sexta-feira, 27 de abril de 2018

Carta original de Dom Bosco à Princesa Isabel em 1886

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"Alteza Imperial,

A Divina Providência dispôs que duas casas Salesianas fossem estabelecidas no Império do Brasil. Uma em Niterói e a outra em S. Paulo, ambas destinadas para acolher os orfãozinhos mais pobres e abandonados. 

Alguns destes meus religiosos voltaram temporariamente na Itália tem falado muito para mim da bondade e da caridade de V. A. Imperial e por isso que recomendo a Senhora e a Sua Majestade o Imperador todos estes meus Salesianos que outra coisa não desejam que ganhar almas para o céu e diminuir o número dos turbulentos.

Mas estes rezam muito e fazem também rezar os seus alunos para a saúde e prosperidade de toda a sua família e de sua Majestade Imperial o Augusto de Seu Pai. Maria Santíssima proteja esta memorável dinastia para a qual nossos orfãozinhos, em número superior a duzentos mil, suplicam a Deus.

Eu pois faço o augusto dever na Santa Missa invocar as bênçãos, enquanto com suma gratidão tenho a alta honra de poder humildemente professar-me.

Turim, março 1886.

Obrigadíssimo Servidor

Sacerdote Giovanni Bosco"

Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa

segunda-feira, 23 de abril de 2018

24/04/1646 - A BATALHA DE TEJUCUPAPO


Em 1646, o ano do acontecimento, o distrito possuía apenas uma rua larga, quase uma praça, ladeada por casas simples, destacando-se ao final dela a Igreja de São Lourenço de Tejucupapo, de arquitetura jesuítica, como acontecia com as igrejas erguidas no início da colonização. Mesmo não se conhecendo com exatidão a data real de sua construção, os indícios existentes remontam a meados do século XVII, sabendo-se, com segurança, que em 1630 ela já existia.

Naquele ano os holandeses já haviam praticamente perdido o domínio que durante algum tempo mantiveram sobre quase todo o território pernambucano, e como se encontravam cercados e necessitando desesperadamente de alimentos, cerca de 600 deles, saídos por mar do forte Orange, na ilha de Itamaracá, sob o comandado do almirante Lichthant, tentaram ocupar Tejucupapo, onde esperavam encontrar a farinha de mandioca e o caju que as circunstâncias do momento haviam transformado em produtos pelo qual valia a pena arriscar-se em combate.

Segundo os historiadores, eles escolheram justamente o domingo para realizar a investida porque era nesse dia que os homens do vilarejo costumavam ir ao Recife, a cavalo, para vender nas feiras da capital os produtos da pesca. Sendo assim, a localidade estaria menos protegida, acreditavam os holandeses.

Mas foram frustrados em sua intenção porque, segundo alguns relatos, a informação de que se aproximavam iniciou a reação da pequena e valente população local, que tendo à frente quatro mulheres - Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina - lutou bravamente contra os invasores, enquanto os poucos homens que haviam permanecido na localidade ocupavam-se em emboscar os assaltantes, atacando-os à bala e não lhes dando sossego.

Os registros informam que elas ferveram água em tachos e panelas de barro, acrescentaram pimenta, e escondidas nas trincheiras que haviam cavado, atacavam os holandeses com a mistura jamais esperada por eles. Seus olhos eram os principais alvos, e a surpresa o melhor ataque. Como saldo da escaramuça, mais de 300 cadáveres ficaram espalhados pelo vilarejo, sobretudo flamengos. A batalha durou horas, mas naquele 23 de abril de 1646 as mulheres guerreiras do Tejucopapo saíram vitoriosas..

A pesquisa arqueológica permitiu a recuperação do perímetro do fosso e a identificação da localização da paliçada que o cercava. No local do confronto há um obelisco (na ilustração, vestígio de um baluarte e de trecho do fosso que circundava a fortificação) implantado pelo Instituto Arqueológico, no qual foram assentadas 3 placas com os seguintes dizeres:

1º - Aqui, em 1646; as mulheres de Tejucupapo conquistaram o tratamento de heroínas por terem com as armas, ao lado dos maridos, filhos e irmãos, repelido 600 holandeses que recuaram derrotados. Memória do Instituto Arqueológico em 1931.

2º - A Polícia Militar homenageia os trezentos e cinqüenta anos do feito memorável das Heroinas do Tejucupapo, patenteando a bravura do povo pernambucano. 23 de abril de 1996.

3º - Os poderes Executivo e Legislativo de Goiana celebram solenemente os 350 anos da batalha do Monte das Trincheiras, conhecida pela epopéia das Heroinas de Tejucupapo, realizada no dia 24 de abril de 1646. Goiana, abril de 1996. José Roberto Tavares Gadelha - Prefeito João José Monteiro de Souza - Vice-Prefeito Vereador Pau-lo Geraldo dos Santos Veigas - Presidente".

Sobre o fato histórico foi feito o filme "Epopéia da Heroínas de Tejucopapo" e é realizado anualmente o teatro das "Heroínas de Tejucopapo. Em 2011, Helena Gomes e Kathia Brienza lançaram o livro Olhos de fogo, misturando um enredo ficcional de assassinatos ao ataque dos holandeses.

sábado, 21 de abril de 2018

25 ANOS DO PLEBISCITO: A VITÓRIA MORAL DA MONARQUIA

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Contou-se na imprensa internacional que, assustado com o crescimento da Monarquia nas pesquisas do Plebiscito sobre a Forma e Sistema de Governo, que completa hoje 25 anos, o então Presidente da República, Itamar Franco, que sucedeu o Presidente Fernando Collor de Melo após o seu impeachment, retirou de seu escritório no Palácio do Planalto o quadro do primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro I, e “trocou com toda pressa” por um busto de mármore de outro herói da Independência, provavelmente José Bonifácio de Andrada e Silva, para “exorcizar” o crescimento monárquico.

A República no Brasil nasceu com uma promessa que demorou 104 anos para se cumprir. Recém-proclamado, o Governo Provisório instalado pelo Golpe Militar de 15 de novembro de 1889, em seu primeiro decreto, estabeleceu que a escolha final sobre a forma de governo então proclamada aguardaria o pronunciamento definitivo do voto da Nação, livremente expressado pelo sufrágio popular.

O regime monárquico no Brasil caiu devido a um golpe de Estado, o qual não teve apoio da população civil e enfrentou grande resistência, tardia ao ter pego o País desprevenido. Tal resistência, hoje se assume, custou milhares de vidas. A reação do Governo Provisório foi, no entanto, rápida – pouco mais de um mês após o golpe, outra medida, o Decreto 85-A, de 23 de dezembro de 1889, vedou projetos tendentes a abolir a forma republicano-federativa, tendo sido incluído na Constituição de 1891, em forma de cláusula pétrea. O efeito prático dessa cláusula era o impedimento da restauração monárquica no Brasil, feita de maneira legal, por meio do sufrágio universal. Cláusulas pétreas similares a essa foram incluídas nas Constituições brasileiras posteriores, calando os monarquistas e o movimento monárquico.

Com o fim do regime militar, em 1985, seguiu-se a abertura democrática e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para 1987. Sob a ameaça de nova inclusão de cláusula pétrea calando os monarquistas na nova proposta constitucional, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, em nome dos monarquistas brasileiros, apelou para Assembleia Nacional Constituinte que não negasse a liberdade à ação monarquista: “Não lhes seja negada agora, Srs. Constituintes, a liberdade que V. Exas. se gloriam de ver reconhecida a toda a Nação.”

Com as elucidações fornecidas aos Constituintes pelo Chefe da Casa Imperial e a atuação de ousados monarquistas junto à Assembleia, a cláusula pétrea não vingou na Constituição de 1988 e por suas disposições transitórias foi convocado o Plebiscito para 7 de setembro de 1993.

Mesmo diante de todos os empecilhos impostos pelo Estado, a começar pela cédula mal formulada, passando pela antecipação do pleito, como a mudança da data de 7 de Setembro, Dia da Pátria, data magna para os monarquistas, para 21 de abril, feriado de Tiradentes, data favorável aos republicanos, e tantos outros que geraram desigualdade de posições, a Monarquia Parlamentarista recebeu 13,4% dos votos válidos. Uma vitória moral, após mais de 104 anos de silêncio imposto aos defensores do regime monárquico.

Pesquisas informais, realizadas por portais da Internet, como o Terra em 2013, em lembrança aos 20 anos do Plebiscito, pelo "Financial Times", o gigante e prestigiadíssimo jornal britânico de negócios, e pela apresentadora Mariana Godoy, da RedeTV!, ambas realizadas no ano de 2016, mostram a Monarquia Parlamentarista com uma aceitação entre 65% a 80% dos Brasileiros.

O crescimento monárquico que vemos hoje, além do resultado de admirável atuação espontânea popular e de lideranças que se organizam livremente, mas sob as diretrizes essenciais da Casa Imperial, é fruto também da atuação imprescindível do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 à 1981, que manteve viva a esperança monárquica nos corações dos brasileiros e de seu filho primogênito e sucessor, o Príncipe Dom Luiz, nosso atual Chefe da Casa Imperial, que permitiu que tal esperança tivesse os meios de florescer sozinha, com a degradação a olhos vistos da forma republicana de governo no Brasil.

Talvez, com tamanho crescimento espontâneo, os atuais governantes do Brasil devessem estar mais preocupados do que o antecessor, Itamar Franco. Resta saber: será que o quadro do Imperador Dom Pedro I continua no escritório da Presidência no Planalto?

Foto: S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, em material da época do Plebiscito de 1993.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Uma obra de arte imperial

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Durante as comemorações pelos 450 anos do bairro Imperial de Santa Cruz -RJ, já no final de 2017, foi feita uma bela obra de arte no muro da escola André Vidal, em que retrata a história do bairro e os personagens importantes da história brasileira como Dom Pedro I e a Imperatriz Dona Leopoldina, que foram importantes para Santa Cruz, entre outros monumentos e cenas do marco desse glorioso lugar, feitas com o mais cuidadoso trabalho e delicadeza por Leonel Benício, idealizado por Patricia Carvalho e Fabio Marqueoli.

Tendo tido financiamento do comércio local, para o pagamento ao artista, e a doação das tintas para esse trabalho de resgate, fincando cada vez mais a história de Santa Cruz e do nosso amado Brasil.

Santa Cruz tem muitos fatos e marcos históricos como:
  1. Ponte dos Jesuítas;
  2. Palácio (fazenda) Imperial;
  3. Palacete Isabel;
  4. Estrada Real;
  5. Estação do matadouro e parte dos trilhos ainda estão aparentes;
  6. Ruínas do Matadouro Imperial na época o mais moderno do mundo;
  7. Já abrigou o hospital Imperial;
  8. Caixa d'Água ainda existente do tempo do Brasil Império;
  9. Funcionou e ainda existe parte da escola Imperial;
  10. A rua por onde Dom Pedro I foi com seus soldados proclamar a Independência continua no mesmo lugar;
  11. Primeiro Gerador;
  12. Hangar do Zeppelin;
  13. Mirante do Imperador;
  14. Dom Pedro I se preparou pra ir até SP na Fazenda Imperial e na volta comemorou nela a Independência;
  15. Primeira agência fixa dos correios;
  16. Primeiro telefone;
  17. Fonte Wallace;
  18. Lugar preferido de Dom Pedro I;
  19. Primeiro bairro do Rio de Janeiro;
  20. Marcos Imperiais;
  21. Túnel que liga o Palácio Imperial até a ponte dos Jesuítas;
  22. Cais Imperial que fica bem pertinho em Sepetiba, por onde José Bonifácio chegou ao RJ, sendo recebido por Dona Leopoldina;
  23. Casa de Sal;
  24. Além de uma casa do complexo da Fazenda de Santa Cruz da época do Dom Pedro II à venda hoje.
POST ORIGINAL - ACERVO BANGU

terça-feira, 17 de abril de 2018

O PRÍNCIPE DOM PEDRO DE ORLEANS E BRAGANÇA FALOU PARA “O DEBATE”

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[Trazemos a entrevista que S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981, concedeu à edição de 6 de dezembro de 1962 do periódico monarquista “O Debate”, de Lisboa, em Portugal. A fotografia que acompanha a publicação é do acervo do Prof. Rafael Cruz, monarquista do Estado da Bahia.]

Marcus de Noronha da Costa

Quando da minha recente viagem ao Brasil, tive a honra de conhecer em São Paulo e tomar contato com S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Pretendente ao Trono do Império do Brasil.

Figura bem representativa do Ramo Bragança Brasileiro, de olhar franco, sempre disposto a esclarecer todos aqueles que se lhe dirigem com perguntas, principalmente quando estas são para ficarem arquivadas num jornal monárquico.

S.A.I.R. D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança é o filho mais velho do saudoso Príncipe Imperial D. Luiz de Orleans e Bragança e da Princesa D. Maria Pia de Bourbon-Duas Sicílias. D. Luiz tornou-se Príncipe Imperial e herdeiro imediato da Coroa com a renúncia ao trono, em 30 de Outubro de 1908, do então Príncipe herdeiro D. Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança, salientando-se desta:

“Declaro, pois, que por minha muito livre e espontânea vontade dele desisto pelo presente e renuncio, não só por mim, como por todos e cada um dos meus descendentes, a todo e qualquer direito que a dita Constituição nos confere à Coroa e Trono Brasileiros, o qual passará às linhas que se seguirem à minha conforme a ordem de sucessão estabelecida pelo Art. 117. Perante Deus prometo por mim e meus descendentes manter a presente declaração. Cannes, 30 de Outubro de 1908.”

Esta renúncia foi conseqüência do casamento morganático que tinha contratado e realizou.

Sucedeu-lhe nos direitos o seu Irmão, o Príncipe Imperial D. Luiz de Orleans e Bragança (...).

Foi numa tarde quente de Agosto, em casa do meu prezado amigo, o Prof. Doutor Sebastião Pagano, que me foi dado entrevista S.A.I.R. o Príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança.

As perguntas foram entregues para a mão do Príncipe que, depois de as ler, me começou a responder pausadamente:

1. Quando voltou V. Alteza ao Brasil?

– Vim pela primeira vez ao Brasil nas comemorações do 1º Centenário da Independência, em fins de Agosto de 1922, como representante direto de meu trisavô e meu bisavô, respectivamente D. Pedro I e D. Pedro II, visto que me foi dirigido o convite como Chefe da Casa Imperial do Brasil. Terminadas as comemorações, regressei à Europa, tendo-me casado a 19 de Agosto de 1937, em Munique, com a Princesa Maria de Wittelsbach, da Casa Real da Baviera. Deu-nos Deus doze filhos; estes são o Príncipe Imperial D. Luiz, que está no 3º ano de Química na Universidade de Munique; D. Eudes, guarda-marinha da Marinha de Guerra Brasileira, que na festa do Duque de Caxias recebeu o seu espadim; D. Bertrand, aluno do 2º ano da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, fundada por meu trisavô, o Imperador D. Pedro I; D. Isabel, estudando o Clássico no Colégio das Irmãs do Sacré-Coeur, no Rio de Janeiro; D. Pedro e D. Fernando, alunos internos do Colégio dos Maristas, no Maranhão; e o resto em casa. Estes últimos são: D. Antonio, D. Eleonora, D. Francisco, D. Alberto e os mais novos, as gêmeas D. Maria Thereza e D. Maria Gabriela.

2. Quando V. Alteza voltou de novo para o Brasil, onde se fixou?

– Fixei-me no Estado do Paraná, onde adquiri uma fazenda, em 1951, junto da cidade de Jacarezinho, onde o Duque de Ancona e o Príncipe Gabriel de Bourbon têm as suas fazendas. Ali eu tenho uma larga produção de gado vacum com alguns bons produtores, bem como cultivo de larga escala de café, tabaco, arroz e milho, estando este último cereal provando muito bem. Com o crescimento dos filhos, tenciono adquirir uma fazenda próxima de São Paulo, para poder estar mais perto das pessoas que me rodeiam, como meu incansável colaborador Prof. Sebastião Pagano.

3. Quando foi a última vez que V. Alteza esteve em Portugal?

– A última vez que estive em Portugal foi em 1948. Guardo as melhores recordações da minha visita, sobretudo da maneira tão hospitaleira como fui recebido pelas famílias portuguesas, e também pelas recordações que Portugal teve para a Família Imperial, especialmente de conservarem no Pantheon de São Vicente os restos mortais do Fundador do Império e de este ter servido de guarida temporária aos meus bisavós, a Imperatriz D. Teresa Cristina e o Imperador D. Pedro II, depois de um exílio tão amargurado, antes de seus restos mortais serem depositados na Catedral de Petrópolis.

4. Que pensa V. Alteza da política ultramarina portuguesa?

– Tenho acompanhado com o maior interesse o desenvolvimento do Ultramar Português, porque a ele me sinto preso pelos laços de sangue que me ligam aos Reis de Portugal, meus Maiores. É difícil compreender as posições que os países da América tomam perante o “fenômeno colonialista”; estes países, na sua grande maioria, foram colônias, não considerando neste caso o Brasil, que sempre teve posição singular.

Os países americanos sentem-se intimamente ligados aos novos Estados que surgiram do colonialismo, mas, no caso de Portugal, temos de considerar que Portugal nunca teve colônias no sentido jurídico da palavra, porque, desde sempre, os indígenas gozaram de prerrogativas e assimilaram-se facilmente. Só um país como Portugal pode, hoje em dia, desempenhar uma missão colonizadora, porque esta missão foi sempre a de Portugal, na Índia como no Brasil, e, atualmente, na África Portuguesa.

Por outro lado, não podemos dar crédito aos organismos internacionais, tais como a ONU, porque neles dominam o ódio e a injustiça, em vez da verdade e da justiça. A ONU, hoje em dia, é, infelizmente, mais do que tudo, um ponto de desunião do que um Areópago da Paz. Assim, todas as resoluções tomadas por esta organização de política internacional possuem, em qualquer caso, e neste especialmente, que se refere a Portugal, um partidarismo exclusivista de países que querem conquistar a todo o custo mercados internacionais.

5. Que pensa V. Alteza da atualidade da Instituição Monárquica?

– Desde sempre tenho acompanhado atentamente a evolução das doutrinas monárquicas; cada país deve reger-se pelas suas leis próprias e evoluí-las conforme as exigências dos tempos. Se a Monarquia não pertencesse à atualidade, eu não ouvia falar tanto da sua necessidade. Vemos como a doutrina monárquica tem sido aceita nas camadas juvenis de hoje e o interesse que nela depositam os Príncipes europeus.

A melhor prova da contemporaneidade da Instituição Real, mostrou-nos recentemente o Arquiduque Oto de Habsburgo, no seu recente ensaio, “A Monarquia na Era Atômica”, onde, com rara clarividência, demonstra a atualidade da ideia monárquica frente aos acontecimentos que o mundo hoje está atravessando.

6. Tem a tradição algum valor para a doutrina monárquica?

– Sem dúvida, mas não nos devemos prender exclusivamente ao que fizeram os nossos antepassados, mas em mostrar também as nossas possibilidades reais, sem estarmos constantemente a recorrer ao passado. Devemos partir do princípio de que temos de escrever para os homens de hoje, interessando a estes as realidades do momento presente; por isso, a tradição deve servir apenas de complemento à doutrina exposta. Se muitas vezes nos chamam de retrógados, é por estarmos, no campo doutrinário, limitados e agarrados ao passado; temos de saber usar da tradição e das lições do passado com a devida ponderação.

7. Qual o caminho a seguir no pensamento de V. Alteza quanto à Monarquia no momento atual?

– Não nos podemos desprender da sociedade em que vivemos, porque fazemos parte dela integralmente. Quanto mais responsabilidades possuímos, maior é o nosso elo de ligação com a sociedade. No meu ponto de vista, observo dois problemas fundamentais; a questão social e o perigo comunista.

A questão social, desde longa data, tem sido tratada tanto pelos Papas, como pelos doutrinadores monarquistas, não devendo esquecer-se os nomes de La Tour du Pin e de Charles Mauras. Recentemente, o Papa João XXIII, na sua extraordinária encíclica “Mater et Magistra”, chama a atenção dos governantes do mundo para este problema.

Cabem aos monarquistas realizarem em seus planos e estudos doutrinários a solução da “questão social”; realizado este trabalho, terão dado a melhor prova da eficácia da ideia monárquica. Temos, agora, a considerar o perigo comunista. Karl Marx e Engels, na sua obra, realizaram a criação de uma nova ordem social, que foi forçada a aceitar em muitos países do mundo, mas, observando os resultados, estes foram escassos, e toda a obra realizada tem sido feita sobre trabalho forçado e constante vigilância armada.

A propaganda comunista nos países livres é muito bem dirigida, sugestionando as camadas superiores da sociedade. Um verdadeiro nacionalismo só se pode realizar dentro de uma Monarquia, sendo esta a única forma de se opor ao avanço comunista. Mas esta Monarquia tem de ser eminentemente social, por que o Rei deve andar sempre perto do Povo, para que se realize a verdadeira justiça social, há muito ambicionada por todos os homens de bem.

* * *

Registramos com o maior prazer estas palavras de S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, conhecedor atento dos problemas atuais. As declarações de S.A.I.R. vêm uma vez mais confirmar os seus estudos, que levou a cabo na Sorbonne, em Paris, na Escola de Altos Estudos Políticos e Sociais.

Resta-nos, ao terminar, agradecer ao Chefe da Família Imperial do Brasil a entrevista com a qual quis tão amavelmente honrar as colunas de “O Debate”.

Foto: em reportagem de 1966, SS.AA.II.RR. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981, e sua esposa, a Princesa Consorte e Princesa Mãe do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, com seus oito filhos mais novos, SS.AA.RR. os Príncipes Dom Pedro de Alcantara, Dom Fernando, Dom Antonio, Dom Francisco e Dom Alberto e as Princesas Dona Eleonora, Dona Maria Thereza e Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

No Brasil, é amplamente considerado que o pai do futebol BR foi Charles Miller, o filho de um empregado de uma empresa ferroviária. Miller, que era nascido no Brasil, foi à Inglaterra para estudar. Lá, se tornou um admirador do futebol e quando retornou ao Brasil, em 1894, trouxe com ele bolas de "football".

Foi assim, que, de acordo com Miller, o futebol começou no Brasil, numa entrevista dada à revista "O Cruzeiro" em 1952. Em 1895 houve o que é considerado o 1º jogo de futebol no país. Em 14 de abril, em SP, uma partida entre ingleses e anglo-brasileiros, formados pelos funcionários da São Paulo Gás Company e da Estrada de Ferro São Paulo Railway. O amistoso terminou em 4 a 2, com vitória do São Paulo Railway.

No entanto, há registros que afirmam que o esporte já havia sido praticado no país anteriormente. Em 1874, marinheiros estrangeiros disputaram uma partida em praias cariocas. Em 1878, tripulantes do navio "Criméia" enfrentaram-se em uma exibição para a Princesa Imperial Dona Isabel. Em 1886, o Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, impunha regularmente a prática do futebol, por influência dos padres jesuítas.

O pioneirismo de Miller também é contestado pelo Bangu Atlético Clube, que afirma ser o escocês Thomas Donohoe quem introduziu o esporte por aqui. Thomas, que era um técnico da firma inglesa Platt Brothers and Co., tinha sido contratado para ajudar na implantação da fábrica têxtil de Bangu (hoje, Shopping Bangu). Em 1894, teria ido a Inglaterra e de lá trazido uma bola, dando pontapé ao 1º jogo de futebol brasileiro, em maio de 1894, 4 meses antes de Miller.

Já para o historiador Loris Baena Cunha, haveria registros de uma partida entre funcionários ingleses da Amazon Steam Navigation Company Ltd., da Parah Gaz Company e da Western Telegraph, no Pará, em 1890.

Há também outras histórias não comprovadas. É dito que, em 1882, um homem chamado Mr. Hugh teria introduzido o futebol em Jundiaí, entre seus funcionários. Diz-se também que entre 1875 e 1876, no campo do Paissandu Atlético Clube, na cidade do Rio de Janeiro, funcionários de duas companhias teriam jogado uma partida. Contudo, a hipótese a partir de Charles Miller é a mais aceita e difundida no cotidiano brasileiro.

Mordomias a ex-presidentes do Brasil já custaram R$ 36 milhões aos cofres públicos

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Lula, Fernando Collor e Dilma Rousseff.


domingo, 8 de abril de 2018

O kilt "escocês" é português

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Se há traje masculino europeu que qualquer um reconhece sem dificuldade como peça de vestuário inseparável de um povo, esse é a "saia" dos escoceses. Porém, abundantes testemunhos medievais produzidas pelo fino engenho artístico de gerações de ilustradores do século XI ao século XIV descartam a possibilidade desse traje ser de origem escocesa.

Durante a Idade Média Clássica - entre o ano 1000 e 1200 - e durante a Idade Média Final (séculos XIII e XIV), os escoceses vestiam-se como quaisquer outros europeus dos climas frios do norte: ou uma túnica comprida em lã, no inverno, e no verão umas calças (hosen) que davam pelo joelho e se cingiam à cintura. Não há, pois, qualquer vestígio de saias e dos tartans coloridos e axadrezados que só no século XVIII passaram a identificar o "traje escocês". O traje popular português então predominante era a saia, peça única que se enfiava pela cabeça e cobria o tronco e os braços, descendo até meio da perna, ajustando na cintura com um cordão.

Se bem que Portugal nunca igualasse a produção lanígera da Flandres, de Castela e da Inglaterra, os panos de burel e outros tecidos de lã portugueses conheceram importante surto desde o século XIV, com pisões de norte a sul do país, indústria que envolvia muitos tecelões e tecedeiras. Havendo referências ao comércio de panos de lã portugueses destinados à Escócia desde o século XIV, a introdução da saia portuguesa naquela região setentrional poderia ter ocorrido por essa época, sendo então usado como peça de vestuário popular nessas terras altas e pobres.

A subsequente construção de uma identidade escocesa, acirrada pela lenta subordinação à Coroa inglesa, levou a que os escoceses optassem por um traje diferente do inglês. A opção pela saia, e depois pelo kilt com decoração geométrica, foi um acréscimo destinado a enobrecer a peça e permitir que povo e nobreza pudessem usar como símbolo de orgulho nacional e organização social de tipo "clãnico" que a todo o custo queriam preservar.

Por essa altura, em Portugal caíra em desuso no trajar quotidiano, preservado apenas como peça de roupa usado por militares, sobretudo cavaleiros, como no-lo demonstra o retrato de corpo inteiro de Dom Afonso VI de Portugal.

PUBLICAÇÃO ORIGINAL - NOVA PORTUGALIDADE

PENSÃO DE PEDRO, O POBRE


Quatro dias após a proclamação da República, a legislação brasileira recebia o seguinte decreto (DECRETO Nº 5, DE 19 DE NOVEMBRO DE 1889):

“Considerando que o senhor D. Pedro II pensionava de seu bolso a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, para muitos dos quais esse subsídio se tornava o único meio de subsistência e educação; Considerando que seria crueldade envolver na queda da monarquia o infortúnio de tantos desvalidos;

Considerando a inconveniência de amargurar com esses sofrimentos imerecidos a fundação da República;

Resolve o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil:

Artigo 1° — Os necessitados, enfermos, viúvas e órfãos, pensionados pelo Imperador deposto continuarão a perceber o mesmo subsídio, enquanto durar a respeito de cada um a indigência, a moléstia, a viuvez ou a menoridade em que hoje se acharem.

Artigo 2° — Para cumprimento dessa disposição se organizará, segundo a escrituração da ex-mordomia da casa imperial, uma lista discriminada quanto à situação de cada indivíduo ou à quota que lhe couber.

Artigo 3° — Revogam-se as disposições em contrário.

Sala das sessões do Governo Provisório, em 19 de novembro de 1889.

— Manuel Deodoro da Fonseca — Aristides da Silveira Lobo — Rui Barbosa — Manuel Ferraz de Campos Sales — Quintino Bocaiuva — Benjamim Constant Botelho de Magalhães — Eduardo Wandenkolk”.

Observação de um republicano:

— Não precisa o túmulo de Pedro II de epitáfios pomposos, em latim grandiloqüente. Basta que se grave esse decreto do Governo Provisório sobre a pedra mármore de Pedro, o Pobre.

“Revista da Semana”, do Rio de Janeiro, número especial, de 28 de novembro de 1925.

terça-feira, 3 de abril de 2018

LEIA 30 VEZES ESSE TEXTO


"Consenso. Esta é a palavra chave da monarquia. É exatamente pelo consenso que a monarquia passa a ser quase um seguro anti-golpe.

São nas monarquias modernas que vemos a menor tradição de intervencionismo militar. Na verdade, são nelas que vemos o poder militar subordinado ao poder civil, na pessoa do monarca, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas.

Nos regimes presidencialistas, é raro o país que não cai em ditadura. Nos regimes parlamentaristas, é raro o país que cai em ditadura.

Nas monarquias, o Poder Moderador é neutro. Este poder não é criação da Constituição do Império, mas apenas uma manifestação do Estado. Nas monarquias, a Coroa desempenha este papel com brilhantismo; nas repúblicas, as Forças Armadas suprem esse vácuo de poder [...]".

- Deputado Fernando Bolzoni durante a Assembléia Constituinte de 87.