quarta-feira, 18 de março de 2020

A ORIGEM DO BRIGADEIRO

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O brigadeiro é feito de leite condensado, chocolate em pó e manteiga, e enrolado em granulado. Ingredientes à parte, o doce tem uma origem incomum. Ficou popular na década de 1940, quando o racionamento tornou o leite condensado um substituto comum para sobremesas.

A história afirma que, por volta dessa época, mulheres vendiam a guloseima em comícios em defesa do candidato à presidência e do brigadeiro da Força Aérea, Eduardo Gomes, durante a primeira eleição nacional em que todas as mulheres puderam votar. A criadora seria Dona Heloisa Nabuco de Oliveira, doceira de mão cheia.

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Naquela época, foi formada a União Democrática Nacional (UDN), que se opunha ao regime populista de Getúlio Vargas, no final do Estado Novo. O primeiro candidato à presidência do novo partido foi Eduardo Gomes. Antes de sua candidatura, já era famoso no Brasil.

Conhecido como “o Brigadeiro”, ele participou de um movimento liderado por tenentes que defendiam reformas sociais. Em julho de 1922, um grupo liderou uma revolta no Forte de Copacabana, conhecido como O Levante dos 18 do Forte, no Rio de Janeiro. Quase todos foram mortos a tiros na praia, exceto Gomes e Antônio de Siqueira Campos.

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Logo, os que apoiavam Dutra, inventaram uma "fake news" sobre o Eduardo Gomes. Disseram que ele tinha levado um tiro nos testículos durante a revolta de 1922, e por isso, brigadeiro não levava ovos na receita.

PAPO DE GUIA

A RELÍQUIA CARIOCA COM OS CAPUCHINHOS

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Em 1865 no aniversário de 300 anos da fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, os frades capuchinhos do Morro do Castelo receberam do imperador Dom Pedro II a atribuição de serem os guardiões das três relíquias da cidade do Rio de Janeiro: a imagem de São Sebastião trazida por Estácio de Sá, a pedra fundamental da fundação da cidade e os restos mortais de Estácio de Sá.

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Atualmente todas as relíquias estão na igreja dos capuchinhos, na Rua Haddock Lobo, na Tijuca, Rio de Janeiro.

BRAZIL IMPERIAL

O Açude do Cedro

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O Açude do Cedro foi umas das primeiras grandes obras de combate à seca realizadas pelo Governo Brasileiro. A ordem de construção foi dada por D. Pedro II em decorrência do grande impacto social provocado pela seca do Ceará de 1877 - 1879.

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O Governo Imperial solicitou ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e ao engenheiro inglês Jules Jean Revy, estudos de meios para o combate aos efeitos das secas.

Ficou então decidida a construção de barragens nos leitos dos rios para barrar as águas pluviais. o próprio Ernesto Cunha visitou diversos locais no interior da província e indicou o Boqueirão do Cedro como local selecionado.

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No ano de 1882 o primeiro projeto foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da república e a conseqüente retirada de Revy, atrasando as obras em um ano.

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BRAZIL IMPERIAL

A primeira grande usina hidrelétrica da América do Sul

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A Usina Hidrelétrica de Marmelos, inaugurada em Juiz de Fora, Minas Gerais, em setembro de 1889, foi a primeira grande usina hidrelétrica da América do Sul. O empreendimento foi idealizado por Bernardo Mascarenhas, importante industrial de Juiz de Fora, fundador da Companhia Mineira de Eletricidade em 1888.

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A Usina de Marmelos foi projetada para atender não apenas as indústrias de tecidos do empresário, mas também para fornecer eletricidade à iluminação pública da cidade, antes alimentada a gás. A usina está localizada no Rio Paraibuna, às margens da Estrada União e Indústria, outro importante marco da engenharia no Brasil no século XIX.

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O pioneirismo valeu a Juiz de Fora o título de "Manchester Mineira". A Companhia Energética de Minas Gerais adquiriu a hidrelétrica em 1980. Em 1983, a Usina de Marmelos foi tombada pelo patrimônio municipal de Juiz de Fora e transformada em espaço cultural.

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Foi instalado na edificação da usina o Museu de Marmelos Zero, que desde 2000 é administrado pela Universidade Federal de Juiz de Fora.

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O “Newton Brasileiro”

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Introdutor do Sistema Métrico no Brasil, Cândido Batista de Oliveira foi um engenheiro, diplomata e político brasileiro. Além de Político, também foi matemático e um astrônomo.

Cândido Batista de Oliveira pode ser considerado o mais ferrenho defensor da adoção do “Systema Métrico Francêz” pelo Brasil, tendo dedicado mais de três décadas de sua vida a esta iniciativa. No dia 12 de junho de 1830 foi apresentada no parlamento do Império do Brasil a proposta do jovem deputado gaúcho Cândido Batista de Oliveira para a adoção imediata das unidades métricas do sistema francês no país.

Em 1851 realizou a primeira experiência com o pêndulo de Foucault no Brasil, que comprovava o movimento de rotação da Terra por meio do movimento de precessão do plano de oscilação de um pêndulo. foi uma figura importante da vida intelectual e política do Brasil, no século XIX, foi autor de vários trabalhos de literatura, economia e política, entre eles o Systema Financial.

Foi também sócio de diversas agremiações, entre elas o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, conselheiro de Estado, diretor e presidente do Banco do Brasil de 1859 a 1866, diretor do Jardim Botânico 1850 e senador do Império de 1849 a 1865, pela província do Ceará.

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A Guerra entre o Barão de Santa Anna Néry e a Imprensa Republicana

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Em 1894, durante o caos da Revolta da Armada e a Revolução Federalista, que marcaram o Governo de Floriano Peixoto, a Imprensa Governista da época, colocou a culpa dos conflitos no movimento monárquico e sua tentativa de restauração do Império.

O Jornal “A República” de Belém publicou uma série de declarações difamando os monarquistas e retratando o legado do império do Brasil como sendo negativo para a nação. O maior líder monarquista da Região Norte do País, o Barão de Santa Anna Nery, que era intelectual, historiador e antropólogo, refutou os argumentos do Jornal apresentando dados estatísticos acerca do verdadeiro legado do Império e da Monarquia Brasileira: “Si os monarchistas querem paz, onde está ela em toda história do regime monarchico do Brazil? (A Republica de 25 de Março de 1894).

Em reposta a essa afirmação, o Barão escreveu: “Se o fato precisa de demonstração encontral-a-iam todos na contestação do jornal d'A Republica que, lembrando os conflitos de 1821, 1828, 1831, 1832, 1833, 1835 e 1837, também deve se ter em conta os 40 anos de paz, de 1849 a 1889. Como, em face d'estes 40 annos seguidos de paz octaviana pergunta o escritor desse jornal a quem respondo onde está a paz em todo regime monarchico do Brazil?

Compare-se a atuação do Imperio brazileiro com a de qualquer república americana: onde mais lutas, mais perigo , mais sangue derramado? Quando houve uma guerra de tamanha extensão no Brazil como a da secessão nos Estado Unidos do Norte, ou como a do Chile? O Imperador sempre assegurou a Paz Interna”

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Em reposta o mesmo jornal publicou: “Que fez a monarchia em favor do povo brazileiro?. O povo empobrecido e sem o largo campo das indústrias, das artes e do commercio para desenvolver a sua actividade productora”.

Em reposta a esse novo ataque, o Barão apresentou dados estáticos que encerraram o debate acerca do suposto legado de miséria do Império: “Em 1867, o grande rio Amazonas foi entregue livre e aberto á bandeiras das nações amigas. Esta epocha, as duas províncias banhadas por aquelle oceano de água doce por esse mar interior, apenas produziam 3 milhões de kilogrammas de borracha; hoje fornecem quase 16 milhões.

Em 21 anos a produção quintuplicou!, só a província do Para exporta mais que toda a Argentina! E a cidade de São Paulo Pois bem! Este canto de terra situado no Brazil meridional, que a 25 anos atrás era uma simples vila, causa hoje espanto aos economistas, São Paulo atualmente tem rendas que elevam-se á 32 milhões de Francos. E quanto às artes, homens como Pedro Américo, e Carlos Gomes são Provas Vivas que o Brasil chegou a patamares que superam muitas das nações da Europa nas artes plásticas e na Música.”

Fonte: Monarchia e Monarchistas (1895) - Tito Franco de Almeida

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O Rival Potiguar de Santos Dumont

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Augusto Severo de Albuquerque Maranhão foi um político e inventor do Rio Grande do Norte, que assim como o também Brasileiro Santos Dumont, foi um dos pioneiros da aviação no Século XIX e no Início do XX.

Realizou seus estudos primários em Macaíba (RN), e os secundários no Colégio Abílio César Borges, em Salvador (Bahia). Em 1880, viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, e iniciou seus estudos de engenharia na Escola Politécnica.

Motivado pelos trabalhos em aerostação do inventor paraense Júlio César Ribeiro de Souza, que apresentou um projeto de dirigível ao Instituto Politécnico Brasileiro em 1881, Severo passou a se interessar pelo voo, realizando observação de aves planadoras e construindo pequenos modelos de pipas, uma das quais denominou “Albatroz”. Em 1888 passou a escrever artigos para o jornal “A República”, antimonárquico, do irmão Pedro Velho, e projetou um dirigível que incorporava ideias revolucionárias, o Potyguarania, o qual, porém, nunca chegou a ser construído.

Em outubro de 1892, inventou um aeróstato que deu o nome de “Bartholomeu de Gusmão”, em homenagem ao inventor brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão, que apresentou em 1709, diante da corte portuguesa, um pequeno balão de ar quente batizado Passarola. Em fins de 1901, Severo licenciou-se da Câmara para viajar para a França e aí se dedicar à construção de um novo semirrígido, o Pax, inflado a hidrogênio. Ele queria concorrer ao Prêmio Deutsch, que premiaria com 100.000 francos aquele que fizesse um voo comprovadamente dirigido.

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Na época o inventor Potiguar era o principal concorrente do também brasileiro Alberto Santos Dumont, a impressa brasileira da época frequentemente coloca nas manchetes “Severo x Dumont” Santos Dumont, era seu genial concorrente patrício: procuravam ambos a solução para o mesmo problema a dirigibilidade área.

Severo chegava a avaliar as invenções de dumont, e se pronunciou na câmara dos deputados do Rio de Janeiro em 1901, que a época queriam ajudar Santos Dumont financeiramente, Severo porém apresentou inúmeras falhas nos projetos aeronáuticos do seu rival brasileiro, e com ousadia afirmou que suas invenções era tecnicamente superiores às de Dumont.

Porém em 1902 seu sonho de ser o principal nome da aviação da época chegou ao fim, No dia 12 de maio de 1902, tendo como mecânico de bordo o francês Georges Saché, o Pax decolou às 5h30, saindo da estação de Vaugirard, Paris. Elevou-se rapidamente, atingindo cerca de 400 m. Cerca de dez minutos após o início do voo, o Pax explodiu violentamente, projetando os dois tripulantes para o solo. Severo e Saché morreram na queda.

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Os restos do dirigível caíram na Avenida du Maine. A catástrofe do Pax teve um impacto enorme. Natália, sua esposa, que assistiu à queda, não se recuperou e, após retornar ao Brasil, suicidou-se com um tiro no coração em 23 de junho de 1908, aos 30 anos de idade.

A configuração proposta por Severo, de um dirigível semirrígido, foi revolucionária e influenciou o desenvolvimento dos dirigíveis nas décadas seguintes. Em 12 maio de 1902, duas ruas em Paris, próximas ao local do acidente, foram nomeadas Rue Severo e Rue Georges Saché, em homenagem aos aeronautas acidentados.

Naquele mesmo ano, o cineasta Georges Méliès dirigiu o curta-metragem La Catastrophe du ballon "Le Pax" sobre o acidente, sendo Severo o primeiro brasileiro a ser protagonista em um filme. Existe desde 1904 uma praça que leva o seu nome, A Praça Augusto Severo está localizada no bairro da Ribeira em Natal.

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José do Patrocínio e o fim de seu apoio ao Reinado da Princesa Isabel

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Patrocínio saudou, após uma década de intensa militância, a 13 de maio de 1888, o advento da abolição. Logo após a assinatura da Lei Áurea, com os entornos do palácio tomados de celebração e uma chuva de flores caindo sobre todos, Patrocínio aproximou-se de Isabel, ficou de joelhos e beijou-lhe as mãos, sendo seguido nesse gesto por outros abolicionistas.

Por ironia do destino, o "A Cidade do Rio" e a própria figura de Patrocínio passaram a ser identificados pela opinião pública como defensores da monarquia em crise. Nessa fase, Patrocínio, rotulado como um "isabelista", foi apontado como um dos mentores da chamada Guarda Negra da Redentora, um grupo de ex-escravos que agia com violência contra os comícios republicanos.

Esse grupo iniciou um verdadeiro culto à princesa Isabel, o chamado isabelismo, e combateu diversos ativistas contrários a um eventual Terceiro Reinado. Se reuniram em torno do Partido Conservador por sua gratidão a Princesa Isabel e o gabinete João Alfredo. Os estatutos da Guarda Negra ordenavam que os negros só trabalhassem em fazendas cujos proprietários não fossem hostis a Isabel e apoiassem o terceiro reinado.

Patrocínio passou a liderar a barreira de proteção à Regente, aparando todas as ofensas e ameaças contra ela. Mesmo formado nos princípios republicanos, mas por gratidão à Monarquia, José do Patrocínio queria impedir a ascensão republicana. Porem, a ascensão do gabinete do Visconde de Ouro Preto, em setembro de 1889, do Partido Liberal e inimigo político de Patrocínio, o leva novamente a se aproximar dos antigos correligionários republicanos.

Para se justificar, declarou-se a favor do republicanismo, num período em que se encontrava isolado politicamente e alvo de críticas por todos os jornais cariocas pelas ações da Guarda Negra. Com a queda do gabinete abolicionista, Patrocínio tentou uma reaproximação com os republicanos, afastando-se dos monarquistas.

Percebeu que sua permanência na política e a continuidade como jornalista na imprensa dependia do apoio dos republicanos, liberais e do novo regime de governo, “já que o estado absoluto regido por reis, rainhas, príncipes e princesas estava falido e condenado à extinção”. Essa atitude de total traição repentina a causa monárquica, levou à reestruturação do jornal Cidade do Rio, que perdeu velhos colaboradores.

A crise no jornal leva à saída do redator chefe, Bandeira Júnior, em 12 de junho de 1889. Neste período, as maltas de capoeiras iam sendo dissolvidas pouco a pouco, por causa da repressão e do aumento das prisões, após os distúrbios de 14 de julho.

Em outubro de 1889, na redação do jornal, Patrocínio conspirava com as forças republicanas, que ainda o viam com desconfiança, por causa de sua participação na Guarda Negra. O jornal Cidade do Rio recebia informações sobre os principais acontecimentos que antecederam o golpe contra a Monarquia.

Em apoio aos golpistas, Patrocínio decidiu colocar o jornal Cidade do Rio à disposição do governo provisório e do Partido Republicano. Com este gesto, perdeu amigos e colaboradores monarquistas que apoiaram suas idéias de lealdade a Princesa Isabel e repúdio aos republicanos. Logo após a Proclamação, Patrocínio renunciou ao mandato de vereador, antes de sua cassação pelo Governo Provisório.

Mas nos primeiros três meses da Republica, se decepcionou com Deodoro da Fonseca e com os republicanos que ascenderam ao poder.

Em meio às desconfianças dos republicanos, suas ações na imprensa foram alvo de vigilância, além de ser oficialmente banido das hostes do Partido Republicano, assim como Silva Jardim.

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Fonte: MAGALHÃES JUNIOR, Raimundo. A vida turbulenta de José do Patrocínio. Rio de Janeiro: Sábia, 1969.412 p.

BRAZIL IMPERIAL

COMO ERA PEDRO II?

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"Dorme pouco, come menos do que dorme, bebe só água. Fala muito, lê mais do que fala e ainda mais do que lê visita escolas, cadeias, hospitais, quartéis, só não visita as pessoas que o visitam. Não fuma e não deixa quem fuma fumar, sentia náuseas com o cheiro do fumo” Múcio Teixeira, Jornalista e Escritor, sobre Dom Pedro II.

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As Impressões que o Imperador e Imperatriz do Brasil causaram a Rainha Vitória

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Em 1871 durante a primeira viagem que fizeram juntos a Europa, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina visitaram a Rainha Vitória da Inglaterra, então a monarca mais poderosa do Mundo em um de seus Palácios, a Osborne House na Isle of Wight.

A Rainha anotou em seu diário sua opinião sobre o casal:

“Ele é muito alto, largo e robusto, um homem muito bonito, mas muito grisalho, embora tenha apenas 45 anos. A imperatriz, nativa de nápoles, é muito gentil e agradável, tão simples e despretensiosa, ela tem a estatura baixa e robusta.

A imperatriz além de amável é extremamente culta e toca piano melhor do que eu. O imperador anda por toda parte ,vê tudo ,quer saber sobre tudo um verdadeiro intelectual. Porém não gosta de formalidades, ele levanta as 5 da manhã e já sai às 6 !!, ele falou comigo muito gentil e sabiamente, com o maior apreço por nossas instituições.

O Brazil não poderia ter um melhor monarca, fiquei surpreendida com o nivel cultural e conhecimentos gerais do imperador, infinitamente superiores aos meus. Eles irão brevemente a Coburgo visitar o túmulo de sua pobre filha Princesa Leopoldina.”

Fonte: Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825-1891 Por Roderick J. Barman

PEDRO II DO BRASIL

Dom Pedro II e o Churrasco Gaúcho

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Durante sua visita a cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, dias após o fim do cerco de Uruguaiana, Dom Pedro II se hospedou no palacete da família Ribas por um dia. Os empregados do palacete lhe ofereceram a fartura de mesa em que resplandeciam os doces de Pelotas, os manjares finos...

O Imperador, que tinha fome, não queria a comida refinada dos Ribas, e pediu feijão e carne de churrasco que estava sendo servida aos funcionários da Casa.

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Explodiu a surpresa o cozinheiro: - “Que! pois vossa majestade come carne?! Disseram-me que as pessoas reais só se tratavam a bicos de rouxinol e doces e pasteizinhos... Porque não disse antes, senhor?... E serviu-lhe o churrasco.”

Fonte: Princesa Isabel, de Pedro Calmon

BRAZIL IMPERIAL

O Capuchinho Herói da Guerra do Paraguai

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Frei Mariano Bagnaia, capuchinho nativo de Viterbo, Itália, chegou ao Brasil, capital Rio de Janeiro, em março de 1847 e, desde logo, ensejou vida missionária de catequização ao índio, no atual estado do Mato Grosso, primeiro Cuiabá depois Diamantino, antes de partir para a aldeia dos Kinikinos, futura Vila do Bom Conselho, na região do Baixo Paraguai.

Em 1864, com a declaração de guerra do Paraguai contra o Brasil, as tropas de Solano Lopez encontraram o frei Mariano em Miranda, como vigário e com jurisdição sobre todo o sul do Mato Grosso. Frei Mariano mobilizou os índios terena a lutarem contra os paraguaios, armados apenas com flechas.

Os terena da missão de Frei Mariano foram cruciais em transmitir ao alto comando do exército brasileiro as informações das localidades do exército paraguaio no Mato Grosso. Apesar da resistência montada contra os invasores (que foi retratada na “Semana Ilustrada”), foi preso, torturado e conduzido para o presídio de Niasc [Paraguai], e depois por diversas prisões paraguaias, conforme movimentações do exército. Mariano relatou que a derrota paraguaia, na batalha de Lomas Valentinas, fez com que Lopez ordenasse matança diária de prisioneiros, inclusive religiosos, sendo frei Basilino Landini o primeiro sacrificado em Assunção.

Seu companheiro das Missões, Frei Ângelo foi decapitado e Mariano conduzido com outros prisioneiros para Parrero Grande, onde seria executado. Quis o destino que soldados brasileiros se encontrassem com aquela ala do exército paraguaio, dando inicio a um inesperado combate, facilitando fuga de frei Mariano que, perseguido e sem alternativas se lançou em águas do rio Apa, mesmo sem saber nadar, porém salvo por um soldado brasileiro.

Visivelmente abalado pela guerra, Mariano retomou suas atividades em Corumbá, como herói de guerra e nomeado 'Pregador Imperial e honras de Major do Exército Brasileiro, por Carta Imperial de 08 de outubro de 1873'.

Na capital do Império em 1886 foi designado para substituir o diretor do Aldeamento São Pedro Alcântara, em Jataizinho - PR, às margens do rio Tibagi, porém, meses depois retornou para a Capital do Império, Rio de Janeiro, para receber ordens de fundar Catequese em Campos Novos. Giovannetti disse que Mariano, mesmo adoentado, "deliberou obedecer às ordens superiores".
Confuso mentalmente, perseguido pelas visões noturnas e terríveis lamentos dos tantos torturados de guerra que presenciara no Paraguai, frei Mariano quando de passagem por São Pedro do Turvo rumo a Lençóis Paulista não resistiu a culpa de sua consciência que o acusava de indigno de viver, enquanto seus discípulos e companheiros de fé sofreram o martírio, e quis ir ao encontro deles e, "num momento de forte desespero, suicidou-se cortando com uma navalha a carótide" (Giovannetti, 1943:

Noticiário da época, na grande imprensa (Correio paulistano, 21/08/1888: 2) traz:
—No dia 08 [de agosto de 1888] falleceu frei Marianno de Bagnaia, em consequencia do medonho golpe em si deu a 18 de mez passado [julho de 1888] quando accommettido de um accesso de loucura."—
Versão variante, religiosa e corrente em Campos Novos Paulista, não menciona o suicídio de frei Mariano, e sim que tenha assaltado e gravemente ferido por ladrões, a mando, que o sabiam ecônomo da Ordem e que levava consigo elevada soma em dinheiro para entregar ao Padre Bernardino de Lavalle para a restauração do aldeamento em Campos Novos ou mesmo a fundação de outro onde melhor aprouvesse àquele sacerdote. O dinheiro, dizem, nunca foi encontrado.

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Fonte: A história do Frei Mariano de Bagnaia: missionário do pantanal. Esboço Histórico da Alta Sorocabana, 'A Catequese dos Índios'. Antropologia, história e educação: a questão indígena e a escola.

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Ao chegar a Portugal, como exilado

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Ao chegar a Portugal, como exilado, Dom Pedro II ouviu de um jornalista:

“Vossa Majestade aqui não é um proscrito. Todos vos estimamos, respeitamos e reverenciamos.”

O povo nas ruas de Lisboa, clamavam “Viva o magnânimo!”. No mesmo dia aclamação de seu sobrinho neto, Carlos I, como Rei de Portugal em 28 de dezembro de 1889, a Imperatriz Dona Teresa Cristina morreu de infarto. Abalado Dom Pedro II não aceitou a ajuda financeira de seu sobrinho-neto Dom Carlos I, agora rei de Portugal.

O Rei lhe ofereceu uma voluptuosa quantia e um palácio para residir sem custos. Mas para o ex-Imperador do Brasil aceitar os presentes do Rei não seria ético. “Ocultando o rosto com as mãos magras e pálidas, o Imperador chorava como um menino; por entre os dedos escorriam lhe as lágrimas, que caíam sobre as estrofes de Dante."

Fonte: “Memórias do Exílio", do Conde Afonso Celso

REI DA ESPANHA E IMPERADOR ROMANO

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O atual Rei Don Felipe VI de Espanha detém o título de Imperador Romano do Oriente (Bizantino) adquirido pelos Reis Católicos Fernando e Isabel e por "translatio imperii" como único descendente com reivindicações, e atualmente no poder, o título de Imperador Romano do Ocidente, sendo um legítimo César.

Embora a Constituição espanhola, Título II, artigo 56, parágrafo 2, designa que S.M. pode usar somente os seguintes títulos, para não causar conflitos diplomáticos:

Rei Católico, Rei de Espanha, Rei de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, de Galiza, de Maiorca, de Sevilha, de Sardenha, de Córdoba, da Córsega, de Múrcia, de Jaén, do Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, de Ilhas Canárias , Índias Orientais e Oeste, e as ilhas e continente do Mar Oceano, Arquiduque da Áustria, Duque de Borgonha e Brabante, Milão, Atenas e Neopatria, Marquês de Oristan, Conde de Habsburgo, Flandres, Tirol, Barcelona, Roussillon, Cerdanya e Gocéano, Senhor da Biscaia e Molina,
Etc...

Pintura : Don Felipe de Borbón, 1997. Óleo sobre lienzo, 180 x 100 cm. Obra de Ricardo Sanz

RENASCIMENTO

O dia que o Príncipe de Galês conheceu o bom humor do Imperador do Brasil.

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O dia que o Príncipe de Galês conheceu o bom humor do Imperador do Brasil. 

Durante sua visita a Londres em 1871, Dom Pedro II assistiu à apresentação do famoso pianista inglês William Sterndale Bennett. O Príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VII da Inglaterra, manifestou ao embaixador do Brasil em Londres, Barão de Penedo, o desejo de que o pianista fosse condecorado pelo Imperador do Brasil com a Imperial Ordem da Rosa.

Dom Pedro II se recusou a tal , “O Imperador não tolerava nesse pianista a falta de higiene. Seu mal cheiro era insuportável, Ao saber da proposta do Príncipe de Gales, comentou ironicamente. Concordo, desde que antes o governo inglês lhe conceda a Ordem do Banho...”

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O futuro Rei não se ofendeu, pelo contrário, “Gostou de testemunhar o famoso espírito Irônico e Bem Humorado de Dom Pedro”

fonte: Dom Pedro the Magnanimous, Second Emperor of Brazil. Por Mary Wilhelmine Williams

BRAZIL IMPERIAL

segunda-feira, 16 de março de 2020

O Pioneiro da Psiquiatria no Brasil

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Nascido em Salvador em 1872, Juliano Moreira era de origem humilde, seus pais eram empregados domésticos do Barão de Itapuã, que era padrinho de Juliano. Com a ajuda de seu Padrinho, que era médico e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, Juliano Moreira faz os cursos preparatórios no Colégio Pedro II e ingressa no curso de medicina, em 1885. 

Formou-se em 1891, aos 19 anos, com a tese “Sífilis maligna precoce”. Ainda na Bahia, se especializou em clínica psiquiátrica. Entre 1903 e 1930, dirigiu o Hospício Nacional de Alienados, antigo Hospício Dom Pedro II. Durante seu trabalho como diretor, humanizou o tratamento e acabou com o aprisionamento dos pacientes. 

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Considerado como o fundador da psiquiatria científica no Brasil, Juliano Moreira, no campo da literatura médica, escreveu e publicou obras de grande valor, que reúne mais de cem títulos, entre trabalhos científicos e de outra natureza, destacando-se “Assistência aos alienados no Brasil” (1906), “Les maladies mentales au Brésil” (1907) e “A evolução da medicina brasileira” (1908). 

Fundou, em colaboração com outros médicos, os periódicos “Arquivos brasileiros de psiquiatria, neurologia e medicina legal (1905), “Arquivos brasileiros de medicina” (1911) e “Arquivos do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro” (1930). Foi, ainda, colaborador do periódico “Brasil Médico” e da “Revista Médico-Cirúrgica do Brasil”. 

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Um dos cientistas brasileiros de maior renome, foi membro de inúmeras instituições científicas, como a Antropologische Gesellschaf de Munique, a Société de Médecine de Paris, a MedicoLegal Society de Nova York e a Medico-Psychological Association de Londres. Foi fundador da Academia Brasileira de Ciências, em 1917. 

Na Academia Nacional de Medicina foi eleito Membro Titular, em 1903, e transferido para a classe dos Honorários, em 1930. Foi vice-presidente na gestão do Acadêmico Miguel Couto, no período de 1922 a 1923 e de 1925 a 1933, ano de sua morte. 

Faleceu na cidade de Petrópolis, no dia 2 de maio de 1933.

O Pioneiro do Combate a Febre Amarela

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Domingos José Freire Junior formou-se doutor em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1866, defendendo a tese intitulada “Albuminúria e lesões patológicas dos rins”. Serviu ao Exército Imperial como Cirugião-Mór da brigada durante a Guerra do Paraguai. Ao retornar ao Brasil, tornou-se Oficial da Ordem da Rosa e foi condecorado com a Medalha da Campanha do Paraguai.

Ingressou em sua carreira de acadêmico, através de concurso, tornando-se lente de Química Orgânica em 1874 da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e posteriormente em 1880, professor interino da Escola Politécnica.

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Foi pioneiro nas pesquisas sobre febre amarela e desenvolveu uma vacina para a prevenção da doença.No final de 1883, através do Aviso nº. 4.546, o Ministério e Secretaria de Estado de Negócios do Império concedeu-lhe autorização para inocular sua vacina na população do Rio de Janeiro. Foram mais de 2.000 pessoas vacinadas com êxito.

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1885, apresentando a memória intitulada “Ptomanias da Febre Amarela”. Em fevereiro de 1892, o Ministério do Interior, pelo decreto nº. 1.171 criou o Instituto Bacteriológico Domingos Freire, anteriormente denominado Laboratório de Bacteriologia.

Assumiu a direção do Museu Nacional em 1893, quando a instituição já se encontrava no Paço de São Cristóvão. Obteve grande reconhecimento nacional e internacional devido a seu trabalho como bacteriologista, principalmente por ter reivindicado a descoberta da febre amarela e ter desenvolvido a vacina que inoculava a doença.

Foi homenageado tendo seu nome em um logradouro público, Rua Domingos Freire, no bairro de Inhaúma, na cidade do Rio de Janeiro. Faleceu em 21 de agosto de 1899, no Rio de Janeiro.

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