O Imperador não se limitava à proteção oficial, ou a que ele diretamente concedia, ao período de formação do artista. Nunca perdia de vista o bom artista, amparava-o, dava-lhe empregos, incumbia-o de encomendas e decorações e adquiria-lhe as obras para si ou para a Pinacoteca, por ele fundada e enriquecida, sempre com seu próprio bolso.
Da Itália nos vinha o nome glorificado de Antônio Carlos Gomes. Graças à pensão que lhe dava pessoalmente o Imperador, conseguira concluir os estudos. Jamais outro compositor brasileiro alcançou o sucesso de “Il Guarany”, cuja estreia se deu no Teatro alla Scala de Milão com apoteótico sucesso.
Conversando com o Visconde de Taunay, Dom Pedro II comentou a ópera “Lo Schiavo”, de Carlos Gomes, e acrescentou:
— Estou disposto a custear pessoalmente a montagem da peça.
— Repare, Senhor, que serão necessários 40 contos de réis.
— Não! Com a breca, isso não! Não sou tão rico assim. Em todo caso, fale com os empresários e venha entender-se comigo. Podemos contar com o sucesso da obra.
Carlos Gomes declarou:
— Se não fosse o Imperador, eu não seria Carlos Gomes.
Embora aureolado por um nome glorioso, que honrava o Brasil, Carlos Gomes ficara pobre após o golpe de 15 de novembro. Fora mantido pessoalmente por D. Pedro II, e a República se recusou a conceder-lhe uma pensão, por ser amigo da Família Imperial. Apesar disso, quando lhe foi feito o convite para compor o hino da República, não aceitou, como nobre homenagem de gratidão ao seu protetor destronado.
Baseado em texto do livro “Revivendo o Brasil-Império”
Imagem: o Imperador Dom Pedro II, 1851, João Maximiano Mafra, atualmente no Museu do Estado de Pernambuco.
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