segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

REAÇÕES A MORTE DE DOM PEDRO II


A monarquia brasileira caiu no momento em que havia alcançado o ponto alto de sua popularidade entre a povo, em parte por causa da abolição da escravidão em 13 de maio de 1888. Os brasileiros ficaram indiferentes com os novos heróis impostos pelo governo republicano, como por exemplo Tiradentes, e ainda permaneciam apegados ao imperador Pedro II quem eles consideravam um herói. Ele continuou sendo visto como um símbolo nacional, a personificação do Pai do Povo. Essa visão era ainda mais forte dentre aqueles de descendência africana, que equiparavam a monarquia com sua liberdade. Os afro-brasileiros demonstravam sua lealdade com Pedro de maneiras sutis, como por exemplo tatuando a imagem da Coroa Imperial em seus corpos.

Os anos que se seguiram à deposição da monarquia testemunharam em várias cidades pelo Brasil a propagação de músicas contendo letras que refletiam os sentimentos favoráveis ao imperador. Exemplos: "Sai d. Pedro Segundo/Para o reino de Lisboa./Acabou-se a monarquia/O Brasil ficou à toa." e também "A mãe do Deodoro disse:/'Este filho já foi meu;/Agora tá amaldiçoado/De minha parte e de Deus'". O fenômeno do contínuo apoio ao monarca é amplamente creditado à crença geralmente arraigada de que Pedro era um "governante sábio, benevolente, austero e honesto". A visão positiva e a nostalgia cresceram quando o Brasil entrou em uma série de crises econômicas e políticas que a população creditou à derrubada do imperador.

Sentimentos surpreendentes de culpa foram manifestados entre os republicanos e eles tornaram-se cada vez mais evidentes com a morte de Pedro durante seu exílio na França em dezembro de 1891. A chegada no Brasil da notícia sobre a morte do imperador "despertou um genuíno sentimento de pesar entre aqueles que, embora não simpatizantes da restauração da monarquia, reconheciam tanto os méritos quanto as realizações de seu finado governante". A derrubada da monarquia ainda estava fresca na lembrança, a qual se adicionou um sentimento de remorso sobre aquilo que era visto como um injusto fim solitário.

Alguns republicanos "reconsideravam o longo banimento e ponderavam sobre a severidade da atitude". Até mesmo eles achavam que Pedro merecia um fim melhor, com a nostalgia espalhando-se enquanto esses "começavam a ver na época Imperial um tempo feliz, uma era de ouro, perdida para sempre". Os novos governos começaram a enxergar o Império com mais tolerância e suas realizações consideráveis foram abertamente reconhecidas. Estava aparecendo "um sentimento de que uma vez houve uma época em que o Brasil era mais respeitável, mais honesto e mais poderoso".

Uma predileção ímpar surgiu em vários políticos republicanos, incluindo aqueles "de alta posição", para "elogiar D. Pedro II e a monarquia". Eles não queriam a restauração, porém acreditavam que a república poderia aprender com o regime caído. Dessa forma Pedro "se tornava, paradoxalmente, um modelo dos ideais republicanos". Para esses "republicanos, d. Pedro aparecia como o melhor deles; para os monarquistas o elogio era, claro, outro [que o imperador era o melhor dos monarquistas]".

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