quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ARLINDO VEIGA DOS SANTOS - “SEM REI NÃO HÁ UNIÃO NACIONAL”

Veiga dos Santos

Arlindo Veiga dos Santos foi um intelectual, poeta, escritor e líder político brasileiro. Fundou e presidiu a Ação Imperial Patrianovista Brasileira, uma organização monarquista que teve inserção em vários estados brasileiros, e a Frente Negra Brasileira. Sendo uma das maiores lideranças da população afro-brasileira. Teve contato com integralistas brasileiros como Plínio Salgado, embora não tenha chegado a fazer parte do grupo. Arlindo também foi professor de latim, inglês, português, história, sociologia e filosofia. Teve por princípio ideológico recusado qualquer cargo público, por ser monarquista e ser contra a republica, como quando recusou o convite para ser secretário de educação de São Paulo em 1930. Foi considerado uma das principais lideranças negras na primeira metade do século XX. Foi um grande ativista político, possuiu importantes postulados ideológicos à frente do movimento negro e monarquista.

Veiga dos Santos reificou a tradição de um setor da população negra brasileira a manter, no período republicano, simpatia pela monarquia. Arlindo Veiga dos Santos, um negro, chefe geral patrianovista, defensor da religião, pátria e raça, em plena década de 1930, escreveria e distribuiria um boletim vociferando aversão à forma de governo republicana. Um líder negro saudosista do sistema monarquista. Respeitado pela elite intelectual, aliado à luta política anti-racista, Veiga dos Santos desenvolveu uma ativa produção intelectual. Santos teve uma trajetória de vida pautada pela perseverança e abnegação. Arlindo Veiga dos Santos ainda é um líder negro razoavelmente desconhecido dos anais da história. Este dado é um indicador do quanto a produção acadêmica no Brasil não preza pela diversidade racial e permanece preterindo ou escamoteando alguns personagens negros. Veiga dos Santos é objeto de uma investigação histórica ou sociológica.

Um dos participantes de maior destaque da vida cívica em São Paulo durante a década de 1920, foi Arlindo Veiga dos Santos. Ainda adolescente, revelou talento literário e jornalístico, tanto escrevendo poesias quanto colaborando em algumas publicações locais. Transferiu-se para São Paulo, onde fez curso universitário na Faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo. Nesta instituição, concluiu o curso em 1926. Destacou-se precocemente na vida acadêmica, tornando-se colaborador da revista de Filosofia daquela instituição. A religião influenciou imensamente a formação ideológica de Veiga dos Santos. Foi um carola mariano muito aplicado. Levava uma vida ascética. Veiga dos Santos colaborou ou dirigiu alguns jornais Católicos. Em 3 de março de 1928, em conjunto com alguns amigos, Veiga dos Santos fundou o Centro Monarquista de Cultura Social e Política Pátria-Nova. Fundada no princípio de que a instauração do III Império seria a salvação para todos problemas do Brasil.

A grande obra da ação negra no Brasil deve começar pela família pois que é ela a célula-mãe de toda a sociedade civil. É a família a união do varão e a esposa com seus filhos, debaixo do governo do varão. É ela o protótipo da sociedade política ou estado mais perfeito, isto é monarquia”.

Veiga dos Santos passava privações materiais e tinha até dificuldade de alimentação. Iniciava e encerrava as reuniões do CMCSP Pátria Nova com uma oração, e frisava que o próprio movimento de defesa do III Império nasceu “sob a inspiração da Santíssima Trindade”. Em 1932, essa organização reformou os estatutos e se transformou em Ação Imperial Patrianovista Brasileira.
Abominava os partidos políticos, considerados nefastos porque representavam várias facções. Na sua concepção, a solução para as mazelas do país, tais como: a desonestidade, a imoralidade, os erros políticos, econômicos, a inflação, a impunidade, só dependia da instauração de um Estado Monarquista dotado de um governo forte. No auge do movimento patrianovista, especulou-se que o herdeiro presuntivo do trono brasileiro, D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança, confabulava nos meios monarquistas. A Casa de Bragança chegou a manter contato com o chefe geral patrianovista, conforme a carta do próprio D. Pedro Henrique:

Agradeço ao ilustre Dr. Veiga dos Santos e aos seus valorosos colaboradores o inestimável serviço prestado ao Brasil e à Monarquia, estudando e organizando o plano da ‘Orgânica’, sob cuja bandeira por sem dúvida se unirão todos quantos almejam ver instalados no Brasil o regime da liberdade, de justiça, de honestidade, que fez, no passado, a grandeza de nossa terra e que, no futuro, proporcionará à nossa gente dias de paz, de concórdia, de felicidade e de progresso”.

Após 1945, o herdeiro presuntivo do trono brasileiro passa a residir no país e se aproxima da AIPB, realizando várias visitas à sua sede em São Paulo. O movimento se expandiu para mais de quinze estados do país. Entretanto, em 1937, Getúlio Vargas liderou um golpe de Estado (coisa comum na república brasileira), instalou um regime ditatorial batizado de Estado Novo, e colocou todas as organizações políticas na ilegalidade. Desse modo, chegou ao fim a primeira fase do movimento patrianovista. 

Um outro campo de atuação de Veiga dos Santos foi a luta pela elevação moral, política e social da população negra. Desde a década de 1920 engajou-se no movimento negro organizado, escrevendo para os jornais da raça e se empenhando na construção das entidades negras. Arlindo Veiga dos Santos, um “doutor em filosofia”, um “alto pensador”, “sabotado” no nosso país por uma “autoridade invisível”, mas conhecido quando se “passa a fronteira do Brasil”. Carismático e eloquente, Veiga dos Santos conquistou a admiração dos afiliados da FNB. Em determinado panfleto de agitação, escreveu: “Meus irmãos negros! Viva a raça!”.Em 1955, após a reativação da Ação Imperial Patrianovista Brasileira, publicou o jornal "Monarquia". Órgão da Chefia Geral Patrianovista, trazendo em letras garrafais o seguinte slogan: “SEM REI NÃO HÁ UNIÃO NACIONAL”.

Veiga dos Santos era culto, dominava várias línguas. Na qualidade de intelectual, poeta e escritor, Veiga dos Santos é autor de diversas obras, mereceu a menção honrosa da Academia Brasileira de Letras. Alguns até asseguram que Veiga dos Santos era mais conhecido no exterior que em sua “pátria”. Na concepção deste dirigente negro, a república brasileira tem uma espécie de índole escravocrata, além de que “divide” os “irmãos da mesma Raça”, ao passo que a monarquia teria um valor providencial para o negro. O patrianovismo de Veiga dos Santos preconizava a monarquia com um Imperador responsável, que reinasse e governasse, um estado imperial orgânico de base municipal, um estado em que a representação se faz pela família e pelo trabalho. Por intermédio dos sindicatos profissionais e das corporações sociais, econômicas e culturais, dentro de uma instância maior, a orgânica imperial, garantiria-se o bem estar da nação. A definição de monarquia orgânica.

Arlindo Veiga dos Santos é um exemplo emblemático da consciência dividida da intelectualidade negra brasileira: se horizontalmente ele tem uma mensagem étnica de protesto, ou de contestação à situação do negro no Brasil, verticalmente a sua vivência reproduz os padrões e valores da civilização, da cultura e dos postulados religiosos, políticos e ideológicos. A monarquia foi melhor para os negros. Durante a monarquia sobressaíram várias personalidades negras. Em todo período republicano, não se sobressaiu nenhum grande homem negro. Os que são apontados, se fizeram no tempo da monarquia. Veiga dos Santos deu continuidade a tradição que, por sinal, se estende até os dias de hoje. Afinal, não podemos esquecer que no plebiscito de 1993, para decidir qual era a melhor forma de governo, alguns expoentes da comunidade negra no país fizeram campanha publicitária em prol da monarquia, como a atriz Zezé Mota, os cantores Jards Macalé, Sandra de Sá e a sambista Dona Zica, então liderança do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira.

As palavras de ordem de Arlindo Veiga dos Santos permanecem vivas no imaginário de muitos brasileiros. Viva a nova Monarquia Brasileira!

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