Itália e à França. Em 31 de março de 1872, retornou ao Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1872), trazendo o duque de Saxe, viúvo de de sua filha Leopoldina, e seus dois netos, Pedro Augusto (1866 – 1934) e Augusto Leopoldo (1867 – 1922), que seriam educados no Brasil.

1874 – Em 22 de junho, foi efetivada a ligação do Brasil a Portugal por telégrafo.

Teve início a revolta do Quebra-Quilos, quando várias cidades do nordeste se rebelaram contra o decreto que impunha a implantação de um novo sistema métrico. No ano seguinte, com a forte repressão promovida pelo governo imperial, a região foi pacificada.

1876 – Em março, dom Pedro II viajou para os Estados Unidos e para a Europa. Embarcou no Rio de Janeiro, no navio americano Hevelius, sob o comando do capitão Markwell (Diário do Rio de Janeiro, 26 de março de 1876, na terceira coluna). Acompanhando a comitiva real, estava o repórter J. O´Kelly, do jornal New York Herald. Chegou em Nova York, em 15 de abril. Visitou outras cidades como Chicago, Pittsburg e Washington. Inaugurou a Exposição da Filadélfia, que abriu ao lado do presidente Ulysses S. Grant (1822 – 1885), em 10 de maio, em meio a uma multidão de cerca de 200 mil pessoas. Lá conheceu os cientistas Thomas Edison (1847 – 1931) e Grahan Bell (1847 – 1922), que apresentou ao imperador sua invenção – o telefone. Foi também à Niagara Falls. Em 12 julho, partiu para a Europa no vapor Russia, da Cunard Line: foi a Londres e Bruxelas, onde encontrou o famoso médico francês Jean-Marie Charcot (1825 – 1893). Deixou a imperatriz Teresa Cristina em Gastein, na Áustria, para tratamento de saúde e partiu para a Grécia. No Oriente, a imperatriz e a condessa de Barral o encontraram. Foi à Roma, Viena e Paris, onde conheceu os intelectuais Jean Louis Quatrefages (1810 – 1892), Ernest Renan (1823 – 1892), Louis Pasteur (1822 – 1895) e Victor Hugo (1802 – 1885). Retornou em setembro.

1877 – Por ordem de dom Pedro II, foram instaladas linhas telefônicas entre as residências dos ministros e o palácio da Quinta da Boa Vista.

O New York Herald relembrou a visita de Pedro II aos Estados Unidos, e apresentou a seguinte proposta: “Para nossa chapa Centenária, indicamos Dom Pedro II e Charles Francis Adams, para presidente e vice-presidente. Estamos cansados de gente comum, e sentimo-nos dispostos a apoiar gente de estilo”. O advogado, político, diplomata e escritor americano Charles Frances Adams ( 1807 – 1886) era neto do presidente John Adams e filho do presidente John Quincy Adams.

1878 – Dom Pedro II viajou para a província de São Paulo.

1879 – Inauguração da iluminação elétrica na Estação Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Em 28 de dezembro de 1879, início no Rio de Janeiro da Revolta do Vintém, contra a cobrança de um tributo instituído pelo ministro da fazenda, o visconde de Ouro Preto, Afonso Celso de Assis Figueiredo (1836 – 1912), de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes. O ministério, desmoralizado, caiu no ano seguinte e o imposto foi revogado.


1880 – Criação da Telephone Company of Brazil, primeira companhia telefônica nacional.

Dom Pedro II viajou ao Paraná.

1881 – Em 9 de janeiro, aprovação da Lei Saraiva, que estabeleceu o voto direto e proibiu o voto dos analfabetos.

Dom Pedro II viajou para Minas Gerais.

1882 –  Caso do “Roubo das jóias da Coroa”: na madrugada de 17 para 18 de março de 1882, um ladrão invadiu o Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial, e roubou  todas as jóias da imperatriz Teresa Cristina e da princesa Isabel. O tesouro foi avaliado em 400 contos de réis – verdadeira fortuna na época (Gazeta de Notícias, de 19 de março de 1882, na primeira coluna). As jóias foram encontradas dias depois na casa de um ex-empregado do palácio, Manuel de Paiva (Gazeta de Notícias, de 22 de março de 1882, na segunda coluna).

1883 – A cidade de Campos (RJ) tornou-se o primeiro município da América do Sul a receber iluminação elétrica pública.

Início da Questão Militar, uma série de conflitos entre autoridades da monarquia e os oficiais do Exército brasileiro, que fortaleceu a campanha republicana.

1885 – Promulgação da Lei dos Sexagenários, em 28 de setembro.

1887 / 1888 – Em 30 de junho de 1887, dom Pedro II viajou pela terceira vez para a Europa. Seu primeiro destino foi Portugal. De lá, seguiu para Paris. Aconselhado por médicos, seguiu para Baden-Baden, e retornou a Paris, onde visitou intelectuais, entre eles, Louis Pasteur. Fez um cruzeiro pela Riviera italiana e foi para a estação de cura de Aix-les-Bains, na França. Em 22 de agosto de 1888, retornou ao Rio de Janeiro.

1888 – Foi abolida a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888 (O Paiz, de 14 de maio de 1888).

1889 – O imperador Pedro II sofreu um atentado (Gazeta de Notícias, de 17 de julho de 1889, na penúltima coluna).

Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (Gazeta de Notícias, de 11 de novembro de 1889), que passou à história como o último baile da monarquia no Brasil.

Em 15 de novembro, foi proclamada a República (Gazeta de Notícias, 16 de novembro de 1889). Quando foi deposto, dom Pedro II tinha governado por 49 anos, três meses e 22 dias. Só foi superado pela rainhas Vitória (1819-1901) e Elizabeth II (1926-), ambas da Inglaterra.

Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna).

Chegaram em Lisboa em 7 de dezembro. Visitaram Coimbra e o Porto, onde a imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro.

1890 / 1891 – Pedro II passou esses anos entre Cannes, Vichy, Versalhes e Baden-Baden.

1891 – Em 14 de janeiro, faleceu a Condessa de Barral, em Paris (Diário de Notícias, 16 de janeiro de 1891).

Em 24 de outubro, Dom Pedro II chegou em Paris, onde se hospedou no Hotel Bedford, número 17 da rua de l’Arcade.

Em 5 de dezembro, faleceu, de pneumonia (O Paiz, de 6 de dezembro de 1891, e Gazeta de Notícias, de 6 de dezembro de 1891). Tradução do registro de morte do imperador:

‘Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.



Paris, 5 de dezembro de 1891

J.M Charcot
C. de Motta Maia Bouchard‘

1920 – Foi anulado o decreto que bania a Família Imperial do Brasil.

1921 - Chegaram no Rio de Janeiro os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina, que estavam no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa (O Paiz, de 9 de janeiro de 1921). Ficaram na Catedral Metropolitana.

1925 – Os  restos mortais dos monarcas foram para a Catedral de Petrópolis.

1939 – Em 5 de dezembro, foram para o Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada da Catedral de Petrópolis, numa cerimônia na qual estava presente o presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954). O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara pelo francês Jean Magrou (1869 – 1945) e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso (1899 – 1966) (Jornal do Brasil, de 6 de dezembro de 1939).

Para a elaboração dessa cronologia, além da pesquisa em inúmeros jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional, a Brasiliana Fotográfica também se valeu, principalmente, dos livros Pedro II: ser ou não ser, de José Murilo de Carvalho, e As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, de Lilia Moritz Schwarcz.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica


Bibliografia:

BESOUCHET, Lídia. Exílio e morte do Imperador. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

FLETCHER, James Cooley ; KIDDER, Daniel Parrish. O Brasil e os brasileiros. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1941.

HARING, Bertita. O Trono do Amazonas – a história dos Braganças no Brasil – José Olympio, RJ, 1944.

PAGANO, Sebastião. Eduardo Prado e Sua Época – O Cetro, SP, 1960.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

WILLIAMS, Mary Wilhelmine. Dom Pedro the Magnanimous – the second emperor of Brazil. Oxon, Inglaterra: Frank Cass & Company Limited, 1966.

AÇUDE DO CEDRO: O IMPÉRIO CONTRA A SECA

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“Venderei até a última joia da coroa, mas solucionarei o problema da seca no Nordeste”
Dom Pedro II do Brasil

Localizado no município de Quixadá, Ceará, a cerca de 163 km de Fortaleza, o Açude do Cedro foi umas das primeiras grandes obras de combate à seca realizadas pelo Governo Brasileiro. A ordem de construção foi dada por Dom Pedro II em decorrência do grande impacto social provocado pela seca de 1877 - 1879.

O Governo Imperial solicitou ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e a outros técnicos estudos de meios para o combate aos efeitos das secas. Ficou então decidida a construção de barragens nos leitos dos rios para barrar as águas pluviais. o próprio Ernesto Cunha visitou diversos locais no interior da província e indicou o Boqueirão do Cedro como local selecionado. Em 1880, o engenheiro britânico Jules Jean Revy confirmou a indicação.

No ano de 1882 o primeiro projeto foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da república e a conseqüente retirada de Revy.

Após modificações no projeto realizadas em 1889 pelo engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação (atualmente DNOCS), as obras foram finalmente iniciadas em 15 de novembro de 1890. Sua conclusão, após várias interrupções, foi em 1906 já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900.

O período entre o primeiro projeto e a inauguração foi de 25 anos e suas obras contaram, em grande parte, com o emprego de mão-de-obra dos flagelados da seca. Devido à sua importância histórica e sua beleza natural foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN) em 1977.

Foi construído sobre o leito do rio Sitiá. Sua capacidade é de 126 milhões de metros cúbicos, o que o posiciona como o 7º maior reservatório de água do Ceará.

Este açude teve base em alguns monumentos romanos no comando de Julio "Caesar" (Julio Cesar),

Este açude possui quatro barragens: a Principal, a do Sul,a da Lagoa do Forges e a do vertedouro. Estas barram as águas do rio Sitiá e dos riachos: Macambira, Verde, do Socorro, do Cabo, Guaribas, Caracol e entre outros riachos da região.

A grade de ferro que compõe a varanda, sobre a barragem Principal foi totalmente importado da Inglaterra e a cerâmica desta foi importada de Portugal

O superdimensionamento da barragem em relação ao potencial da bacia hidrográfica faz com que as sangrias sejam raras. Em toda sua história ocorreram apenas 6. A primeira registrada foi em 1924, depois 1925, 1974, 1975, 1986 e 1989.

Outra causa apontada para as poucas sangrias está no fato de que um grande número de pequenos açudes construídos à montante impedem que a água chegue até a barragem. Em contrapartida só secou totalmente nas secas de 1930, 1932, 1950, 1999 e nesta última seca de 2016.

O Açude do Cedro dispõe de locais para banho, pescaria e para prática de esportes náuticos, além de ser a fonte de água para uma extensa rede de canais para irrigação, a primeira construída no Ceará. O açude também é importante fonte hídrica para o abastecimento do município.

A partir de praticamente toda a sua extensão é possível ver a Pedra da Galinha Choca. A composição Açude do Cedro/Pedra da Galinha Choca forma a mais conhecida paisagem turística de Quixadá.

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KIT DE HIGIENE DO SÉCULO XIX

Itens que pertenceram a d. Pedro II vão para acervo do Museu Imperial em Petrópolis (Foto: Divulgação/Museu Imperial)

Pertencente ao Museu Imperial em Petrópolis, o kit higiênico de viagem pertenceu ao Imperador Dom Pedro II e a seu neto, o Príncipe Dom Augusto Leopoldo de Saxe-Coburgo.

As peças compõe o acervo do Museu que possui mais de 200 mil itens documentais, 60 mil bibliográficos e quase 8 mil museológicos. As peças foram compradas por três mil dólares, em leilão nos EUA.

O conjunto de peças contém uma caixa de madeira e couro com quinze peças de prata, vidro e cristal. O diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Jr., explica que as peças são de fabricação francesa e foram adquiridas por Dom Pedro II na Europa, por volta do ano de 1876. Depois elas ainda pertenceram ao neto.

O kit permaneceu com a família Saxe-Coburgo Gotha até meados do século XX, quando, em função da II Grande Guerra, chegou aos Estados Unidos.

THEATRO IMPERIAL DOM PEDRO II

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O Teatro D. Pedro II foi um teatro que existiu na cidade do Rio de Janeiro, inaugurado em 1871 e, a partir de 1875, recebeu o nome de Teatro Imperial D. Pedro II.

Por despacho imperial de 1875, o Theatro D. Pedro II passou a chamar-se Theatro Imperial D. Pedro II até 1890. Nesse ano, em 25 de abril, passa  a chamar-se Lyrico, nome pelo qual se tornou mais conhecido. Antes, porém, de ser Theatro D. Pedro II havia sido Circo Olympico em 1857.

Em 1890, após a Proclamação da República do Brasil, passou a chamar Teatro Lyrico. O prédio foi demolido em 1934.

Fachada: Luiz Edmundo descreve o teatro como "o melhor teatro da cidade é o Lírico, uma ruína dourada, mostrando uma reles entradinha de ladrilhos, cercada de espelhos muito velhos, muito sujos, muito enodoados e uns porteiros de apresentação grotesca..."

Sabe-se que o Lyrico era um teatro grande - ía até a encosta do Morro de Santo Antônio - com dois pavimentos. Na frente, havia uma porta central com 4 bandeiras no térreo, e no pavimento superior, em cima dessa porta, um conjunto de 5 janelas francesas, em arco, com sacadas de ferro batido. De ambos os lados dessas janelas, uma sacada aberta seguida de duas janelas francesas de cada lado. Na fachada lateral, havia no 1o. pavimento, 5 janelas francesas com sacadas de ferro batido.

Interiores: a sala principal era toda pintada de branco e ouro e descrevia a forma de uma ferradura.

Em torno das cadeiras, encostada à platéia, corria uma espécie de estrado, fechando uma balaustrada para o lado da sala de espetáculos, à qual ficava superior... entalhavam-se no mesmo arco da boca de cena, precedido de uma sala de repouso mais 6 camarotes.

A Tribuna Imperial erguia-se sobre a porta principal da entrada, rematando na altura do teto e ocupando a largura de 4 camarotes.

As cadeiras eram de jacarandá e tinham como característica especial seu encosto de três recortes, sendo que na tabela central havia uma placa de esmalte preto e branco com a letra e o número da poltrona. O assento era de palhinha e os pés de cachimbo (características dos móveis em uso pelos anos de 1860). o camarote imperial era montado em grande luxo.


Lotação: contava o teatro com 1400 cadeiras de platéia, diversas ordens de camarotes: 42 camarotes de1a. com 5 cadeiras; 42 camarotes de 2a. com 5 cadeiras; 2 camarotes de 3a. com 5 cadeiras; 252 galerias, 168 fauteuils de varandas, além da Tribuna Imperial. Isto dava um total de 2500 lugares.

Vinculação: o teatro era particular e seu primeiro proprietário foi Bartholomeu Corrêa da Silva. Em 1913 o teatro é adquirido pela família Celestino da Silva que o arrenda, em 1923, a José Loureiro. Em 1o. de julho de 1925, então sua proprietária Margarida Chaves, ele é arrendado à Empresa Nicolino Viggiani até fins de abril de 1931, quando passa a ser arrendado pela Empresa A. Sonschein.

É interessante citar alguns fatos que marcaram a vida artística deste teatro.

Foi no Lyrico, então Imperial D. Pedro II, no dia 15 de julho de 1886, que Arturo Toscanini rege pela primeira vez na vida. Era Toscanini o violoncelista da Cia. que apresentava "Aída", de Verdi, no teatro e, no dia da estréia do espetáculo, o regente adoeceu. Toscanini regeu a ópera sem partitura, de cor.

 No Lyrico, nomes dos mais famosos como Caruso, Domenico Santenelli, Maria Durand, Cinira Polônio, se apresentaram. Também a Cia. Espanhola de Revista Velasco, a Cia. Lírica de Angelis, entre tantas famosas, passaram pela cena do Lyrico.

Causas do desaparecimento: em 1934 o Lyrico é demolido para que em seu local fosse construída a Caixa Econômica, o que não ocorreu. Na realidade, em seu lugar, surgiu um estacionamento de automóveis.

Desde 1925, em projeto aprovado por Alaor Prata, se vinha estudando a demolição do Lyrico e outras edificações (Projeto do Largo da Carioca e rua Treze de Maio) "para beneficiar o livre trânsito de veículos em ponto crucial da cidade."

Ficava na Rua da Guarda Velha, 10. Atualmente é a Rua Treze de Maio.