sexta-feira, 20 de novembro de 2015

ANDRÉ REBOUÇAS, NEGRO, ABOLICIONISTA E MONARQUISTA

Uma vez, em um baile da aristocracia brasileira, a Princesa Imperial, Dona Isabel, tira André Rebouças para dançar, uma atitude que foi considerada "escanda-lo"

André Pinto Rebouças (Cachoeira, 13 de janeiro de 1838 — Funchal, 9 de maio de 1898) foi um engenheiro, inventor e abolicionista brasileiro. Era filho de Antônio Pereira Rebouças (1798-1880) e de Carolina Pinto Rebouças. Seu pai, filho de uma escrava alforriada e de um alfaiate português, era advogado autodidata, deputado e conselheiro de D. Pedro II (1840 - 1889). Dois dos seus seis irmãos, Antônio Pereira Rebouças Filho e José Rebouças, também eram engenheiros. André ganhou fama no Rio de Janeiro, então Capital do Império, ao solucionar o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais fora da cidade. Servindo como engenheiro militar na guerra do Paraguai, André Rebouças desenvolveu um torpedo, utilizado com sucesso. André e Antônio são promovidos a primeiro-tenente e recebem a "Carta de Engenheiro Militar".

Em 1871, André e seu irmão Antônio, também engenheiro, apresentaram ao Imperador Dom Pedro II o projeto da estrada de ferro ligando a cidade de Curitiba ao litoral do Paraná, na cidade de Antonina. Quando da execução do projeto, o trajeto foi alterado para o porto de Paranaguá. Até hoje, essa obra ferroviária se destaca pela ousadia de sua concepção. Ao lado de Machado de Assis, Cruz e Souza, José do Patrocínio, André Rebouças foi um dos representantes da pequena classe média negra em ascensão no Segundo Reinado (no Império, a ascensão social, inclusive de negros, era possível, coisa que não ocorreu em outros países até o século XX) e uma das vozes mais importantes em prol da abolição da escravatura. Ajudou a criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e outros. Participou também da Confederação Abolicionista e redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora.

Em 1873, depois de sua excursão pela Europa, André chega a Nova Iorque, onde sente o peso do preconceito racial no já livre EUA. Volta ao Brasil.

Participou da Sociedade Central de Imigração, juntamente com o Visconde de Taunay.

Incentivou a carreira de Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani.

Entre setembro de 1882 e fevereiro de 1883, Rebouças permaneceu na Europa, retornando ao Brasil para dar continuidade à campanha pela abolição da escravatura. Em 1888, é extinta a escravidão, Rebouças procurar combater a corrente republicana porém, com a abolição, veio também a queda do Império (queda essa apoiada pelos escravocratas que não aceitava a abolição), e, assim, em 1889, André Rebouças embarca, juntamente com a família imperial, com destino à Europa. Por dois anos, ele permanece exilado em Lisboa, como correspondente do The Times de Londres. Posteriormente, transfere-se para Cannes, onde permanece até a morte de D. Pedro II, em 1891, a partir disso começa demonstrar sinais de desequilíbrio emocional.

Em 1898, é encontrado seu corpo estendido no mar, ao pé de uma rocha, bem em frente ao lugar em que morava. Teria cometido suicídio. Tinha 60 anos. Agora, para se pensar, o que levaria este homem ao, provavelmente, suicídio? Teria sido a desilusão por ver seus planos de um Brasil mais igual indo por água abaixo? Vide que Rebouças tinha o apoio da Família Imperial para ajudar no ingresso dos recém libertos à vida na sociedade.

FONTES:

  • O quinto século. André Rebouças e a construção do Brasil, de Maria Alice Rezende de Carvalho. 1998. Editora Revan;
  • Da Abolição da Escravatura à Abolição da Miséria: A vida e as ideias de André Rebouças, de Andréa Santos Pessanha;
  • André Rebouças: um engenheiro do Império, de Alexandro Dantas Trindade. 2011. Editora Hucitec.

Um comentário:

  1. André Rebouças foi um grande brasileiro e um paradigma de lealdade e fé. Abandonou tudo o que tinha no Brasil para se exilar na Europa com Dom Pedro II e sua filha Isabel, por quem tinha profundo amor e gratidão, terminou sua vida miserável e deprimido numa região esquecida do litoral da África e cumpriu sua promessa de nunca mais voltar ao Brasil. É um relato comovente da nossa história.

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