quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A REVOLTA DOS MALÊS


Durante as primeiras décadas do século XIX várias rebeliões de escravos explodiram na província da Bahia. A mais importante delas foi a dos Malês, uma rebelião de caráter racial, contra a escravidão, e religiosa, contra religião Católica, que ocorreu em Salvador, de 24 para 25 de janeiro de 1835. 

Nessa época, a cidade de Salvador tinha cerca de metade de sua população composta por negros escravos ou libertos, das mais variadas culturas e procedências africanas, dentre as quais a islâmica, como os haussas e os nagôs. Foram eles que protagonizaram a rebelião, conhecida como dos "malês", termo designava negros muçulmanos.

Sendo a maioria deles composta por "negros de ganho" (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros), que tinham mais liberdade que os negros das fazendas, podendo circular por toda a cidade com certa facilidade, embora tratados com desprezo, isso facilitou a economia de parte dos ganhos que seus donos lhes deixavam, dinheiro, geralmente, usado para comprar alforria.

Eis que em janeiro de 1835 um grupo de cerca de 1500 malês, liderados pelos muçulmanos Manuel Calafate, Aprígio, Pai Inácio, dentre outros, armou uma conspiração marcada para estourar na madrugada do dia 25 daquele mês.

Seus o objetivos eram libertar seus companheiros islâmicos, acabar com o Catolicismo (pois escravos vindos da África recebiam a Catequese), matar brancos e mulatos considerados "traidores" e proclamar uma república islâmica na Bahia.

Arrecadaram dinheiro para comprar armas e redigiram planos em árabe, mas não contavam com uma denuncia feita por uma negra ao juiz de paz da região. Mesmo assim, conseguiram atacar o quartel que controlava a cidade. 

Entretanto, devido à inferioridade numérica e de armamentos, acabaram massacrados pelas tropas da Guarda Nacional, pela polícia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelião (que significaria suas mortes).

No conflito morreram sete soldados e setenta revoltosos. Cerca de 200 integrantes da revolta foram presos pelas forças oficiais. Todos foram julgados pelos tribunais. Os líderes foram condenados a pena de morte. Os outros revoltosos foram condenados a trabalhos forçados, açoites e degredo (enviados para a África). O governo local, para evitar outras revoltas do tipo, decretou leis proibindo a circulação de muçulmanos no período da noite bem como a prática de suas cerimônias religiosas.

Apesar de não alcançar o triunfo esperado, a Revolta dos Malês abalou as elites baianas mediante a possibilidade de uma revolta geral dos escravos. Ameaça que se estendeu até 1888 quando a Princesa Imperial Regente, Dona Isabel, em nome de seu pai, o Imperador Dom Pedro II, depois de muita luta da sociedade abolicionista, apoiada pela Família Imperial, decretou o fim da escravidão com a Lei Áurea. 

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